Notas iniciais
Musica do capitulo: Nobody's Home - Avril Lavigne

Novo dia, inverno, muito frio. Eu tinha apenas 5 anos, mas já tinha amigos. Meu vizinho de quarto era meu melhor amigo. O nome dele? Nate River, ou simplesmente Near. Todo dia eu acordava cedo e ia para o quarto do Near pra gente brincar de quebra-cabeça e ele sempre ganhava de mim (pouco tempo de diferença).

Certa vez, eu não consegui dormir e fui até a cozinha da cantina tomar leite e comer biscoitos... A luz não estava acendendo, então eu fui procurar alguma vela. Quando acendi a vela, vi um menino loiro encolhido embaixo da mesa mordendo uma barra de chocolate.

–O que você tá fazendo aí?

–Comendo, não tá vendo? — Respondeu o loiro

–Mas por que não senta na mesa direito?

–Porque eu não quero dividir meu chocolate com você! Sai daqui! — Ameaçou ele, saindo de baixo da mesa e avançando em mim.

–Calma! Eu nem quero o chocolate!

–Não? Então o que você veio fazer aqui?

–Não consigo dormir, vim pegar um copo de leite e umas bolachas.

–Ah... — Ele voltou para de baixo da mesa

Então eu peguei meu copo de leite e esquentei no microondas, depois peguei umas 4 bolachas e sentei na mesa para comer.

–Você não vai sair daí não?

–Já vou...

Ele saiu de baixo da mesa e sentou do meu lado.

–Qual é seu nome? — Perguntei.

–Mello.

–Só Mello?

–Bom, na verdade é meu apelido... Meu nome mesmo é Mihael Keehl.

–Hum...

–E você, como se chama?

–Cat.

–Cat? Isso não é "gato"? — Ele perguntou enquanto se levantava e procurava outro chocolate no armário.

–Pois é... É meu apelido também! Meu nome é Catherine Roseé.

–Quer chocolate? — Ele balançou um pacote de chocolate na minha frente.

–Não, obrigada. — Bocejei — To com sono... Vou dormir, tchau Mello! — Falei andando até a porta da cantina.

–Tchau, Cat! — Ele respondeu enquanto abria mais um pacote de chocolate.

Outra vez, quando eu tinha 7 anos, acordei cedo e fui até a cantina para o café da manhã de todos os orfãos. O primeiro prato era um bolinho com bastante glacê, mas como eu atrasei um pouco (tentando pentear o cabelo, é muito díficil desembaraçar.) não sobrou nenhum para mim. Sentei na ultima mesa, onde só estava o Near com dois bolinhos na bandeja, tentando terminar um quebra-cabeça.

–Oi! — Sentei do lado dele.

–Oi...

–Tá dificil terminar o quebra-cabeça?

–Não... Estou quase acabando.

–Ah... Não vai comer os bolinhos?

Ele pegou os dois e deu um na minha mão.

–Tó, esse é o seu.

–Você guardou pra mim?

–Guardei... — Ele falou voltando a montar o quebra-cabeça.

–Obrigada! — Mordi o bolinho.

Depois do café eu fui ao quarto ler um livro, quando sentei na mesa, Mello bateu na porta.

–Tem alguém ai? — Ele abriu um pouco a porta e me viu folheando as paginas do livro — Oi Cat!

–Oi... — Falei enquanto tentava ler o livro

–Ta lendo?

–Eu!? Não, só estou matando zumbis — Respondi ironicamente.

–Olha como você fala em!

Guardei o livro na prateleira e peguei um caderno e uma caneta.

–Pra que esse caderno?

Não respondi, sentei na mesa e olhei Mello sentado na minha cama. Depois começei a desenhar. Quando terminei, arranquei a folha e entreguei a ele. Eu tinha desenhado Mello comendo chocolate. Ele me olhou com espanto e falou:

–Como você me desenhou tão real?

–Sei lá! Só sei que desenhei.

–Bom...- Ele levantou — Vou pro meu quarto. Tchau, Cat.

–Tchau... Mello.

Depois disso eu finalmente consegui ler meu livro em paz. Deitada de lado na cama, com o cobertor até o pescoço (frio demais aquele dia) e segurando o livro, acabei dormindo lá. Infelizmente, logo após 5 minutos de sono, Near entra no meu quarto e me pergunta se eu vou lá ver mais uma daquelas "reuniões" em que as crianças falam com o L.

-Você vai lá? Vamos falar com o L!

-Já estou indo... — Voz de pessoa cansada.

Nessa hora eu levei um susto: Near tirou o livro do meu rosto e me puxou pelo braço até a porta. O que esse menino pensa que tá fazendo?

-Para!! — Puxei meu braço e caí com tudo no chão — Não gosto que me puxem!!

-Desculpa, mas você não pode dormir agora! É hora de falar com o L!

-Aff! Ta bom eu vou! — Saí primeiro que ele e encostei na parede.

Chegando no auditório (tipo um cinema, com um telão bem grande, mais de 100 poltronas e tudo. Só que a gente tinha que colocar microfones e fones de ouvido.) eu e Near sentamos na fileira 14. Quando olhei para o lado esquerdo, vi Mello na última poltrona, do lado de um ruivo.

-Near...

-Que é?

-Quem é aquele ruivo perto de Mello? — Apontei.

-Matt, o melhor amigo dele... — Ele deu uma pausa. — Então você conhece Mello, né?

-É... Conheço.

Nessa hora Mello me viu, cutucou Matt e me deu um "tchauzinho". Acenei de volta.

