Nebulosa

57 Capítulo 57 – Uma boa conversa.


Notas iniciais
Boa noite Garotas.

PDV Emmett Cullen.

Caraca... Rose estava grávida. Minha loura estava carregando um filho em seu ventre... Eu ia ser pai! Já podia até imaginar meu garotão vestindo o uniforme do Tucson Toros, um taco de beisebol na mão, o maior rebatedor de todos os tempos. Show!

Ou quem sabe ele poderia ser apanhador... Eu iria me acabar de orgulho do mesmo jeito. Mas... E se o guri não quisesse jogar beisebol e sim futebol? Cocei o queixo... Sabe que não seria má idéia? E eu ainda assistiria aos jogos da temporada inteira de graça! Maravilha! Aquela com certeza seria a melhor parte. Sorri amplamente. E se ele fosse bom em outra coisa? Com certeza entraria para a liga universitária de basquete e futuramente iria jogar pela NBA... O novo Michael Jordan, nada mal!

Ainda sorria meio bobo com essa constatação quando Rose ao meu lado, deitada em nossa cama, me tirou dos meus devaneios, passando a mão delicada pelo meu tórax.

— Vamos ser pais.

— É isso aí, minha loira.

Falei sentindo meu peito inchado de orgulho.

— Está feliz?

Se eu conseguisse ficar mais feliz, acho que explodiria.

— Demais. E você? Eu sei que você não estava pensando sobre isso amor, mas Deus quis assim...

Falei um pouco preocupado. A reação dela quando toquei neste assunto no dia do aniversário de Jasper ainda martelava em minha cabeça. Rose havia levado muitos revezes da vida, mas tinha conseguido superar a maior parte deles com muita coragem e uma enorme força de vontade.

— Não nego que fiquei bastante surpresa, mas também estou feliz.

Ela disse sorrindo e alisando o ventre ainda plano.

— Verdade?

Insisti.

— Sim, Emmett. Quero muito essa criança. Seja menino ou menina.

— Eu também amor e...

Palavra proibida, palavra proibida, palavra proibida, minha mente gritava um alerta silencioso.

— O que?!

Consegui balbuciar. Epa. Para. Para tudo. Menina?! Menina?! Não... De jeito nenhum! Não mesmo. Olhei para minha mulher procurando expressar todo amor que eu sentia no meu olhar e falei tranquilamente:

— Vai ser um garoto amor.

Ela me olhou cética.

— Quem disse?

Um, dois, três, quatro, cinco... Eu teria que ter uma paciência da porra agora. Meu pai já havia me alertado... Mulheres grávidas são muito sensíveis. Dei um sorriso complacente.

— Não fui eu que fiz? É macho, pode acreditar.

Levei um soco leve nas costelas.

— Porra, Rose.

— Larga de falar asneiras, seu gorila idiota!

— Que merda eu falei agora?!

Ela me fitava aborrecida.

— Você é médico e sabe muito bem que as chances são de cinquenta por cento para ambos os sexos.

Gargalhei alto.

— Você não conhece a força do meu “zóide” amor.

Falei me gabando, enquanto ela rolava os olhos diante da minha referência ao meu espermatozoide machão.

— Pois saiba que eu ficarei muito feliz em ser mãe de uma menina.

Droga, merda, porra...

— Ui!

Um comichão começou a se espalhar pelo meu corpo, a coceira aumentou e eu me tremi e me cocei todinho. Rose me olhava segurando o riso.

— Para com isso, Emmett!

Respira. Respira, se não você enfarta gorilão... Pensei mentalmente.

— Emmett!

Ralhou minha mulher.

— Eu não posso ter uma filha Rose.

Falei num sussurro.

— E por que não?

Ela perguntou confusa.

— Por que os garotos vão atrás das meninas. Eles as cercam, ficam em cima, marcam cerrado, as conquistam... E na maioria das vezes só querem transar e nada mais. Eles fazem isso amor. Eu mesmo fiz isso inúmeras vezes.

— E?

— E?!

Ela só podia estar brincando! Depois eu é que sou a anta dessa família!

— E daí que eu vou matar o filho da puta que se atrever a chegar perto de uma filha minha! Eu mato, esgano, esfolo, trucido e pode apostar que ainda capo o desgraçado infeliz!

Ela sorriu amplamente.

