Natureza Sombria

7 Andando Pelas Sombras - Parte 2


Notas iniciais
É meio longo sim, mas não podia faltar a ação nesse capítulo u-u Considerem uma ação a sensação que Elisa sentiu, obg á todos por continuarem lendo esse capítulo... Cada dia mais vocês me incentivam :v

Eu não vou mentir: Essa Solidei é pesada pra caramba. Apesar de estar guardada em meu bolso da blusa, parece que daqui a pouco vai rasgar de tão pesada, parece que vai cair no chão enquanto caminhava calmamente para o bar, parece até que foi o Eli querendo mostrar o último lugar em que eu gostaria de estar. Mas ele é assim.

— Cara... – murmurei só pra arma ouvir. – Você é pesado ein?

— Ah-há... – emitiu uma risada forçada. – Esperava que uma arma que pode mudar de formato o quanto quiser vai ser leve?

— Não. Mas não achei que seria tão pesada.

— Minha forma se altera de acordo com seu pedido, se quiser me alterar pra uma adaga, assim farei... – falou explicando.

— Mas você não para em um formato?

— Sim. Para os Humanos, sim... – explicou e senti como se ele sorrisse sem mostrar os dentes.

Verdade. Eu tenho mais amizade e compaixão com quem não é humano, consigo fácil rir e “brincar” com quem é Bio, só com o Will que consigo falar e me sentir a vontade em falar com ele. Pensando bem, como ele está agora?

— Elisa, foque na missão quando chegarmos lá, está bem? – pediu e eu assenti.

Quando chegamos lá o green’s nunca esteve tão lotado, isso é ruim. Cheguei lá e pude entrar facilmente, as pessoas quase invadiam o palanque pra tocar na moça que cantava, ela era uma Bio e usava um corpete negro e uma saia tão curta na frente que se subisse mais um dedo era possível ver suas partes íntimas, atrás era longo como uma cauda vermelha. A melodia que cantava ajudava e muito em mostrar seu lado sensual, ela balançava seus cabelos loiros em cascata fazendo que os homens pirassem. Agora que notei. Onde estavam as mulheres dali? Não tinha uma pra contar história, o bar havia sido invadido por todo o tipo de homens e aquilo tudo me enjoava. Toda aquele show da sedução, me fez pensar que o bar já fora melhor com Ruan tomando conta.

Não há mais doce som do que o silêncio... — cantava ela.

— Os humanos gostam disso? – perguntou o Solidei e parecia também enjoado. – A melodia é boa, mas esse tipo de coisa faz com que eu fique tonto.

— Verdade, mas ei, você disse que era uma basilik?

— Sim, uma arma biológica tão potente capaz de neutralizar qualquer Sark Magnos que aparecer. – explicou.

Ótimo. A primeira missão que Eli me põe pra fazer é do tipo suicida. Vontade de matar aquele pirralho. Olhei ao redor e Solidei continuou dizendo:

— Ela é uma Bio do sexo...

— Saquei já. – interrompi encarando aquela cantora que parecia querer uma noite daquelas com um daqueles homens que estavam quase a puxando pra baixo.

— Ei! – ouvi alguém dizer. – Perséfone está incrível hoje, não?

— Sim, sim! – concordou outro positivamente. Perséfone era seu nome então. – Não imaginei que ela viria aqui! Pena que ninguém pode chegar muito perto dela.

— Qual o motivo mesmo? – perguntou o “a”.

— Parece que ela solta um perfume que quando inalamos desmaiamos na hora.

Que perfeito... – pensei abrindo um sorriso grande.

— Está vendo os homens ali? – perguntou Solidei, vou manter o nome dele assim, é até melhor pra ele. Eu fiz que “sim” assim que encarei os dois que estavam quase abanando o rabo pra ela.

– Vão ser todos mortos por ela.

Eu arregalei meus olhos e vi quando um deles a abraçou invadindo o palco e foi nesse momento que eu taquei um copo naquela Basilik. Ela caçava Sark’s não é?

