Natureza Sobre-humana

2 No Ranger do Assoalho


Notas iniciais
Bem-vindos senhoritas e senhoritos! Qualquer dúvida sobre a história ou qualquer correção, podem dizer nos comentários ou por MP que responderei assim que eu ver. Ah, uma dica, estejam atentos aos detalhes, eles são importantes para descobrir o que virá. No mais, boa leitura!

A história a partir de agora será contada na visão de Sandara como narrador personagem (1ª pessoa).

Jeyoung abriu a porta para a sala do capitão e me deixou entrar antes dele, nossos passos faziam o velho chão de madeira ranger.
– Sente-se. _ disse o capitão por trás de sua mesa, sinalizando a cadeira a sua frente.
– Obrigada. _ Sentei-me e Jeyoung permaneceu de pé perto da porta. O capitão parou de olhar para o mapa encima da mesa e olhou para mim. Permaneceu me olhando por algum tempo, parecia desconfiado e curioso, enquanto eu retribuía seu olhar. Quebrei o silêncio: – O que são vocês? _ Ele pensou um pouco e respondeu:
– Somos homens. E quem é você?
– Me chamo Sandara Hendrick.
– E você vem de onde, Senhora Hendrick?
– Do esplêndido Reino da Escócia, e os senhores? _ ele riu, mas não me importei.
– Viemos de vários lugares, e você deve ser corajosa para exibir tanto patriotismo em plena guerra (n./a.: Ele fala da tensão anterior à Batalha de Formigny, entre França e Inglaterra, mas na época não era vista como parte da Guerra dos Cem Anos porque ainda não existia esse termo. Como dito, a história acontece em meados do ano de 1450, a guerra acabou em 1453 – e me desculpem os leitores que não gostam de história, é só para se situarem). _ olhei pra ele orgulhosa e respondi:
– Não tenho medo de homens que abraçam a morte.
– Você diz respeito aos soldados? Eles não têm culpa. Mas voltando a falar de você, nunca ouvi falar de sua família, você não tem sangue real, então?
– Não, minha família sempre foi amiga dos “Stuart”, mas não somos da realeza. Vocês não têm nenhum escocês a bordo?
– Não. O que aconteceu com o seu navio? Você viajava com a sua família? Para onde estavam indo?
– Com meu marido, nós nos casamos há três dias e estávamos saindo da Escócia e indo para a França, ele estava levando soldados pra guerra, mas ontem à noite fomos atacados por um navio pirata...
– Navio pirata? E por que não saquearam?
– Não sei dizer... Só nos destruíram... Vocês vasculharam, não sobrou mais ninguém? _ eu tinha medo de escutar a resposta, apesar de já saber o que ele diria...
– Não... Não vivo. Não chamo de sorte, mas parece que você foi a única. _ olhei para as minhas mãos sobre o meu colo. ­
_ Não fico triste por meu marido, ele nem me conhecia quando nos casamos, mas estou perdida! O que vocês pretendem fazer comigo? _ eu perguntei, receando o futuro.
– Ainda estou pensando nisso. Mas por hora, lhe daremos o que comer e onde dormir, não ficará no calabouço. _ ele voltou a olhar para o mapa encima da mesa e eu acompanhei seu olhar_ Você está dispensada, Senhorita Hendrick. _ ele olhou para o homem à porta _ Jeyoung, acompanhe a Senhorita Hendrick até seus aposentos, depois volte aqui para conversarmos.
– Sim, Capitão. _ eu me levantei e caminhei até Jeyoung, que abriu a porta.
– Como devo chamá-lo? _ Perguntei ao capitão antes de sair.
– Sam.

“Que interrogatório...” Pensei, enquanto acompanhava Jeyoung até os meus aposentos. Parecia que ele era o braço direito do Capitão, até durante a nossa conversa ele permaneceu na sala. Observei o navio enquanto andávamos, era um galeão muito bonito. Assim que chegamos ele abriu a porta e me mostrou o pequeno quarto de luxo. Todos os móveis (a cama de casal, a cômoda, o criado mudo e a penteadeira) pareciam antigos, mas os acabamentos eram maravilhosos, a madeira escura e trabalhada tomava as sutis formas de várias figuras místicas (como serpentes marinhas, sereias e o Kraken), flores de costa, peixes marinhos e ondas do mar. A roupa de cama era de cetim vermelho-sangue, combinando com as cortinas de veludo da mesma cor, mas também com detalhes dourados. Os tapetes de várias cores foscas, mas todos tinham detalhes em dourado. E o teto era pintado com o desenho do céu azul com nuvens brancas. Apesar da forma como falo lembrar uma decoração alegre, o quarto tinha um ar sombrio e pesado.

Olhei para Jeyoung esperando que ele dissesse algo ou saísse, até que ele disse com um forte e diferente sotaque que eu não pude identificar:
– Fique à vontade. _ assim que terminou de dizer saiu do quarto, fechando e trancando a porta.
Eu reprimi um “obrigada” e pensei que ele devesse vir da terra onde o sol nasce, pelos olhos puxados (um homem que vem de lá uma vez visitou a família, ele também tinha olhos puxados). Com raiva e finalmente sozinha, voltei a admirar o estranho quarto, talvez não fosse tão ruim assim estar presa. Achei uma portinha que dava para um banheiro, o que era muito raro, e comecei a vasculhar por qualquer coisa que me interessasse nas gavetas e compartimentos, mas só achei vestidos, joias e outros objetos femininos, como uma escova, prendedores de cabelo e maquilagem. Peguei a escova, desfiz minha trança e penteei meu cabelo. Quando cansei, deixei meu corpo cair na cama e fiquei olhando para o teto, pensando no capitão até acabar dormindo. Não tive sonhos. Durante a noite eu podia escutar o assoalho da cabine do Capitão ranger com seus movimentos.

