Natural Disaster

22 Capítulo 22 - Decifrando um olhar


Notas iniciais
Capítulo que me deu certo trabalho pra pensar, devido as especulações sobre o "mistério" da Catherine e as minhas próprias dúvidas sobre o rumo que a fic iria tomar, mas depois as ideias foram surgindo de boa! Estava pensando inicialmente em fazer algo beeem pesado, que traria uma consequência muuuuuuito radical mesmo para a vida do Derick. Só que depois de pensar pra caramba achei iria ficar com muitos capítulos fortes então decidi mudar de rumo a fanfic e acho que dessa segunda forma ficou bem melhor mesmo! HSUDIHUIAHDUIAHUIA' Não quero deixar ninguém com mal estar ao ler, pô! KKKKKKKKK' Espero que gostem desse capítulo, mas se quiser criticar sinta-se a vontade também! Beijoooooooooos e COMENTEEEEEEEEEEEM! :P

Cath ficou por alguns minutos recostada no peito de Derick, sentindo o coração do garoto bater, recebendo conforto naquele abraço e nas doces palavras que ele dizia. Aos poucos foi se acalmando, seu queixo, suas pernas e seus braços foram parando de tremer e percebeu que com ele estava segura.
– Eu te levo para casa, você não tem condições de ir ao laboratório hoje. – Disse Derick ainda com Catherine em seus braços. — Eu vou cuidar de você...
– Não, não, está tudo bem, ok? – Ela disse tentando se recompor. – Obrigada por existir. – A garota o beijou nos lábios.
– Você precisa confiar em mim... Quem é esse homem? – O garoto perguntou notavelmente preocupado.

– Por favor... Não me pergunta nada agora. – Cath fechou os olhos e ele pôde perceber o quanto aquele assunto era doloroso para ela. – Vamos almoçar.
Mais uma vez, Derick teve que se conformar com o silêncio de Catherine e todo aquele mistério que ela tinha em torno de si. Respeitaria o tempo dela, a apoiaria mesmo sem saber o que estava acontecendo. O garoto a levou para almoçar em um restaurante ali perto da universidade, não era um self-service, mas também não era um restaurante luxuoso, servia uma comida italiana deliciosa e ele sabia o quanto Cath gostava de massas.

Apesar de fazer de tudo para agradá-la, no fundo ele estava magoado e não dava para esconder. Derick se perguntava o tempo todo o motivo pelo qual ela tinha essa trava, simplesmente não dizia nada, o deixava sempre confuso e totalmente perdido. Era algo que odiava, odiava não saber o que a fazia sofrer, porque morria de vontade de acabar com aquilo, independente do que fosse. Almoçaram praticamente em silêncio, apenas trocando olhares e aquele clima o incomodou, as coisas não estavam nada bem.
Durante a prática laboratorial do turno da tarde, o professor Andrew notou o quanto Cath estava nervosa, não conseguia se concentrar e Derick a ajudava em tudo, estava tão aérea que se precisasse pipetar* 1 mL de água, não saberia como fazê-lo.
– O que está acontecendo com você? – O professor perguntou aflito. – Você é uma das minhas melhores alunas, sempre com uma precisão incrível no laboratório, fazendo boas observações e hoje, eu nem consigo te reconhecer. – A garota permaneceu em silêncio, como se não tivesse escutado nada do que o professor havia dito.
– Ela não ta se sentindo muito bem, melhor deixá-la quieta. – Derick tentou amenizar o clima. – Vamos continuar a pesquisar. — O casal então se sentou à bancada para anotar e discutir os resultados que estavam obtendo naquele dia.

