Nebulosa
40 Capítulo 40 - Louco por você.
Notas iniciais
PDV Edward Cullen.
Durante as sete semanas seguintes eu não arredei o pé da fazenda. Comia e bebia mecanicamente. Minha barba crescia mais a cada dia que passava e eu pouco me importava. Eu gostaria de poder desligar meus sentimentos.
Dormir, só com ajuda de uma boa dose de álcool. Eu vegetava. Era como se estivesse entrado num estado robótico, um ser humano vivendo constantemente no piloto automático. Eu me forçava a sair da cama todos os dias e obrigava meu corpo a ir cuidar dos cavalos e do restante da fazenda. Principalmente da reforma do celeiro. Mas minha mente se recusava a parar de pensar nela.
Perdi vários quilos, meus olhos perderam o brilho e o meu rosto se transformou numa máscara sem expressão. As olheiras eram profundas. Eu parecia um zumbi. A única coisa boa que tinha acontecido durante aquele tempo, foi à venda dos meus potros. Consegui vender os dois por 500.000 mil dólares para um criador de Montana que eu conheci na Convenção em Phoenix. A transação havia sido feita pelo telefone e o proprietário viera pessoalmente até Tucson buscar os animais. Pelo menos dinheiro sobrando eu tinha agora, embora ainda não tivesse ido ao banco depositar o cheque.
Emmett havia chutado minha bunda no dia que Isabella havia partido. Ele gritara comigo e falara coisas terríveis, que só fizeram com que eu me sentisse pior do que já estava... As palavras de Isabella na nossa última conversa estavam gravadas a ferro em minha alma...
“Você não passa de um maldito covarde Edward Cullen!”
Suspirei. Desde aquele fatídico dia Alice deixara de falar comigo. Mas não sem antes jogar na minha cara o quanto eu era idiota por deixar Bella ir embora sem lutar. E a Sininho ainda fez questão de dizer que o noivo de Isabella era bonito, alto e musculoso... E que torcia para que eles se casassem e Bella me varresse do mapa da sua vida para sempre. Rose também tinha me dito muitos desaforos. Apenas Jasper não abrira a boca, mas o seu olhar reprovador foi o suficiente para me deixar destroçado.
Minha intenção não era fazer Isabella sofrer. Será que ninguém entendia? Eu precisava fazer aquilo droga! Eu precisava deixá-la partir, retornar a sua vida normal. Se você ama alguém tem de deixá-lo livre... Se ela voltar é por que sempre me pertenceu, se não, nunca foi minha. Eu tinha de fazer Isabella confrontar o seu passado e não podia ser egoísta a ponto de não permitir que ela fosse embora.
Tudo bem que eu havia sido duro. Duro até demais com ela, mas de que outra forma ela concordaria em partir? Por várias vezes ela se mostrou determinada, forte, corajosa, decidida. E no fim ainda disse que me amava... Engoli em seco, sentindo meu coração sangrar.
Eu tive que apelar, tive que mentir. Era para o bem dela. Eu estava vivendo num eterno purgatório, mas se ela estivesse bem com o noivo e ele a fizesse feliz, eu viveria infeliz com prazer o resto de minha vida, suportaria esse fardo de bom grado. Eu faria qualquer coisa para que ela fosse feliz, não importava o preço que eu tivesse de pagar... Deus, como eu a amava.
As lembranças vieram fortes... A visão do rosto dela transfigurado pela dor naquele apertado quarto de hospital assombrava meus dias, minhas noites e especialmente os meus sonhos. Se antes eu me movia habilmente, meus passos agora eram pesados e lentos. Eu praticamente me arrastava por toda fazenda.
Jasper havia vindo me ver antes de ontem, enquanto eu consertava a tranca da nova porta do celeiro e com aquele seu jeito calmo e tranqüilo perguntara:
— Por quanto tempo você pretende continuar assim Edward?
Suspirei.
— Por quanto tempo seja necessário Jasper.
— Você fez um ótimo trabalho com essa reforma, mas sabe que está se matando aos poucos.
Não respondi. Ele me conhecia bem demais. E insistiu.
— Quer falar sobre o assunto? Não precisamos ir até o consultório para podermos conversar...
— Não Jasper.
Ele deu um suspiro exasperado.
— Não quer encarar os fatos Edward? Por quanto tempo pretende fugir? O resto de sua vida? Nós dois sabemos muito bem qual é o problema, certo?
