Nebulosa

41 Capítulo 41 - Em Busca da Felicidade


Notas iniciais
Oi pessoal desculpe pela demora.

Bem garotas este cap. vai pra todas vocês que comentam e indicam a historia com tanto carinho.

PDV Edward.

Ela recomeçou a tocar. Ficamos em silêncio alguns minutos, apenas apreciando a beleza da música de Chopin.

— Mãe. Fico feliz por estar aqui...

Falei observando seus dedos percorrem as teclas.

— Eu estava com saudades filho.

— Eu também.

— Toque comigo, — ela pediu.

Hesitei um instante, mas depois me deixei levar. Eu tinha esquecido de como era bom poder tocar... Deixar meus dedos deslizarem livremente sobre o teclado e extravasar minhas emoções...

— Me fale sobre Isabella.

Ela pediu e eu engoli em seco.

— Eu... Ela...

Ela suspirou e interrompeu a melodia.

— Não foi assim que eu te criei Edward...

Dona Esme murmurou, sua voz calma, ainda tocada com a decepção pelo meu comportamento.

— Eu sei mãe.

— Sabe quando você me disse que havia se alistado no exército, eu pensei que fosse morrer de aflição. Eu sabia o quanto você é destemido, corajoso, sagaz e determinado. E que faria qualquer coisa pelo bem do seu país ou de um dos seus companheiros. Eu ficava aterrorizada com a possibilidade de não ver você novamente com vida... De ter de receber um caixão fechado e medalhas com menções honrosas pelo seu desempenho... De perder o meu filho para uma guerra estúpida e maldita...

— Mãe...

Meu coração estava apertado com suas palavras.

— Me deixe terminar, sim?!

— Ok, desculpe.

— Mas quando você retornou e eu te abracei, vi que estava enganada. Que você era muito mais destemido e bravo do que eu pensava, do que eu podia imaginar... Que nada te impediria de voltar vivo para casa e para sua família. Que você não deixaria nada te impedi de conquistar o que quisesse nessa vida...

— Não precisa exagerar...

— E quando aquela ordinária fez o que fez e eu te vi destroçado filho, a única coisa que eu pedia a Deus nas minhas orações, era para que ele lhe trouxesse à vida novamente... Que eu pudesse-te ver sorrindo, brincando e feliz outra vez. Nem que para isso você precisasse voltar para aquela droga de batalhão.

Arregalei meus olhos, chocado. Dessa vez ela conseguiu me surpreender.

— Sério?!

Perguntei incrédulo.

— Sim. Eu faria e daria qualquer coisa para te ver feliz novamente Edward. Você mais do que ninguém merece isso.

Abracei dona Esme, sentindo meus olhos marejados. Ela também me abraçou com força e continuou:

— Você ama essa moça filho?

— Eu a amo, mãe. Amo Bella mais do que tudo nessa vida.

Respondi imediatamente. Nós podíamos não estar juntos, mas eu tinha certeza absoluta dos meus sentimentos. Minha mãe balançou a cabeça e abriu um largo sorriso.

— E ela? Também ama você?

Parei por um segundo, meus olhos baixos. Um momento de dúvida atravessou a minha mente.

— Acho que sim, — falei baixinho.

Ela se inclinou para frente, seu olhar escrutinando meu rosto.

— Acha? Como assim?

— Ela disse que me amava no dia em que foi embora...

Eu parei de falar, incapaz de articular as palavras devido ao medo que agora vinha crescendo dentro do meu peito. Ela ficou em silêncio e em seguida se virou, tomando minha mão nas dela.

— E você a magoou.

— Sim. Fui muito duro com ela.

— Lute por ela Edward. Se realmente você a ama vá atrás dela filho. Esqueça tudo o que Jéssica te fez sofrer e dê a si mesmo a chance de ser feliz, de ter uma família ao lado da mulher que escolheu filho.

Lágrimas silenciosas escorriam pelo meu rosto.

— Os seus irmãos me contaram tudo... Você voltou a viver, como antigamente. Ela fez com que você sorrisse, se soltasse, enxergasse as coisas de forma diferente... Você deixou de vegetar, deixou de ser um zumbi, um morto vivo... E eu só tenho que agradecer a essa moça por isso...

— Obrigado mãe.

— Obrigada nada.

Disse dando uma tapa no meu braço.

— Ai!

— Desde quando você foge dos problemas?!

