Natural Disaster
34 Capítulo 34 - Inferno. Parte 3.
Notas iniciais
– Ralf, onde ele está? Você sabe que o meu pai é completamente perturbado... – Catherine disse agitada. – Eu tenho medo de que ele tenha feito algo com o Derick. – Piscou os olhos lentamente para não chorar. – Mas às vezes penso que estou viajando porque mal ou bem ele está respondendo nossas mensagens... – A garota estava tão nervosa que falava sem parar, até ser interrompida pelo sogro.
– Calma... Eu não acho que ele foi seqüestrado, muito menos pelo seu pai. – O homem respirou fundo. – Quer dizer, num primeiro momento até pensei que poderia ser isso, mas o seu pai não pediria algum tipo de resgate?
– Pediria eu e a minha mãe de resgate. – Respondeu sem titubear.
– Foi o que pensei... Pediria vocês duas, ou dinheiro. – O sogro a encarou com um olhar sereno. — Dê uma olhada nas folhas que te entreguei. Estava pensando que algo de errado poderia ter acontecido com o meu filho, mas felizmente, após ler esses extratos, vi que ele só está sendo... — Ralf deu uma pausa e prosseguiu desapontadamente. — Ele mesmo...
Aquelas folhas continham todas as movimentações da conta corrente e dos cartões de crédito de Derick. Eram gastos com bebidas, peças de skate, cigarro, roupas em lojas as quais eles dois sabiam que o garoto costumava comprar, restaurantes e entradas de festas nos dias em que ele estava sumido. E não estava longe, as compras mostravam que não havia saído sequer da cidade.
– O que isso quer dizer? – Cath não sabia exatamente que conclusão tirar daquilo. – Eu já suspeitei do Derick várias vezes injustamente, não quero cometer o mesmo erro. Mesmo que sejam gastos com coisas que ele gosta, talvez alguém tenha pegado os cartões dele e... – Novamente foi interrompida por Ralf.
– Os cartões precisam de identidade. – Ele completou. – Acho difícil que alguém consiga se passar por ele assim, talvez estejamos exagerando na preocupação.
– Tudo bem. – Catherine se conformou com aquela resposta.
– Eu preciso ir trabalhar agora, só trouxe essas contas aqui pra te acalmar, mas eu vou exigir que ele volte logo para casa, está passando dos limites. – Ralf foi breve em sua visita à nora, e então logo partiu para seu trabalho.
Ainda que visse aqueles papéis, não conseguia acreditar que Derick havia perdido a cabeça, pois essa seria a única explicação para ele ficar dias longe de casa sem nenhum motivo aparente.
Talvez achar que seu pai havia o seqüestrado realmente fosse um exagero, mas essa não era a única hipótese. O garoto também poderia estar mal com alguma coisa, ou ter tido uma recaída e estar envergonhado demais para voltar para casa.
As possibilidades eram muitas, mas Cath ainda não estava totalmente convencida de que ele estava afastado dela por vontade própria. Aquilo não podia ser verdade, ele havia dito que a amava.
Seu coração ainda estava apertado e ela, apesar de não ter estendido o assunto com o sogro, não agüentaria ficar esperando o dia que o namorado voltasse para saber o que realmente estava acontecendo.
Ela decidiu então enviar mais algumas mensagens para ele, tentando novamente descobrir mais alguma coisa.
“ — Você pode me explicar porque está fazendo isso? – Catherine Bellini.
– Isso o que? – Derick G. Becker.
– Você está bem mesmo? Por que não me conta o que está acontecendo? Eu estou com saudades e muito preocupada. – Catherine Bellini.
– Não se preocupe desnecessariamente, sério. Em alguns dias eu estarei em casa. — Derick G. Becker.
– Eu acho que mereço alguma explicação decente para o que você está fazendo comigo. – Catherine Bellini
– O que eu estou fazendo contigo, garota? – Derick G. Becker.
– Garota!? Quero saber o motivo pelo qual você não volta para casa, e também não diz onde está. Eu fiz alguma coisa de errado? E eu quero saber agora. — Catherine Bellini.
– Catherine, pare com isso, já está ficando ridículo. Eu já disse que está tudo bem, só preciso de alguns dias para pensar. Andava muito estressado com algumas coisas. – Derick G. Becker
– Que coisas? Fala pra mim, Derick. Por favor. Nós precisamos ter uma conversa séria e esclarecer tudo. Você precisa ser sincero comigo. – Catherine Bellini
Eu não to afim de conversar agora, e tenho que sair. Depois nos falamos. – Derick G. Becker.”
