Nebulosa
27 Capítulo 27 - Ferida Aberta
Notas iniciais
Dedico este cap. a todas as mamães, que o dia de amanhã seja repleto de amor e carinho para todas vocês.
PDV Edward Cullen.
Enrijeci ao ouvir aquelas palavras. O meu estômago revirou e a dor mais uma vez transpassou a minha alma, me fazendo reviver momentaneamente o inferno que havia sido a minha vida durante meses sem fim. Desviei os olhos lutando contra a raiva e a dor que emergiam ferozmente mais uma vez e tomavam conta do meu ser. Baixei a cabeça e apertei minhas mãos com força, fechando os olhos. Eu poderia viver cem anos, mas nunca, jamais iria perdoar aquela mulher maldita!
Levantei a cabeça lentamente e encarei Isabella.
— Me desculpe Edward, eu não queria te magoar...
Os olhos castanhos estavam tristes. Os meus não tinham expressão alguma. Eu sentia que eles estavam sem vida. Um bom soldado aprende cedo a esconder e disfarçar suas emoções. O vazio no meu peito era enorme. O buraco da dor ameaçava se abrir outra vez...
— Vista-se. Como você mesma disse, Emmett deve estar procurando por nós.
Falei friamente.
Ela mordeu os lábios, nervosa e eu me xinguei mentalmente, pela palavras duras e cortantes. Sei que Bella não merecia ser tratada dessa forma, mas infelizmente eu não conseguia evitar. Jéssica tinha sido um monstro que tive a infelicidade de conhecer... Ela havia cruzado o meu caminho e quase tinha me destruído com o seu egoísmo e a sua frieza. Não que eu a amasse. Apenas me deixei levar... Ela era fútil, mimada e vazia. Só fui perceber isso com o passar do tempo.
Hoje, depois de conhecer intimamente Isabella eu sabia que tudo que havia existido entre mim e a minha ex eram apenas momentos bons e fugazes de sexo, nada mais. E estes sequer chegavam aos pés do que eu vivi ainda a pouco aqui nos estábulos com Bella... Sacudi a cabeça tentando raciocinar, mas o cheiro dela e do sexo que fizemos naquela baia abafada e calorenta me entorpecia e me deixava zonzo.
— Edward...
Respirei fundo e virei às costas. Bella era como uma droga doce, quente, convidativa e viciante. Eu não podia sucumbir... Precisava ficar são. Eu precisava pensar, precisava assumir o controle das minhas emoções novamente. E eu podia lutar contra o que eu não queria sentir... Contra o que eu não queria fazer... O problema era que eu queria Isabella. Eu a queria demais.
— Fique aí se quiser, mas não vá se meter em problemas novamente! Eu não tenho a menor vocação para herói!
Falei e saí sem olhar para trás. Eu sabia que estava encrencado. Muito, muito encrencado. Bella mexia demais comigo e juntos, eu vivi as melhores experiências sexuais da minha vida. Éramos como a pólvora e a faísca quando estávamos na cama. Como eu poderia a deixar ir embora agora?! Como permitiria que ela saísse da minha vida se justamente com ela eu tinha entendido finalmente o significado da palavra paraíso?! Suspirei... Que Deus me ajudasse!
Depois que fizemos amor pela segunda vez eu estava pensando em como abordaria esse assunto com ela... Eu estava confuso sobre o que faria que atitude deveria tomar... Porra, ela estava sem memória e confusa!
Mas ao falar no meu filho, ela sem querer, abriu uma enorme ferida que até hoje ainda sangrava. Eu juro que não queria magoá-la, mas não deu para evitar. Subi caminhando apressado e nem dei atenção às piadinhas ridículas que o meu irmão irritante soltou, enquanto lavava a caminhonete. Ignorei o gorila e fui pra casa. Eu só queria ficar sozinho...
PDV Isabella Swan.
Vi a dor nos olhos dele e me arrependi na mesma hora de ter aberto a minha boca. Pelo jeito a ferida ainda não havia cicatrizado. Eu só queria que ele soubesse que eu sentia muito. Eu me solidarizava com ele na sua dor... Suspirei e peguei o vestido, sacudindo-o para tirar o feno. Procurei a calcinha e a peguei, fazendo a mesma coisa.