Seus olhos amendrontados procuravam a pessoa que tentou ataca-la, mas quando se focou em mim seu rosto se tornou bestial. Havia se tornado escamoso em suas laterais e esticava para os lados, ela tomou sua forma e saltou em minha direção pisando na cabeça de alguns de sua querida plateia. E seu peso... Bem, eles acabaram morrendo com o corpo que tanto queriam da Bio. Seu salto vi furar a cabeça de um dos homens em que ela havia pisado, o sangue espirrava em seu corpo biônico perfeitamente moldado. Ouvi os gritos de horror dos homens querendo sair dali, abri a porta e comecei a correr enquanto ela me procurava dentro da multidão de homens. Esperei até ela quebrar o vidro do bar, se Malcolm visse isso, não sei qual de nós ele mataria primeiro.

Só sei que eu estava com medo. Como não ter? Olha só, eu não sei como dizer isso, mas ela parece demais com uma serpente. Porém com ombros e dois braços gigantes. Ela deveria ter 4 metros de comprimento e dois de altura. Sim, seu rosto não era mais aquela beleza que mostrava ali no palco. Um disfarce perfeito para matar homens...

— Hey, Solidei? – chamei a minha arma. Sim, ela atendia por esse nome temporário pelo que vi. Minha perna direita vibrou para que eu começasse a correr.

— Sim, Elisa? – falou e eu tirei ela do meu bolso, meus arranhões haviam sido curados naquele tempo em que caminhava para o Green’s. Observei Perséfone tomar um rosto animal e o corpo dos infernos cheio de rugas e escamas, a aguardei enquanto ela me procurava. A luz estava apagada e um gás saía de dentro do bar, ela havia posto todos pra dormir. Enquanto eu tampava o meu rosto com minha blusa tentando não sentir aquele perfume, agachei ao lado e via como ela sibilava, o som me parecia familiar e suspeitos demais, mas tive de me manter focada na missão.

— Não quer me contar mais detalhes sobre uma Basilik? – pedi já querendo dar o primeiro passo. – Ou dicas?! Qualquer coisa do tipo serve!

Ouvi um estrondo e as paredes do Green’s ser destruída, ela tinha dado um ataque com seu rabo, nunca vi algo assim, o pior é que havia quase me pego, senão fosse por alguns centímetros. Finalmente eu comecei a correr com a Basilik atrás de mim, nunca mais tinha sentido tanta adrenalina como agora, estava disposta a me arriscar tanto assim numa missão? Sim, eu estava. Porque eu não me importava mais com a minha vida, desde que eu a cumprisse para minha própria satisfação.

Ouvi a Basilik dar um grito agudo estourando os vidros dos prédios em que passávamos correndo, virei para numa esquina e então focalizei em leva-la para apenas um lugar: Vale de Ossos.

Um lugar grande o suficiente para matar uma famosa assassina de Sark Magnos...

...

Meu Deus, ela tem armas pra me destruir, armas exclusivas só pra serem usadas em Sark’s! Aumentei ainda mais minha velocidade, não tinha notado o grau de resistência que havia sido aumentado nesses últimos tempos. Minha mão se fechava tão forte em Solidie que perdeu até a cor e a sensibilidade dos dedos.

— Dicas? Tudo bem, se a senhorita quiser, pode acertar em seus olhos, eles são um de seus pontos fracos.

Um?! Sério isso? E como vou acertar em seus olhos de uma distância tão...

Ouvi um zunido em meu ouvido assim que ela estalou sua cauda do meu lado, ela andava com seus braços assim que a vi e o cenário era até demoníaco. Suas unhas eram garras tão grandes e finas como o salto que ela usava. Aquela parte em que estávamos da cidade estava vazia e a maioria dos habitantes haviam saído para um Blackout que ia ter na cidade onde desligamos as luzes da cidade e soltamos fogos-de-artifício. A chuva já não se fazia mais presente naquele lugar e a explosão de 1 hora dos fogos ia começar quando surgir o blackout.

— Elisa...? – chamou Solidei. Encarei aquela arma e o pó que baixava enquanto a Basilik se posicionava para fazer o seu primeiro ataque. – Vejo que tem pernas rápidas, suba se puder nos braços da Basilik para se aproximar de seus olhos.