— Jasper, honestamente o meu humor não está para ficar jogando conversa fora.
— É essa a sua maneira de encarar a situação? Por que você ainda tem tanto medo de se entregar?
Resolvi ignorar. Quem sabe assim ele cansava de falar sozinho e me deixava em paz de uma vez.
— Ok Edward, chega de rodeios. Fique sabendo que você é um grandessíssimo tolo.
Eu ri amargamente.
— Por favor, Jasper, me diga algo que eu não saiba.
— O amor é uma dádiva Edward. Quem nunca amou na vida, nunca viveu de verdade. E Bella te ama, assim como você também a ama.
Um silêncio pesado e desconfortável nos envolveu por vários minutos. Ele ergueu as mãos e suspirou.
— Isabella é uma mulher maravilhosa, por quem vale a pena lutar. Alice sempre liga para ela, e as duas conversaram bastante ontem.
O martelo desceu pesadamente sobre a madeira. O que ele estava pretendendo com aquela conversa? Me fazer sofrer ainda mais? Senti as gotículas de suor na minha fronte e continuei fazendo o meu trabalho até que não resisti mais e perguntei:
— Como... Como ela está?
— Como você acha que ela está?
Ele respondeu sarcástico.
— Isabella está sofrendo Edward. Sofrendo muito. Tanto ou até mais do que você. Ela te ama de verdade. Rompeu com o noivo logo que chegou a Forks. É preciso ser muito cabeça dura, teimoso e orgulhoso para não enxergar o que está diante do seu próprio nariz! Você ama essa mulher Edward, mas se nega a admitir.
Engoli em seco ao saber que ela estava sofrendo. Bella havia rompido o noivado... Como me disse que faria... Deus! Minha Nebulosa...
Meus pensamentos foram bruscamente interrompidos pelo meu cunhado que se levantava e se dirigia para o carro. Mas por alguns instantes ele parou.
— Antes que eu me esqueça, Alice mandou isso para você.
O fitei surpreso. Ela sequer falava comigo e agora me mandava um cd? Estreitei os olhos, desconfiado.
— Do que se trata?
— Não faço à mínima idéia. Você conhece muito bem a sua irmã... Ela apenas me deu o cd e pediu que eu o entregasse a você. Pense sobre o que eu disse... Espero que quando você acordar para a realidade, não seja tarde demais. Se quiser conversar me ligue.
— Ok. Obrigada por vir até aqui Jasper.
— Alguém tem de fazer isso Edward.
— Jasper!
Chamei e ele se virou em minha direção.
— Será que dava para fazer um favor e depositar este cheque para mim no banco?
Eu disse, retirando o cheque do bolso da calça e estendo para ele.
— Claro. Pode deixar.
— Obrigada.
— Não por isso, Edward.
Disse ele acenando e caminhando até o Porshe amarelo e reluzente, me deixando mais uma vez em companhia da solidão naquele final de tarde. Exausto pelo dia de trabalho, resolvi voltar para casa.
O céu acima de mim estava limpo, brilhante com estrelas de diferentes tonalidades de azul em algumas partes e amarelo em outras. As estrelas surgiam majestosas, em formas redondas contra o universo que escurecia com a chegada da noite. Uma maravilhosa vista. Requintadamente bonita. Ou melhor, deveria ser linda, se eu pudesse vê-las.
À medida que eu caminhava sentia aquela velha e conhecida sensação asfixiante invadir todo meu ser. Muitas vezes eu não tinha coragem de enfrentar o vazio que me aguardava por trás da imponente porta de madeira na entrada da casa. E embora o sol ainda brilhasse forte nas montanhas, lá dentro só existia a escuridão. Ela havia ido embora tão depressa que não pegou nem mesmo as suas coisas. Eu nunca mais entrei naquele quarto, eu não poderia. Tudo se encontrava da mesma forma como ela havia deixado.
Decidido a ignorar a minha dor, saltei do cavalo e caminhei até a casa, entrando e parando na cozinha para engolir qualquer coisa. Eu não sentia o sabor de nada mesmo.
A casa parecia tomada por um frio eterno que penetrava minha alma e enregelava minha existência. Nunca antes o peso da solidão fora tão insuportável como agora. Se eu fechasse meus olhos poderia vê-la ali, em todos os lugares... Seu rosto, suas pernas, seu sorriso, o perfume delicado... Aquelas doces lembranças me assombravam e eu não podia me livrar, não conseguia e nem queria me libertar delas.