A tentativa de conversar com Derick havia sido devastadora. A garota sofreu ao ler cada mensagem que havia recebido, desabando em lágrimas que tinham um gosto cada vez mais amargo. Um gosto de abandono. Para ela, ele estava fugindo do compromisso que assumira com ela há alguns dias atrás, fugindo porque não mais sabia se desejava casar-se com ela.
Sentiu-se sozinha, como nunca havia se sentido desde que Derick entrara em sua vida. Ele havia preenchido todos os espaços vazios de seu coração, havia lhe trazido de volta a vontade de viver que os traumas de sua infância haviam roubado. Por isso doía tanto.
Apesar da dor, Cath não poderia deixar que isso influenciasse em sua carreira, havia muito trabalho para ser realizado no laboratório. Enxugou suas lágrimas e caminhou lentamente até o banheiro para tomar seu banho, a vida precisava seguir.
–
Ernesto Bellini ainda não havia voltado de sua saída durante a madrugada e os garotos ainda estavam sob os olhares de Martinez e Talles. Os dois capangas estavam sentados em cadeiras de ferro, próximos à pilastra, observando os garotos e haviam retirado a mordaça tanto de Derick quanto de Giulio.
Talles estava tão inquieto que se levantou para andar um pouco, tentando talvez aliviar a tensão daquele ambiente e observar pela pequena abertura da janela se seu chefe estava chegando.
– Você não é doente como o Ernesto, como veio parar aqui? – Derick perguntou a Martinez, que permaneceu sentado em uma das cadeiras de ferro.
– Não é da sua conta. – Martinez respondeu imediatamente. – Se eu te contasse as coisas que já fui capaz de fazer, você nunca mais conseguiria dormir.
– Eu não acredito. Você tirou essa mordaça que tava machucando a gente. – Disse o garoto. – E você não foi capaz de deixar que nós dois sofrêssemos ainda mais passando fome e sede. – O homem estremeceu, por ter sido pego de surpresa por aquelas indagações. – Está vendo? Se for por dinheiro, nos solte. Eu prometo que pagaria o dobro, o quádruplo, enfim... muito mais.
– O Derick é rico, pagaria muito mais do que o Ernesto pode oferecer pra vocês! Acredite! –Reforçou Giulio.
– Nem tudo é questão de dinheiro! – Rebateu inconformado. – Esse homem que vocês chamam de monstro nos fez reencontrar nosso irmão e o fez sair do mundo das drogas pagando dívidas que tinha com outros traficantes. Se não fosse por causa dele minha família inteira estaria morta!
– Não acha que está dando satisfação demais pra esses dois moleques? – Resmungou Telles. – Eu não confio neles. Ernesto só tem métodos que não são os mesmos que esses dois mimadinhos estão acostumados.
– Vocês não precisam confiar na gente. Ele pode ter tirado o irmão de vocês das drogas, mas acham que um homem que droga a própria filha pra abusar dela é confiável!? – O cano da arma de Martinez foi parar na cabeça de Derick e o da de Telles na cabeça de Giulio, em menos de dois segundos. Os dois garotos sem entender aquela reação repentina.
– Que baderna é essa aqui dentro!? – Disse Ernesto aos berros enquanto entrava, praticamente arrombando a porta daquele cativeiro. – Que merda é essa!? Cadê as mordaças? – Ao ver o psicopata entrando os garotos então perceberam o motivo pelo qual os capangas haviam apontado as armas pare eles, precisavam disfarçar.
– Nós conseguimos soltá-las! – Berrou Derick.
– E onde vocês dois estavam que não viram isso!? – O homem gritou com os comparsas, estava transtornado. – Vocês são dois imprestáveis ou o que!? – Martinez e Telles nada responderam, sentindo-se acuados enquanto Ernesto os humilhava.
– Eu me soltei só pra poder gritar na sua cara o quanto eu tenho nojo de você! Eu odeio você e um dia eu vou te matar! Você só está me mantendo preso porque não é homem o suficiente pra me enfrentar na mão! – Derick teve o ímpeto de gritar aquelas frases provocativas, antes que Ernesto Bellini descontasse nos dois capangas toda sua raiva, era uma questão de justiça, se não fosse por Martinez e Talles ele e Giulio já estariam mortos.
