Nebulosa
12 Capítulo 12 - Como um ímã
Notas iniciais
Eu o estava desafiando, mas não poderia ficar ali parada, esperando de braços cruzados, os dias passarem. Tudo bem que ele tinha me deixado cozinhar, mas eu era rápida naquela tarefa e sempre me via sozinha, pensando em um monte de bobagens enquanto Edward não retornava.
A tensão pairava fortemente no ar enquanto nós nos encarávamos, nossos rostos a centímetros um do outro. Desci o meu olhar para aquela boca máscula e involuntariamente umedeci os meus lábios com a língua e ele gemeu, mas o som da campainha tocando, rompeu a bolha em que estávamos e nos trouxe de volta para a realidade.
Ele cerrou os dentes antes de se voltar para porta e falou:
— Fique na casa, pois o trabalho nos estábulos é para homens e não para mulheres delicadas como você!
Cruzei os braços e bati o pé no chão, fazendo força para não gritar com ele. Antes que ele abrisse a porta, eu já estava saindo da sala e andando com passos duros até o meu quarto. Jared que me desculpasse, mas eu não poderia ficar mais nem um minuto na presença de Edward machista Cullen.
Fechei a porta do meu quarto com força e me joguei na cama. As lágrimas teimavam em cair do meu rosto e eu as enxuguei grosseiramente e sem paciência... Afinal, por que eu estava chorando? Só por que ele se recusou a me deixar ajudá-lo ou por que Jared havia sem querer interrompido o nosso quase beijo???
Deixe de ser infantil Bella! Ouvi a minha mãe dizendo isso claramente e me sentei de imediato.
Era a voz da minha mãe, tenho certeza. Ela estava reclamando comigo, mas eu não conseguia ver o seu rosto ou distinguir onde nós duas estávamos. Com o coração descompassado eu escutei as vozes dos dois homens saindo da casa e levantei. Eu havia lembrado alguma coisa.
Embora tenha sido apenas um flash, já era alguma coisa. Fui para a cozinha e me dirigi a pia para lavar a louça. Se não me mantivesse ocupada, eu iria surtar. Contaria a Edward assim que ele voltasse. Sorri ao pensar nele... Aquela seria uma boa surpresa para o almoço, quando ele chegasse logo mais à tarde...
PDV Edward Cullen.
Se Jared não tivesse chegado exatamente naquele momento, eu a teria puxado para mim e a beijaria até que nós dois perdêssemos o fôlego. A boca daquela mulher era uma enorme tentação... Sem falar em todo o resto... Deus! Eu estava muito ferrado e com o pensamento longe quando Jared falou comigo.
— A cerca por trás do celeiro precisa de um reforço extra Edward, — disse Jared quando chegamos aos estábulos.
— Eu vi isso ontem, Jared, — respondi alheio.
Ele assentiu.
— Quer que eu vá providenciar?
— Não. Eu mesmo vou. Quero que você cuide dos cavalos, dê banho. Escove-os e alimente-os. Kyra e Duna vão dar a luz a qualquer momento.
— Ok, pode deixar.
Eu concordei e o vi se afastar enquanto eu selava relâmpago e me dirigia até o celeiro. Isabella Swan estava me tirando do sério. Era mais um dia comum ali em Tucson, o ar como sempre estava seco e o calor intenso. Tirei a camisa e coloquei sobre a sela, pegando a caixa com as ferramentas para consertar a cerca. Senti o meu suor começar a escorrer em pouco tempo. Por mais que ventasse, pois eu podia sentir o vento e ver as flores e a grama balançando, o calor do verão ali no Arizona era abrasador.
Nem o chapéu de couro impedia o meu desconforto, assim procurei descontar toda a minha raiva na cerca. Eu nunca havia martelado pregos com tanta força como agora, mas embora a tarefa exigisse firmeza, não estava me trazendo qualquer alívio. Depois de uns quinze minutos escaldantes, peguei a camisa e passei pelo meu rosto, enxugando o suor que havia se acumulado na minha testa, bochechas e pescoço.
Ô mulherzinha teimosa! Ainda podia me lembrar do corpo dela grudado ao meu na noite passada... Pronto! Bastou um simples e mísero pensamento e eu já estava excitado a ponto de explodir. Droga! Peguei mais um prego e desci o meu martelo com violência sobre ele. Inferno!
