Nebulosa
19 Capítulo 19 – O Aniversário do Jasper - 1ª Parte
Notas iniciais
PDV. Edward Cullen.
Eu estava na sala, sentado esperando a Bella para irmos à festa. Aproveitei para dar uma lida no jornal e fiquei ciente de que a seca estava prejudicando diversas plantações e o gado. Com a seca, muitos fazendeiros se viam forçados a venderem suas cabeças de gado para os grandes matadouros, cujo faturamento era maior a cada dia. Rolei os olhos. Graças a Deus eu havia investido em cavalos de raça. Embora de certa forma a estação da seca também me atingisse, pois o preço da ração e dos vegetais havia subido consideravelmente nos últimos meses. E eu queria o melhor para os meus cavalos.
Dobrei o jornal desejando ter algo melhor para fazer do que ir a uma festa e suspirei. Eu era avesso às badalações.
E não precisava nem dizer que eu estava evitando a minha hóspede... A mulher simplesmente estava acabando comigo. Como se não bastasse às noites se insônia rolando pela cama, agora eu tinha virado o tarado da máquina de lavar roupas. Pode?! Volta e meia eu me pegava espiando a máquina furtivamente, para ver se encontrava alguma lingerie esquecida, dando bobeira por ali... Definitivamente Cullen, você endoidou de vez!
Eu não sabia o que estava acontecendo comigo. Por mais que eu amasse a minha família e me sentisse bem ao lado deles, eu gostava mesmo era de ficar sozinho. Sempre fui um homem de natureza solitária, assim, a calma e a tranqüilidade da fazenda preenchiam a minha alma e me mudar de Masen jamais fizera parte dos meus planos. Mas a minha paz de espírito estava ameaçada desde a chegada dela. Nem os bichos, nem mesmo a exuberante e cativante paisagem estavam conseguindo sossegar meu coração.
Ela tinha ido ao salão com minha irmã há uns dias e se já era bonita antes, ficou ainda mais depois. Porra... Os cabelos longos brilhavam como a seda, as unhas estavam pintadas num tom de chocolate, igual aos olhos castanhos e misteriosos...
Eu olhava de longe e só pensava nelas arranhando as minhas costas... Além do que eu estava doido para ver o resultado da depilação... Dizer que a minha imaginação não rolava solta era uma mentira deslavada. Eu fervia só de imaginar.
É claro que eu a estava evitando depois disso. Ela representava uma ameaça ao meu estilo de vida, ao meu sossego e a minha segurança emocional. Cheguei ao cúmulo de convidar Jared para assistir alguns jogos de futebol na televisão, só para não ter que ficar sozinho com ela e sucumbir à tentação. E o pior é que eles dois se davam bem!
Eu não queria compromisso, por isso nada tinha a oferecer a Bella. Por que ela tinha que vir para Tucson? Por que ela tinha que aparecer na minha vida? Por que ela tinha que existir?
Irritado, suspirei e ouvi seus passos no corredor e ergui a cabeça lentamente para fitá-la, enquanto os saltos dela faziam barulho tocando o chão liso de tábuas corridas. Os seus olhos escorregaram na minha direção. Um movimento que ela claramente estava esperando que fosse furtivo. O olhar dela encontrou o meu e eu me vi refletido no grande espelho dos seus olhos castanhos.
O meu queixo caiu. Eu estava pasmo diante de tanta beleza. E que droga de roupa era aquela? Um top rosa claro curto, que deixava ver o início dos seios e um pequeno pedaço da barriga dela. Continuei descendo o olhar para a calça preta justa, que delineava todas as suas curvas e marcava com perfeição a pequena calcinha que ela usava. Botas pretas de cano longo e salto alto completavam o visual sexy. Os cabelos balançavam soltos e brilhantes e ela usava uma maquiagem leve... Eu não sei por quanto tempo fique ali, com cara de idiota, mas tratei de fechar a boca quando ela me deu um tímido sorriso.
— Estou bem?
Perguntou parando a alguns passos de onde eu estava. Bem? Bem?! Quem estava bem era eu, com uma calça jeans escura, uma camisa azul, chapéu de cowboy e uma jaqueta marrom. Ela estava demais! Maravilhosa, linda, deslumbrante... Eu já sentia que ia ter muita dor de cabeça nessa festa...
— Sim, você está ótima.
Respondi desviando os olhos e me dirigindo a porta, querendo sair dali o mais rápido possível, pois o calor tinha começado a ficar insuportável dentro da minha casa. Ela me seguiu sem falar nada. Esperei que ela saísse, fechei a casa, e fui até o carro, abrindo a porta para ela, que entrou sem me encarar, mordendo nervosamente o lábio.