Deus! Nós tínhamos vividos momentos maravilhosos ali ainda há pouco... Ele tinha me chamado de Nebulosa com sua voz rouca e sexy... Só em lembrar eu me derretia. Ficava mole como gelatina. Involuntariamente os meus olhos foram parar sobre a lona e o monte de feno. O cheiro de sexo estava impregnado no ar e eu estava me sentindo mais mulher do que nunca. Mais uma vez fiquei excitada... Era como se Edward me completasse... Como se ele fosse à metade que faltava para que eu me sentisse inteira... Não viaja Bella! Você não sabe nem quem você é, como pode achar que esse homem é a sua cara metade?! Ridículo!
Suspirei mais uma vez e me vesti, ajeitando a roupa e os cabelos. Olhei novamente ao redor e tive a certeza de que jamais entraria em outro estábulo em minha vida sem lembrar os intensos momentos de prazer que nós havíamos vivido ali...
Saí e corri meus olhos em volta do ambiente, vendo se aquela égua furiosa estava por ali. Nem sinal do bicho. Ajeitei os ombros e caminhei vagarosamente em direção a casa, meus pensamentos estavam todos voltados para ele...
Subi e só me dei conta de Emmett me chamando quando estávamos bem próximos. Ele me olhava intrigado.
— Você está bem, Bella?
Era incrível como ele assumia a postura profissional ao falar comigo daquele jeito... Sorri tristemente.
— Sim, eu estou bem. Ontem eu tive uma rápida visão de uma cozinha...
Ele me observava com atenção.
— Eu achei alguma coisa familiar nas cores, nos móveis... Mas desapareceu tão rápido como surgiu.
Ele me deu um amplo sorriso.
— Isso é um bom sinal. Sua memória está dando sinais e muito em breve você vai se lembrar de tudo. Estou falando como médico.
— Eu sei, — respondi desviando os olhos.
— Tem certeza de que está mesmo bem?
Assenti. E ele me observou cuidadosamente.
— Então por que parece que você precisa de um ombro para chorar? Sem falar que Edward passou aqui voando, irritado e nem sequer falou comigo!
Eu fitava os meus pés, sem saber o que dizer. Delicadamente, ele segurou o meu queixo, fazendo com que eu o encarasse. Engoli em seco.
— Quer me dizer o que está acontecendo? Não esqueça de que eu sou seu médico, mas também sou seu amigo.
Eu balancei a cabeça e ele desligou a mangueira, fechando a água. Caminhei até a sombra de uma árvore e sentei, esperando que ele fizesse o mesmo.
— Pode falar.
— Eu o magoei Emmett, embora não tenha tido essa intenção...
— Conte-me o que houve.
Corei até a raiz dos cabelos e ele deu uma sonora gargalhada. Como diz o ditado: Para um bom entendedor, meia palavra basta.
— Bem que eu disse a ele que os estábulos inspiravam um clima de romance.
Rolei os olhos tentando em vão disfarçar a minha vergonha.
— Fala sério, Emmett...
— Desculpa, mas eu não consegui evitar. É muito bom ver que o Edward está se deixando levar Bella...
Eu o encarei confusa.
— Meu irmão viveu como um zumbi, um morto-vivo durante muito tempo... Nós já estávamos perdendo as esperanças...
— Eu sei, Rose me contou.
Ele ergueu as sobrancelhas surpreso.
— E foi justamente aí que eu o magoei. Eu falei que sentia muito por ela e pelo filho dele...
Ele assentiu. Nós ficamos alguns minutos em silêncio, desfrutando a paz que reinava na fazenda.
— Meu irmão é muito duro consigo mesmo. Ele acha que poderia ter feito alguma coisa, ter evitado que aquela cachorra bandida fizesse a monstruosidade que fez...
A raiva transparecia claramente em sua voz.
— Ele não poderia ter feito nada, — eu falei.
Emmett concordou.
— Todos nós sabemos Bella, mas eu aposto que ele inconscientemente ainda se culpa... Algumas feridas demoram certo tempo para cicatrizar e ele costuma se fechar em si mesmo numa concha, se protegendo e, ao mesmo tempo, afastando de si as pessoas que o amam.
Dei um longo suspiro.
— E é tudo culpa minha...
Senti o braço forte sobre os meus ombros e me senti acolhida.
— Não esquenta. Ele com certeza precisa ficar um pouco sozinho para lidar com as feridas, mas isso logo passa.
— Será?
Perguntei insegura.
— Edward tem que recomeçar a viver Bella. Jéssica prejudicou a vida dele por tempo demais. Está mais do que na hora de dar um basta!
Eu assenti. Por mais que estivesse desolada, sabia que Emmett tinha razão. Eu deveria dar tempo a Edward. Nesse instante o estômago de Emmett roncou e nós dois rimos.
— Já está com fome? Que horas são?