— Não foi exatamente assim mãe. Eu precisava deixar que ela fosse embora e retomasse a vida que tinha antes da gente se conhecer. O nosso encontro foi um acaso do destino e as coisas aconteceram rápido demais... Nós nos envolvemos, ela não lembrava nada e de repente ela tinha um noivo, uma mãe, amigos... Uma realidade velha e ao mesmo tempo nova surgiu entre a gente. Eu precisava fazer com ela voltasse pra lá, resgatasse o passado, vivesse a sua vida como era antes, sem mim... Por que será que ninguém entende?!

Questionei frustrado.

— É claro que nós entendemos, — falou meu pai interrompendo.

— Mas bem que você podia ter lutado pela Bellinha mano.

— Cala a boca Emmett.

— Não mande o meu marido calar a boca quando ele está coberto de razão Edward!

Disse Rose entrando atrás do gorila e sendo seguida pela anã de jardim e por Jasper. Olhei para todos, espantado.

— O que isso? Um complô contra mim?!

Perguntei ofendido.

— Claro que não seu idiota! Nós estamos aqui tentando te ajudar!

— Pega leve Alice...

Reclamou minha mãe.

— Eu posso saber o que você está esperando para ir atrás dela?

— Eu vou sininho. Mas... e se ela não me quiser mais?

— Esse é um rico que você vai ter que correr Edward, — completou meu sábio cunhado Jasper.

— Não vale a pena correr esse risco filho?

Questionou meu pai.

— Claro que vale. Eu faria tudo por ela pai...

— Então o que ainda está fazendo aqui?!

Alice falou agitada.

— Bom, eu vou, mas antes tenho que ir em casa e pegar umas roupas.

Respondi e ela revirou os olhos.

— A mala já está pronta, lá embaixo no saguão Edward. Você sabe que eu não brinco em serviço...

Meu coração começou a bater mais rápido...

— Também tenho que comprar a passagem...

— O vôo parte daqui a duas horas filho, — disse meu pai piscando um olho e me estendendo um talão de embarque...

Não segurei o sorriso.

— Vocês pensaram em tudo, não é mesmo?

— Claro! A única anta aqui é você mano.

Não pude deixar de gargalhar com a afirmação do gorila. Minha família era realmente demais. Todos estavam me apoiando e me incentivando a sair em busca da minha felicidade. Só faltava agora encontrar Isabella e convencê-la a me aceitar.

— A propósito filho, ela é linda.

Disse minha mãe. Meu coração acelerou novamente. Eles tinham conhecido Bella?!

— Vocês a viram? Como?

— Nas fotos que eu tirei.

Minha irmã falou e colocou algumas fotos na minha frente... Ela e Bella na loja, Bella e Rose no restaurante, Bella na varanda da fazenda... Meu coração saltou rapidamente, a adrenalina pulsou em minhas veias... Minha Bella... Minha Nebulosa. Me enchi de ternura e depois de revolta. Olhei para Alice com raiva.

— Por que não me mostrou essas fotos antes?

Falei alterado. Ela fez um gesto de descaso com as mãos.

— Por que você não merecia. E eu tirei todas com o meu celular, portanto...

— Olha aqui Alice...

— Vamos parar vocês dois. Nós passamos muito tempo fora de casa e eu não quero saber de brigas, entenderam?!

Meu pai falou num tom cortante. Quando ele queria saber ser intimidador.

— Bem, tudo resolvido. Edward vá até a cozinha fazer um lanche, e se preparar para viajar. Alice e Rose venham comigo desarrumar as malas guardar as coisas. Trouxemos uma bagagem monstruosa do Brasil. Emmett, leve o seu irmão para o aeroporto assim que ele estiver pronto.

— Ok, mãe.

Falamos ao mesmo tempo. Meu pai sorriu e disse que era muito bom estar em casa, pois não há nada como o nosso lar. Me apressei em ir até a cozinha e comer alguma coisa. Pela primeira vez em semanas meus passos eram firmes e confiantes, pois eu sabia que dali a algumas horas estaria em Whashigton, mais precisamente em Port Angeles, cara a cara com a mulher da minha vida...

PDV Isabella Swan.

Mais um dia... Mais um dia em que eu iria tentar sobreviver. Respirei devagar, procurando preencher todo o espaço dos meus pulmões com o ar frio de Forks. Caía uma fina garoa e as nuvens cinzentas no céu combinavam perfeitamente com o meu estado de espírito sombrio.

Forcei-me a sair da cama e a vestir uma roupa. Qualquer coisa que eu visse pela frente servia. Eu tinha perdido alguns quilos e minhas roupas estavam todas folgadas. Suspirei. Minha aparência era a última coisa com que eu me preocuparia agora...

