Naturally 2.0
4 QUATRO - Semideusa? Eu? Desculpa, você ligou errado.
quatro
Era verão e as aulas tinham se acabado e o dia do embarque chegou. Estava sentada naquele banco duro do aeroporto, com a boca repuxada em um bico, segurando as lágrimas. Tom estava sentado ao meu lado, segurando a minha mão, meus pais estavam fazendo ocheck in.
– Eu não quero ir, Tom. – Choraminguei.
– Eu vou sentir sua falta, minha pequena.
– Vai me visitar, quando puder? – Pedi.
– Se você vier me visitar de vez em quando, também. – Sorrimos.
– É claro. Sempre que puder.
– E tire essas coisas da sua cabeça. Deve ser puro stress, viu? – Ele murmurou me dando um beijo na testa.
“Essas coisas”, ele se referia ao fato de eu ter lhe contado sobre achar que tinha poderes, que tudo que eu sentia brotava em forma de flor, que monstros me perseguiam. Ele não acreditava em mim, me peguei pensando se Percy acreditaria.
– Eu sei. – Fingi concordar. Mas sabia que não era mentira. Sempre soube. — Te espero no meu aniversário. – Ele sorriu.
– Dezesseis anos? Uau, sério, Groger? Eu fui convidado pra sua festa de dezesseis? – Brincou.
– Convidado VIP, e leve o tio Dan. – Respondi sorrindo.
– Te amo, pequena. – Disse me dando um beijo na testa.
Com a cabeça encostada na janela do avião, tudo o que eu conseguia pensar era se em cinco anos muita coisa havia mudado em Manhattan, quem seriam meus novos vizinhos, quem seria meu amigo, quem cuidaria de mim quando eu precisasse? Eu tinha perdido Percy e agora Tom. Quem mais eu poderia perder?
Eu passei todas as horas de voo dormindo, não queria ficar pensando besteiras, acordei com os pequenos solavancos do avião ao pousar. Minha barriga roncava insistentemente pedindo por comida. Depois de desembarcar, passamos em uma Starbucks perdida dentro da área de alimentação do aeroporto, Tom me viciara e eu não vivia mais sem Frapuccino e Cherry pie. Saímos do aeroporto e pegamos um taxi até nosso antigo endereço. A casa estava limpa, papai entrou em contato com antigos amigos e pediu para mandarem fazer uma reforma em nossa casa, não dei à mínima e subi direto para meu quarto. Pra mim a única casa que me importava, era aquela que havíamos deixado em Londres.
Peguei meu celular e digitei uma mensagem a Tom.
“Chegamos. Como estão as coisas ai? Já estou morrendo de saudades da minha Londres, saudades de você. xXYour Juicy.”
Joguei o celular em cima da cama e fui até a varanda do meu quarto. Observei a velha Manhattan, às luzes de New York. E, finalmente, observei a vizinhança, sempre sossegada, e me permiti olhar para a antiga casa de Percy, aquela que me trazia tantas lembranças, as luzes estavam acesas, alguém morava lá. Gabe, talvez?
Entrei e fechei as portas e as cortinas da varanda, joguei-me em minha cama e peguei um dos meus livros de mitologia. Era um dos meus livros favoritos, pois minha vista sempre ficava embaraçada e, não sei como, conseguia ler o grego antigo muito bem e livros de Mitologia sempre havia muito do grego antigo.
Senti meu celular vibrar e o peguei para ler a mensagem de Tom.
“UHUL! Pensa pelo lado bom, pequena, pelo menos o avião não caiu! =D haha, London City não tem o mesmo brilho sem você e eu estou morrendo de saudades suas. xX Your Honey.”
Sorri ao ler a mensagem, com um pouco de dificuldade, mas os anos de prática ajudaram.
“Ah, seu bobo! Claro que ele não caiu, se bem que com a sorte que eu tenho... Ah que saudades do tédio de London! Aqui em New York até o tédio é um tédio. Agora volte a dormir, porque já está tarde ai. E eu vou dormir cedo e amanha acordar cedo para ver se me acostumo com o fuso horário. xXYour Juicy”
Minutos depois a resposta
“Ok, pequena, estou sem sono, mas vá descansar, aqui são 1:00AM ainda o que significa que ai é perto da 8:00PM, bom descanso! Te Amo, Gatinha sz xXYour Honey”
“Siiim, sou uma menina boazinha que dorme cedo u.u – sqn. Estou cansada do voo e por isso vou dormir agora. Obrigada, também te amo muito, gatinho sz. xXYour Juicy”
Coloquei o celular em cima da mesa de cabeceira, peguei meu edredom e deitei-me, desliguei o abajur e dormi.