Dei a volta e me acomodei ao volante, dando a partida. Pensei em ligar o rádio, mas vai que está tocando uma música melosa como aquela do outro dia... Aí sim, eu iria me desesperar. Quer saber? Sem droga de música!
Em silêncio dirigi para o maior clube da cidade, no lado norte, e praguejei baixinho diante da agitação que estava rolando lá dentro.
Luzes coloridas piscavam, balões e fitas de diversas cores ornamentavam a entrada e podiam ser vistos ao longe, espalhados por todo o salão. A música alta rolava solta. Alice não perdia tempo mesmo. Estacionei a caminhonete numa rua lateral e peguei o presente que havia comprado para Jasper: um livro de Augusto Cury, O Futuro da Humanidade. Todo psicólogo adora um bom livro. Dei a volta para abrir a porta para Bella, mas ela se adiantou e desceu sozinha. Encarei-há por alguns segundos.
— Preparada?
Perguntei, escrutinando o seu rosto.
— Não, mas vamos assim mesmo...
Ela respondeu sorrindo e eu a peguei pelo braço, conduzindo-a até e a entrada. Gostaria de pegar na sua mão. Mas como não éramos nada um do outro, achei melhor me contentar com o braço.
Tyler Crowley e Austin Marks estavam próximos ao salão e os olhares dos dois caíram sobre nós assim que chegamos. E não gostei nadinha da forma como desnudaram a minha hóspede. Eles estavam babando e eu fechei a cara. Ela estava comigo, então eles que não se metessem à besta.
Havia bastante gente ali, a maior parte conhecida. Suspirei resignado. O que essa gente não faz por uma noitada...
Entramos e vi Jasper juntamente com Alice sentados numa mesa no início do salão, no lado oposto ao palco, onde uma banda tocava pop rock e muitas pessoas dançavam animadas. Rose estava na pista dançando com algumas garotas e Emmett no bar, pegando uma cerveja. À medida que caminhávamos pude perceber pelo canto do olho, Mike Newton conversando com Jared. Não preciso nem dizer que não gostei. Os olhos dele estavam sobre Bella, é óbvio. Fechei a cara e a conduzi para junto da minha irmã. Chegamos até o aniversariante, que prontamente levantou para nos receber.
— Bella, Edward, Que bom que chegaram.
— Feliz aniversário Jasper, — disse Bella, ganhando um abraço.
— Obrigado. Você está encantadora!
— Claro que ela está maravilhosa, afinal a produção é minha, — disse Alice me abraçando.
— A festa está linda Alice, — disse Bella. — Você caprichou.
— O meu namorado merece o melhor, — falou minha irmã toda derretida. Ignorei a sininho e me dirigi ao aniversariante.
— Parabéns Jasper!
Eu falei entregando o presente.
— Obrigado Edward, — ele disse pegando o livro de minhas mãos e colocando numa mesa paralela, junto com os outros presentes.
— A sua festa está demais, — Bella disse correndo os olhos pelo ambiente.
— Obrigada, mas é a Alice quem merece todos os méritos. Foi ela quem organizou tudo...
Disse Jasper sorrindo para minha irmã e eu rolei os olhos. Eu sabia que por ele, o seu aniversário seria comemorado apenas com um simples jantar em família.
— Você não pode deixar de montar no touro mecânico lá no jardim, Bella.
Alice falava entusiasmada. Só mesmo minha irmã para ter a idéia de alugar um touro mecânico...
— Será que não vai ter problemas?
Bella falou, olhando para mim.
— Como assim?
Eu perguntei percebendo a insegurança dela.
— Não sei se devo..., — ela falava e mastigava os lábios de forma inconsciente.
— Se você quiser, eu não vejo problema algum, — falei tentando encorajá-la, ao mesmo tempo em que Emmett se aproximava e nos cumprimentava. Percebi que o meu irmão estava triste. Conversaria com ele depois.
— Bellinha, você está arrasando!
Disse ele abraçando-a. Como ele era enorme, Bella quase desapareceu.
— Oi Emmett, você também não está nada mal, — ela respondeu sorrindo.
— Alguém aqui sabe apreciar o que é bonito, — ele disse divertido.
— Mano, — eu disse dando um leve soco em seu braço.
— E aí Mano?!
Ele respondeu, dando um murro de verdade no meu bíceps.
— Porra Emmett! Isso dói! Merda!!
Ele gargalhou.
— Foi você quem começou Edward! Sabe que eu simplesmente adoro uma boa luta...
Eu ia dar uma resposta a altura, mas fomos interrompidos.
— Boa noite a todos, — falou uma voz feminina, ligeiramente conhecida.
