Nebulosa
4 Capítulo 4 – Acidente.
Notas iniciais
A aterrissagem em Catalina foi perfeita. A bela mulher ao meu lado continuava respirando profundamente, sentada em seu assento enquanto os outros passageiros já se preparavam para descer. Resolvi ficar mais um pouco com ela, afinal gostaria que Isabella ficasse bem.
Fomos os últimos a deixar o avião antes da tripulação, e ela estava um pouco mais tranqüila e aparentemente mais relaxada. Assim que descemos fomos encaminhados para um ônibus de luxo que nos levaria a Tucson. Pegamos nossas bagagens e como eu, ela também não levava muita coisa, apenas uma bolsa de viagem. Assim andamos até o veículo. Ajudei-a subir e nos acomodamos nos últimos lugares, pois todos os outros já se encontravam ocupados. Aproveitei e liguei o meu celular, que estava desligado desde Phoenix e liguei imediatamente para Emmett...
Ele atendeu no segundo toque.
— Edward, você está bem meu irmão?!
— Sim, mas o avião não pôde pousar em Tucson Emm. O que está acontecendo?
Ele bufou.
— Você nem imagina! Houve uma ameaça de bomba no aeroporto.
Eu gelei. Ameaça de bomba???? Aquilo era demais. Terroristas na minha cidade?! Um ódio profundo começou a correr pelas minhas veias. Depois do atentado de 11 de setembro eu era capaz de matar com as minhas próprias mãos qualquer terrorista que eu encontrasse... e faria isso lenta e dolorosamente...
— Tem certeza? – Perguntei mais uma vez.
— Claro Edward! A cidade está em polvorosa. Os bombeiros e o esquadrão anti bombas estão de plantão no aeroporto. Todos os hospitais da região estão de sobreaviso. Eu e Alice estávamos em pânico por não termos conseguido ainda falar com você mano. — Ele disse angustiado.
— Eu estou bem, pode ficar tranqüilo e avisar pra ela.
— Onde vocês desceram?
— Em Catalina. Estamos indo de ônibus para Tucson. Acho que daqui à uma hora eu estou chegando por aí
— Ok, mano. Se cuida. Me liga quando chegar.
— Pode deixar.
Desliguei o telefone e olhei para ela que observa ansiosa toda à conversa que tive com meu irmão.
— O aeroporto está sob ameaça de uma bomba. — Falei baixinho, notando que ela ficava ainda mais branca do que já era.
— O... O que?!
Ela me olhava estupefata.
— Isso mesmo que você ouviu. — Falei sussurrando para que apenas ela pudesse ouvir. Não precisávamos de bisbilhoteiros e muito menos de pânico a essa altura.
— Meu Deus!
Ela fechou os olhos com força e eu senti uma enorme vontade de abraçá-la e dizer que não se preocupasse que tudo iria ficar bem. Mas o que estava acontecendo comigo? Você já sabe a resposta Cullen... Você está há tanto tempo sem mulher que está surtando...
Respirei fundo procurando me concentrar na situação. Eu estava sem mulher há quase um ano... E Isabella era uma linda e deliciosa mulher, desejável e atraente. Sim tinha que ser essa a explicação para aquele meu ataque de cavalheirismo repentino.
— A tripulação sabe?
Ela perguntou com a voz entrecortada e os olhos ainda fechados.
— Com toda certeza. Não mandariam que eles desviassem o avião até aqui sem que soubessem o que estava acontecendo.
De repente ela ergueu os olhos e me encarou. Eu me perdi naqueles misteriosos e profundos olhos castanhos... Não sei bem por quanto tempo ficamos assim nos encarando, mas ela umedeceu os lábios com a ponta da língua e eu gemi baixinho...
Ela então se levantou bruscamente e foi até o banheiro. Eu sabia que iria me arrepender, mas não pude me segurar e fui atrás dela... Estava pensando com a emoção e não com a razão. Quando ela abriu a porta e entrou no pequeno e apertado cubículo, de costas para mim, eu mandei a razão para o inferno e sequer pensei nas conseqüências... A empurrei e entrei junto. Que Deus me ajudasse, mas eu queria provar agora aquela boca carnuda e deliciosa. Realmente eu tinha enlouquecido de vez.
Ela se voltou para mim trêmula, nossos corpos totalmente colados e se roçando, devido ao espaço minúsculo e me encarou com os orbes chocolates cheios de desejo, assim como os meus também estavam. Subi as minhas mãos pelo seu corpo, apalpando e sentindo a maciez e suavidade de suas curvas e mais uma vez ela abriu a sua boca para mim.