— Eli deve achar que isso aqui é um filme de ficção científica não é? – murmurei sorrindo nervosa para aquele monstro. Uma gota de suor escorreu pelo meu rosto, pressionei uma ferida maior que parecia ter sido mais aberta. Respirei fundo e senti meu sangue ser drenado pela arma, ela brilhou na minha mão e ouvi ele dizer:

Carga pronta pra ser usada, qual tipo você deseja?

— Ativar arma biológica: Holy Slay.

Então, assim que a Basilik ia me atacar com um de seus braços eu saltei e posicionei meus pés em seu braço metálico que graças as minhas botas e pés pequenos só foi o suficiente pra dar o impulso, peguei a arma com uma das mãos enquanto ela crescia até se formar uma HK416 com uma trava que quando a pressionei, o cano se tornou duplo e suas balas...

Bem, sangue de Sark Magnos nunca havia se tornado tão destrutivo quando posta numa arma com o design do Die Solis.

Quando vi o ponto de luz, foi a única coisa que podia ver, isso e a mira, que foi perfeita quando atirei naquela luz vermelha. O disparo foi alto, mas me senti num filme, pois foi bem na hora do apagão e dos fogos. Suas unhas assassinas tentaram me pegar enquanto minha Holy Slay atirava tão belamente naqueles olhos avermelhados, eu pousei sem sentir ainda a força do impacto, porém não consegui me levantar, acabou as forças das minhas pernas então permaneci no chão, atirando.

Me senti tão viva fazendo aquilo, me senti bem, mas mal ao mesmo tempo, mas melhor depois quando lembrei que aquilo queria meu sangue, minha cabeça para entregar.

A Basilik urrou de raiva e veio pra cima de mim. Então ouvi Slay me parabenizar:

— Pra uma novata, você se dá bem com armas e com monstros cibernéticos também... – falou e sentia como se ele visse meu desempenho, o que me deixou mais viva e feliz do que já estava. Por que ninguém me deixou experimentar e ter essa sensação?!

Peguei um impulso com minha outra perna e deixei um pouco mais de sangue dos meus pulsos escorrer pelo emblema da HK416. Fiquei satisfeita com o tipo de arma e adorei o trinco que ela dava a cada bala atirada. Era maravilhoso e eu queria mais.

— Lembre-se, você é um organismo, precisa de sangue pra viver. – falou e acho que ele analisou meu CAS, de repente hesitei num momento em que não devia e senti meu corpo ser empurrado para longe da Basilik cega. Maldito momento em que Slay me despertou da música que vivia ali, naquele exato momento.

Encolhi meu corpo de dor pressionando meu diafragma, fiquei com dificuldade pra respirar, algo em mim se quebrou de novo, a porcaria da costela havia sido faturada. Aquilo nunca se concertava? Encarei aqueles ossos ao meu redor, um lugar onde nenhum humano ou qualquer organismo vivo poderia estar. Escutei o som do vento que batia no meu rosto como se desse para mim o ar que precisava pra respirar.

— Acho bom você se recuperar logo...

— Por q..-.

Observei a Basilik me encarar, mesmo não me vendo, ela ainda me escutava, um líquido azul escorria de seus olhos e imaginei que poderia ser sangue. De repente uma voz que vinha dela, mas era tão louca e doentia que poderia me provocar pesadelos no futuro:

— Onde está você, sangue do mercúrio? – ela parecia me sentir, mas isso não era possível para uma Bio, era? – Eu posso sentir que há sangue em todo lugar... O que você fez agora sua vagabunda?

Que merda! Logo agora ela fala cara?! Se tivesse falado desde do começo eu não estaria com vontade de correr que nem uma criança agora! — pensei querendo rir daquele pensamento, sou boba pra caramba nos piores momentos.

Sorte que ela não escuta meus pensamentos. Pelo menos deram essa privacidade para nós.

— Cadê você, filha de meretriz?

— Agora, passou dos limites... – falei cortando minha risada e ela me ouviu. Porém, quem xinga minha mãe é digna de morte. Quem xinga meu pai é digno de morte. Quem xinga minha família é digno de morte!

— Você estava aí..-

Eu interrompi ela com minha frase que agora virou padrão:

— Ativar arma: Holy Sacred Slay.