— Já passam das duas e como você sabe eu sou movido à comida... É o meu combustível, Bellinha.
Eu sorri e me levantei.
— Tudo bem seu esfomeado, eu vou dar um jeito de alimentar você...
— Ótimo, por que a fome está grande... Gigantesca para falar a verdade.
Entramos e nem sinal dele. Arrisquei meu olhar e me dirigi à cozinha abrindo a geladeira, e tirando os ingredientes necessários para fazer um frango gratinado ao molho de queijo. Separei tudo e Emmett me observava curioso.
— Garanto que você vai gostar, — eu disse.
— Não tenho a menor dúvida! Edward me disse que você cozinha super bem. Posso ajudar em alguma coisa?
— Pode, — falei estendendo os legumes na direção dele.
— É pra cortar?
— Por favor. Corte e coloque tudo em uma panela.
— Deixa comigo! Dr. Emmett Cullen, o melhor oftalmologista de Tucson atacando de cozinheiro! A comida que se prepare, pois vou acabar com ela...
Sorri e continuei com o que estava fazendo. Pelo menos com a mente ocupada eu não iria pensar em Edward.
Quarenta minutos depois estava tudo pronto e o aroma do frango enchia o ambiente. Tirei o refratário do forno e Emmett salivou. Não contive um sorriso de satisfação. O arroz e os legumes já estavam na mesa. Sentamos e ele como havia dito, caiu de boca na comida, que realmente estava muito saborosa. Comemos em silêncio até que passos ecoaram no corredor e eu fiquei imediatamente em alerta.
Continuei a encarar o meu prato sem coragem de erguer o meu rosto e fita-lo.
— Mano, isso aqui tá uma delícia...
Disse Emmett com a boca cheia.
— Isabella cozinha bem, — ele falou seco.
Continuei comendo, enquanto pelo canto do olho via ele se servir de uma generosa porção de frango.
— Já terminou com o carro?
Ele perguntou. Eu continuava concentrada na refeição e ele parecia me ignorar.
— Sim, espero que você goste.
— Se eu não gostar, pode ter certeza de que você fará tudo de novo.
Emmett estreitou os olhos.
— Ah, Edward pega leve... Eu ainda tô com uma ressaca da porra e vou ter que sair daqui para enfrentar duas Cullens furiosas...
Edward deu de ombros.
— Problema seu! É melhor o meu carro está perfeito ou terá que trabalhar dobrado. Vomitou, agora limpe!
Emmett bufou!
— Cara, qual é o seu problema?
Eu gelei. Com toda certeza o problema dele era eu. Travei sentada na cadeira, quando vi que ele empurrava a cadeira para trás, dar um soco na mesa e levantar bruscamente, saindo da cozinha. Meu coração batia desenfreado e eu sentia pequenas gotas de suor se formando em minha testa e em minhas mãos.
— Falta de paz! Esse é o meu problema, droga!
Ele gritou do corredor.
— E se quiser que eu te leve em casa, acho bom se apressar, por que eu não vou ficar o dia todo à sua disposição!
BAH! Ele entrou no quarto e bateu a porta com força. Eu estremeci e Emmett, olhando para mim, assoviou.
— Caramba Bella... Ele está nos cascos! Tem certeza de que quer ficar aqui com ele? Você pode ir pra casa comigo, ou ligar para Alice vir te buscar...
Sorri tristemente.
— Obrigada, mas eu vou ficar. Além disso, você e a Rose precisam conversar e a minha presença lá, só atrapalharia as coisas...
Ele sorriu e alcançou a minha mão sobre a mesa.
— Relaxa. A casa é enorme e você poderia assistir a um filme, ver televisão, se exercitar, qualquer coisa enquanto eu amanso a fera...
Não consegui conter o riso ao ouvi-lo falar da Rose daquela forma. Parecia que ele estava se preparando para uma guerra...
— Vai dar tudo certo Emmett, eu tenho certeza. Vocês dois se amam...
— Mas ela é dura na queda Bella... Eu vou ter que rastejar, sabia?
— Nada como um dia atrás do outro e uma noite no meio...
Continuamos conversando mais um pouco e ele me ajudou a levar a louça para pia. Instantes depois, ouvimos a porta do quarto se abrir e Emmett se aproximou beijando a minha cabeça e se despedindo. Mesmo de costas, pude sentir os olhos dele cravados em mim, queimando, mas não o encarei. Me voltei para a pia e esperei até o barulho do motor do carro se afastar para soltar a respiração que eu nem sequer sabia que estava segurando.
Notas finais
Beijos Garotas até Terça
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