Nebulosa
10 Capítulo 10 - Seduzido.
Notas iniciais
PDV Narrador.
Enquanto os dois rapazes estavam nos estábulos...
— Então vai me contar ou não?
Falou Jasper.
— O que?
— Sem essa, Edward! Sou seu cunhado e também seu psicólogo esqueceu? Pode abrir a boca e começar a falar.
Edward revirou os olhos. Não queria falar com ninguém sobre Isabella. Pelo menos por enquanto.
— Você foi o meu psicólogo. Hoje não é mais, esqueceu?
— Isso porque você deixou de ir às sessões seu teimoso! Eu não te dei alta!
— Eu acho melhor nós pararmos por aqui.
— De jeito nenhum! Ou me conta tudo numa conversa informal, ou eu vou convencer todo mundo de que você precisa retornar ao tratamento, — Jasper disse categórico.
— Eu não sei Jasper, — falou suspirando enquanto checava cada um dos cavalos, especificamente as duas éguas que estavam prenhas.
Jasper arqueou as sobrancelhas.
— Como assim não sabe?! Explique melhor para que eu possa entender.
— Não é da sua conta, — Edward falou entre dentes.
— Quer que eu vá perguntar a ela?!
Edward grunhiu.
— Mas que porra Jasper!
Jasper sabia que estava colocando Edward na parede, mas não tinha escolha.
— Que porra digo eu, Edward! Você sofre um acidente e traz uma completa estranha para casa com você?! E ainda por cima sem memória! Pode dizer agora que droga está acontecendo aqui, por que isso é completamente diferente de tudo que você já fez na vida. Isso é inconcebível para um homem com o temperamento e as convicções que você tem! Então trate de abrir a boca e começar a falar.
— Eu não sei droga!
Edward esbravejou e Jasper observou aquela reação com um misto de surpresa e encanto. O seu cunhado estava depois de muito tempo se deixando levar pela emoção e não pela razão... Ele estava começando a viver novamente. Jasper cruzou os braços no peito e esperou.
Suspirando Edward continuou.
— Ela mexeu muito comigo, desde o momento em que nos esbarramos no aeroporto.
— E?
Edward exasperou-se.
— E eu a desejo muito, tá bom?! Que inferno!
De costas ele não pode perceber o sorriso largo que Jasper abria ao escutar aquelas palavras.
— Isso é muito bom. E só prova que você é um homem normal com necessidades normais como todos os outros.
Edward virou-se para o amigo e estreitou os olhos.
— Pode parar por aí! Meu estômago embrulha só de pensar em você saciando as suas necessidades masculinas com a minha irmãzinha caçula.
Jasper deu um sorriso malicioso.
— Se quiser posso descrever alguns detalhes bem picantes...
Edward rugiu e praguejou.
— Vou ter de quebrar a sua cara?!
Jasper riu, mas não se deu por vencido.
— E não fuja do assunto!
Ele conhecia Edward muito bem.
— Eu não sei explicar está bem? Eu só sei que não podia deixá-la sozinha e largada naquele hospital. Eu tinha que trazê-la comigo.
Jasper era um excelente psicólogo e havia se tornado também seu amigo. Ele fora de fundamental importância na vida de Edward quando este rompera com Jéssica. Numa tarde, quando Edward o apresentara a Alice, eles acabaram se apaixonando, e por isso, Edward acostumara-se a aceitar aquele tipo de intromissão em sua vida, pois sabia que o amigo no fundo só queria o seu bem. Geralmente era muito fechado e reservado, nas questões que diziam respeito a sua vida particular.
— Quando sua irmã me disse que você havia levado uma moça, uma das sobreviventes para casa como sua hóspede, eu fiquei pasmo. Conheço muito bem os seus motivos para querer se afastar do sexo feminino, mas nem todas as mulheres são ordinárias e frias como Jéssica Edward. E Bella é a prova disso.
— Eu não quero mais falar sobre isso, sim?
— Ok. Que tal falarmos sobre a viagem enquanto ajudo você aqui na lida com os cavalos? E a propósito, deu tudo certo?
Edward relaxou e começou a falar de tudo que havia aprendido, das suas expectativas e planos, ficando mais descontraído. Jasper sabia que a conversa ainda não tinha terminado, mas conhecia muito bem o homem a sua frente e sabia até que ponto ele poderia ser pressionado. Edward vegetara durante muito tempo no terreno dos sentimentos, mas o psicólogo sabia que iria chegar a hora dele retornar ao mundo dos vivos, de se entregar novamente a paixão e ao amor e ser realmente feliz. Ele tinha grandes esperanças de tornar o seu cunhado um pouco mais humano... Assim, por hora achou melhor enveredar a conversa para outro rumo, e abordar aquele assunto na primeira oportunidade.
