Nebulosa
5 Capítulo 5 - Angústia.
Notas iniciais
Eu era Isabella Swan??? Como assim??? Eu nem gostava daquele nome.... Isabella... Bella soava muito melhor, pensei sentindo uma enorme angústia se apoderar de mim. O irmão médico voltou a se aproximar e me observou cuidadosamente...
— Você não se lembra? — ele perguntou enquanto varria com seus olhos dourados todo o meu rosto.
— Eu... eu não tenho certeza de nada... — Comecei a sentir uma falta de ar...
Ele encarou o irmão visivelmente preocupado.
— Onde ela bateu a cabeça, Edward? Vocês estavam sentados em que lugar no ônibus?
Perguntou ao meu anjo.
— Bom, se estivéssemos sentados não sei se estaríamos aqui agora... Os passageiros que morreram estavam no mesmo lado que nós.
Eu senti uma agonia profunda ao ouvir aquilo e não pude mais conter as lágrimas, que rolavam quentes pela minha face...
— Ei, procure ficar tranqüila, sim. — Falou o grandão pegando no meu ombro de leve. — Eu quero que você respire pausadamente...
Comecei afazer o que ele mandou.
— Ótimo. Isso mesmo. Eu não quero que você fique ainda mais nervosa, ok?
Ele falou gentilmente e secou minhas lágrimas com suas enormes mãos, enquanto eu procurava respirar da forma que ele mandou... Apesar de ser enorme e mais parecer com um urso, ele era bastante delicado. Não bem explicar por que, mas gostei dele.
— Ela bateu a cabeça exatamente em que?
Perguntou outra vez ao anjo que olhava para mim com curiosidade.
— Na parede do banheiro.
O outro arqueou as sobrancelhas surpreso com a afirmação e eu fiquei ainda mais confusa, ao ver o meu anjo revirar os olhos. Continuei olhando para ele que voltou a me encarar...
— Por favor, me conte exatamente o que aconteceu...
Ele suspirou e tornou a se aproximar de mim.
— Nós estávamos sentados lado a lado no avião que veio de Phoenix...
Franzi o cenho. Phoenix? Nada que ele dizia parecia fazer sentido... isso era estranho, muito estranho.
— Você estava com medo de voar, parecia muito tensa e eu comecei a puxar conversa tentando distraí-la.
Pude notar que o irmão médico o olhava com assombro. Ou será que eu estava vendo coisas?
— Aí eu me apresentei a você...
Ao ver que eu nada falava, ele continuou.
— Meu nome é Edward Cullen. Apertamos as mãos e você me disse que se chamava Isabella Swan... E que trabalhava com antiguidades...
Ele continuou descrevendo em detalhes como tudo havia ocorrido... Que o avião não tinha pousado no aeroporto de Tucson, pois havia uma ameaça de bomba... Que tínhamos aterrissado em Catalina, uma das cidades vizinhas... Que fomos conduzidos a dois ônibus depois disso... E que este ônibus havia colidido de frente com um caminhão, que vinha em alta velocidade e guiado por um motorista bêbado.
Eu tentava digerir tudo o que ele dizia... Não parecia que tudo aquilo tinha acontecido comigo... Parecia que ele estava me contando a história de uma outra pessoa... Suspirei desanimada.
— Lembra de alguma coisa?
Perguntou o grandão. Balancei a cabeça negando.
— A propósito, sou Emmett irmão mais velho de Edward, e também sou médico.
— Eu não consigo me lembrar de nada... Eu... Céus! Nada do que você está falando faz sentido para mim... Eu... Eu... Meu Deus!
Eu falei tomada por um misto de angústia e desespero. As lágrimas corriam soltas pelo meu rosto e eu não pude mais segurar os soluços. Chorei muito e senti dois braços fortes e protetores me envolvendo...
— Shh... Calma... Shh... Vai ficar tudo bem Isabella... Eu prometo...
A voz dele tinha o poder de me acalmar e confesso que eu me senti um pouco mais tranqüila ao escutar aquelas palavras. Acalmei-me e sequei as lágrimas me afastando um pouco e olhando para o rosto daquele anjo... Respirei profundamente antes de perguntar...
— Quantas pessoas morreram?
— Dez, incluindo o motorista. Alguns estão em estado grave na unidade de Terapia Intensiva e outros como nós, tiveram mais sorte e escaparam, sofrendo apenas ferimentos leves. A maioria da bagagem se extraviou, inclusive a minha e a sua. Devem estar esmagadas em meio aos escombros...