Depois de comer algumas frutas, fui para o meu quarto e entrei no chuveiro. Mais um dia Cullen. Mais um dia está indo embora, pensei comigo mesmo. Após o banho me arrastei até a cama, parando apenas para colocar o cd no meu som portátil. A garrafa de uísque permanecia cheia até a metade ao lado da cama. Aos poucos a melodia suave foi invadindo o ambiente e ao perceber que música era, puxei os travesseiros de encontro ao meu corpo, afundei o rosto e desatei a chorar como há muito tempo não fazia.
Crazy For You (Madonna)— Louco por Você.
http://www.youtube.com/watch?v=lA983t3Rdzs&feature=BFa&list=FLk_d3X1JvLwM&index=7
Swaying room as the music starts
Salão girando enquanto a música começa
Strangers making the most of the dark
Estranhos tirando o máximo proveito da escuridão
Two by two their bodies become one
Dois a dois, seus corpos se tornam um
I see you through the smokey air
Eu te vejo através do ar esfumaçado
Can't you feel the weight of my stare
Você não percebe o peso do meu olhar fixo?
You're so close but still a world away
Você está tão perto mas parece tão longe
What I'm dying to say, is that
O que estou morrendo para dizer é que
I'm crazy for you
Eu sou louco por você
Touch me once and you'll know it's true
Me toque uma vez, e você saberá que é verdade
I never wanted anyone like this
Eu nunca quis ninguém assim
It's all brand new
É completamente novo
You'll feel it in my kiss
Você vai sentir isso no meu beijo
I'm crazy for you
Eu estou louco por você
Crazy for you
Louco por você
Trying hard to control my heart
Me esforçando para controlar meu coração
I walk over to where you are
Eu caminho em sua direção
Eye to eye we need no words at all
Olho no olho, não precisamos de nenhuma palavra
Slowly now we begin to move
Devagar agora nós começamos a mexer
Every breath I'm deeper into you
A cada respiração estou mais fundo dentro de você
Soon we two are standing still in time
Logo estaremos parados no tempo
If you read my mind, you'll see
Se você ler minha mente vai ver que
I'm crazy for you
Eu estou louco por você
Touch me once and you'll know it's true
Me toque uma vez e saberá que é verdade
I never wanted anyone like this
Eu nunca quis ninguém assim
It's all brand new
É completamente novo
You'll feel it in my kiss
Você vai sentir isso no meu beijo
You'll feel it in my kiss
Você vai sentir isso no meu beijo
Because I'm crazy for you
Porque estou louco por você
Touch me once and you'll know it's true
Me toque uma vez e verá que é verdade
I never wanted anyone like this
Nunca quis ninguém assim
It's all brand new
É completamente novo
You'll feel it in my kiss
Você vai sentir isso no meu beijo
I'm crazy for you
Estou louco por você
Crazy for you
Louco por você
Crazy for you
Louco por você
Crazy for you
Louco por você
It's all brand new
É completamente novo
I'm crazy for you
Estou louco por você
And you know it's true
E você sabe que é verdade
I'm crazy, crazy for you
Estou louco, louco por você
Minhas lágrimas escorriam enquanto meu corpo era sacudido pelos soluços. Mais uma vez a noite escura seria testemunha do meu sofrimento. Estiquei o braço e peguei a droga da garrafa, abrindo e bebendo diretamente no gargalo. A bebida queimou minha garganta e o meu estômago, mas era um mal necessário. Minha irmã tinha enfiado uma lâmina afiada no meu coração ferido com aquela droga de música. O pior é que eu não podia culpa-la, pois era a mais pura verdade... Eu era louco, completa e loucamente apaixonado por aquela mulher... Bella, minha doce, suave e quente Nebulosa.
O que fazer agora meu Deus? Como eu poderia continuar vivendo sem ela? Será que Jasper tinha razão e Bella realmente me amava de verdade? Eu tinha que tentar, porque não aguentaria continuar vivendo nem mais um mísero dia sozinho ali em Masen... Pensando no corpo dela em meus braços, o rosto corado depois que fizemos amor, o cheiro de morangos de seus cabelos... Tomei a garrafa inteira até ser vencido pela inconsciência.