Alice ligava sempre e Rose às vezes. Elas nunca tocavam no nome de Edward e eu também não perguntava. Todos os dias eu checava o celular que a baixinha havia me dado durante aquelas semanas, mas ele nunca fez uma chamada sequer. Era como se ele quisesse me arrancar de sua memória, me apagar da sua vida. E mesmo tendo consciência disso eu não conseguia fazer o mesmo. O que nós vivemos enquanto eu estava em Tucson tinha sido especial demais.

Eu sabia que jamais amaria alguém como eu amava Edward Cullen... E como aquilo doía. Será que algum dia eu superaria o vazio imposto pela ausência dele? Sem que eu precisasse me esforçar, o rosto de Edward tomou conta da minha mente. As feições másculas pareciam tão reais, que quase estendi meus dedos para tocar a boca firme e sensual.

— Ok, Isabella. Já chega. O lugar de loucos é o hospício, — falei para mim mesma.

Arrastei-me até as escadas e desci, encontrando meu pai sentado na cozinha. Ele me olhou de cima a baixo e fez um muxoxo com a boca, torcendo o bigode.

— Bells, você tem que reagir...

— Eu sei pai.

— Estou muito preocupado com você, querida... E a sua mãe também.

Rolei os olhos.

— Renée só se preocupa com ela mesma, — resmunguei.

Ele se inclinou e segurou minha mão sobre a mesa.

— Estamos pensando que talvez seja bom você voltar a morar em Phoenix, perto de Renée e Phil...

— O QUE?! Nem pensar!

Falei dando um pulo. Exasperado, ele dobrou o jornal e jogou longe.

— Você não sai mais filha, não se diverte... Não come e nem dorme direito. Seu sono é agitado e quase sempre interrompido pelos pesadelos... Vai daqui para o trabalho e de lá volta para casa... Não pode continuar assim.

— Saí com a Ângela na semana passada.

— Errado. Você foi até a casa da Ângela porque era aniversário da mãe dela. Isso não pode ser considerado como uma saída.

— Pai...

— Se esse homem é incapaz de perceber o quanto você é valiosa, é por que ele não te merece Bells...

— Chega pai. Por favor...

— A vida continua. Eu sofri muito quando sua mãe me deixou e te levou embora daqui com ela, mas eu me obriguei a continuar vivendo.

— Pai, eu não quero mais falar sobre isso, tá bom?!

— Eu só vou parar de falar se você sentar aí e comer como gente.

Sentei prontamente e peguei uma torrada, me forçando a engolir. Me inclinei para encostar na mesa, tentando deglutir quando uma onda de náusea tomou conta de mim. Meu estômago começou a se agitar, e embora eu me sentisse ofegante e as borboletas saltassem agitadas, o bolo de comida desceu. Minha garganta estava seca, como se apertasse com cada respiração e meu corpo começou a tremer com o esforço, mas tentei disfarçar e tomei um gole do café que ainda estava quente na xícara. Charlie me observava atentamente.

— Olha, eu prometo que vou combinar de sair com a Ângela, com a Emily, sei lá! Vou ligar para elas e marcar alguma coisa para amanhã à noite.

— Ok, eu vou te dar só mais uma chance...

Falou meu pai sorrindo.

— Bobo!

— Hoje eu vou ficar de plantão a noite toda. Temos um garoto desaparecido em Seattle e como ela nasceu aqui, vamos fazer buscas durante a madrugada. Você vai ficar bem?

Perguntou preocupado. Claro que eu não ia ficar bem sozinha, mas disfarcei.

— Sim, pode ir sossegado.

—Obrigado Bells. Mas tranque tudo quando estiver em casa mais tarde, ok? Forks é uma cidade pacata, mas a violência também já chegou por aqui.

Assenti e continuamos conversando um pouco até que ele precisou ir para a delegacia e eu fui me arrumar para ir até a loja. Só no meu apartamento eu ainda não havia ido. Eu sabia que o peso e a força da solidão lá seriam demasiados e temia pela minha sanidade mental. Ficando em Forks, eu voltei a morar com o meu pai, sempre estava com ele, jantávamos juntos e conversávamos um pouco ou assistíamos a TV. Dificilmente eu ficava sozinha, mesmo que no interior do meu ser, me sentisse assim.

De que maneira eu poderia seguir em frente e ser livre, como os meus pais queriam se eu estava submersa num mar de tristeza e desilusão? Assim que retornei a Forks, me senti no fundo do poço, atormentada por sentimentos que iam do desespero mais profundo a uma raiva cega.