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– Não confio muito nela, Senhor. _ disse Jeyoung, olhando para o capitão com visível reprovação enquanto esse fazia anotações _ E não é bom para os homens ter uma mulher a bordo, melhor aproveitar que ainda estamos perto da Escócia e deixa-la lá...
– Jeyoung, assim desviaremos do percurso planejado, e você sabe que não podemos perder tempo... Além do quê, seremos atacados, não tenho mais paciência pra lidar com governos. _ O capitão olhou para seu tripulante, se levantando e abrindo a porta do aposento _ Ela ficará trancada durante todo o caminho, só lhe daremos comida. Os homens vão até se esquecer dela!
– Não sei não hein, capitão... Eles não veem uma mulher há muito tempo... O senhor não vê uma mulher há muito tempo... Lembra-se do código? “Os prisioneiros devem ser violentados por todos”, os tripulantes vão cobrar esse direito. _ voltou a insistir o oriental, destacando a palavra “senhor” enquanto dizia com moderado respeito.
– Olhe as palavras, Jeyoung! Sou seu capitão! E você Sabe do nosso compromisso! Não deixarei que ninguém se distraia por causa de uma mulher, muito menos eu! _ Sam voltou a sentar-se e direcionou o olhar a Jeyoung, se acalmando _ Ela não é nossa prisioneira de batalha nem saqueamento, diga à tripulação que ela é nossa convidada. Agora voltemos a falar do que interessa, temos planos a fazer...

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Senti os raios de sol esquentarem meu rosto, me acordando, e abri devagar os olhos, me lembrando de onde estava e do dia anterior. – Que loucura!_ disse a mim mesma enquanto, inconscientemente, meus pensamentos corriam até o aposento de um capitão de aparência gélida, que me esquentava o corpo. Eu pensava se ele era solitário, enquanto me sentava e pegava a escova de cabelos. Comecei a penteá-los e me levantei, cantarolando qualquer coisa e indo em direção à penteadeira. Me olhei no espelho por alguns instantes, eu vinha me sentindo vazia há muito tempo, minha imagem refletida parecia uma estátua; sem vida, dura e fria, e as vezes eu me pegava me arranhando, desejando-me libertar. Terminei de pentear os cabelos e fiz uma longa trança embutida. Troquei de vestido, lavei o rosto e peguei a maquilagem que havia achado. Usei apenas o pó de arroz no rosto e colo e o corante em pó nas maçãs do rosto, meus lábios eram naturalmente corados e eu estava satisfeita com meus olhos, apesar de não ter dormido bem.

De dentro do quarto eu podia escutar as vozes da tripulação aos berros, parecia que eles gostavam desse tipo de comunicação. Eu queria sair e ver o mar, a janela do meu quarto era muito pequenininha e eu só podia escutar e sentir o cheiro da água. Também queria ver o Capitão Sam, ele me disse para chamá-lo de Sam apenas, supus ser uma convidada, ele podia ir me ver às vezes, não podia? “Que fome” Pensei. Já devia ser quase 10 horas, o sol estava na reta de minha janela se vista cama, acho que a uns sessenta graus do nível do mar, pelo visto eu dormira bastante. Quando eu ia tentar a abrir a porta, ouvi a tranca e a maçaneta virou. Dei de cara com o Capitão Sam.

– Bom dia. _ ele disse, pareceu surpreso com a minha proximidade por um instante, mas logo voltou à frigidez normal. _ Com licença, senhorita. _ Eu me afastei da porta e o vi fechá-la novamente e passar por mim. _ Como foi a noite?
– Bom dia... _ o olhei com certa desconfiança, ele parecia muito estressado _ Foi tranquila. Algum problema?
– Na verdade sim, você ficou na cabine a noite toda?
– Ela estava trancada, só agora você abriu. Por quê?
– Por nada. Aqui está o seu desjejum. _ Só agora reparei na bandeja de prata que ele trazia, ele a deixou sobre a cômoda.
– Ah, obrigada... Não vou sair da cabine nenhuma vez?
– Não, te trarei tudo o que precisar.
– E Jeyoung? Achei que o Capitão não se preocuparia com a minha estadia... _ Ele me olhou, dessa vez desconfiado.
– Jeyoung está indisponível, quando eu não puder, o cozinheiro virá trazer a comida que precisa. É só isso? _ ele ficava mais estressado a cada instante, tinha algo errado...
– Vocês são piratas?
– Somos. _ ele respondeu e saiu, fechando a porta atrás de si.

Notas finais
Bom, pessoal... Ainda tem muito a ser descoberto e aconteceu algo importante nesse capítulo, mas vocês só descobrirão no próximo.
A história ainda está meio parada né? Próximo capítulo promete mais emoção. Comentem, por favor! o/ Estou ansiosa pra saber se vocês estão gostando ou não. Críticas são sempre bem-vindas! Espero vocês na semana que vem, obrigada por terem lido!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.