O que ela tinha de tão especial para me deixar daquela maneira? Além de ser linda, atraente, gostosa e determinada?! Suspirei. Eu senti o meu coração apertar quando ela me falou o quanto estava frustrada por não ter lembrado nada ainda. Eu queria correr para abraçá-la, confortá-la... Mas sabia que era suicídio ter uma atitude como essa. E enquanto ela falava, seus seios subiam e desciam delineados pelo sutiã em baixo da fina blusa de malha. Gemi com aquela visão e não pude desviar o meu olhar por mais que tentasse. Por que ela tinha que ser tão sexy?
Eu estava obcecado por Bella, essa era a verdade, mas não conseguia entender o por quê. Suspirei derrotado. Eu queria muito ser forte, mas a diaba era bonita demais para ser ignorada. Ela me atraía como um ímã e todos os meus esforços eram em vão.
Ontem à noite com ela em meus braços, eu revivi sensações que há muito não sentia. Sentimentos que eu tinha sufocado e ignorado por tanto tempo estavam aflorando com força total... E era uma força esmagadora. Ela estava na fazenda comigo há apenas dez dias e tudo o que eu conseguia pensar era em levá-la para cama, possuir aquele corpo e fazê-la gemer e delirar de prazer...
Mas que droga! Pensar naquela mulher fazia o meu pênis pular animado... Tanto que chegava a doer. Você só pode estar ficando louco Cullen, pensei. E com certeza estava. Eu tinha me aliviado na cama dela, com o seu corpo ao meu lado e não fazia nem 24 horas... Então como é que agora eu estava excitado como um adolescente?! Não que eu me orgulhasse do que havia feito, mas não me restou alternativa...
De repente uma idéia me passou pela cabeça... E se eu me permitisse? Só uma vez? Só uma vizinha... Meu coração disparou com essa possibilidade... Eu a possuiria e aí quem sabe o meu corpo relaxaria e eu pararia com aquela paranóia, com aquela secura que estava me consumindo e acabando comigo?
Olhei para baixo e o volume da minha excitação era mais do que visível... Realmente não sei como a calça não arrebentou. Balancei a cabeça, resignado. Eu não tinha como escapar, e essa constatação me corroia por dentro... Incomodava demais saber que eu estava preso, enfeitiçado... Como eu iria arranjar forças para resistir, se o que eu mais queria nesse momento era ter a Nebulosa em meus braços?
Definitivamente aquela não era a resposta para os meus problemas. E ela? Como se sentiria a esse respeito? Será que também me desejava? No fundo eu torcia por isso. Mas, e se ela tivesse alguém? Eu tinha certeza de que ela não era casada... Mas um namorado ou um amante? Ou um companheiro... Meu estômago revirava só de pensar em outro homem tendo ela por perto, tocando-a...
Trinquei os dentes e mais uma vez descontei a minha raiva na cerca. Eu juro, nem se passar um furacão por aqui vai botar essa cerca abaixo, de tantos pregos e reforço que eu estou colocando nessa merda...
Mas mesmo que ela também me quisesse como eu a queria, que futuro nós teríamos juntos? Eu não poderia me envolver seriamente com ninguém... Então não valia à pena começar uma coisa que já estava destinada a terminar... Eu tinha era que descobrir quem ela era e despachá-la daqui o quanto antes... Só assim eu ficaria em paz novamente... Mas só de pensar em Isabella indo embora, uma dor profunda me tomava por completo... Deus! Eu tinha que esquecê-la... Eu tinha de esquecer a minha Nebulosa...
Narrador.
Baker Lake ("onde o rio cresce") é um pequeno povoado região de Kivalliq em Nunavut, no Canadá, localizado a 320 km do interior da Baía de Hudson. Esse povoado está localizado na embocadura do Rio Thelon no margem do Lago Baker.
Num modesto hospital próximo ao povoado...
— Está me ouvindo senhor Black?
O médico perguntava, analisando e avaliando os sinais vitais do jovem rapaz que havia sido internado ali há alguns dias, vítima de uma grave crise alérgica.
PDV Jacob Black.
— Hum...