Edward estava enganado ao dizer que se eu permanecesse em Tucson, acabaria por vir a odiá-lo. Eu não poderia ser feliz em nenhum lugar, pois sem ele, eu acordava todas as manhãs com a sensação de que tudo no mundo havia perdido o significado, exceto os momentos que nós dois tínhamos partilhado juntos. Imagens dos beijos ardentes, das mãos que me tocavam com sofreguidão fervilhavam na minha cabeça, deixando meu corpo em ebulição.

O meu lugar era ao lado dele, porque eu pertencia aquele homem de corpo e alma. Sem ele a minha vida não passava de um vazio árido e assustador. Pena que ele não pensasse assim...

As noites eram a parte mais difícil do meu dia, pois o sono era coroado por pesadelos, onde ele partia, ia se afastando cada vez mais e me deixava sempre sozinha. Eu entrava em pânico. Perdi a conta de quantas madrugadas eu acordei gritando e chorando. E eu sabia o quanto isso assustava o meu pai, porque não era algo ou alguém real, com quem ele pudesse lutar e me defender. Aquilo estava preso, acorrentado, enraizado dentro de mim.

Sacudi a cabeça tentando afastar essas imagens e troquei de roupa, indo para a loja. Ao chegar lá Ângela já se encontrava.

— Bom dia Angie.

— Bom dia Bella. Você está com uma cara horrorosa.

Sorri para minha melhor amiga.

— Você já deveria ter se acostumado...

— Eu quero a minha amiga de volta, — reclamou fazendo um muxoxo com a boca.

— Nós não podemos ter tudo o que queremos Ângela. A vida é injusta. Ninguém te disse isso?

— Ok, entendi a mensagem. Não está mais aqui quem falou.

Ri da careta que ela fez e fui atender um cliente que acabara de entrar.

————————

No fim do expediente, eu me encontrava sentada no escritório, quando Ângela colocou a cabeça na porta, parecendo eufórica.

— Bella, você não vai acreditar.

— Juro que acredito, — respondi.

— Sabe a senhora Evans?

— Aquela que queria comprar a cristaleira?

— Ela mesma!

Ângela sorriu entusiasmado, o que fez com que sua expressão se suavizasse e ela ficasse parecendo uma menininha.

— O que tem?

— A velha sovina finalmente abriu a carteira, apareceu aqui ainda agora e levou a peça.

— Ângela... Não fale assim dos clientes...

Repreendi.

— Por que não? Você sabe que é verdade. Essa era a quinta vez que ela vinha aqui e sempre com a mesma conversa.

— E como ela pagou?

— Em dinheiro.

Ela falava toda sorridente e agora eu entendi o por que. A cristaleira era uma das peças mais caras que eu tinha na loja.

— Dinheiro vivo?

Perguntei com um pequeno sorriso iluminado meu abatido rosto.

— Em notas e moedas. O motorista virá buscar a peça amanhã. E sabe que eu estou adorando ver esse sorriso no seu rosto?

Suspirei.

— Desculpe amiga. Eu sei que estou sendo uma chata ultimamente.

— Desculpas aceitas, mas não se preocupe. Entendo perfeitamente o seu estado de espírito depois de tudo o que passou. Eu só gostaria de ajuda-la de alguma forma...

— Mas você tem me ajudado e muito Angie. Você segurou as pontas aqui durante a minha ausência e jamais deixou de ser uma amiga fiel. Alguém com quem eu posso contar em todos os momentos.

— Me sinto feliz em ter a sua amizade Bella.

— Eu também Ângela. Eu também.

Respirei fundo e decidi mudar de assunto.

— Tenho algum compromisso para amanhã?

— Sim. À tarde você vai encontrar o Sr. Demetri, aquele que trouxe vários tapetes da Itália.

— Ok. Já são quase 18:00 horas Ângela, pode ir para casa.

— E você?

— Saio daqui a pouco. Pode ir tranquila.

— Tudo bem, mas se quiser eu posso esperar.

— Não querida. Você já fez demais por hoje. Vá para casa e amanhã nós nos encontramos aqui às nove.

— Ok Bella. Se é assim, até amanhã então.

Notas finais
Agradecendo pelas recomendações feitas por: Mo3 - gihpcullen - JennyDay e LukaCullen.

Meninas irei postar mais um cap. amanhã pra compensar o de terça ok.

Beijos
Kiki