Nebulosa
42 Capítulo 42 - Reencontro.
Notas iniciais
PDV Edward Cullen.
Olhei no relógio em meu pulso... Faltavam vinte minutos para as seis da tarde. Eu estava parado do outro lado da calçada, de frente para o Antiquário de Bella. Foi fácil encontrar a loja, pois era a única em Port Angeles. O local não era muito grande, mas parecia ser bem aconchegante. Havia uma moça jovem, magra, de óculos, cabelos escuros e lisos lá dentro, mas até agora nem sinal de Bella. Uma senhora de meia idade havia entrado há alguns minutos e em seguida saiu som um sorriso de satisfação em seu rosto. Caía uma chuva fina e incômoda, mas eu estava ansioso demais para realmente me importar com qualquer coisa que não fosse reencontrá-la.
Como ela reagiria? Será que iria me aceitar? Eu juro que moveria montanhas e rastejaria aos pés dela se preciso fosse. Eu tinha sido um tolo, um estúpido, mas prometi a mim mesmo que faria de tudo para não perdê-la outra vez.
Com um meio sorriso, coloquei a mão no bolso, tocando a caixinha com o anel que havia pertencido a minha avó. Se Deus me ajudasse, Bella chegaria a Tucson como minha esposa.
Aguardei mais alguns instantes, quando percebi que a funcionária da loja se preparava para sair. Era a chance que eu tanto queria. Atravessei a estreita rua com passos largos e parei bem próximo a ela, no instante em que a mesma abria a porta. Toquei a ponta do meu chapéu, cumprimentando-a. Ela me olhou com sincera admiração e me deu um simpático sorriso.
— Já estamos fechando.
— Eu sei. Isabella se encontra?
Ela me olhou com desconfiança.
— Sim, mas ela já está de saída. O senhor tem hora marcada com Bella?
— Não, mas eu gostaria muito de vê-la. Sou Edward Cullen.
— Oh!
Choque e surpresa atravessaram a face daquela delicada moça. Mas, ela logo se recompôs e me estendeu a mão com um sorriso complacente.
— Muito Prazer, Ângela Weber. Eu e Bella estudamos na mesma escola e hoje trabalhamos juntas.
Sorri.
— Muito prazer Ângela.
— Já ouvi falar sobre você...
Aquela era a deixa de que eu precisava.
— Então não vai se incomodar que eu entre e espere por Bella.
Ela se afastou me dando espaço para entrar na loja.
— Isso pode custar o meu emprego, mas acho que vocês precisam ter uma boa e longa conversa.
Não me fiz de rogado e lhe dei o meu melhor sorriso, o torto, que eu sabia que cativava desde uma garotinha até uma anciã, agradecendo o gesto. Ela piscou um pouco aturdida com o velho charme Cullen, mas em seguida despediu-se e saiu trancando a porta atrás de si.
Suspirei, correndo os olhos pelo ambiente. Prateleiras repletas de belos objetos dos mais variados tipos e tamanhos chamaram minha atenção. Havia peças de madeira, metal, louça, vidro, tapeçaria... Cocei minha barba, um pouco acanhado. Bella realmente tinha bom gosto.
Em seguida meus olhos foram atraídos por uma escada de madeira escura, no canto esquerdo do balcão, que levava ao andar de cima, onde a fraca luminosidade de uma lâmpada acesa indicava a presença de alguém. Meu coração acelerou. Apenas poucos metros de distância agora, me separavam da mulher que era a dona do meu coração e da minha vida.
PDV Isabella Swan
Ouvi os sininhos da porta tocando quando Ângela saiu. Passei meus olhos sobre a escrivaninha pensando em organizar alguns documentos, mas não tive ânimo para tocar em um papel sequer. Resolvi desistir e abri uma das gavetas, enfiando a pilha de documentos lá dentro.