– O que você está dizendo? – O homem falou em tom baixo e pausadamente, o que era mais macabro ainda, se aproximando do corpo de Derick, que tremia de nervoso. – Saiba que está apanhando aqui por causa de uma vadia, que está cagando tanto pra você que não aceitou ficar presa no seu lugar. – Quando já estava próximo, Ernesto chutou com uma força extrema as costelas de Derick, o fazendo quase desmaiar de dor. – E eu vou acabar com ela e a mãe dela! Eu vou estuprar! Eu vou bater até que elas fiquem desfiguradas! Eu vou matá-las, cortar em pedacinhos e dar de comida aos porcos! E eu quero que esteja vivo para ver, e é só por isso que eu não te mato agora! – Berrou descontroladamente o louco. – Mas o seu amiguinho eu posso matar! – Ernesto então se virou para Giulio, e rapidamente as mãos daquele homem já estavam no pescoço de Giulio. Estava com as unhas cravadas na pele do garoto e apertava com toda força.
Os olhos de Ernesto estavam vermelhos como se fossem sangrar a qualquer momento enquanto realizava o estrangulamento na frente de todos.
– Para com isso, por favor, solte o Giulio!!! Eu te dou todo o dinheiro que tenho!!! Não é possível que seja tão monstro assim!!! Catherine é sua filha, como pode querer estuprá-la e matá-la? E o Giulio não tem nada a ver com essa história!!! – Derick implorava aos prantos por um pouco de piedade. – Pare com essa desgraça!!!
– ELA NÃO É MINHA FILHA! – Ernesto berrou ensandecido, largando o pescoço de Giulio. – ELA NÃO É MINHA FILHA! A vagabunda da mãe dela me enganou! Se casou comigo prenha do meu irmão, do meu próprio irmão! – Disse o homem absurdamente exaltado. – E todos eles vão me pagar por isso, e vão me pagar com sangue! – Ernesto saiu do casebre batendo os pés com força no chão. Bateu a porta tão forte a ponto de quase quebrá-la.
–
– Não chore Cath, ele nunca mereceu suas lágrimas. – Disse Giovanni amorosamente enquanto envolvia Catherine em seus braços. – Ainda bem que eu não te obedeci e vim te levar pra casa, olha o seu estado! – Os dois estavam na porta do laboratório abraçados, e o rapaz tentava consolar Cath.
– Me deixe ver os extratos da conta dele... – A garota retirou os papéis da bolsa, os entregou. – Não é possível que ele esteja sendo tão infantil assim. – Disse o amigo da garota, indignado.
– Eu só queria que ele voltasse. – Ela tentou se recompor. – Eu sei que estou sendo uma idiota por me preocupar! Estou morrendo de raiva, mas preciso vê-lo, eu preciso. Só vendo que ele está bem eu vou conseguir me acalmar!
– Cath, por que o Derick compraria um vestido? – Giovanni perguntou após ler um dos itens comprados que havia passado despercebido por Catherine e Ralf. – Você sabe que eu odeio esse cara, mas de repente ele ta tentando fazer uma surpresa para o casamento de vocês, não sei...
– Surpresa de casamento!? Sendo grosso do jeito que ele está sendo!? – Catherine se surpreendeu ao saber da compra do vestido e não agüentava mais a dúvida. – Que palhaçada é essa! Me empreste o seu celular, já que o meu número ele faz questão de não atender às ligações! – Cath estava irritadíssima, não sabia realmente o que pensar.
– Calma Cath. — Giovanni entregou o aparelho para a garota, que rapidamente tratou de ligar para o número do celular de Derick.
– Alô. — Não demorou muito para que alguém atendesse, mas não era o garoto, a voz era feminina e fina, irritante.
– Posso falar com o Derick? – Disse Cath desconfiada, tentando identificar quem estava do outro lado da linha.
– Ele está cochilando, quer deixar algum recado? – Respondeu a voz misteriosa. – Quem está falando?
– É uma das empregadas da mansão dos Becker. – Mentiu a garota. – Retornarei a ligação.
– Pede para eles ficarem tranqüilos, nós só estamos pegando uma praia. – Falou tranquilamente a voz que após um pouco de esforço mental foi reconhecida por Catherine. – Boa noite.
– Boa noite. ”
– Quem atendeu o telefone, Cath? – Perguntou Giovanni, curioso. – Reconheceu?
– Emma Wiggers. – Respondeu Catherine sem pestanejar.
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