Todos nós nos viramos e Victória estava parada bem atrás de mim, com um sorriso radiante. Ela usava um vestido vermelho como seus cabelos, justo e decotado. A lambança estava feita... Engoli em seco, pois tinha certeza de que aquilo não ia acabar bem. Victória era ex-namorada do meu irmão e Rose preferia ver a morte a ver aquela ruiva por perto.
— Victória, — falei tentando ser cordial.
— Boa noite Victória, — emendaram Alice, Jasper e Emmett ao mesmo tempo.
— Eu vim cumprimentar o aniversariante, — falou com uma voz sexy.
Eu me afastei para que ela falasse com Jasper. Percebi claramente seus olhos castanhos claros sobre Emmett e em menos de meio segundo, Rose estava na mesa bufando, encarando a ruiva. Rapidamente Emmett pegou a mão de sua esposa e a levou para o bar, onde começaram a travar uma discussão. Victória sorriu discretamente e afastou-se da nossa mesa.
— Xi, vai começar o barraco, — disse Alice.
— Menos Alice, — eu a cortei.
— Eles estão brigando, — falou Bella.
— Eles já chegaram brigados, — completou Jasper, no momento em que Rose dava as costas para o meu irmão e voltava para a pista, largando-o sozinho.
— Sério? E por quê?
Questionei. E Alice deu de ombros.
— Vai saber...
— Tem coisas que é melhor a gente nem saber, — completou Jasper.
Nesse exato momento, James, um antigo companheiro meu dos tempos do exército parou a minha frente.
— Edward cara! Quanto tempo!
Levantei dando um forte abraço nele e sorri.
— James, que bom te ver, cara! E aí, como andam as coisas?
— Voltei pro batalhão, — ele respondeu.
Realmente aquilo me surpreendeu.
— E a idéia de virar policial como o seu pai?
Perguntei.
— Desisti para não matar minha mãe do coração, — ele disse.
Eu ri. James era filho único e a sua mãe era viúva. Eu imaginava muito bem a chantagem emocional que ela não devia ter feito para que ele desistisse do seu mais antigo sonho. Minha própria mãe fez o que podia para me dissuadir a não servir ao exército...
— E as mulheres, — perguntei.
— Ainda não encontrei minha cara metade, — ele respondeu.
James era o maior galinha.
— O que faz aqui?
Questionei curioso.
— Vim com Alec e Jane, — ele respondeu referindo-se aos irmãos gêmeos.
Arqueei as sobrancelhas e questionei.
— Você e Jane?
Ele deu de ombros.
— Nada sério. Gosto muito do Alec, somos amigos há bastante tempo e fiquei com ela algumas vezes... nada demais. Ela é meio chiclete... Daquelas que grudam. E você sabe que eu não me dobro para mulher nenhuma...
Concordei.
— É eu sei.
Eu já tinha ficado com Jane duas vezes. E ela não fazia o meu tipo. Eu preferia ficar sozinho, mas quando as minhas necessidades masculinas estavam beirando o limite, eu saía atrás de sexo, e ela como eu na época, também não queria nada sério. Mas James tinha razão quando dizia que Jane muitas vezes podia ser pegajosa, e até mesmo irritante. Conversamos um pouco e os olhos dele de predador, encontraram Isabella que, de costas para nós, observava com interesse a pista de dança.
— Fiu fiu, — ele assoviou.
Trinquei os dentes.
— Cara, que princesa... Me apresenta Edward.
Meus pensamentos se enfureceram. Dizer que fiquei com ciúme era pouco. Eu fervi. O que ele estava pensando?
— Não mesmo, — falei curto e grosso.
Ele estreitou os olhos e me encarou desconfiado.
— Está me desafiando como nos velhos tempos Cullen?
Ele falou divertido, e eu lhe dei um olhar gelado.
— NÃO. N. Ã. O. Ali é território meu, trate de ficar na sua. Estamos entendidos?
Ele estreitou os olhos.
— Ela é sua namorada?
Engoli em seco diante da pergunta. Que direitos eu tinha sobre ela? Nenhum! Mas eu só abriria mão de Bela quando recuperasse a memória, sua vida e fosse embora de Tucson. E não deixaria de forma alguma o caminho livre para James, o pegador.
— Ainda não.
Falei enfatizando cada palavra, deixando claro que já tinha rolado alguma coisa entre eu e ela, e com esperança de que ele me levasse a sério. Namorada... Era isso que eu queria que ela fosse?
Meu coração deu um salto. Não sei explicar muito bem o que eu sentia, mas não queria que ela ficasse com ninguém além de mim. Eu sabia muito bem como James era mulherengo, afinal aprontamos tudo o que se tem direito quando estávamos servindo juntos. Era uma mulher por noite... branca, negra, mestiça, asiática, loira, morena, magra, alta, baixa... Não escapava nada. Bastava usar saia que a gente pegava... Era o famoso SO.D.A.M (Soldados Desesperados Atacando a Mulherada).