Aproximei-me da janela e fitei a cinzenta cidade lá fora através da chuva fina. Em vez de enxergar o que estava a minha frente, só consegui ver carvalhos frondosos, um sol forte e poderoso, grama, flores exuberantes e campos floridos, onde alguns Apalloosa rajados pastavam preguiçosamente.
E no meio de tudo um cavaleiro... Um cowboy imponente de cabelos castanhos acobreados, alto e insanamente lindo. Por vários e vários dias eu alimentei a secreta esperança de que ele daria ouvidos ao coração e reconheceria que estava jogando fora um sentimento puro, único e verdadeiro, mas à medida que as horas, os dias e os meses foram passando, minha esperança desvaneceu e escorreu pelo ralo.
Mesmo que eu me envolvesse no trabalho e a loja estivesse prosperando, o preço que eu estava pagando era muito alto. O desgaste em minhas feições era visível, meu corpo todo doía e o apetite desaparecera por completo. Mas o pior de tudo era a solidão que aos poucos me envenenava lenta e dolorosamente.
Suspirei, saindo de perto da janela e vi que já passava das seis da tarde. Ignorando os papéis eu peguei minha bolsa sobre a cadeira, desliguei a luz e me preparei para ir para casa. Dentro de cinquenta minutos eu estaria em Forks.
Desci as escadas lentamente, segurando no corrimão e ao alcançar o último degrau ouvi aquela voz rouca, sexy e inconfundível:
— Bella.
Ergui minha cabeça e dei de cara com Edward, meio escondido pelas sombras, parado junto à porta.
— Ah, meu Deus!
Falei fechando os olhos com força e me deixando cair sentada na escada.
Era só o que me faltava! Além de dos pesadelos, eu agora estava tendo alucinações! Minhas pernas tremiam e minha pulsação com certeza tinha batido o recorde para pessoas vivas... Para completar eu jurava que podia sentir o toque dele em meu braço e os arrepios de choque percorrendo o meu corpo... Respirei fundo.
— Muito bem Bella. Você está precisando ir a um psiquiatra com urgência. É apenas a sua mente confusa pregando uma peça... — Respire fundo e procure ter foco. Foco. Alucinação é coisa que só gente maluca tem. Não você. Agora conte até dez e abra os olhos bem devagar...
Eu falava comigo mesma. Realmente eu devia estar ficando louca ou algo assim, mas sabia que se deixasse minha mente ir adiante, me arrependeria tremendamente mais tarde. Fiz o que me propus e com um suspiro resignado abri meus olhos devagar.
Edward ainda estava ali, seu rosto perfeito a centímetros do meu. Estava mais magro, com círculos escuros ao redor dos lindos olhos verdes e parecia cansado. Geralmente nos meus sonhos e pesadelos ele se encontrava em bem melhor forma. Senti uma suave pressão de sua mão fria em minha testa e engoli em seco.
— Eu a assustei?
Ele perguntou.
— Sim e não.
Agora eu havia endoidado de vez. Estava conversando com uma alucinação. Cheguei mais perto. O rosto, os olhos verdes e intensos que me fitavam com preocupação, os cabelos úmidos e escurecidos por gotas de chuva que escorriam pelo seu rosto parcialmente coberto pelo chapéu, a boca máscula e firme... Céus! O que a saudade não fazia...
Pisquei algumas vezes tentando sair daquele mundo de fantasia a retornar a realidade, mas ele continuava lá.
— Bella, você está bem?
Sorri meio boba.
— Eu não sabia que alucinações podiam ser tão reais.
Ele afagou meu rosto, deixando um rastro eletricidade em minha face e sorriu.
— Sou eu Bella. Você não está imaginando coisas. Vim de Tucson até aqui para te ver...
Revirei os olhos.
— Ah, claro! É isso o que a minha mente quer que eu pense. Mas depois que eu abrir meus olhinhos no mundo real e você desaparecer numa nuvem de fumaça, só Deus sabe o que terei de enfrentar...
Ele me estudava cuidadosamente.
