Natural Disaster
35 Capítulo 35 - O acerto de contas
Notas iniciais
– E quem é essa tal Emma Wiggers? – Perguntou Giovanni.
Catherine foi andando lentamente, se sentou em um dos bancos localizados naquele corredor e encolheu-se de forma que a testa encostasse em suas coxas. Ficou ali parada, ignorando a pergunta de seu amigo, e tentando organizar seus pensamentos e recuperar a calma. Giovanni a observou de longe, respeitando o tempo da garota, não tocando mais no assunto.
Alguns minutos se passaram e ela não erguia seu corpo, permanecendo com o rosto escondido, sem dizer uma palavra. O garoto observava pelo vidro da porta a movimentação ainda intensa dentro daquele laboratório apesar da hora, percebendo que ali todos realmente gostavam do que faziam.
– Vocês realmente amam esse projeto... – Comentou dirigindo-se a Catherine, para talvez fazê-la reagir. – Já acabou o expediente e só agora eles recolheram as coisas para ir embora. – Ela nada respondeu. – Não acha que é melhor irmos logo? Já está ficando tarde.
Catherine finalmente ergueu seu corpo, como se estivesse disposta a respondê-lo, mas antes que pudesse fazer isso, seu telefone tocou e ela foi olhar para atendê-lo. Era o número de Stephanie, uma de suas amigas, mas ela não atendeu, deixando o celular tocar por realmente não estar com vontade de falar nada com ninguém.
Nesse meio tempo o laboratório foi sendo esvaziado e algumas pessoas acenavam para Cath, despedindo-se dela. Iris Maddox então saiu do laboratório e já ia direto para casa, quando ao se virar para despedir-se percebeu que sua colega estava com uma expressão triste e presumiu que ela não estava bem.
– Cath? – Ela disse com doçura, sentando-se ao lado de Catherine. – Você está me deixando preocupada... – A garota teve o silêncio como resposta. – É o Derick, não é? – Insistiu.
– Esse garoto quer me enlouquecer... – Cath respondeu dolorosamente, olhando nos olhos de Iris, em um tom quase inaudível. – Não consigo entender porque ele está fazendo isso comigo... Será que eu me enganei tanto assim? Nunca achei que ele fosse capaz de me machucar desse jeito... – Dito isso, ela se encolheu novamente. – Ele está por aí com uma garota qualquer se divertindo e eu aqui morrendo de raiva, ressentimento, ciúmes...
– Eu te avisei que ele não se prenderia a ninguém... Se ele já está por ai com outra e agindo como se não te devesse satisfações acho que já passou da hora de você encarar a verdade Cath. – Falou Giovanni sentando-se também no banco e acariciando os cabelos loiros da garota. – Eu sou homem e sei que um cara pegador, que sempre teve todas de mão beijada não pode mudar assim tão rápido como você achou que o Derick estava mudando. Só tem 6 meses que vocês se conhecem, e ele te pediu em casamento...Você foi muito ingênua de achar que ele estava falando sério... – Ele disse inconformado. – Você merece um cara mais maduro, responsável, que não te use como um brinquedinho novo assim como o Derick fez... Se eu estivesse com você...
– Para de falar besteira... – Iris interrompeu Giovanni. – Você não está ajudando ao dizer essas coisas, só está deixando ela pior e fazendo acusações sem sentido. Pega mal demais você ficar denegrindo a imagem do Derick para conquistá-la. Não é o momento de passar cantada... Não percebe? – Ela parecia incomodada com a forma como Giovanni era incisivo. – E eu acredito sim que as pessoas podem mudar, que elas podem aprender com a vida. Melhor esperarmos o Derick voltar e ai então julgarmos ou não suas atitudes. – O garoto lançou a Iris seu olhar raivoso, pois ela além de estar atrapalhando seus planos de ficar a sós com Catherine, ainda o criticou veementemente em defesa de Derick.
– É sempre assim. O bonitão do Derick tem seus fãs espalhados por aí que o blindam de qualquer crítica. Ele fez o que fez e eu nem posso dar a minha opinião... Mas deixa estar, vamos ver quem tem razão no final. – A resposta de Giovanni deixou o clima ainda mais tenso ali, e Cath permanecia apenas ouvindo, escondendo seu rosto, não desejando se manifestar. – E eu não estou me aproveitando dessa situação, nunca ficaria feliz com a Catherine estando mal.
– Tá bom, você não ta nem um pouquinho feliz né? Tá bom. – Iris respondeu ironicamente, soltando uma leve gargalhada ao terminar de dizer a frase.
– Cath, eu vou te levar pra casa, ta? Já está tarde. – Ele ignorou, pegando a mochila de Cath e oferecendo-lhe a mão para que ela se levantasse e fossem embora.