— Você sabe muito bem que eu não resisto a um desafio... Esqueceu dos bons tempos do SODAM? Pois, eu não.
James falou e eu prendi a respiração ao vê-lo passar por mim e sem cerimônia se apresentar a Bella, Alice e Jasper. Apertei os punhos com força. Miserável!
— Muito prazer, eu sou amigo do Edward.
— Sério?
Perguntou Jasper curioso.
— Sim, servimos ao exército juntos.
Eu observava a cena com atenção. O que aquele safado estava pretendendo?
— Se é amigo do meu irmão, é muito bem vindo, — disse a baixinha.
— Sinta-se à vontade, — falou Jasper.
— Obrigada, — disse ele voltando-se para Isabella.
Ela o encarou e eu odiei.
— Alguém já te disse que você é a mulher mais linda da festa?
Bella corou totalmente e Alice e Jasper riram.
— James, — disse sorrindo e estendendo a mão para ela.
— Bella, — ela disse baixando a cabeça envergonhada.
— Lindo nome. Sabia que no meu coração tem um espaço vazio que cabe exatamente você?
Revirei os olhos sem acreditar. Aquele infeliz ainda usava as mesmas e velhas cantadas do SODAM?! Só que lá eu era seu aliado, e agora ele havia se tornado meu inimigo, invadindo o meu território e querendo pegar a minha Nebulosa.
— Obrigada, — ela respondeu tímida.
— Por falar a verdade? Sempre às ordens. Eu estou inteiramente ao seu dispor...
— Mas ela não está interessada!
Gritei, sendo rude, peguei a mão de Isabella, puxei-a e saí deixando todos espantados com a minha atitude.
Ela me olhou surpresa, enquanto eu possesso, a arrastava para o bar. Bella tropeçava em seus próprios pés.
— Ai, Edward... Assim eu vou acabar quebrando uma perna...
Droga! Imediatamente relaxei a força da minha mão me dando conta de que estava machucando-a.
— Desculpe, — falei diminuindo o ritmo dos meus passos para que ela pudesse andar direito
— O que foi aquilo?
Perguntou, me encarando com os quentes olhos cor de chocolate.
— Conheço James há muito tempo. Servimos ao exército juntos, e ele é um mulherengo sem tamanho! Não quero que ele iluda você, Bella. Vai acabar se machucando ainda mais.
Ta bom Cullen... Nem você engoliu essa, pensei. Respirei fundo enquanto a minha consciência me acusava e tentei disfarçar pegando algumas bebidas para nós dois. Ela aceitou e eu observei Emmett encostado num canto, tomando uma cerveja atrás da outra.
— Você serviu ao exército?
Ela perguntou surpresa.
— Sim.
— E foi lá que arranjou a sua cicatriz?
Falou apontando para o meu abdômen. Encarei-há por alguns instantes, surpreso. Bella era muito perspicaz.
— Sim. Eu fui um dos poucos que conseguiu sobreviver.
Ela empalideceu mortalmente com as minhas palavras. Agora Bella estava ciente de que eu quase morri. Vendo a sua reação, segurei-a pelos ombros.
— Respire Bella. Aconteceu há muito tempo.
Ela fez o que eu pedi e a cor voltou ao seu rosto aos poucos. Olhei mais uma vez para Emmett e segui o seu olhar, encontrando Rose dançando e rebolando animadamente no centro de uma roda, no salão. Voltei meus olhos para Bella novamente.
— Por que não vai dançar Bella?
Falei sem querer que ela voltasse para mesa, pois o safado do James continuava lá com Alice e Jasper.
— E se eu não souber dançar Edward?
Ele disse um pouco apreensiva. Segurei o seu rosto entre as minhas mãos e a corrente elétrica tomou conta dos nossos corpos outra vez. Encarei os orbes cor de chocolate e disse:
— Não se preocupe apenas relaxe e deixe a música te levar. Garanto que vai ser moleza...
Ela ainda me olhava insegura. Tive que apelar...
— Além disso, vai ser bom experimentar coisas novas. Quem sabe não te traz alguma lembrança do passado?
— Ok, — ela disse sorrindo e confiante, caminhou para pista com passos firmes, sob o meu olhar atento e vigilante. Preferia mil vezes vê-la com Rose na pista do que com o safado do meu amigo.
Ao avistá-la, Rose sorriu e a puxou para dançarem juntas. Soltei o ar que estava preso em meus pulmões e caminhei até o meu irmão, disposto a descobrir o que realmente estava acontecendo, embora não perdesse Isabella de vista nem por um minuto.
Notas finais
beijão
nos vemos amanhã eu prometo sem falta.
Kiki Cullen
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