Na manhã seguinte levantei-me por volta das nove da manhã, me vesti e desci.
– Bom dia, querida. – Disse mamãe.
– Dia, mãe. – Respondi sentando-se a mesa e pegando uma maçã. Comi-a enquanto conversava com minha mãe; — Mãe, vou dar uma volta.
– Aonde vai, querida?
– Provavelmente pela vizinhança e ao Central Park.
– Tudo bem, leve o celular.
– Não se preocupe, mamãe, eu e o celular estamos inseparáveis. – Ela sorriu.
– Bom saber.
Saí de casa, batendo a porta levemente e quando passei pela vizinhança não pude deixar de reparar na antiga casa de Percy. Ah, sua idiota, porque ainda pensa tanto nele?
Enquanto observava, de repente a porta se abriu e de lá saiu uma mulher conhecida. Sorri ao constatar que conhecia aquele rosto. Aproximei-me calmamente.
– Sally? – Ela me olhou.
– Desculpe...? – Perguntou-me com a sobrancelha franzida.
– A senhora é Sally Jackson? – Perguntei, novamente.
– Sim e você quem seria? – Gente, será que eu havia mudado tanto?
– Sou uma velha amiga. – Sorri e ela arqueou a sobrancelha. – Laysla Groger. – Completei e seu sorriso se abriu.
– La! Garota, como você cresceu!
– Está linda, Tia! – Brinquei soltando um assobio. Ela riu sem graça.
– Entre. Me conte porque foi embora assim, sem mais em menos. – Ela disse abrindo a porta e a fechando logo atrás.
Contei a ela como havia chegado da minha viagem e corrido direto pra cá, quando Gabe me disse que eles haviam se mudado, como eu invadi a casa pela porta dos fundos e vi tudo vazio. E como pensei que eles haviam realmente se mudado e como quase entrei em depressão.
– Ah, aquele idiota! – Resmungou Tia Sally. – Já nos livramos dele faz anos, graças aos Deuses.
Suspirei, tinha mais uma coisa que eu queria contar a Sally, mas não sabia se devia. Meu coração batia insistentemente, pedindo para eu lhe contar, mas minha cabeça achava o contrário, que ela pensaria que eu estava louca.
– Tia Sally. – Respondi tomando minha decisão. – Tem mais uma coisa que eu preciso lhe contar.
– Então, conte-me, querida.
– Sei que vai parecer um pouco estranho, e que, a senhora pode não acreditar em mim. Mas de uns tempos pra cá eu tem acontecido umas coisas estranhas comigo.
– Que tipo de coisas, querida?
– Ah, ok, lá vai... Eu tenho poderes que envolvem a natureza, posso controla-la por completo e sempre tem alguns monstros me perseguindo, não sei mais pra quem contar isso. – Assim que terminei de contar tia Sally me olhou assustada.
– Ah, você e Percy, são iguais... Não pode ser, pode? Que Deus? – Olhei-a com a sobrancelha arqueada.
– Tia Sally, eu não estou entendendo nada! – Reclamei. Ela suspirou e sentou-se no sofá calmamente.
– Querida, você já estudou Mitologia Grega, certo? – Assenti – Tudo que você estudou é verdadeiro. Você sabe se é adotada? – Perguntou.
– Não! Papai é meu pai biológico, Lucy na verdade é minha madrasta, mas ela começou a namorar com papai quando eu tinha só 5 meses.
– Então, você é, provavelmente filha de alguma deusa, como você disse, alguma deusa com influencia sobre a natureza.
– Tia Sally... Tem certeza? – Perguntei hesitante. – Eu não posso ser uma semideusa... Isso é tudo ficção... Mitologia. – Hesitei – Sabe? Eu não posso ser uma meiosangue, eu sou só... A Laysla! (n/a: Ok, admito, assisti muito HP antes dessa cena)
– Claro que pode, querida. Cinco anos atrás, quando você saiu de viagem, Percy descobriu que ele era um semideus... o Pai dele é Poseidon. – Disse toda orgulhosa — E agora ele está lá, na Colina Meio-Sangue, que é pra onde você precisa ir agora.
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