– Obrigada por se preocupar Iris. – Cath disse se levantando sozinha, não tendo segurado a mão de Giovanni. – Eu vou melhorar. – Estava com os olhos um pouco avermelhados e úmidos, como se tivesse parado de chorar há pouco tempo.
– Melhoras. – Iris abraçou a amiga. – E cuidado para não deixar o ciúme te dominar e nem os outros fazerem a sua cabeça. Se você o ama, tente não tomar decisões precipitadas... – Catherine assentiu e o garoto a olhou com uma expressão ainda mais rude.
Giovanni a conduziu pelo corredor para irem em direção ao estacionamento, onde seu carro estava estacionado. No entanto, logo que dobraram a esquina daquele corredor encontraram-se frente a frente com Stephanie e Ellen, acompanhadas pelo grupo de amigos que Derick costumava andar antigamente, com exceção de Emma obviamente.
– O que estão fazendo aqui? – Perguntou Catherine, pois já era período de férias e ela sabia que eles não eram alunos engajados com nenhum projeto.
– Eu te liguei, mas você não atendeu. – Respondeu Steph. – Por que não sai com a gente? Bergenthal é o nosso ponto de encontro para sairmos e lembrei de que você estava aqui, então pensei em te convidar. – Ela disse com um sorriso falso, notavelmente irônico no rosto. — Já que o Derick vazou você também deveria ir se divertir.
– Eu dispenso. Obrigada. – Cath foi direta, não dando trela para as risadinhas provocativas que o grupo soltava.
– Steph, eu disse que não era uma boa vir falar disso com a Cath, vamos embora. – Gemeu Ellen puxando a amiga para perto, era perceptível que ela era a única do grupo desconfortável com a situação.
– Ah danada, agora entendi tudo! – Mariah afirmou com sarcasmo e direcionou o olhar para Giovanni. – Ela já tem planos pra hoje à noite! E eu que pensei que você era santinha... – A cada frase inconveniente todos riam ainda mais, como se o relacionamento de Catherine e Derick fosse uma grande piada. – Ué, mas você ainda está de aliança? – Perguntou lançando olhares invejosos para o anel de esmeraldas no dedo anelar de Cath.
– Parem de bobeira, é um relacionamento aberto gente! – Gritou Rui maldosamente.
– Vamos embora Cath, deixa esses babacas pra lá. – Resmungou Giovanni defendendo-a e em seguida vinham mais e mais indiretas e comentários provocativos.
Catherine estava com o rosto cada vez mais vermelho e a tristeza começou a ser substituída pela raiva. Uma raiva desmedida de todos ali, estava cansada de falar nesse assunto e decidiu que não agüentaria aquelas provocações calada. Sabia que seria muito mais digno para ela ignorar todas aquelas afrontas e sair com classe, sem discutir, mas sabia que eles ririam de sua cara do mesmo jeito.
A mágoa era maior ainda ao pensar que enquanto tinha que suportar aquilo tudo, Derick estava em outro canto da cidade divertindo-se com outra. Para que bancar a superior naquele momento? Não adiantava fingir, pois todos já sabiam o quanto ela estava sofrendo com aquilo tudo. Começou a se descontrolar, não se importava mais com o que pensariam a seu respeito, só queria externar o que sentia.
– SAIAM DAQUI AGORA! ME DEIXEM EM PAZ! – A até então discreta Catherine soltou um grito histérico, surpreendendo todos sem exceção, que a olharam com os olhos arregalados. – Vocês são do pior tipo de pessoa que existe! Vocês riem do sofrimento dos outros, vocês só estão satisfeitos quando vêem alguém mal! – Ela parou um segundo para respirar fundo, recuperando o fôlego. – E você Stephanie, já chega desse teatrinho, de se fazer de minha amiga, chega! – Cath disse encarando-a e encostando o dedo indicador no ombro da garota. – Eu tentei tirar o Derick dessa porcaria de vida que vocês levam, dessa vida anencéfala de só viver fazendo coisas fúteis, fazendo fofoquinha sobre quem é mais ou menos popular, enchendo a cara e brigando por aí. Mas todo mundo tem o direito de ser idiota, né? – A reação de todos foi de espanto, não conseguiam acreditar que ela era capaz de ficar tão alterada, estavam tão chocados que não saía uma palavra sequer da boca de ninguém. – E você Ellen? – Ela olhou para a garota, que tremia estando totalmente constrangida. – Não dá nem pra ter raiva de você. É uma tonta, totalmente manipulada, agora vê se acorda pra realidade e passa a pensar por si mesma! – Já mais calma após ter desabafado, Cath finalizou ironizando-os. – Se o Derick fez a escolha de ser como vocês, pior pra ele, tudo tem conseqüências. Por mim, que vocês todos vão pro inferno, não quero nem saber. – Assim como ela os ironizou no final, a vida estava sendo irônica inevitavelmente. Pobre Catherine, mal sabia ela que Derick já havia ido para o inferno, só que por ela.