— Senhor Black, o senhor está me ouvindo?
Caramba... Eu estava meio grogue... ouvia de longe alguém me chamando, mas as minhas pálpebras se recusavam a me obedecer... Tentei mais uma vez, e obtive sucesso, mas a enorme claridade do ambiente quase me cegou e eu tornei a fechar os olhos com força.
— Senhor Black...
— Alguém pode apagar a luz, por favor?
Ouvi um suspiro grave.
— Não senhor Black. Estamos num hospital e não podemos apagar a luz... — O homem falava com uma certa impaciência.
Hospital? O que eu estava fazendo ali? Tentei me mover, mas meu corpo estava tão pesado... Não respondia ao meu comando. Que porra tava acontecendo?!
— Procure ficar calmo, se não eu vou precisar sedá-lo. O senhor está com o braço no soro, e com uma sonda pélvica, então procure não se mexer, sim?
Abri os olhos novamente tentando me acostumar com a claridade e pisquei diversas vezes, até conseguir focalizar o rosto do homem que falava comigo... Era jovem, alto, forte e de cabelos escuros...
— Eu estou no hospital?
— Sim, ele me respondeu sério.
Virei um pouco à cabeça, vendo que o meu braço estava realmente sendo torturado por agulhas e fiz uma careta. Ao mesmo tempo me dei conta de que estava pelado e alguma coisa me espetava lá embaixo... a tal sonda com certeza! Engoli em seco e me voltei para o médico.
— Eu sou Félix Volturi, — ele disse naquele tom profissional, desprovido de qualquer emoção. — Estou cuidando do senhor desde que chegou aqui há pouco mais de uma semana.
Arregalei os olhos em choque. Fazia mais de uma semana que eu estava na bosta daquele lugar? Eu tinha que sair dali o mais depressa possível! Comecei a me levantar, mas o doutorzinho me impediu.
— Onde o senhor pensa que vai?
Ele perguntou com um ar de superioridade que eu detestava. Malditos médicos! Eles se achavam os donos do mundo! Rolei os olhos.
— Pra casa, ora essa!
Respondi de mal humor. Ele arqueou as sobrancelhas e me encarou como se eu tivesse dito um absurdo.
— O senhor não vai a lugar nenhum enquanto não tiver alta, — disse categórico. Eu bufei.
— O que aconteceu comigo, posso saber?
Perguntei sarcástico.
— O senhor teve uma reação alérgica brutal ao ingerir um certo tipo de camarão que é muito comum aqui na nossa região.
Olhei para o médico espantado. Camarão?! Eu não tinha comido camarão! Eu era alérgico desde criança e não podia comer aquilo de jeito nenhum. Olhei para ele confuso.
— O senhor tem certeza?
Perguntei e ele me encarou como se eu fosse um ser de outro planeta.
— Ah, mas é claro que eu tenho certeza! Quase tive que recorrer a uma traqueostomia para poder desobstruir as suas vias aéreas, pois a sua glote fechou e o senhor teve um desmaio devido à falta de oxigênio em seu cérebro! Por pouco não teve uma parada respiratória mais grave.
A cada palavra do médico eu ficava mais pálido. Porra! Eu não consegui respirar e desmaiei! Engoli em seco novamente. A minha mente trabalhava rápido e as imagens iam aparecendo como num filme. As coisas estavam começando a fazer sentido... Eu estava jantando com dois anciões de uma tribo ali da região, pois havia adquirido doze peças da cultura deles... Por sinal peças maravilhosas, que fariam muito sucesso na galeria onde eu era sócio em Washington, e eles me convidaram para jantar num restaurante local, que segundo diziam, fazia o melhor peixe assado na pedra daquela região...
— Senhor Black?!
O médico me trouxe de volta a realidade.
— Olhe, eu sei que pode parecer estranho, mas eu pedi peixe assado no jantar. Eu sou alérgico a camarão desde a minha infância e não como esse tipo de crustáceo de forma nenhuma.
O médico me deu um sorriso complacente e eu tive vontade de quebrar a cara dele. Doutorzinho de merda!!!
— Eu sei que o senhor estava comendo peixe, o problema é que era um prato típico daqui, cujo peixe é assado sobre uma pedra de granito polida e temperado com um molho especial, a base de nozes, camarão e gengibre.