— E por que eu não consigo me lembrar de nada?
Perguntei voltando a sentir o nó se formar em minha garganta.
— Emmett. — ele falou olhando para o irmão.
— Bom provavelmente você está com amnésia devido à pancada na cabeça... é comum isso acontecer em vítimas de acidentes e traumas violentos... Geralmente é temporária, mas só posso ter certeza absoluta depois que vir todos os seus exames.
Ele notou que eu estava em pânico... Aliás, qualquer um no meu lugar com certeza também estaria.
— Olha, procure se acalmar e fique aqui com Edward enquanto eu vou atrás de alguém que possa me fornecer todos os exames que você fez está bem?
Ele me transmitia uma segurança e uma confiança tão grandes pelo olhar que eu assenti com a cabeça e ele saiu me deixando ainda nos braços do seu lindo e sexy irmão... Edward.
— Eu não posso acreditar! Eu não sei quem eu sou! Não sei... Nada! Não sei absolutamente nada!
Senti ele me segurar com mais força.
— Deixe que Emmett resolva isso sim? Você levou uma forte pancada na cabeça, e ficar nervosa dessa forma, vai acabar piorando o seu estado.
— E quanto a você?
— Não se preocupe comigo. Tirando o corte no supercílio, apenas algumas escoriações e um pouco de dor. Nós tivemos muita sorte.
Tive que concordar. Permanecemos juntos e em silêncio até que Emmett retornou com um monte de exames em suas mãos.
— Ainda bem que este hospital é um dos melhores aqui da região... E dos mais bem equipados de todo o país.
— O que eu tenho?
— Bom, pela tomografia, você não tem nenhum dano ou lesão mais grave no cérebro. Nem mesmo um edema. Isso é bom significa que a perda de memória é realmente devido ao trauma, como eu suspeitava, ou seja, com o tempo você recuperará todas as lembranças, mas por enquanto, procure apenas repousar e não se esforce demais.
— Durante quanto tempo eu vou ficar assim?
Ele me encarou por um momento, antes de falar.
— Não podemos precisar ao certo. É uma coisa que depende apenas de você. A medicina não pode fazer nada num caso como o seu...
— E o que vai acontecer comigo?
Edward interferiu.
— Vamos cuidar de você não se preocupe.
Como eu não iria me preocupar? Aquilo era uma maluquice.
— Mas... eu não quero incomodar... eu... vocês...
— Isabella. — Emmett falou sério. – Escute bem o que estou lhe dizendo... No momento você precisa de repouso e analgésicos para se recuperar. Se o meu irmão está dizendo que nós vamos cuidar de você, é assim que vai ser... Siga as minhas recomendações e depois nós nos preocupamos com o resto, está bem?
— Podem me chamar de Bella? Eu acho que soa melhor do que Isabella.
Os dois concordaram sorrindo. Suspirei pesadamente. Não me restava opção a não ser concordar com aquela situação... O que mais eu poderia fazer? Eu não sabia quem eu era, onde morava, se tinha ou não família... Eu estava completamente entregue aqueles dois homens e a minha própria sorte...
Edward Cullen.
Emmett me encarou sério. Eu estava curvado sobre o leito hospitalar, com ela ainda nos meus braços.
— Posso falar com você um instante?
Meu irmão perguntou e eu fiquei apreensivo na mesma hora. Será que ela estava com algum problema sério e ele não havia contado? Assenti e comecei a me afastar, quando ela me agarrou.
— Você vai me deixar aqui sozinha?
Ela me olhava em pânico e eu senti uma ternura enorme me invadir. Com certeza eu tinha sido profundamente afetado por ter visto a morte tão de perto... Pela segunda vez.
— São só por alguns minutos. Eu vou falar com meu irmão e já volto. Por favor, procure descansar...
Ela engoliu em seco e concordou, recostando a cabeça no travesseiro e fechando os olhos. Emmett me chamou e andamos até nos afastarmos dali, num dos corredores do hospital.
— Então vai me dizer o que está rolando ou não?
Ele perguntou.
— Eu é que pergunto, ela está com algum problema grave? Você não quis falar nada para não deixá-la mais nervosa? Não me deixe aflito Emmett!
Ele revirou os olhos.