— Nebulosa. — Eu falei segurando o seu rosto delicado e colando nossos lábios sedentos.
Isabella Swan.
Eu não estava preparada para a enxurrada de sensações que aquele beijo despertou em meu ser. Um fogo arrebatador e um medo inexplicável se mesclavam dentro de mim e ao mesmo tempo. Meu coração batia loucamente. Era impossível não perceber como meu corpo correspondia a ele. A sensação que os lábios masculinos deixavam sobre os meus era de um prazer inigualável, porém o medo de estar numa situação inusitada daquelas e com um completo estranho também estava presente na minha mente. Eu tinha acabado de conhecê-lo... E se ele fosse um psicopata? Ou um sádico? Quem sabe até mesmo um estuprador...
Mas o prazer falava mais alto... Arrepios surgiam do toque dos lábios dele nos meus e se alastravam pelo meu corpo, me causando arrepios maiores e tremores. Enquanto me beijava vorazmente, saboreando cada toque, as pontas de seus dedos exploravam minhas costas da base da nuca até os quadris, por cima da minha roupa. A língua percorria meus lábios e sugava-os entreabrindo-os e tocando minha própria língua, fazendo movimentos de reconhecimento, e invadindo, o que espalhou um calor no centro de meu corpo, no estômago, e especialmente entre as minhas pernas. Ele mordeu de leve o meu lábio inferior e eu me senti desfalecer. Ele percebeu, e parou por um momento, se afastando alguns centímetros e me encarando com os olhos verdes escurecidos pelo desejo. Aproveitou e pousou as palmas da mão em meus quadris, possessivamente, fazendo com que eu sentisse o quanto estava excitado. Gemi de prazer e de medo diante do que estava por vir.
Segundos depois o ônibus balançou, ouvimos um forte estrondo, seguido de muitos gritos. Um terror inexplicável me invadiu... Nos desequilibramos e Edward caiu em cima de mim. Na mesma hora senti minha cabeça bater em algo sólido... Depois disso eu não vi mais nada.
———————
Eu me esforçava para abrir os olhos, mas eles estavam pesados. Senti um forte cheiro de éter naquele ambiente e escutei gemidos baixos e murmúrios ao longe. Meu estômago estava embrulhado e a vontade de vomitar era grande. Eu me sentia como se estivesse envolta numa névoa espessa e confusa... O cheiro daquele lugar, os barulhos... Nada fazia sentido. Senti que alguém segurava a minha mão e pequenos arrepios e choques elétricos se espalhavam a partir daquele ponto... Uma sensação diferente. Estranha e ao mesmo tempo familiar...
Será que eu estava no céu? Bom, se aquilo fosse verdade, então com certeza eu havia morrido...
Ouvi uma voz cada vez mais forte. Era uma voz potente de homem, que se aproximava e estava gritando...
— Edward!
Ele chamava, ou melhor, ele literalmente gritava. A minha cabeça doeu profundamente e eu estremeci.
— Edward!
— Senhor, se acalme. Temos muito feridos aqui...
Uma voz baixa e profissional de mulher tentava acalmá-lo, quando senti que a mão que segurava a minha se afastar... Fui imediatamente dominada por uma sensação estranha de um enorme vazio em meu peito.
— Saia da minha frente e não peça para eu me acalmar, está ouvindo?! Eu sou médico e estou procurando o meu irmão...
— Estou aqui Emmett...
Aquela voz... Havia algo de familiar naquela voz...
Ainda de olhos fechados pude ouvir o suspiro de alívio do homem que há alguns minutos estava gritando ali no céu... Será que Deus iria puni-lo por gritar daquele jeito?
— Graças a Deus!
— Ai! Porra Emmett! Se eu não me quebrei todo com o acidente, você acaba de me quebrar! Putz! Tem que usar tanta força assim?!
A voz ligeiramente familiar reclamou.
— Não reclama! Porra Edward! Eu estou feito um doido atrás de você! Já estive em dois hospitais de urgência e emergência antes de vir pra cá! Quase surtei quando disseram que um dos ônibus que trazia os passageiros de Catalina havia batido de frente com um caminhão de cargas...
Ah... então eu estava num hospital... Mas por quê? Catalina? Quem era Catalina? O que havia acontecido comigo?
— Você está bem Edward? Porra! Que susto da porra você deu na gente! Alguém já te examinou? Deixa-me ver esse corte.
