Ne Me Quitte Pas
2 Até logo, Magnólia.
Notas iniciais
− Com licença, o trem para Lorelei já chegou? – Indaguei à atendente.
Quando sai da guilda, corri com destino a Fairy Hills e arrumei algumas poucas coisas dentro da mala. Meu corpo respondia automaticamente, pois minha alma e meus pensamentos estagnaram na cena que vi há pouco tempo. Se chorei? Não, não tive tempo na verdade, o trem para o local da missão só passava duas vezes na semana e hoje a noite seria uma dessas vezes.
− Não. – Respondeu-me grossa. Franzi a testa.
Marilyn – como estava escrito no seu crachá – possuía cabelos curtos e loiros, olhos azulados e visivelmente estava na casa dos cinquenta anos; Em seus lábios estava um batom de cor vermelha e trajava uma roupa um tanto vulgar.
Olhou-me de forma avaliativa, contorcendo o rosto em seguida. Resmungou algo incompreensível aos meus ouvidos e novamente me encarou. Virei meu rosto para o lado e encolhi meus ombros em sinal de desconforto.
− A senhora poderia...
− Senhorita! – Interrompeu-me subitamente.
Voltei meu olhar em sua direção me arrependendo em seguida. A mesma estava zangada, muito zangada, chegou até a quebrar a lixa de unha que jazia em suas mãos. O que eu fiz? Arregalei os olhos e afastei-me temerosa do balcão.
− P-P-Perdão? – Ela revirou os olhos, bufou e cruzou os braços. Quais são as chances de um assassino em série se disfarçar de atendente de estação ferroviária?
− Meu tratamento correto é ‘senhorita’. Ainda não casei, não vê que sou muito nova para isso? – resmungou. Abri um pouco minha boca em surpresa, mas logo a fechei e concordei nervosamente com a mulher.
─ G-Gomenasai. A s-senhorita poderia me informar que horas chega? – Falei em um fio de voz.
− Às dez. – Declarou. Marilyn voltou a lixar suas unhas – com uma lixa que surgiu do além – me ignorando, porém parou alguns segundos depois e fuzilou-me.
− A-Arigatou! – Ela bufou novamente. Sai correndo dali.
~*~
No relógio da estação marcavam nove e cinquenta da noite. Talvez Mira esteja preocupada, afinal eu sumi de repente; Talvez ela e a guilda já me procuravam incansavelmente por toda Magnólia; Talvez... Eram tantas hipóteses, todavia faziam exatamente uma hora e meia que eu chegara na estação e nada, nenhuma ligação via lacrima, nenhuma Mirajane insanamente preocupada e nenhuma guilda bagunceira. Talvez, e esse era certamente o mais correto, na euforia de um novo e tão esperado casal formado, eles nem tenham percebido o meu sumiço. Ri nasalmente, era muita presunção minha pensar que a esse momento eles poderiam estar revirando Magnólia atrás de mim.
Afinal, quem é você Lisanna Strauss? Você ‘morreu’ por dois longos anos e quando ‘volta dos mortos’, já quer toda a atenção para você? Acusou uma voz em minha mente. Concordei mentalmente.
Um raio cortou o céu, atraindo minha atenção. Mesmo na escuridão da noite via-se nuvens extremamente negras, carregadas de chuva. Suspirei, a época de inverno já chegava.
Uma ventania forte passou por mim ocasionando provocando um arrepio incomodo na minha espinha. Encolhi-me mais no banco frio em que sentei, buscando calor. Droga, devia ter trazido um casaco, no entanto Lorelei está na estação da primavera.
Olhei o papel em minhas mãos, a missão que pegara mais cedo. Eu devia ajudar na organização de um grande festival que aconteceria próximo final de semana em Lorelei, cidade ao sul de Stella, um país próximo a Fiore. Nada que eu não pudesse fazer e a recompensa dava para pagar meu aluguel e comprar comida.
─ Senhores passageiros, o trem para Lorelei acaba de chegar. ─ berrou a atendente em um auto-falante, ocasionando uma quase queda do banco por minha parte. Ela me olhou e deu um sorriso sínico. Tenho a impressão que ela fez de propósito.
Suspirei e levantei do banco. Hora de ir para bem longe dos causadores de meus problemas... bem, bem longe. Peguei minha única mala e segui rumo ao trem.
Até logo, querida Magnólia.
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