— Talvez você precise passar por isso, Dr. Cullen.

Ai! O comichão de novo! Mordi a língua começando a sentir o corpo todo pinicando... Putz! Parecia até sarna!

— Eu hein! Deus me livre! Vai ser um garoto. Um garoto ouviu? Macho igual ao pai dele. M-A-C-H-O, tenho certeza.

Falei convicto, mas morrendo de medo. E eu tinha certeza que alguém lá no céu gostava de mim, então estava tudo certo.

— Como Edward mesmo disse... Talvez esse seja o seu castigo amor, por ter aprontado tanto...

Abracei-a e resolvi ignorar ou então teria de tomar um bom tranquilizante para poder ir dormir.

PDV Narrador.

Era uma manhã esplendorosa. O sol já brilhava alto quando Bella caminhou descalça pela casa e entrou na cozinha, sentindo os olhos de Charlotte a acompanhando. Decidira dar aquele nome a coruja assim que soubera que o animal era uma fêmea. A ave melhorava a cada dia.

Três dias haviam se passado desde o incidente e Bella continuava dormindo em seu antigo quarto. Nos dias anteriores ela havia ido regularmente ao hospital, mas hoje Rose havia tido alta logo cedo e já se encontrava em casa. Alice novamente a chamou para ajudar na loja, mas Bella preferiu ficar em casa e organizar algumas coisas por lá, além de fazer o almoço.

Edward havia chamado o veterinário no dia seguinte...

Ela não o conhecia, mas era o mesmo profissional que cuidava dos Appaloosa, então devia ser competente. Querendo provocar deliberadamente o marido, foi tomar um banho e ficar bastante cheirosa. Estava espalhando hidratante nas pernas quando ouviu a porta principal sendo aberta e vozes masculinas encheram a sala.

Apressou-se para sair, olhando sua imagem refletida no espelho: shortinho jeans curtíssimo e desfiado na barra e a blusa lilás de mangas, amarrada com um nó em sua cintura, que deixava três dedos de barriga de fora e caía com o uma luva em seu corpo esguio. Detendo seu olhar sobre os seios fartos, ela franziu o cenho ao perceber que eles estavam ligeiramente maiores naqueles dias. Botas de cano longo pretas e os cabelos úmidos e recém lavados, soltos pelas costas, completavam o visual.

Caminhou em direção à sala, onde Edward, Jared e o desconhecido estavam de costas para ela, e o veterinário examinava atentamente o animal, que se encontrava com as pernas amarradas, facilitando o trabalho do rapaz.

— Edward, meu velho, essa sua pequena hóspede está com a asa esquerda quebrada. Com certeza, devido a uma disputa de alimento ou de território.

O veterinário falou coçando o queixo.

— Mas ela vai ficar boa?

Perguntou o dono da casa, interessado.

— Minha esposa já se afeiçoou ao animal.

O veterinário sorriu.

— Sim. É apenas uma questão de tempo e cuidados necessários. Mas quem diria hein, Cullen? Você amarrado.

— Sua hora também vai chegar Seth.

Falou Edward sorrindo.

— Ótimo! Estou ficando cansado de pular de galho em galho...

Falou com uma voz preguiçosa.

— Pois eu pretendo é continuar solteiro! E com vocês todos casando aí que vai sobrar mulher mesmo.

Bradou Jared, tirando o seu chapéu. Bella se aproximou sem que nenhum doa três percebesse.

— Bom dia.

Disse educadamente.

— Bom dia amor.

— Bom dia Bella.

— Bom dia senhora Cullen.

Responderam os três virando-se ao mesmo tempo e paralisando diante da visão linda daquela mulher. Imediatamente ela percebeu amor, desejo, admiração e irritação no olhar de seu marido, mas fez questão de ignorar.

Caminhando com passos decididos e estudados, atravessou a distância que os separava, estendendo a mão para o rapaz, simpática.

— Prazer. Isabella Cullen.

— Seth. E o prazer é meu, Isabella.

Respondeu dando-lhe um olhar de verdadeira admiração.

— Agora eu entendo porque você se casou Edward... Sua esposa é linda.

Falou o veterinário.

— Obrigada.

Ela agradeceu toda coquete. Edward bufou.

— Nossa, Bellinha, você caprichou hoje hein mulher?!

