Near's secret
1 Faísca
Notas iniciais
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Ele estava inquieto, e aquilo certamente não era algo típico de Near. Os pés se agitavam num ritmo maior que o normal sobre a cadeira onde sentava, os dedos passam freneticamente entre os pequenos cachos formados nas pontas de seu cabelo. Mello observava de uma cadeira um pouco atrás de Near, curioso. Aquilo era estranho, com certeza.
Os olhos que antes estavam sempre focados no quadro, agora flutuavam pela sala, sem parar em algum ponto específico. Bem, não que Near realmente precisasse olhar diretamente para o professor que recitava um poema do século XVII para ouvi-lo, e ele era Nate River, afinal. Alguém com um QI tão alto e habilidades como a dele podia se dar ao luxo de não prestar atenção nas coisas. Ele não precisava de explicações ou aulas sobre muitos outros assuntos, e literatura inglesa era um deles.
Mello sabia disso, entendia que o albino não precisava exatamente se fixar no professor enquanto ele falava, sabia que se questionado, provavelmente acertaria qualquer pergunta, talvez até mesmo soubesse mais sobre o poeta, seu poema e todo o contexto histórico por trás dele que o próprio professor de literatura... mas ainda sim, aquele olhar perdido chamara sua atenção. O garoto não costumava se perder em pensamentos assim tão facilmente, ou ao menos, não o fazia em público.
Near enrolou uma mecha de cabelo delicadamente com a mão esquerda, já a mão direita pousou sobre o estômago, delicadamente, como se ele estivesse sentindo algo ali. Mello se inclinou para frente, afundou entre as páginas do livro de literatura inglesa e com cuidado observou o rival. Ele notou que o mais novo tinha as unhas da mãos roídas, notara também que ele se sentou de uma maneira mais curvada naquele dia.
Algo não ia bem. Near estava... preocupado? O que quer que fosse, interessava Mello. E muito, porque depois de tantos anos convivendo juntos, ele nunca pôde notar muitas expressões diferentes vindas de Near, talvez um pouco de medo, sarcasmo... mas preocupação? Nem quando ele era alvo das brincadeiras (diga-se de passagem, violentas) do loiro, não havia mostrado sinais de tensão. Aquela era a primeira vez que ele notava algo assim no pequeno.
— Ele está suando frio. — Comentou Matt, que sentava atrás de Mello — Eu percebi.
— Um tanto quanto agitado para uma aula qualquer. — Riu baixo — Qual seu palpite?
— Preocupado com a entrega de notas? — Matt provocou, sabia que Near já não tinha nenhuma dúvida de que qualquer nota sua seria sempre a máxima.
Mello bufou, ignorando o amigo. Voltou os olhos para o livro por alguns segundos e deu abriu um sorriso para si mesmo. Era interessante ver aquele nervosismo, aquela inquietação crescente em Near, que movia seus pés mais rápido e não conseguia parar de brincar com as mãos, aquilo o fazia rir. Então, aquele branquelo metido era humano no fim das contas?
Matt viu o amigo se espreguiçando na cadeira e colocando os braços para trás, como apoio. Ele estava pensativo e ao mesmo tempo... relaxado? Não se sabia ao certo o motivo da angústia de Near, não existia nenhuma pista, mas seja lá o que fosse, interessava, e muito, Mello.
O loiro fez uma nota mental, prometendo que descobriria logo o que aconteceu ao garoto, talvez fosse uma informação valiosa... Ele ficou levemente agitado com a possibilidade. Talvez uma fraqueza? Ele se fez inúmeras perguntas, tentando achar um detalhe, mínimo que fosse. Não sabia o que procurava, apenas sabia que queria achar.
E iria, em breve.
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