— Você perdeu peso. E assim como eu também está abatida. Seus olhos estão mais escuros devido às olheiras... Mas continua linda... Linda como sempre.
Agitei meus braços como se espantasse um corvo.
— Xô! Saia daqui! Vá embora de uma vez sua alucinação mentirosa! Xô! Me deixe em paz!
— Eu sou real Bella.
Ele agora segurou meus ombros e pude sentir a força que emanava de seu corpo.
— E não viajei tanto para ir embora sem ao menos ter uma boa conversa com você. Olhe para mim Bella. Sou eu, amor...
Minha mente começou a clarear... Espalmei as mãos e toquei em seus ombros, desci pelos braços e terminei por subir até seus cabelos. Meus olhos se arregalaram em choque, enquanto ele me olhava divertido.
— Edward?
— Em carne, osso e chapéu.
— Oh...
O silêncio que nos envolveu era tão espesso que chegava a ser ensurdecedor. Ele me encarava com olhos famintos.
— Confesso que esperava uma reação melhor. Ser confundido com uma alucinação é bem ruim.
Tratei de me recompor e ele se ergueu, ficando de pé.
— O que faz aqui?
Perguntei tentando ganhar tempo. Minhas mãos suavam. Eu não estava preparada para esse encontro.
— Acho que precisamos conversar.
Estreitei os olhos.
— Como entrou na minha loja? Já fechou.
Questionei.
— Ângela. Cheguei aqui no momento em que ela saía.
— E o que veio fazer aqui?
PDV Edward Cullen.
Deus... Será que meus piores medos tornaram-se realidade? Bella no instante em que me viu quase desmaiou e chegou ao ponto de me confundir com uma alucinação, mas agora se mostrava fria e distante, destituída de qualquer sentimento. Ela estava maravilhosa com uma blusa de seda rosa clarinha e uma saia lápis preta acima dos joelhos. Os lindos olhos castanhos não transmitiam o mesmo calor de antes e ela me fitava com receio, mantendo uma distância segura entre nós dois.
Apenas por um instante olhei nos olhos dela. Só para ver se eu podia encontrar respostas lá. Senti o desespero e a angústia começarem a me invadir e me obriguei a responder, embora mal pudesse reconhecer o som abafado de minha própria voz, transformada pela ansiedade, num sussurro baixo e rouco.
— Eu vim ver você, ou melhor, eu vim atrás de você.
— E posso saber por quê? Pois você deixou muito claro na nossa última conversa que eu deveria sair para sempre do seu caminho e da sua vida.
As palavras ácidas dela foram como um chicote em minha alma. Pelo visto Bella não facilitaria as coisas. Eu escrutinava cada respiração dela, cada gesto que fazia. Respirei fundo.
— Só posso te dar um único motivo...
Parei no meio da frase. Meu coração estava disparado, minhas mãos tremiam. Chegara a hora da verdade. Ela me olhou impaciente.
— Vamos Edward, fale. Está tarde e eu tenho que ir para casa.
— Eu te amo Bella. Eu te amo muito e quero saber se você quer se casar comigo.
Soltei a bomba e aguardei. Ela me olhava espantada.
— O.. O que?
Os lábios de Bella estavam trêmulos, incapazes de controlar a emoção. Me aproximei mais um pouco, mas não a toquei.
— Isso mesmo que você ouviu Nebulosa.
Num gesto inconsciente, ela umedeceu os lábios com a língua e eu gemi internamente com a sensualidade natural que exalava de seu corpo delicado.
— Será que algum dia você poderá me perdoar por ter sido tão estúpido, tão idiota? Por ter te mandado embora da minha vida? Eu te amo Bella.
— Edward...
Os olhos dela brilhavam pelas lágrimas contidas.
— Eu me apaixonei por você, mas o passado ainda me atormentava e me perseguia como um fantasma... Durante anos eu não me permiti ser feliz. Mas você apareceu do nada e caiu de pára-quedas em minha vida, virando tudo de pernas para o ar. Sem que eu me desse conta o meu coração voltou a bater...