Disse Jared abobalhado. Ela sabia que estava chamando a atenção. Fizera de propósito. Mais que depressa, Edward interferiu ciumento:

— Se não quer entrar para a fila dos desempregados, é melhor tirar seus olhos babões de cima da MINHA ESPOSA, Jared!

O recado havia sido dado não apenas para Jared, mas Bella estava decidida a confrontá-lo.

— Deixe de bobagens Edward!

E se aproximou do pequeno animal.

— Já que você é uma menina, vou chama-la de Charlotte.

— Bonito nome, — completou Seth.

— Como faço para cuidar dela?

Perguntou piscando os olhos e sorrindo charmosa, enquanto Edward espumava de raiva.

— Isso pode não ser tão fácil...

Retrucou o veterinário.

— Eu aprendo não se preocupe.

Falou com um doce sorriso, encantando o jovem profissional. Em seguida, ele explicou como tudo deveria ser feito e imobilizou a asa da ave, pois assim curaria mais rapidamente. Antes que Seth se despedisse, Bella avisou que iria sair e pegou as chaves da picape nova.

Edward estreitou os olhos, aborrecido.

— Aonde você vai?

Perguntou cruzando os braços sobre o peito.

— Ao mercadinho do senhor Newton.

Ela respondeu.

— Tenho de comprar várias coisas. A despensa e a geladeira estão desfalcadas.

Ele correu para pegar seu chapéu.

— Vou com você.

Falou apressado.

— Não se incomode querido. Temos visita, esqueceu?

Ela retrucou.

— Seth é de casa. Não vai se incomodar, amor.

Falou ele, frisando cada palavra. Não o agradava nada saber que Bella iria encontrar Mike Newton, vestida com uma roupa tão sensual.

— Mas eu me incomodo Edward! Que tipo de anfitriões nós seríamos se saíssemos agora?! Além disso, compramos o carro novo para facilitar a nossa vida não foi?

Ela falava sorrindo e se afastava em direção a porta, deixando-o para trás.

— Portanto, fique aí, que eu volto em algumas horas.

Concluiu atirando-lhe um beijo de longe e fechando a porta atrás de si. Edward piscava atordoado, ainda parado no meio da sala. Jared e Seth tentavam disfarçar as risadas.

— É... Nada como uma boa conversa.

Disse Seth divertido. Edward bufou.

— Me poupe das suas gracinhas, Seth!

— Decidida sua esposa. Se eu tivesse conhecido essa beleza antes de você, não a deixaria escapar.

Se olhar matasse o jovem veterinário estaria duro e esticado no chão.

— Cale a boca ou eu juro que vou me esquecer de que somos amigos há tanto tempo e enfiar minha mão na sua cara! E nem mesmo um cirurgião buco-maxila-facial vai ser capaz de consertar o estrago!

Seth ergueu as mãos, num gesto claro de rendição.

— Tudo bem Edward, não está mais aqui quem falou.

Disse segurando o riso. Conhecia Edward há muito tempo e sabia que o amigo estava caidinho pela mulher. Edward era um homem de sorte.

PDV Isabella Cullen.

Eu ainda sorria intimamente com a cara de decepção de Edward, ao perceber que eu não permitiria que ele me acompanhasse. Homens... Nós os amamos, mas como são tolos às vezes. Eu estava sofrendo para dormir a noite, sem ter os braços dele a minha volta, mas a lição com certeza valeria a pena. Nunca mais ele agiria comigo daquela forma.

Estacionei o carro em frente ao mercadinho e saí, mas tive que parar e me encostar ao veículo, pois fui acometida por uma grande tontura. Parecia que tudo ao meu redor estava girando. A rua, a calçada, a loja, os pedestres... Calma Bella. Respire profunda e pausadamente... Eu dizia mim mesma. Já era a terceira vez que aquilo acontecia. Com toda certeza eu devia estar com anemia.

Ainda me lembro de ter sentido tonturas e ânsia de desmaio há alguns anos atrás quando tive aquele mal estar. Meu pai me levou ao médico em Forks, quando foi chamado pelo diretor da escola, depois de eu quase ter desmaiado durante uma aula de educação física. Arg! Eu simplesmente detestava Educação Física! No consultório, o médico facilmente deu o diagnóstico.

