Nature's Mysteries
5 A Verdade?!
Notas iniciais
Acordei ao lado de meu celular; acho que dormi conversando com o Sam, ele é incrível, me diverti muito ontem, ele é gentil, carinhoso, engraçado e meu único amigo, espero, para o resto do verão. Levantei-me, mesmo não querendo, e me dirigi ao banheiro onde eu lavei meu rosto, escovei meus dentes. Lembro que ontem, à noite, enquanto conversávamos, peguei meu caderno de desenho e esbocei o lugar, no meio do campo, com árvores esquisitas que havia visto dias antes.
Ainda é cedo, me sento na ponta de minha cama e pego meu celular; são oito horas, abro minhas mensagens e vejo que Sam mandou uma para mim: ele quer me encontrar, mas o que será que ele quer? (me perguntei) Já não somos mais crianças para ir na casa um do outro para brincar, mas, talvez, ele só queira me conhecer melhor. Pego o medalhão e saio do meu quarto, vou para a cozinha onde minha avó está lavando alguns pratos; pelo silêncio em que se encontra a casa minhas irmãs ainda não acordaram , e então falo:
— Bom dia! Acordou muito cedo?
Vovó, sem tirar os olhos da pia, responde:
— Bom dia querida! Acordei há umas duas horas, e você dormiu bem ?
— Sim e a senhora?
Dessa vez, enxugando as mãos e se virando para mim diz:
— Muito bem, obrigada!
Reparo que ao olhar para mim e cravar os olhos em meu medalhão seus olhos se arregalam e fica pasma; engole em seco e fala:
— Onde conseguiu isso?
Eu a encaro com dúvida e, então, respondo:
— Esse é o medalhão que eu ganhei na feira vovó! A senhora gostou?!
Ela esta estranha:
— Sim, querida, mas por que escolheu esse?
Eu sabia que poderia confiar em minha avó, então, peguei a mão dela e a arrastei para meu quarto, mostrei meu caderno de desenho, e eu disse:
Tenho sonhado com esse símbolo desde meu aniversário de quinze anos e encontrei esse medalhão... acho que pode ser, talvez, um símbolo da sorte, pois de todos os outros, lindos medalhões, o que mais me chamou atenção foi esse!
Minha avó estava quieta, algo a tinha assustado; ela virou a página do meu caderno e viu o desenho do local no meio do campo com aquelas árvores coloridas, ela passou o dedo pelos traços boquiaberta e disse:
— O que é isto?
— Eu não contei para a senhora, mas, no dia em que fomos à feira, eu acordei com a voz de uma mulher cantando uma música estranha; então, fui lá fora e segui a voz, e no meio do campo encontri um lugar como esse!
Ela me olhou o mais indignada possível:
— Como era a música? Fale May como era a música!
Meio confusa respondi:
— Falava algo sobre a lua, onde o vento mais soprava segredos e algo sobre as filhas da natureza, não sei ao certo vó, porque a senhora quer saber?
Ela sussurrou baixinho, como se estivesse pensando alto:
— Onde a lua mais brilha, há segredos para revelar; onde o vento mais sopra, só as filhas da natureza podem achar...
Era exatamente isso, então, ela fechou o meu caderno e o colocou em cima da cama com rapidez, agarrou meus pulsos e os observou; depois, me virou com força e olhou a minha nuca e meu pescoço, não sabia o que estava acontecendo, ela agarrou meus pulsos, novamente, com um olhar gélido no rosto, uma expressão que mostrava o quanto assustada estava, de modo que, também, fiquei com um pouco de medo; ela olhou no fundo de meus olhos e disse:
— Você não entrou! Ah graças a Deus você não entrou!!
Confusa perguntei:
— Entrar? Entrar onde? O que você esta falando vovó?
Ela engoliu em seco e falou tão rapidamente que quase não entendi:
— Olha, filha, tem coisas que você não entende, segredos que não podem ser revelados para a sua segurança, eu prometi isso para seu pai e sua mãe!
Assustada comecei a falar:
— Mas vovó o que é isso? O que está acontecendo? Você está me assustando! Por favor me diga a verda...
Ela me interrompeu:
— Querida, não posso, você vai ter que confiar em mim! Só me prometa que nunca mais vai àquele lugar! Prometa!
Estava assustada, então, fiquei quieta e ela insistiu:
— Me prometa May! Por favor! Prometa!!
Eu assenti com a cabeça e falei:
— Prometo!
ºº
Eu havia dito para minha avó um pouco depois daquela confusão que um amigo viria me ver; ela fez um sorriso malicioso, mas aceitou. Eu estava no meu quarto me arrumando, pois Sam iria chegar logo; passei um pouco de maquiagem e vesti meu vestido preto rodado, não queria algo muito extravagante e não queria colocar calça jeans; peguei meu medalhão e o coloquei em meu pescoço, escondendo-o embaixo de meu vestido. Ouço minha avó me chamar; depois que tivemos aquela conversa o clima entre a gente ficou estranho; me dirijo à cozinha e me deparei com o Sam conversando com ela; me dou conta, então, de que conversar por mensagem é bem diferente de conversar cara a cara. Ele estava lindo, uma blusa branca e um casaco vermelho com calça jeans e tênis, bem diferente das roupas que vestia quando nos conhecemos e seu cabelo estava arrumado; quando me vê abre um sorriso radiante que me faz corar um pouco, seus olhos violetas brilhavam com a luz da janela atrás de mim, então falo:
— Oi, tudo bem ?
— Oi, tudo e com você?
— Bem, podemos ir lá fora!
Ele sorriu de novo:
— O.k – ele se dirigiu a minha avó – foi um prazer conhecê-la!
Ela assentiu com a cabeça e saímos. Ao sair me viro para trás e vejo minha avó com um sorriso malicioso no rosto, fazendo -me um sinal de positivo com seus polegares; corei um pouco e dei de ombros.
Ao sairmos da vista de minha avó eu falo:
— Bem acho que você já conheceu minha vó!
— Sim, ela é muito gentil e você está linda!
— Obrigada!
Estávamos envergonhados, então peguei sua mão, com a outra tirei meu amuleto debaixo de meu vestido, e o puxei em direção ao campo, então ele disse, dando um risada:
— Aonde vamos?
Me viro e falo:
— Você guarda um segredo? Minha avó não pode saber!
Fale com o autor