Dei um passo em sua direção.
— Fiz de tudo para resistir, mas você derrubou todas as minhas barreiras com esse seu jeito doce e ao mesmo tempo sexy, Nebulosa.
Ela começou a soluçar e eu me aproximei mais. Doía vê-la daquele jeito.
— As duras regras de conduta a que eu me impunha, impediram que eu me declarasse que abrisse meu coração... Mas se me der uma chance, vou fazer você esquecer todo sofrimento que lhe causei. Eu prometo. E sei que posso te fazer feliz. Isso se você ainda me quiser.
— Oh, querido...
— No dia de sua partida, você disse que me amava...
— Sim, Edward.
As lágrimas banhavam o rosto que eu tanto amava.
— E eu preciso saber amor... Você ainda me ama Bella?
Perguntei com uma ponta de incerteza e medo em minha voz.
— Demais. Muito mais do que eu posso suportar cowboy...
Não resisti e a puxei para os meus braços.
— Meu amor! Como eu senti a sua falta!
Falei com a boca contra seus longos cabelos. Os choques elétricos percorrendo nossos corpos. Era tão bom tê-la outra vez em meus braços. Seu corpo, seu cheiro, suas curvas, ela era perfeita para mim.
— Não fale mais nada! Apenas me abrace forte Edward.
Ela pediu num murmúrio.
— Vou fazer muito mais do que isso amor...
— Eu quase morri sem você Edward...
Senti meus olhos úmidos. Nossos lábios se encontraram nossas línguas se buscando com avidez. Eu queria bebê-la, suga-la. Meu coração martelava num ritmo alucinado e eu podia sentir as batidas fortes do dela sob as roupas. Nossas respirações transformaram-se em arquejos irregulares e meus dedos moveram-se cobiçosos para a cintura delicada.
Não havia no mundo como descrever o que eu estava sentindo agora. Pude sentir cada linha e cada contorno do corpo suave e delicado contra o meu. Minhas mãos subiram e envolveram um dos seios firmes. Meu polegar encontrou o mamilo e esfreguei-o por cima da roupa. Ela gemeu baixinho em minha boca e resolvi parar antes que não houvesse mais nenhuma condição no inferno de conseguir me controlar.
— Bella...
— Eu sei... Eu sei...
Ela dizia ofegante.
— Temos de parar...
— Por enquanto, — emendei dando o meu sorriso torto.
Ela sorriu.
— Vamos para casa.
— Para o seu apartamento?
Perguntei ansioso. Ela negou com a cabeça.
— Eu estou morando com o meu pai. Na casa dele em Forks. A chave do meu apartamento está lá Edward.
Ouvir aquilo me deixou um pouco desapontado. Eu não poderia matar as saudades dela do jeito que eu queria com o meu futuro sogro em casa.
— Tudo bem. Quando vou conhecê-lo?
Ela me deu um sorriso malicioso.
— Só amanhã. Ele está de plantão hoje à noite...
Puxei-a para mim e rocei a ponta do meu nariz na base do seu pescoço, fazendo com que ela se arrepiasse toda.
— Quer dizer que estaremos sozinhos hoje à noite?
— A noite toda...
Dizer que eu vibrei era pouco. Um calor enorme começou a subir e o meu amiguinho lá embaixo já estava em ponto de bala!
— E o que ainda estamos fazendo aqui? Vamos embora mulher!
Rosnei apressado e ela riu a valer.
— Calma, cowboy. A noite é uma criança. Você veio até aqui de carro?
— De táxi. E você não perde por esperar Nebulosa...
— O meu carro está logo ali...
Ela falou e nos beijamos mais algumas vezes. Saímos de mãos dadas, rindo como dois adolescentes, fechando a porta da loja e caminhando na direção do carro dela, estacionado no fim da rua.
Notas finais
Beijos
Kiki
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