Mais ou menos umas 19:30, decidiram que era a hora de parar. Saíram do laboratório e retiraram seus equipamentos de proteção. Era uma sexta à noite e seus amigos o convidavam para sair, como sempre, e o celular do garoto tocava a todo instante. Festas, mulheres, drogas, farra, ele estava cansado de tudo aquilo, resolveu recusar.
– Ei, vamos sair? – O garoto disse enquanto guardava suas coisas na pasta. – É sexta à noite, a gente podia fazer alguma coisa, jantar, ir ao cinema, teatro, sei lá.
– Não to afim, eu vou pra casa. – Ela disse terminando de se organizar. – Vou pegar um ônibus.
– Pegar ônibus? Se for mesmo pra casa, eu te levo. É perigoso você, ficar andando sozinha pela rua, e não me custa nada. — Relaxa, não precisa mesmo me deixar em casa. – Catherine virou os olhos. – Assim você chega mais rápido em alguma dessas festinhas com as suas amiguinhas, eu não quero atrapalhar você! – A garota disse visivelmente irritada, colocando a bolsa em um dos ombros e andando rápido.
– Eu odeio essa sua mania insuportável. – Derick bagunçou os cabelos e esbravejou. – Que amiguinhas? Eu TE chamei para sair.
– Hoje, mas amanhã é sábado, você tem seu show e vai ficar esse bando de cadelas no cio* atrás de você... – Catherine ficou emburrada e cruzou os braços. – E eu vou embora mesmo, sozinha.
– Ok. – Derick disse de forma cínica e olhou disfarçadamente para o céu, que estava cheio de nuvens segurando o riso.
– Tchau. – Ela se irritou mais ainda com a ironia nos olhos do garoto, porém não sabia o motivo do deboche, apenas não gostou e virou as costas para ir embora.
Catherine foi andando até o ponto de ônibus, e Derick fez de tudo para que ela não percebesse que estava sendo seguida. Antes que pudesse chegar ao ponto, sentiu gotas caindo sobre sua pele e se assustou. As árvores daquele lugar faziam um barulho assustador enquanto o vento as balançava, e, para piorar, começou a trovejar. Daqui a alguns minutos, obviamente, cairia um temporal. Cath olhava para os lados e não via quase ninguém no campus, estava começando a se apavorar.
– Ai não! Chuva! – A garota resmungou morrendo de medo e no mesmo instante começou a chover.
Sem guarda-chuva, Catherine teve de ficar ali mesmo no ponto de ônibus, em meio à forte chuva, morrendo de frio. Repentinamente, a garota sente duas mãos a segurando por trás e beijos em sua nuca. Ela se arrepiou, e já ia gritar, mas reconheceu aquelas mãos e aqueles beijos.
– Você quer me matar do coração? – Cath disse nervosa. – Como você me agarra de surpresa num lugar deserto como esse em meio a um temporal? – Derick ria debochadamente do nervosismo da garota. – Você me abandonou aqui sozinha!
– Eu te abandonei? Você definitivamente não bate bem da cabeça! Você fez uma cena, não quis sair comigo e nem que eu te levasse em casa! E vem dizer que EU te abandonei? – O garoto disse rindo do jeito manhoso com que Cath estava se comportando.
– Mas eu tava prevendo, sabia que ia cair esse temporal, viu? Nem ia rolar de sair mesmo. – Catherine ergueu a sobrancelha direita, fazendo sua expressão característica de deboche, no entanto, ela estava cada vez mais se enrolando nas próprias palavras e isso era perceptível.
– Da próxima vez em que você quiser carinho, não precisa bancar a revoltadinha e ficar com ciúme nonsense. Ok? – A garota apenas sorriu de canto.
– Ciúme nonsense? Quer dizer que seu celular tocou cinqüenta vezes e não era mulher nenhuma te chamando pra sair?
– Cath, deixa pra discutir isso depois! Olha o seu ônibus aí! – O casal entrou no ônibus correndo, pagou as passagens e sentaram nos bancos do fundo. Além dos dois, naquele ônibus só havia o cobrador e o motorista. Com certeza o caminho até a casa de Cath seria longo em um engarrafamento por conta da chuva e das ruas alagadas.
– Hein? Não vai responder? – Ela disse sarcástica, querendo provocar Derick.
– Era sim, Catherine. – Dessa vez foi ele que virou os olhos. – Mas você sabe também que eu só quero você, ele disse olhando nos olhos dela.
– Desculpa. – Catherine sussurrou no ouvido do garoto, logo em seguida virou o rosto dele para si e o beijou. – Têm coisas que você precisa saber sobre mim.
– Sobre você e aquele homem... – Ele disse acariciando a face da garota. – Cath, quando eu digo que te amo, isso não é da boca pra fora. Eu to com você pra tudo, então por que tenta me impedir de cuidar de você, que pra mim é a coisa mais valiosa do mundo?
– Como pode dizer coisas tão lindas? – Catherine estava comovida.
– Sentindo coisas lindas, sentimentos que só você conseguiu despertar em mim. – Derick a beijou romanticamente e ficaram abraçados.
– É meu pai, Derick. – Ela disse deixando com que uma lágrima escorresse no seu rosto, e recostou sua cabeça no peito do garoto como tanto gostava e logo desviou seu olhar para baixo, não queria olhar no olhos do garoto quando descobrisse tudo.
– Você consegue continuar contando ou prefere deixar pra depois? – Ele respondeu paciente e carinhoso.
– Prefiro agora... – Catherine respirou fundo, muito abalada. — Você sabe o que ele bebia e usava outras drogas, que enlouqueceu, agredia a minha mãe e a mim e que perdemos tudo, mas tem mais uma coisa horrível. Eu era muito nova, e ele chegava totalmente fora de si, às vezes eu acordava com ele passando a mão pelo meu corpo e me olhando de um jeito doentio. — Outra lágrima rolou dos olhos garota. – Ou ele subia em cima de mim enquanto eu estava dormindo e tentava ter relações comigo... Mas eu sempre conseguia fugir, porque ele estava muito bêbado, e então eu me trancava no banheiro e passava a noite chorando.