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Ouvi passos em meu quarto e ao longe, a voz do meu irmão gorila. Será que eu estava sonhando? Ele falou outra vez e senti que estava mais perto... O que ele estava fazendo ali? Tentei abrir meus olhos, mas a ressaca era gigantesca. Meu corpo estava dolorido, quebrado... Ouvi uma risadinha abafada. Será que nem na minha própria casa eu tinha sossego? Mas que porra! Senti que alguém abria as cortinas e fiquei irado. A irritação cresceu e eu esbravejei:
— Fecha essa merda, droga! Sai daqui e me deixe em paz!
— Isso lá são modos de falar com o seu pai Edward?!
A voz grave ecoou no meu quarto. Arregalei meus olhos em choque, sentando na cama abruptamente. Meu pai estava parado junto às cortinas e Emmett na porta do quarto, com um sorriso zombeteiro nos lábios. Lhe dei um olhar mortífero. Filho da mãe! Por que aquele infeliz não me avisou que os meus pais iriam chegar, droga?!
— Er... Eu não sabia que era o senhor. Desculpa pai. Estou com uma ressaca filha de uma mãe...
— E de um pai também, emendou o gorila.
Estreitei os olhos e encarei meu pai. Seu olhar era reprovador quando ele contornou a cama e fez o caminho até a porta do quarto. Suspirei resignado.
— Seu comportamento é inaceitável filho. Mas como já estou a par de tudo o que aconteceu, vou ignorar esse seu tenebroso mal humor.
Puxei os lençóis e voltei a me cobrir, deitando na cama. Contei até dez e resolvi me levantar. Sabia que eles não me deixaram ali sozinho de forma nenhuma. Joguei a colcha longe e o meu pai agora, me olhava com uma ponta de preocupação em seus olhos dourados.
— Por favor, levante, tome um banho e faça essa barba. Você está parecendo um eremita e sua mãe não vai gostar nada de te ver assim.
— Daqui a pouco vão te confundir com o Kadafhi, mano.
— Menos, Emmett.
Fiz um gesto obsceno para o animal do meu irmão e meu pai balançou sua cabeça reprovando e me abraçou.
— Estava com saudades filho.
— Eu também Carlisle.
Fui até o banheiro tomar uma ducha e me preparar para o sermão que viria pela frente.
O silêncio no interior do carro era profundo e inquietante. Meu pai e Emmett sequer permitiram que eu fosse dirigindo a caminhonete. A pessoa com que eu ainda teria que lidar era minha mãe. Suava mente a Mercedes preta deslizou para a garagem e meus olhos voltaram-se para a casa, ardendo ofuscantes com a claridade da manhã. Eu focalizei a janela do quarto onde tinha certeza de que dona Esme se encontrava sentada à minha espera.
Abri a porta do carro e desci, coloquei meu celular no bolso e sai caminhando lentamente até a entrada de mosaicos coloridos. Se eu puder lidar com os meus pais, certamente eu poderia lidar com a raiva ou o desprezo de Bella logo mais... Pelo menos era o que eu esperava.
— Filho, — meu pai falou abrindo a porta para que eu entrasse, permitindo-me passar.
Olhei para ele interrogativamente.
— Sua mãe está lá em cima, esperando por você.
Assenti e fiz meu caminho para a escada. Emmett e ele foram direto para o escritório. Minha mão correu ao longo do corrimão pesado e liso, a madeira era familiar e confortável sob minha pele. Cheguei ao primeiro andar e continuei andando pelo corredor, parando no corredor, quando ouvi os fluidos acordes do piano.
Sorri intimamente e me deixei guiar pelo som. As notas suaves das teclas enchiam o ambiente e saudades da infância se abateram sobre mim. Bati suavemente na porta e ela me chamou para entrar. Entrei no quarto e minha mãe estava sentada de costas para mim, seus dedos se moviam habilidosamente, deslizando com maestria sobre as teclas. Um pequeno sorriso repuxou os cantos de minha boca.
Minha mãe adorava tocar. O piano era uma de suas paixões assim como as obras de arte. Ela obrigando a mim e aos meus irmãos a termos aulas quando éramos crianças, no entanto Alice e Emmett eram terríveis e odiavam esses momentos, mas eu havia herdado o dom daquelas graciosas mãos, embora há anos não tocasse nada. Eu ainda me lembrava de como eu a via apertar os pés nos pedais, a forma como cada acorde vibrava acima de nossas cabeças.
Ela fez uma pausa e olhou diretamente para mim, sinalizando para que eu me sentasse ao seu lado. Atravessei o espaço que nos separava, peguei uma cadeira colocando ao lado do banco do piano e aguardei.
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