–
Cinco dias depois
O fim de tarde estava tão cinza e sombrio que até a pele de Emma Wiggers, uma morena de pele dourada, parecia pálida e fosca. O vento frio gelava os ossos da garota, a fazendo tremer e tornando o clima daquele encontro ainda mais tenebroso. Estava sentada no banco do carona do velho Chevette preto de Ernesto Bellini. Os dois estavam à espreita, esperando Helena sair do salão de beleza ao fim de seu expediente e Emma se encontrava demasiadamente inquieta.
– Estou cansada disso. – Resmungou. – Todos os dias fazemos isso e nada! O que você quer procurar afinal!? Ela vai todos os dias de casa para o trabalho e do trabalho para casa.
– Cala a boca. Está me desconcentrando. – Disse Ernesto de forma ríspida.
– Derick já está há cinco dias longe de casa e eu não posso vê-lo nem que seja por alguns minutos!? – Reclamou inconformada. – Eu cumpri a minha parte no acordo, mas até agora tudo que você tem feito foi me enrolar!
– Perdeu a noção, garota!? – O homem encostou o cano de seu revolver em uma das coxas dela, ameaçando-a e fazendo com que ela abaixasse o tom de voz. – Eu te pago bem o suficiente para ficar calada. Não gosta de saber que Catherine está definhando enquanto pensa que foi abandonada?
– Por favor, não é só dinheiro, eu realmente gosto dele. – Ela disse já em um tom baixo, implorando humildemente. – E eu de verdade não me importo com a Catherine. Eu só quero vê-lo, rapidinho... Por favor...
Ernesto nem parou para pensar na proposta, e ao ver Helena saindo do salão logo arrancou com o carro. Emma ficou em silêncio, com uma expressão de revolta no rosto, mas nada podia fazer, reclamar mais seria pior. A mulher pegou o ônibus sem perceber que estava sendo seguida e como todos os dias, saltou em frente a seu prédio e entrou.
– Merda! – Ernesto disse socando o volante. – Se não tivesse tanta gente na rua eu encostava essa puta na parede e ela ia ter que falar! — A garota ao lado soltou uma risada debochada involuntariamente. – Saia do meu carro, ou eu te arranco daqui na base da porrada. Melhor voltar a se comportar e parar com esse papo de saudades, porque se eu quiser você nunca mais vai ver aquele playboyzinho. – A garota encheu-se de medo e saltou do carro rapidamente, sem questionar.
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– Obrigado. Eu serei eternamente grato. Eu estava enlouquecendo aqui. – Disse Derick enquanto Martinez o desamarrava da pilastra. – Vocês não são pessoas ruins, vocês não precisam fazer mais isso. – Talles e Martinez assentiram, mostrando calma após terem soltado os dois garotos.
– Obrigado. Podem contar comigo também. – Falou Giulio emocionado enquanto se levantava do chão.
– Vamos logo, antes que o Ernesto chegue. Os caras do lado de fora já estão lentos por conta daquele remédio que você nos mandou botar na comida deles. – Afirmou Martinez após olhar por uma brecha de uma das janelas e notar que os outros capangas estavam sonolentos. – Assim que eles dormirem, nós vamos tirar vocês daqui e sumir pra sempre dessa cidade.
– Combinado. – Confirmou Derick.
O clima estava tenso enquanto esperavam, todos ali estavam com medo de que algo pudesse dar errado e por isso combinavam o plano. Fazia tempo que os garotos não ficavam em pé, mas eles ainda andavam e falavam com dificuldade já que por conta das fortes agressões que vinham sofrendo de Ernesto Bellini, estavam sentindo diversas dores por todo corpo.
– Deveríamos ter saído durante a madrugada, seria mais seguro. – Disse Talles amedrontado.
– Claro que não. – Contestou Martinez. – E iríamos levá-los para casa a pé? Estamos no fim do mundo, aqui não passa ônibus de madrugada, como levaríamos eles para casa!?
Após 5 minutos, um dos capangas que vigiavam o lado de fora do casebre desmaiou sentado na cadeira, e em menos de 30 segundos o outro já estava em sono profundo também. Derick, Giulio, Martinez e Talles se preparavam para sair, quando de repente Martinez pôde observar a luz do farol de um carro subindo pela ribanceira, indo em direção ao casebre.