Fechei os olhos sem acreditar no que estava ouvindo. Putz! Eu quase tinha morrido por causa de uma droga de molho... Suspirei.
— E como eu vim para aqui?
Perguntei ainda tentando aceitar o tinha me acontecido.
— Havia um enfermeiro aqui do hospital jantando lá com a noiva e reconheceu os sintomas...
Noiva!
— BELLA!!!!
Dei um grito sem nem perceber e o médico arregalou os olhos, me encarando preocupado logo em seguida.
— Tem certeza de que está bem senhor Black?
Respirei fundo, várias vezes, tentando me acalmar. Meu coração batia descompassado... A adrenalina correndo fortemente pelas minhas veias...
— O senhor não entende, — eu falei em pânico.
Ele me olhou com aquele irritante ar de superioridade novamente.
— Quem sabe se o senhor me explicar...
Assenti e comecei a falar atropelando as palavras, de tanta que era a minha angústia.
— A minha noiva, ela estava indo para Tucson, e lá no restaurante, no jantar, quando eu desmaiei e vim parar aqui, o noticiário deu que havia uma ameaça de bomba no aeroporto de Tucson, e eu surtei, eu tenho que falar com ela, e... Meu Deus! Bella, meu amor...
O médico me interrompeu.
— Se toda essa sua agitação é por causa disso pode relaxar, pois foi uma falsa ameaça. O esquadrão anti-bombas varreu a cidade de cabeça para baixo e nada foi encontrado... Está tudo sob controle em Tucson.
Estreitei os olhos, desconfiado. Nós estávamos num vilarejo em algum lugar do Canadá. Como ele podia saber aquilo tudo?
— Tem certeza disso?
Perguntei temeroso.
— Claro! Eu tenho uma prima que mora lá...
Suspirei um pouco mais tranqüilo... Eu não podia perder minha Bella... Não agora, quando finalmente ela aceitou ser minha noiva e futuramente minha esposa... Nossa... A saudade que eu sentia dela era tão grande que o meu peito doía... Eu tinha que falar com ela, ouvir sua voz... Só aquilo me acalmaria.
— Quando vou poder ir para casa?
— Daqui a alguns dias.
Revirei os olhos.
— Quantos dias?!
— Assim que o seu quadro normalizar... Algumas enzimas ainda estão bastante alteradas, bem como a taxa de imunoglobulinas E... E os medicamentos que nós ministramos no seu organismo o deixarão sonolento e com reflexos reduzidos por mais alguns dias, ou seja, o senhor vai ter que se conformar e se acalmar.
— Se não...
Ele me deu um largo e debochado sorriso.
— Serei obrigado a sedá-lo.
Bufei outra vez! Aquilo era uma merda sem tamanho!
— Será que eu posso pelo menos ligar para a minha família? — Perguntei irônico.
— Claro. Vou pedir que a enfermeira traga os seus pertences... Agora procure repousar e se alimentar bem que saíra daqui muito em breve...
O doutorzinho metido a besta falou e saiu me deixando ali deitado, pelado, irritado e frustrado. Alguns minutos depois uma senhora de idade entrou e me trouxe o celular que devia estar junto com as minhas roupas. Agradeci e liguei o aparelho, só para ver que estava descarregado.
Mas que inferno! A minha vontade era de jogar o objeto na parede e vê-lo se espatifar diante dos meus olhos... Chamei a sorridente e gordinha senhora e pedi que me arranjasse um celular, que eu faria uma ligação a cobrar e ela saiu me deixando sozinho e perdido em pensamentos. Não sei quanto tempo ela demorou a retornar, pois os antialérgicos voltaram a fazer efeito e eu apaguei novamente, com a imagem de Bella sorrindo e estendendo os braços para mim.
Notas finais
uau estamos já com 22 recomendações e 640 comentários. Vamos lá meninas recomendação e reviews e um ótimo presente para nossa escritora Tina Ramos, ela merece .
Por acaso tem mais alguém ai querendo que Jacob tivesse morrido com a alergia do camarão? Pena que a Tina não deixou eu mata-lo neste capitulo rsrsrsrsrr.
Beijos Garotas a amanhã tem mais
KIKI.
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