Quando finalmente todos estavam no auditório, apareceu uma letra L bem grande no telão e as luzes apagaram. Orfãos novos se assustaram, mas eu já estava acostumada, havia comunicações como essa desde meus 4 anos...

Olha só como era: a gente colocava o microfone e os fones de ouvido para não ouvir as perguntas e conversas dos outros... Algumas coisas eram particulares. Eu nunca falava nada de bom, não sabia o que dizer. Para meu espanto, L puxou assunto comigo.

-Oi Srta. Roseé.

-Oi... L. Pode me chamar de Catherine, por favor? — Falei sem graça.

-Claro... — Ele silenciou. — Então... Você chegou até Wammy's House que dia? Apenas quero saber o dia e o mês.

-8 de Dezembro. — Estranhei um pouco a conversa — Mas por que você quer saber?

-Por nada. — Ele ficou em silencio por grandes 10 minutos e quando eu já ia falar alguma coisa... — Você conhece sua mãe?

Que pergunta estúpida era aquela? - Era o que eu tinha vontade de falar. Lógico que nenhuma criança conhecia pai, mãe, irmão ou qualquer coisa do tipo. Aquilo é um orfanato.

-Não... — Respondi enquanto enrolava uma mecha de cabelo nos dedos, como o Near. — Você conhece ela?

-Eu conhecia ela. O nome dela era Victória Roseé. — Ficou em silêncio por 5 minutos. — Ela era uma grande amiga minha, e também trabalhava pra mim.

-Ela... Por que ela me deixou aqui? — Perguntei.

-Ela estava sendo perseguida por agentes da máfia e tinha que te proteger. Como eu não podia cuidar de você, mandei ela te deixar na Wammy's House, agora posso me comunicar com você. Ela me fez prometer que cuidaria de você até minha morte.

-L... Bom... Minha mãe morreu?

Ele se calou quando fiz esta pergunta. Parecia não querer responder.

-A sua mãe...? Bem... Ela parou de trabalhar pra mim há mais de 5 anos e eu não sei mais o que aconteceu.

-Então ela pode estar viva? — Meus olhos brilharam instantâneamente.

-Pode... — Ele pensou um pouco — De agora em diante, pode me chamar de pai.

-Pai? — Estranhei.

-Sim. Eu vou cuidar de você como se fosse minha filha. Só que não conte isso pra ninguém!

-Nem ao Near?

-Nem ao Near. Promete?

-Prometo.

-Bom chegou a hora de me despedir por hoje. — Ele riu um pouco. — Tchau filha.

-Tchau...

Então as luzes se acenderam novamente, a letra L sumiu do telão e todas as outras crianças retiraram os fones e os microfones. Eu e Near saímos de lá totalmente com fome... Entramos as 3h e saímos as 5h da tarde. Quem não estaria implorando por um lanche? Para nossa alegria (adoro dizer essa frase), os cozinheiros da cantina já haviam preparado algo: sorvete de flocos! Eu a-do-ro sorvete! Ainda mais de flocos!

Fui até a cantina com o Near. Pegamos o sorvete, sentamos numa mesa e ficamos discutindo qual sorvete era melhor, se era de flocos ou de morango. Nessa hora, Mello e seu amigo ruivinho, Matt vieram sentar com a gente.

-Oi Cat! — Mello me falou, com a boca entupida de sorvete. — Tudo bom?

-Oi Catherine. — Matt falou enquanto mexia em um joguinho. Acho que era um PSP, não?

-Oi... — Disse aos dois — Tudo bem sim, Mello e você?

-Eu estou b... — Então Mello reparou que Near estava do meu lado e fez um olhar estranho. — Digo, mais ou menos...

-Mello? Que foi? — Perguntei estranhando o comportamento de Mello.

-Nada não, vou mudar de mesa. A gente se fala depois, Cat. — Ele levantou, puxando Matt pela manga e indo para o outro lado da cantina.

Claro que eu não tinha entendido absolutamente nada. Olhei pro lado e vi Near olhando Mello e Matt andando.

-Você tem algum problema com o Mello? — Falei inocentemente.

-Bom... Por mim até seríamos amigos, mas ele me odeia. Fica falando que eu sempre sou o primeiro, por causa da sucessão do L e outros blá-blá-blás.

-Sucessão do L?

-Bom, ele disse que se morrer em algum caso, um de nós será o sucessor dele. Eu fiquei em primeiro lugar, Mello em segundo e Matt em terceiro.

-Morrer!? — Tentei disfarçar meu desespero.

-Olha, se eu fosse você não ficaria tão amiga do Mello não...

-Por que não?

-Porque se você chegar a ser uma das favoritas a sucessão do L, ele vai ficar com raiva de você também. — Ele deu uma risada — Eu te conheço, você é muito inteligente, mas também muito inocente. Toma cuidado, viu!

Então se eu chegar ao quarto lugar, ou até mesmo no terceiro, Mello vai me odiar? Que menino sem-noção! — Eu pensava naquela hora.

Terminamos o sorvete quando já era 6:30 (o sorvete mais demorado da minha vida até hoje!) da tarde. Daqui a pouco, exatamente as 9h seria o jantar... Já avisaram as crianças que seria sopa, algumas ficaram fazendo manha para tentar mudar o cardápio (o que eu já sei que é impossível) mas os cozinheiros são fortes (será que são ninjas?) e falaram logo que ia ser sopa, e se as crianças continuassem, eles iriam fazer risoto. EU ODEIO RISOTO! Eu quase levantei e fui dar um tapa no cozinheiro-chefe, mas não fiz isso porque senão eu iria para a diretoria do orfanato.

Notas finais
O capítulo ainda não está prontooo D: