Nayse

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Olá, estou com o primeiro arco desta história todo escrito, conforme for sendo revisado, vou estar postando aqui. Espero que gostem, deixem comentários e críticas, isso é muito importante.

Pela janela, observando o trajeto do trem, Kouta percebia o quanto sua terra natal havia mudado, mesmo após vários anos longe dali, a mudança era inesperada. Até mesmo o trem era novidade para o garoto, a velocidade do veículo era algo que ele nunca tinha sentido, depois da descoberta da energia das essências, toda a tecnologia no reino de Nayse evoluiu drasticamente. A essência já era parte da vida de todos os cidadãos, estava nos meios de transporte, nas ruas, nos comércios, na segurança pública e até mesmo nas casas das pessoas.

O terceiro vagão, onde Kouta estava, não estava cheio, além dele, apenas duas senhoras sentavam ao lado oposto, já com uma idade avançada as mulheres conversavam enquanto observavam o horizonte nas janelas. Como não havia mais ninguém no vagão, Kouta podia ouvir claramente o que elas diziam.

— Você viu Dolores? Esses jovens estão dizendo por aí que esses Tyinens são gente normal, que precisamos aceitar esse tipo de coisa… — A velha da direita falou e no fim fez uma expressão de nojo olhando pra cima com os olhos fechados e fazendo um bico com os lábios.

— Pois é guria, eu tava vendo isso aí. Como se algum dia essa gente tivesse sido normal. Olha eu já vi de perto um desses, estavam na praça, um rapaz com chifre! Onde já se viu, uma pessoa com chifre ser normal? Claro que não, nunca! — Respondeu a outra deixando claro o preconceito das duas.

— Digo e repito, isso é coisa do demônio, como vou confiar em alguém que tem a força de um touro ou tem garras para cortar a garganta dos cidadãos de bem? Ainda bem que nosso rei, sagrado aquele homem, sempre sensato, nunca tolerou esse tipo de coisa aqui em Nayse. Graças a ele essa gente vai ser expulsa daqui, se Deus quiser.

— Sim, vida longa ao Jay, espero que ele continue por longos anos, o trabalho que ele tem feito é fantástico, sempre sendo firme com esses depravados. Protegendo a moral e os bons costumes das pessoas de bem aqui de Nayse.

Ao ouvir a conversa Kouta respirou fundo, chamando a atenção das velhas, ele então decidiu tirar suas botas e esticar as pernas, pondo-as apoiadas no banco da frente. Colocou seus calçados de lado embaixo do banco junto de seu bastão que estava ali também. O garoto não possuía muita bagagem, além das roupas do corpo, uma camisa branca de mangas compridas, uma calça escura quase preta que costumava ficar abaixo da bota nas pontas, um colete azul grande com um capuz, que na maioria do tempo, cobria sua cabeça e uma faixa vermelha que ele usava na cintura, claro além das botas e do bastão que outrora estava preso em suas costas. Fora isso, apenas um pequeno saco de pertences, alguns trocados e um lanchinho caso ele sentisse muita fome. Ao esticar as pernas, Kouta retirou seu capuz e com sua respirada funda, as senhoras olharam direto para ele, percebendo seu rosto. Era um rapaz branco, de olhos pretos e cabelo também preto não muito ajeitado, era pontudo e rebelde, uma franja descia pelo seu rosto cansado e o que mais chamava a atenção das velhas era a cicatriz no lado esquerdo do rosto de Kouta. Possuía duas pontas a queimadura, uma indo bem perto do nariz e outra mais perto dos olhos. O garoto sabia que elas o olhariam estranho, mas ele não se importava, por conta do tipo de gente que elas demonstraram ser.

— Esses jovens estão perdidos mesmo né Dolores… — Comentou a velha da direita.

— Sim, no meu tempo não era assim! A gente respeitava os… — Antes que ela pudesse terminar sua resposta o trem apitava sinalizando que havia chegado ao seu destino.

— Finalmente! — Exclamou Kouta assim que o apito soou. O garoto calçou suas botas, pôs seu bastão nas costas e pegou sua bolsa se preparando para desembarcar do trem.

Ao descer do trem, ele se deparou com a gigantesca construção, ele não tinha visitado a estação de Kauha muitas vezes quando criança, mas das vezes que se lembrava, era muito diferente da atual. Pessoas de todos os lugares caminhavam apressadas em direção aos seus trens, relógios, apitos, conversas e gritos de crianças incomodavam o garoto que não estava acostumado com tudo aquilo. Um pouco desnorteado, Kouta anda em alguma direção tentando sair daquele lugar, esbarra em algumas pessoas e se desculpa logo em seguida, seu capuz estava cobrindo sua cabeça novamente, pois ele não se sentia muito bem em meio a multidões. De alguma forma que não fazia muito sentido, o capuz sempre fez Kouta se sentir mais seguro. O rapaz chega a um lugar mais calmo, parecia ser uma sala de espera, ele retira de sua bolsa uma carta, aquele era o motivo dele ter retornado a Kauha, a tal carta fora enviada por alguém muito especial para Kouta, seu antigo guardião Vatta.

Ao segurar a carta, Kouta se lembra de sua infância, era tudo tão simples, calmo e alegre no vale de Ammon, as pessoas viviam em harmonia, cada um fazia sua parte e todos se ajudavam. Vatta cuidava de Kouta e o ensinava sobre tudo, o garoto era apaixonado por aprender, sobre qualquer assunto e Vatta era apaixonado por ensinar. Mas um dia, repentinamente tudo isso acabou, uma tragédia destruiu a vila onde eles moravam. Vatta era um lutador poderoso e experiente, graças a ele, Kouta sobreviveu, mas isso deixou cicatrizes no velho Vatta e também no Kouta, além dessas lembranças tristes, também cicatrizes físicas como aquelas no rosto do garoto. Vatta por sua vez ficou impossibilitado de lutar, mas isso não importava já que o seu objetivo fora cumprido que era de salvar a vida de seu protegido. A carta dizia que Kouta já poderia voltar de Maari, a ilha de Nayse onde o garoto viveu por vários anos. Porém não havia mais detalhe algum na carta e isso deixava o rapaz um pouco confuso já que Kauha não era um lugar muito seguro para Tyinens.

Kouta secou a lágrima que havia derramado ao ler a carta e se lembrar de seu passado, ele se levanta e a sua frente avista uma estátua enorme de Jay, o rei de Nayse. Sua expressão muda para uma mais irritada ao ver aquilo e logo ele se apressa para sair dali. Já que Vatta não estava esperando-o na estação, o jeito era ir até sua casa mesmo.

O cheiro continuava familiar para Kouta, enquanto ele caminhava pelas ruas de Kauha, escuras já, mas não tanto quanto antigamente já que agora eram iluminadas por postes de luz sustentados pela energia das essências. Tal tecnologia continuava a impressionar o rapaz que fechava os olhos e apenas sentia cheiro do lugar, uma característica muito importante para ele já que ele podia se lembrar facilmente de cheiros e seu nariz era bastante sensível a eles.

Depois de um tempo caminhando de olhos fechados Kouta ouve algumas vozes que lhe chamam a atenção.

— Aí mocinha é melhor ir passando logo essa bolsa se não quiser ter o bucho furado! — Exclamou um homem enquanto apontava uma faca para uma jovem muito assustada.

— É vai logo, é só a bolsa outro dia eu volto para mais hehe… — Completou o outro segurando o braço dela, os dois homens cercavam a moça naquela rua escura e vazia.

Kouta virou-se para a situação, analisou de longe e logo decidiu se aproximar com uma expressão séria que logo mudou para um sorriso malicioso.

— Por favor, deixem eu ir embora, eu não tenho nada de valor, por favor me larguem!!! Socorro! — Gritou a moça desesperada.

— Ouviram a moça, deixem ela em paz — Disse Kouta de braços cruzados atrás dos homens.

— Hã?! E você quem é? — Virou-se um dos homens com a faca apontada para Kouta, enquanto fazia uma expressão confusa, mas ao mesmo tempo debochada.

— Fura esse aí logo Tatá, não passa de um babaca metido. — Exclamou o outro enquanto ainda segurava a moça.

— Eu não faria isso se fosse você, acho melhor ouvir meu conselho… — Disse Kouta de olhos fechados enquanto coçava a cabeça e retirava seu capuz.

— O quê?! Ta se achando demais ô seu caipira de merda! — O homem segurou firme sua faca e correu para cima de Kouta enquanto o mesmo ainda mantinha seus olhos fechados.

Kouta suavemente desviou sua cintura para o lado fazendo com que o golpe de faca do homem acertasse o ar, ainda do lado do bandido, Kouta segura seu ombro pela parte de trás e lhe acerta com uma joelhada no estômago. Após o golpe o garoto se afasta e o ladrão se contorce de dor deixando sua faca cair.

— Dá-lhe Tatá! Dá-lhe Tatá! Quebra esse guri! — Gritou seu parceiro, mas logo parou ao perceber que o mesmo não continuaria a briga. O tal do Tatá então vomita um pouco de sangue e cai no chão.

— Eu avisei, mas vocês não quiseram ouvir… Nunca querem né. — Disse Kouta com um sorriso no rosto. — Saiam logo daqui, o cheiro de vocês me irrita.

— SEU DESGRAÇADO!!! — O outro corre na direção de Kouta, largando a moça, com a intenção de atacá-lo por trás. Kouta então desvia novamente girando seu corpo e indo parar atrás do homem. O bandido se vira rapidamente com um olhar de fúria para Kouta que já estava com seu bastão em mãos e lhe acerta um poderoso golpe no rosto, fazendo alguns de seus dentes voarem e o mesmo cair no chão inconsciente.

O outro se levanta e tenta recuperar sua faca, mas sem tirar o olho de Kouta em nenhum momento. O garoto guarda seu bastão e reveste sua mão de chamas mostrando para o bandido com um sorriso no rosto.

— Bu! — Após o deboche de Kouta, o bandido saiu correndo deixando sua faca e seu parceiro para trás.

— É UM TYINEN! É UM MONSTRO! — Grita o bandido enquanto corre desesperado.

— Você está bem moça? — Pergunta Kouta gentilmente para a jovem garota assustada.

A mesma ficou encarando a ajuda do rapaz com os olhos arregalados e conforme ele se aproximava para ajudá-la, ela ia se afastando.

— POR FAVOR NÃO ME MACHUQUE! — Implorou a garota atirando seu pente de cabelo. — Não encosta em mim não sua peste!

A mulher se arrasta até se levantar e sai correndo cambaleando, sempre olhando para trás com receio.

— Ah… Que ingrata! — Suspira enquanto põe seu bastão nas costas e segue seu caminho. As pessoas não viam os Tyinens com bons olhos, não importa o que faziam e o garoto já estava até acostumado, mas ainda assim desejava ajudar.

Kouta continuou sua caminhada até a casa de Vatta. Durante o caminho a barriga do garoto começou a roncar e ele não estava com quase nenhuma vontade de comer o lanchinho de sua bolsa, já que estava lá desde o dia anterior, então ele começa a se lembrar da comida que Vatta fazia, sempre do jeitinho que ele gostava.

Kouta continuava com o mesmo paladar infantil de quando ainda era pequeno e Vatta sabia disso, bom, o velho nunca havia cozinhado para ele já crescido, então era de se esperar que ele fizesse a mesma comida de antigamente. Finalmente Kouta chega na antiga casa de Vatta, era um pouco afastada das outras em uma rua meio deserta e logo que avista a casa o garoto fica extremamente assustado.

A porta estava arrombada e os vidros todos quebrados nas janelas que ficavam na frente. Kouta entra chamando pelo nome de Vatta e vai percebendo que tudo estava bagunçado e destruído, os móveis virados e jogados no chão, grande parte quebrados. O rapaz olha ao redor e logo percebe que algo estranho havia acontecido ali. Kouta fecha os olhos e tenta sentir o cheiro de Vatta, ele sente e também alguns outros aromas desconhecidos.

— Oh tio Vatta, o que foi que aconteceu aqui? — Fala o garoto sozinho enquanto se senta e pensa sobre o que faria a seguir.

Notas finais
Conto com a ajuda de você leitor para com minha análise da história. Me ajude com seu comentário diga o que está bom, ruim e o que precisa ser melhorado.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.