PDV Edward Cullen
Alguns dias depois eu acordei alerta, no meio da madrugada. Meus instintos me diziam que alguma coisa estava errada, então apurei os ouvidos e escutei um som distante e abafado. Sobressaltado, levantei e andei devagar até a porta do quarto, abrindo-a.
Bella! O barulho dos soluços abafados vinha do quarto em que ela estava e eu apressei o passo pelo corredor, sem nem mesmo pensar em vestir uma camisa. Com o coração aos saltos, abri a porta de uma só vez e paralisei quando a vi.
Ela estava sentada no meio da cama, banhada pela luz da lua que se infiltrava pela janela, seu olhar vago e distante, o lindo rosto inchado e banhado pelas lágrimas. Os longos cabelos caíam em cascata sobre suas costas... Ela estava pálida e ainda tinha hematomas pelo corpo, que a fina camisola de malha azul não conseguia esconder e círculos escuros sob os magníficos olhos castanhos. Meu pênis pulou dentro da velha calça do pijama e eu trinquei os dentes diante da visão daquele corpo perfeito e suave a poucos passos de distância.
— Alguém me ajude... Por favor, alguém me ajude...
Franzi o cenho ao ouvir aquilo. Ela estava tendo uma espécie de pesadelo, ou transe, não sei bem, pois ela olhava para mim, mas eu tinha a nítida sensação de que não me enxergava.
— Por favor, não me deixe aqui... Estou com medo, por favor...
Ele repetia inconsciente e eu me aproximei com cautela. Imediatamente o seu perfume me invadiu e eu fiquei tonto e inebriado com as sensações que aquele cheiro poderoso de mulher despertou em mim, fazendo o meu corpo reagir de uma forma violenta. Assustado com a minha reação, recuei alguns passos e ela começou a soluçar ainda mais alto.
Inferno! Mandei o bom senso pro espaço e corri para sentar ao seu lado na cama, envolvendo-a com os meus braços, tentando acalmá-la e fazer com que se sentisse segura.
— Shhh... Está tudo bem, Bella... Procure se acalmar...
Ela se agarrou a mim de uma forma desesperada e colou seu corpo ao meu. Engoli em seco ao sentir o calor que emanava dela, o contato dos seios rijos com o meu peito, cobertos apenas pela fina camada de tecido e a maciez de sua pele. Para aumentar o meu desespero, uma das alças da camisola escorregou e deixou um dos seios, durinho e rosado a mostra. Se eu continuasse ali, acabaria cometendo uma loucura.
Então, usando um esforço sobre humano, eu afastei-a delicadamente, ajeitei a alça colocando-a de volta em seu ombro e respirei fundo tentando recuperar o meu autocontrole. Mas ao perceber a distância que eu impus entre nossos corpos, Bella desesperou-se e me abraçou ainda com mais força, colocando agora uma perna sobre as minhas, fazendo com que a camisola subisse e revelasse a sua coxa e uma parte da minúscula calcinha branca... Eu gemi e a trouxe para o meu peito, apertando-a firmemente e fazendo com que ela sentisse o meu estado de excitação, mas ela continuava com os olhos fixos no nada e aquilo começou a me preocupar.
— Bella... Temos que parar agora...
Ela pareceu me ouvir e se ergueu um pouco, o que fez o decote da camisola baixar, me deixando-me ver agora os dois lindos seios... E porra, eles eram perfeitos.
— Nebulosa... Assim você ainda vai acabar comigo...
Praguejei baixinho e fechei os olhos por alguns segundos... a coisa que eu mais queria agora era arrancar a roupa dessa mulher e passar a minha língua nos mamilos rosados e intumescidos, depois descer com a minha boca e beijar toda aquela pele de porcelana...
Um desejo insano e brutal percorreu todo o meu corpo de cima a baixo. Era uma sensação poderosa e de uma intensidade indescritível... Eu nunca senti nada parecido com aquilo antes... Mas eu precisava ignorar os apelos do meu corpo e ser forte, pois ela não estava em sã consciência naquele momento.
Não sei como consegui, mas puxei-a novamente para mim, acomodei-a sobre o meu peito, comecei a cantar baixinho e alisar as suas costas de cima para baixo, até que pude sentir a sua respiração se acalmar e ela aos poucos suavizou o aperto dos braços em torno do meu tórax e eu senti o seu corpo entregue a um sono profundo...