Essa arma, não sei como, mas o Slay soube que tipo eu gostaria naquele momento. Ela é especial essa arma, eu vi várias vezes nos livros de história que retratavam sobre a Guerra que teve há 20 anos atrás, porém esta aqui, tem mudanças, a bala acertou o corpo da Basilik no buraco que seria seu esterno, que abri não intencionalmente com a Holy Slay, só sei que em menos de 5 segundos, a Perséfone tentava tirar a bala de dentro de si, eu sorri quando ela olhou pra mim com ira, mas com angústia no olhar, como se já entendesse que havia perdido. Pressionei o botão pequeno que havia no cabo e ela explodiu, a explosão não havia sido tão intensa como pensam, mas tive que me proteger pelos fagulhos que vinham em meu rosto, senti meu ombro e minha roupa serem cortadas e atravessadas pelo metal...

Essa bala, essa arma teve uma precisão incrível e assim que, a única bala passa em seu alvo, a cabeça ou o corpo da Basilik, por exemplo, é explodida e volta a ser pó. Não chega a ser uma bazuca, não exagerem...

É uma XM25. E veja só, negro e dourado foi a cor escolhida. Vocês devem estar pensando porque eu não pedi uma dessas antes, simples:

A Basilik teria visto e tentado ao máximo se desviar de mim, sem falar que ela me atacaria com tudo depois, e como disse: Uma única bala é atirada, uma única com precisão incrível, mas isso me consome demais. Entretanto, se não fosse pelo Slay estaria morta agora.

Eu respirei fundo e deitei no chão de ossos completamente quebrada, enquanto ouvia Slay falar:

Missão concluída com sucesso, sem mortes necessárias, parabéns Srta. Monique e “Bem-Vinda aos Die Solis”.

— Valeu Slay... – falei pondo a arma no meu abdômen.

Quer que eu peça ajuda Srta. Monique?

Sim, por favor, mas diga pra chegarem daqui há 10min, quero dormir um pouco, sim?

Como quiser, Srta. Monique. – falou e se transformou numa adaga que pude por junto de mim. – A equipe já está a caminho.

— Obrigada Deus, obrigada Slay...- falei murmurando.

Por nada Elisa. – disse ele e fechei meus olhos para o céu escuro. Estava quebrada demais pra poder sentir as mãos que me levantaram depois de ter passado dez exatos minutos, eles eram pontuais e ouvi a murmuração e os cochichos sobre mim. Minhas mãos estavam sobre a adaga e meus olhos selados, não conseguia abri-los, mas ouvi uma voz que disse gentilmente no meu ouvido:

— Que luta ein? Mas você conseguiu, parabéns querida... — E logo algo quente foi posto sobre mim, senti também a quentura debaixo do meu corpo, eu deveria estar na cama naquele momento, então quem havia me carregado era o próprio também...

Sei que ele vai negar quando eu perguntar, vai fingir que está irritado com alguém do grupo. Mas só daqui dois dias eu vou acordar, primeira vez que faço isso e, meu Deus...

Não consigo sequer me mexer, mas também me senti renascida, ressuscitada, ali na luta senti e vi o quanto eu estava morta antes. Agora, nem a Morte vai me tirar essa alegria e nem essa sensação espetacular da qual nunca imaginei sonhar, porque vamos nos tornar mais próximas enquanto eu estiver nesse maravilhoso lugar! Só espero que as pessoas não sejam tão duras comigo...

Notas finais
Mais uma aventura de Elisa e, eu espero, que ela tenha lutado mais >.< Sim, gostei também bastante do tipo de arma que o Slay escolheu pra ela. Obs: Slay é o nome da arma biológica de Lis - a adaga, os nomes Holy e Sacred são para o tipo da arma que Elisa usa. Holy Slay é e sempre vai ser sua arma primária, enquanto Holy Sacred Slay vai ser a secundária... Pensem como num jogo que vão entender, que nem eu, bem melhor! :D A adaga (Slay), vai servir pra Lis pro seu dia-a-dia, então, ela queria que soubessem disso! XD **Holy Slay (Santa Chacina - que é matar muitas pessoas ao mesmo tempo)/ Holy Sacred Slay (Santo Sagrado Massacre)