– Puta que pariu! – Disse Martinez resmungando. – O Ernesto chegou cedo demais, temos que mudar nossos planos... Escutem... — O pânico tomou conta de todos, mas precisavam ser frios para sair daquela situação. — Assim que ele entrar, eu e Talles o desarmamos, vocês recolhem as armas dos caras lá de fora e os amarram nessa pilastra.
– E o que vocês vão fazer em relação ao louco que está lá fora? – Perguntou Giulio.
– Faremos o que o Derick decidir na hora. – Disse Talles tenso, enquanto observava que Derick por incrível que parecesse era o menos amedrontado ali, estando focado no novo plano, calculando passo a passo cada ação.
Após alguns minutos, ouviram a porta abrindo e Ernesto Bellini entrando transtornado, aos berros por conta dos jagunços que dormiam do lado de fora do casebre ao invés de vigiar. Rapidamente Martinez e Talles o pegaram de surpresa, desarmando-o e jogando sua arma em direção a Derick.
– QUE MERDA É ESSA!? VOCÊS ENLOUQUECERAM!? – Gritou Ernesto descontroladamente ao ser agarrado e sentir Talles e Martinez o amarrando. — ME SOLTEM! EU VOU ACABAR COM VOCÊS! – Os dois o arrastaram pelo chão sem dizer uma palavra sequer, prendendo-o em uma das pilastras e o revistando, tirando tudo que ele carregava consigo nos bolsos ou pendurado no corpo.
Giulio já havia corrido e pegado as armas dos outros capangas, amarrando-os também com cordas. Talles o ajudou a carregá-los pelo casebre e prendê-los a outras pilastras também.
– E agora Derick? – Perguntou Martinez, apertando o gatilho de sua arma e apontando-a para a cabeça de Ernesto Bellini. – Posso acabar com isso de uma vez por todas? – O psicopata parecia um cordeiro desmamado, tremia de pavor, implorando para que seu ex- capanga não atirasse, tentando persuadi-lo. Pela primeira vez na vida aquele homem estava provando do próprio veneno, sentindo o pânico que ele gostava de fazer as pessoas sentirem.
O olhar do antes tão amável Derick Becker estava diferente, ameaçador, o garoto parecia estar possuído por algum espírito maligno e jogaria o jogo daquele psicopata. Sentia gosto de sangue em sua boca, e as feridas que aquele psicopata o fizera, ainda estavam abertas. Os hematomas doíam, o lembrando a todo instante de que era muito justo de vingar. Colocaria um fim naquilo tudo e no sofrimento que atormentava os pensamentos de sua noiva desde a infância.
– É tão bom te ver nesse estado... É ótimo te ver com medo de morrer, implorando. – Derick disse calmamente enquanto andava devagar, se aproximando da pilastra. – Mas será melhor ainda te ver sofrendo, gritando de dor... EU VOU ACABAR COM VOCÊ! – Berrou o garoto, arrancando forças de seu próprio ódio e voando para cima de Ernesto Bellini, cobrindo-o de socos e chutes. – Eu não preciso que esteja amarrado, não preciso da ajuda de ninguém! Eu sou homem o suficiente pra te encarar! – Derick o desamarrou, mas antes que o homem pudesse tentar fugir, o garoto bateu com sua cabeça de seu algoz na pilastra repetidas vezes.
Ernesto não conseguia revidar a altura, pois Derick estava tão descontrolado que sua força parecia ter se multiplicado em cem vezes. Chutava-lhe o rosto e as costelas, socando-o repetidas vezes sem se cansar. Dessa vez era o psicopata que cuspia sangue, e que estava com cortes no rosto.
Derick não se cansava, e Giulio estava chocado com a cena, nunca pensou que seu amigo pudesse agredir alguém com tanta vontade, já os outros dois estavam empolgados, pois aquela vingança era mais do que merecida.
Cada vez que Ernesto gemia de dor, o garoto o despejava um golpe ainda mais forte, batendo com o rosto do homem contra o chão de concreto, quebrando-lhe os dentes. Parecia um animal selvagem, destroçando sua presa em mil pedaços. Estava irreconhecível. Mais irreconhecível ainda estava o psicopata, rendido, sem forças, destruído.
– Você abusou dela! Você a espancou! Você a manteve presa em um porão! Você a traumatizou! VOCÊ NUNCA MAIS VAI ENCOSTAR EM NINGUÉM! – Derick gritou todas essas frases enquanto amarrava a grossa corda no pescoço de Ernesto, puxando-a com força, estrangulando-o. – Isso é pela Catherine, por todo mal que você fez a ela, à mãe dela, a mim, ao Giulio, a várias pessoas! ACABOU PRA VOCÊ! – Berrou com sangue nos olhos, possuído pela sede de vingança. – Eu vou te matar, porque você me matou primeiro!
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