– Não... – Derick colocou uma das mãos no rosto. – Não me diz que... – O garoto não agüentou imaginar uma situação como aquela, e começou a chorar. – Isso não vai ficar assim! Eu acabo com a raça dele! – Ele a abraçou forte como se quisesse apagar tudo aquilo da memória dela. – Não pode ser...não..
– Calma, meu amor... – Cath olhou nos olhos de Derick para acalmá-lo e deu um beijo nos lábios dele. – Eu tinha tanto nojo, tanto pavor, que não conseguia dormir, sempre achando que ele tentaria alguma coisa. Um dia, ele chegou sob efeito de alguma substância muito pior do que o álcool, estava muito mais forte e descontrolado. – O garoto ficou em silêncio para escutá-la, mas continuava com os olhos cheios de lágrimas. – E eu não consegui escapar... Ele rasgou toda minha roupa e me bateu muito para que eu não fugisse, me xingou e disse que ia se vingar da minha mãe. Eu queria morrer naquele momento, foi o pior dia da minha vida. Por sorte a minha mãe chegou em casa na hora e conseguiu me tirar dali. – A garota não parecia angustiada, nem com menos, estava completamente emocionada com o carinho do namorado. – É a primeira vez que eu consigo falar disso sem desmoronar, eu me sinto tão amada com você, e eu te amo tanto... – Derick a beijou intensamente.
– Acabou, ninguém mais vai te fazer mal, eu não vou deixar. – Prometeu o garoto enquanto os dois soltavam do ônibus, finalmente na porta do prédio de Catherine.
Os dois estavam encharcados e a chuva não cessava. Cath achou melhor que o garoto subisse, não era seguro que ele voltasse naquela hora numa chuva daquelas. Logo na portaria já perceberam que não havia eletricidade. Subiram de escada até o apartamento 304, e a garota procurava velas por toda casa. Encontrou algumas no armário na cozinha, acendeu-as e colocou em pratos para que a cera, ao derreter, não queimasse nada.
Catherine tomou um banho rápido e saiu do banheiro com uma toalha na cabeça e seu roupão:
– Toma um banho também, Derick.
– Mas eu não tenho roupa, e acho que não vou ficar bem com as suas! – Ele disse rindo.
– Fica de toalha até as suas roupas secarem. Eu vou colocá-las atrás da geladeira e num instante elas secam. – O garoto assentiu e foi para o banheiro.
Tomou um banho rápido também e entregou suas roupas a Cath, pôde notar que ela havia colocado as velas no quarto dela e havia um lanche para os dois em uma mesinha de centro. Além disso, a garota estava com um perfume maravilhoso e vestida com um baby doll rosa, que marcava demais o corpo dela para que ele não reparasse.

– Tá tudo bem, Derick? – A garota perguntou ao perceber que ele estava inquieto.
– Sim, sim – Derick tentou disfarçar. – E a sua mãe? Que horas ela chega?
– Hoje não chega, já ligou avisando que irá dormir no trabalho, porque não consegue pegar o ônibus. – Cath disse enquanto dava uma mordida em seu sanduíche, colocando os cabelos para trás da orelha. – Vem comer. – Ela estava sentada, encostada na cama.
– Tô morrendo de fome mesmo! – O garoto tentou relaxar, porém sabia que não poderia ficar tão perto dela, por isso decidiu então sentar do outro lado da pequena mesa e se concentrar na conversa, o que foi uma tarefa realmente difícil.

Notas finais
* Pipetar: Pegar determinado volume de líquido com o auxílio de uma pipeta (instrumento de vidro em formato de tubo, com graduações e uma bombinha na ponta para puxar o líquido), procedimento extremamente simples e utilizado de forma rotineira em laboratórios de química. ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~ ~~~~ GENTEEEEEEEEEEEEEEEE, não saiam daqui sem comentar hein, RUUUUUUUUM >.