Eu tinha que sair dali, mas não conseguia. Eu não tinha mais como fugir... Estava irremediavelmente preso aos encantos daquela doce e misteriosa mulher. Caí na armadilha que o destino me preparou e fui completamente seduzido. Suspirei sabendo muito bem o que faria agora, embora não me orgulhasse nada... O meu corpo estava coberto por uma fina camada de suor e o meu pênis gritava insatisfeito.
Afastei-há um pouco para o lado, deitando-a na cama e levei minha mão esquerda para dentro da calça do pijama começando o mesmo ritual que eu vinha praticando há cerca de algumas noites... Desde que Bella havia caído de pára quedas sobre a minha vida. Eu acordava duro e ia dormir mais duro ainda... E precisava me aliviar agora mesmo.
Comecei a olhar o seu rosto, a boca carnuda ligeiramente entre aberta, fui descendo pelo pescoço delicado e pelo colo, chegando em seguida aos seios, cujos bicos apontavam sob a camisola, o que me fez aumentar o ritmo e continuar descendo o meu olhar pelo seu belo corpo... a barriga batida que subia e descia no ritmo tranqüilo de sua respiração, embalada pelo sono... As coxas bem torneadas... O vão entre suas pernas...
Fechei os olhos com força imaginando como ela seria ali na sua intimidade, o seu sexo e minha mão acelerou os movimentos no meu membro, com a lembrança do seu sorriso, dos sons que ela fazia andando pela casa. Aumentei ainda mais o ritmo, meus quadris balançando um pouco a cama e me empurrando em minha mão grosseiramente. Eu podia sentir o meu clímax se formando enquanto apreciava a mulher cheirosa e adormecida ao meu lado. Finalmente instantes depois, jorrei me libertando daquela incansável excitação... pelo menos por hora, e relaxei aconchegando Isabella mais ao meu corpo. Satisfeito, deixei meus pensamentos vagarem para os acontecimentos alguns dias antes...
O meu empregado Jared já estava nos estábulos cuidando dos cavalos quando eu desci. Ele vinha quatro vezes por semana e era um bom rapaz, mas não gostei da forma que olhou para Bella... Parecia um cão faminto diante de um suculento osso... Fiz as apresentações de forma seca, e ele tirou o chapéu para cumprimentá-la. Ela lhe deu um tímido sorriso e eu suspirei. Realmente eu não poderia culpá-lo, pois ela estava escandalosamente sexy num shortinho curto preto e uma blusa frente única estampada de rosa e preto... Eu iria ter uma conversinha a respeito daquelas roupas com a minha querida irmã.
Tudo bem que estava um calor infernal, mas também não precisava exagerar... E ela já era linda demais. Mandei que Jared fosse até os cavalos, para que ele parasse de babar por Bella de uma vez e fui logo em seguida deixando ela na casa. Cheguei nos estábulos e ele estava dançando e rebolando.
— É o rebolation, é o rebolation...
Explodi numa gargalhada.
— Rebola meu bem, — falei irônico...
Ele parou e me encarou sorrindo.
— É uma música brasileira que está arrebentando... Muito sensual e todo mundo rebola Edward.
Revirei os olhos. Era só o que me faltava!
— Soldados não rebolam Jared! Deixa de gracinhas que nós temos muito mais o que fazer!
— Claro, e eu posso ensinar o rebolation para a Bella depois...
Parei tentando assimilar aquelas palavras. O que?! Seria que eu tinha escutado direto?! Ele, Bella e rebolation numa mesma frase?!
Respirei profundamente quando o ciúme me invadiu. Eu não tinha idéia do que estava acontecendo comigo, mas não estava gostando nem um pouco. Nenhum marmanjo, muito menos um metido a garanhão como ele, ia chegar perto de Bella.
— Jared, fique longe de Isabella, sim?
Ele me olhou surpreso.
— Você está interessado nela, — perguntou na mesma hora.
Merda! Como eu ia responder aquilo sem me comprometer? Ele sabia que eu não me envolvia com ninguém!
— Isabella perdeu a memória... Ela não sabe nada sobre sua vida, se tem marido, namorado, onde mora...
Ele me olhava espantado.
— É melhor não arranjarmos mais problemas, — falei desviando os olhos.
— Caraca, Edward! Eu não sabia, mas vou tentar ajudá-la no que eu puder, —ele falou.
Ótimo. Eu saí pela tangente e deixei claro que ele estaria melhor se ficasse longe dela. Jared era um bom rapaz, só não podia ver um rabo de saia...