Assim que fizesse as compras, eu passaria na farmácia e compraria um suplemento alimentar a base de ferro. O medicamento aliado a uma boa alimentação, sem dúvida resolveria o problema e nem mesmo Edward precisaria ficar ciente, ou então, preocupado como é, me levaria ao hospital e faria com que o meu sogro e o meu cunhado me examinassem de ponta a cabeça.

Estremeci. Já falei que detesto hospitais?!

Um pouco melhor, me recompus e entrei no estabelecimento. Mike me viu imediatamente. Bom, para falar a verdade, ele me despiu com os olhos, detendo-se especialmente nas minhas coxas e pernas, mas fiz questão de ignorar.

— Bom dia Mike.

— Bom dia Bella.

— Onde está o seu pai?

— Saiu. Mas eu estou aqui ao seu dispor.

Claro que percebi a frase de sentido duplo, mas nem liguei. Tirando uma caneta presa entre a orelha e sua cabeça ele prosseguiu:

— Você está linda. Como sempre.

— Obrigada. Edward me disse a mesma coisa antes de eu sair de casa.

Falei com um sorriso, mas deixando claro o recado.

— É... Ele tem sorte.

Respondeu com um sorriso amarelo.

— Quer me dar sua lista de compras?

Completou tentando se redimir.

— Claro. Aqui está.

Entreguei o papel a ele, que logo sumiu atrás das longas prateleiras. Enquanto o aguardava, peguei alguns itens de higiene pessoal: shampoo, condicionador, creme hidratante, sabonetes de erva doce, cotonetes, algodão... E uma coisa, no final da prateleira me chamou a atenção: Absorventes.

Peguei um pacote e franzi o cenho, confusa... Me esforcei para lembrar a última data em que minhas regras tinham vindo...

Nada! Minha mente era um branco, um vazio total. Estreitei os olhos e forcei meu cérebro a trabalhar. Dentro de poucos segundos arregalei meus olhos em choque...

Mentalmente fiz e refiz as contas. Mais uma vez. E outra novamente... Sim, não havia nenhum engano... Eu havia ficado menstruada antes da nossa viagem a Wilcox. Antes de comprarmos o carro novo... Com certeza não era só Rose que estava grávida. Eu, Isabella Marie, também estava esperando um pequeno Cullen.

Perdida em pensamentos e ainda chocada com a descoberta, não percebi quando Mike se aproximou com as compras.

— Prontinho Bella, está tudo aqui.

Sorri com o coração disparado.

— Obrigada Mike.

— Algo mais?

— Sim, estes produtos aqui.

Falei entregando tudo o que havia em minhas mãos a ele, que anotou, somou tudo e me disse o valor a ser pago. Entreguei o dinheiro e ele me acompanhou até o carro, acomodando as compras na carroceria. Me despedi e dei a partida, saindo em direção a loja de Alice.

Algum tempo depois...

— Bella! Que surpresa boa!

Disse animadamente minha pequena cunhada correndo para me dar um abraço apertado.

— Fiu-fiu.

Assoviou Jasper quando me viu entrando na Diamond’s.

— Para com isso Jasper

.

Falei vermelha de vergonha. Ele, Alice e Lauren riram. Por um milagre, não havia nenhuma cliente ali.

— Cheguei numa má hora?

Perguntei.

— De jeito nenhum. Veio me ajudar? Estou mesmo precisando de uma gerente, viu cunhada?

Sorri complacente.

— Não querida. Na verdade eu vim até aqui a procura de ajuda.

Tentei esclarecer.

— Ham? O que houve? Edward aprontou alguma foi?

Questionou ansiosa.

— Mais ou menos. Mas depois nós conversamos sobre isso. O que eu queria mesmo era o telefone de um bom obstetra.

Ela e Jasper franziram os cenhos.

— Algum problema Bella?

— Não Jasper. Só quero fazer uns exames de rotina e não conheço quase ninguém por aqui...

Completei sentindo o rubor se espalhar pelo meu corpo. Eu sabia que estava corada até a raiz dos cabelos.

— Muito bem amiga. Nós mulheres temos que nos cuidar. Exames como o citológico, a ultrassom e a mamografia devem ser feitos regularmente e ao menos uma vez por ano.

— Essa é a minha namorada.

Ninguém conseguiu segurar o riso. Alice abriu sua agenda e anotou o número e o telefone do obstetra que ela mesma frequentava no verso de um dos cartões da loja e me deu.

Notas finais
até manha.
kiki