— Edward ela está apenas com amnésia temporária e alguns hematomas... E isso passa. Eu estou me referindo ao fato de você está todo derretido e carinhoso com uma estranha... Bom, pelo menos pra mim ela é uma estranha. — Falou com um sorriso malicioso.
Suspirei exasperado.
— Porra Emmett! Levei um susto quando você disse que queria falar comigo...
Estreitei os olhos, ainda desconfiado.
— Você não está me escondendo nada, não é?
Ele gargalhou.
— Quem está cheio de segredos aqui é você mano! Mas eu gostei dela. Parece uma gatinha...
Fechei a cara. Não gostei de ver o meu irmão se referindo a Isabella daquela forma, embora fosse casado e apaixonado pela esposa.
— E eu posso saber o que você estava fazendo com ela no banheiro do ônibus, seu pervertido?!
Aquilo já era demais.
— Nada do que essa sua cabeça deturpada e poluída está pensando! Ela não estava se sentindo bem... Eu achei que ela ia vomitar e fui atrás dela.
Ele ergueu as sobrancelhas me encarando cinicamente.
— Até parece Edward... Do jeito que ela olha pra você...
Suspirei. Só me faltava essa!
— Eu a conheci hoje mesmo Emm. Ela esbarrou em mim no aeroporto de Phoenix e depois por coincidência sentamos lado a lado no avião...
— Mas você se importa com ela Edward. Eu conheço você melhor do que ninguém mano. Essa mulher de alguma forma mexeu muito contigo e não tente negar, pois eu enxergo muito bem.
Eu não estava disposto a conversar sobre aquela misteriosa mulher e o que ela havia despertado em mim, pois nem eu mesmo sabia o que era, ou o que significava... então desviei os olhos e mudei de assunto.
— Você já ligou para Alice?
— Sim. Ela ficou louca.
Eu sorri. Nossa irmã era uma figura.
— Eu imagino. Daqui a pouco ela aparece por aqui.
— Com certeza, Ela não vai sossegar enquanto não colocar os olhos sobre você.
— Eu sei.
— Agora me diga a verdade mano. Você está bem?
Suspirei, e concordei com a cabeça.
— Bom, eu realmente pensei que fosse morrer...
— Só de pensar o que você passou...
Ele disse isso com os olhos lacrimejando e eu também me emocionei. Nos abraçamos e ele quase quebrou os meus ossos novamente.
— Porra Emmett! Vai com calma...
Ele relaxou o abraço.
— Desculpa.
Nós rimos. Seria muito engraçado se não fosse trágico.
— Você só sabe o nome dela?
— Sim. E que trabalha com antiguidades e mora numa cidade do estado de Washington... Foi tudo o que ela me falou...
— Caramba... É como procurar uma agulha em um palheiro...
Eu concordei.
— Os meus documentos estavam na minha carteira, no bolso da calça, mas os dela... Nem a bolsa dela e nem a mala foram encontradas.
— Bom, vamos torcer para que ela tenha família e alguém apareça para procurá-la... Se ela tiver família em breve sentirão a falta dela e virão atrás. Se bem que quando a poeira baixar, talvez a empresa aérea possa nos ajudar a esclarecer essas informações de alguma maneira...
Eu não sabia por que, mas ouvir o meu irmão dizer aquilo, me incomodou profundamente.
— Ainda bem que o pai e a mãe não estão aqui...
Eu sorri. Nossos pais haviam viajado novamente em uma nova lua de mel. Era bem a décima viagem desse tipo que eles faziam...
— O que vai fazer em relação a ela Edward?
Passei a mão nervosamente pelos meus cabelos, bagunçando-os ainda mais. Realmente era uma boa pergunta...
— Não tenho a menor idéia Emmett, mas não vou deixá-la sozinha...
— Eu também não acho que ela deva ficar sozinha. E estou falando como médico. Pode ser um choque o momento em que as lembranças voltarem... Nunca se sabe exatamente como as pessoas irão reagir...
Interrompi. Ele não precisava dizer mais nada.
— Vou ficar ao lado dela.
— Tem certeza de que está mesmo bem Edward? Putz... Você nem parece mais o mesmo...
— Eu sei Emm, mas podia ser eu no lugar dela, não é? Já pensou nisso? E com certeza eu também não gostaria de ficar sozinho...
Ele assentiu.
— E o que vai fazer depois?
— Nem imagino. — Ele me encarava intensamente. — Só Deus sabe Emm.
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