Voltando a pensar em Bella... Por ser minha hóspede e depender de mim para tudo, ela insistia em fazer a comida. Eu disse que não precisava, mas teimosa como é, insistiu.
Era como um agradecimento, mas eu tenho de admitir... Ela cozinhava bem pra caramba! Até pães caseiros e recheados a garota sabia fazer... E as sopas? Cada uma mais deliciosa e nutritiva que a outra... Há muito tempo que eu não comia tão bem, a não ser quando saía para comer fora ou pedia comida de algum restaurante mais próximo. Se não fosse por ela eu estaria com certeza comendo sanduíches de peito de peru na hora do almoço e bebendo qualquer porcaria.
Trabalhamos bastante naquele dia, pois as duas éguas prenhas estavam bem próximas de terem os potros e precisavam de atenção especial. Já passava das duas da tarde quando selei relâmpago, meu cavalo favorito e cavalguei para casa. Estava morto de fome, mas ao me aproximar notei um carro estranho estacionado e procurei me esconder em meio à vegetação, ficando parcialmente encoberto e observando o que acontecia.
Para minha surpresa, a porta da frente abriu instantes depois e Bella e o sujeitinho irritante do Mike Newton saíram rindo e conversando. Meu sangue ferveu. O que aquele garoto insuportável estava fazendo na minha casa???
Conduzi o cavalo por entre as árvores silenciosamente e fui para a lateral da casa, onde além de vê-los também poderia ouvir alguma coisa. Era agonizante apenas assistir, mas eu queria realmente saber sobre o que conversavam, então preferi ficar ali protegido pelas sombras da floresta, espreitando.
Percebi o quanto ele estava eufórico e encantado, e eu contrário. Se pudesse faria desaparecer da face da Terra...
Ela sentou numa das cadeiras da varanda e ele se aproximou, sentando de frente para ela. Foi aí que alguns raios de sol banharam os cabelos de Bella e mostraram um aspecto peculiar, que nem eu mesmo havia observado antes... Mas Mike metido percebeu.
— O seu cabelo fica vermelho aqui, — ele falou pegando uma mecha e colocando gentilmente para trás da orelha dela.
Eu prendi a respiração, fiquei rígido e acidentalmente arranquei um galho da árvore em que a minha mão estava descansando quando ele acariciou o seu rosto com os dedos. Um sentimento forte e poderoso tomou conta do meu ser... Eu não entendia muito bem essa emoção, o ciúme. E me sentia ridículo. Era uma mistura de dor e raiva, desejo e desespero. Eu estava com ciúmes dela, ou melhor, eu estava morrendo de ciúmes. Me estiquei um pouco mais para vê-los melhor.
— Deve ser o reflexo do sol, — ela falou, e para minha profunda satisfação, ela deslizou para longe dele suavemente quando ele tocou sua bochecha.
Mike precisou de um minuto para reconstruir sua coragem, gastando mais tempo com outra pequena conversa. Ela agradeceu mais uma vez os suprimentos que ele havia trazido. Só aí eu me lembrei que o pai dele disse que mandaria entregar o que havia faltado da minha lista de compras... Mas espere aí?! Por que ele não tinha vindo com a pequena caminhonete de entregas do Mercadinho? Ele estava ali com um carro esporte brilhando de tão novo... Droga! Aquele safado estava fazendo de tudo para impressionar a minha Nebulosa.
Cerrei o maxilar, e pela força que eu fazia os meus dentes poderiam muito bem pulverizar concreto, de tanta raiva que eu sentia, quando ele abriu a boca outra vez.
— Eu queria saber se você gostaria de sair comigo. — Perguntou sorrindo pra Bella.
Miserável! Ele não perdia tempo mesmo! Eu não já tinha deixado claro que ela estava comigo no dia em que fizemos as compras? O ciúme me devorava por dentro. Será que ela o preferiria a mim?
Houve um rápido silêncio, pois Bella não respondeu, e ele insistiu.
— Bem, nós podíamos sair para jantar, ir ao cinema ou algo assim…
— Mike…
Ela começou a falar e eu segurei a respiração esperando, o meu coração acelerado. Por favor, Bella, não aceite, eu repetia mentalmente, pois a agonia e fúria do meu ciúme eram muito mais poderosas do que haviam sido na semana passada, quando ele havia olhado para as coxas femininas expostas pelo vestido. Honestamente, eu gostaria que estivéssemos na guerra e ele fosse do exército inimigo, pois assim eu o mataria com as minhas próprias mãos e com prazer...
Ela diria sim para ele?
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