Eu ouvi apenas uns resmungos.
— Quantos pontos te deram?
— Acho que uns sete ou oito Emm. Estou bem não se preocupe. E Alice?
— Ela ainda não sabe. Eu não queria ser o portador de outra má notícia. Saber da bomba no aeroporto já a deixou descabelada. Achei melhor tentar encontrar você primeiro. E é claro que eu me preocupo! Você vai bater um Raio X para ver se realmente não quebrou nada. E nem venha discutir comigo!
— Eu já bati Emmett...
— Eu quero ver.
Eu tentei me mover, mas parecia que eu havia levado uma surra... Todos os meus ossos doíam então soltei um gemido de dor... Em questão de segundos aquela mão grande, áspera e forte estava segurando a minha novamente e a corrente elétrica tornou a passar pelo meu dolorido corpo.
— Isabella?
Era comigo?
— Isabella pode me ouvir?
Quem ele estava chamando de Isabella?
Forcei-me a abrir os olhos e pisquei várias vezes devido à intensa claridade. Tentei focalizar o rosto do homem que falava comigo, mas não consegui. Minha visão estava embaçada... Continuei piscando até que pude distinguir a presença de dois homens, ao meu lado. Eles estavam de pé e eu deitada em uma cama. Olhei para o que estava segurando a minha mão e sorri. Uma estranha sensação de paz me invadiu. Ele era deslumbrante... Mas toda aquela beleza tinha sido maculada por um corte no seu supercílio direito e um grande hematoma roxo em sua testa.
— Hum...
— Isabella... Você está me ouvindo?
Ele perguntou outra vez.
— Você é um anjo? – Eu falei baixinho.
Os dois riram baixinho.
— Não, eu não sou um anjo e você não está no céu. Não se preocupe. Nós não morremos, estamos bem.
Eu não conseguia pensar com clareza... Ele realmente parecia um anjo de tão bonito... lentamente, olhei para o outro homem... Muito bonito também... Alto, incrivelmente musculoso, cabelos escuros, olhos penetrantes... Ele me encarava atentamente e eu me senti ruborizar...
— Onde eu estou?
Perguntei ao lindo anjo que continuava segurando na minha mão. Ele suspirou antes de responder.
— Nós estamos no Northwest Medical Center... Um hospital aqui em Tucson. Fomos trazidos para cá.
Tucson? Como eu tinha ido parar ali? Eu não estava entendendo absolutamente nada.
— Como eu vim parar aqui?
Aquela era apenas um das milhões de perguntas que estavam chacoalhando na minha cabeça... Por que raios eu não conseguia pensar direito???
— Nós sofremos um acidente...
Ele começou a falar, mas parou ao perceber que eu empalidecia mortalmente. Deus! Um acidente?!
— Isabella você está se sentindo bem?
Perguntou preocupado. Olhei para ele sentindo o medo tomar conta de mim.
— Não me deixe. — Sussurrei.
Ele me encarou com seus profundos olhos verdes, mas não falou nada.
— Afasta mano. Vou examiná-la.
Mano? Ah... Eles eram irmãos... O meu anjo soltou a minha mão e deu espaço para o seu irmão se aproximar de mim. O grandão então pegou o meu rosto e colocou uma pequena lanterna em meus olhos, me fazendo piscar repetidas vezes.
— Eles me disseram que ela não tinha quebrado nada Emm. Ela levou uma forte pancada na cabeça... Fez uma porrada de exames, inclusive uma tomografia e até uma ressonância magnética... Os médicos falaram que ela só está um pouco machucada e que deveria acordar desorientada...
Desorientada era pouco... eu estava num estado de semi letargia... Enquanto ele falava, o irmão me apalpava de cima até embaixo, mas era um toque puramente profissional, eu pude perceber, apesar de ficar muito envergonhada...
— Realmente parece que está tudo no lugar, apesar dos hematomas. Vou solicitar a ressonância dela e os Raios X que vocês dois bateram. Quero examinar tudo pessoalmente. Volto já.
Ele já ia saindo quando eu fiz uma pergunta que o fez parar e se virar na minha direção.
— Quem é Isabella?
Os dois me encararam surpresos e depois se entreolharam.
— Alguém pode me responder, por favor? Eu fiz uma pergunta. — Falei um pouco exasperada.
O anjo se aproximou da cama novamente, segurou a minha mão e olhou intensamente nos meus olhos...
— Você é Isabella. Isabella Swan.
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