Nation: A garota da capa vermelha

31 Renesmee- Vestido de Noiva


Observei Esme, que murmurava andando de um lado para o outro em meu quarto, com as mãos inquietas, expressando sua preocupação. Alice e eu trocamos olhares, cúmplices na tentativa de manter a calma. As outras mulheres que nos acompanhavam pareciam perdidas, sem saber como lidar com a situação.

— Fazer um vestido de noiva em um dia é impossível! — Esme exclamou, parando abruptamente e virando-se para mim. — Carlisle terá que adiar a cerimônia.

Antes que eu pudesse responder, uma das costureiras se levantou, uma expressão de determinação em seu rosto.

— Se Vossa Majestade permitir, podemos modificar um de nossos modelos já existentes — sugeriu ela, tentando trazer uma solução.

Mas Esme não estava satisfeita. Seus olhos faiscaram de irritação enquanto balançava a cabeça.

— A princesa agora é a Rainha de Quilay e merece um vestido digno dessa posição, não uma modificação apressada — respondeu ela, com firmeza.

Lembrei-me, então, de como as coisas eram em Quilay, onde a tecnologia e a tradição se entrelaçavam de maneiras surpreendentes. Talvez houvesse uma solução mais simples. Precisávamos acalmar a situação, e talvez eu pudesse ajudar.

— Por favor, retirem-se, preciso conversar a sós com Esme e Alice — pedi às costureiras, que saíram hesitantes, fechando a porta atrás de si.

Alice se aproximou de Esme, tentando consolar sua mãe, enquanto eu me dirigia ao meu bracelete. Toquei um dos botões, ativando a assistente artificial que Jacob havia me mostrado em Quilay.

— Talvez haja uma solução — murmurei, mais para mim mesma do que para elas.

De repente, a voz suave e mecânica de Wikka preencheu o ambiente.

— Bom dia, princesa. São 9 horas da manhã, o clima em Hummam está em 26 graus. Em que posso ajudá-la?

Alice arregalou os olhos, visivelmente surpresa.

— Seu bracelete fala? — perguntou, a incredulidade estampada em sua expressão.

Esme, por outro lado, sorriu, a tensão se dissipando um pouco de seu rosto.

— Já vi Jacob usar algo parecido. Sempre achei a tecnologia de Quilay surpreendente — comentou, com um leve tom de admiração.

— Wikka, existe alguma forma de escolher uma das minhas vestes reais? — perguntei, sentindo a esperança renascer.

— Sim, Majestade. Seu dispositivo pessoal se encontra em suas bagagens reais. Uma caixa prateada. — respondeu Wikka, com a mesma eficiência de sempre.

Olhei para minhas bagagens, localizando rapidamente a caixa prateada. Ao abri-la, percebi um pequeno botão no centro. Toquei-o, e a caixa respondeu imediatamente.

— O que Vossa Alteza deseja vestir? — perguntou Wikka, enquanto uma projeção holográfica surgia na minha frente, mostrando opções de vestes reais.

Sorri, aliviada e encantada com a praticidade.

— Desejo um vestido branco — disse, observando as opções que surgiam diante de mim.

A imagem de um vestido branco apareceu, deslumbrante e delicado, com detalhes intricados que refletiam a majestade de Quilay. Alice e Esme ficaram espantadas, os olhos fixos na projeção.

— Este está perfeito — declarei, sentindo um peso enorme ser retirado dos meus ombros.

Esme se aproximou, tocando a imagem projetada com uma expressão de fascínio.

— É realmente surpreendente... — murmurou, antes de se voltar para mim com um sorriso de alívio. — Você será uma rainha deslumbrante, Nessie.

Alice também sorriu, a tensão anterior desaparecendo.

— Acho que estamos prontas, então. Vamos começar os preparativos.

Eu assenti, finalmente sentindo que as coisas estavam sob controle, pelo menos por enquanto. Sabia que ainda havia muitos desafios à frente, mas naquele momento, enquanto observava o vestido que em breve usaria, senti-me mais forte e mais preparada para enfrentar tudo o que viria.

Após escolhermos o vestido, percebi que Esme estava finalmente mais tranquila. Havia um brilho de satisfação em seus olhos, e eu sabia que isso tinha muito a ver com o fato de que, ao menos naquela parte, as coisas estavam sob controle. O restante do dia passei ao lado de Alice, que me fazia rir tanto que parecia quase querer me matar de tanto gargalhar. Ela se divertia conversando com Wikka, fascinada pela assistente artificial. Observando minha irmã, um carinho profundo me invadiu. Sentiria falta dessas longas conversas sobre nossos livros favoritos, das discussões intermináveis sobre enredos e personagens. Quilay me esperava, mas meu coração ainda estava preso a Hummam.

No final da tarde, sentindo a necessidade de estar um pouco sozinha, caminhei pelo salão real. A decoração para o grande evento de amanhã estava quase pronta, e cada detalhe exalava a grandiosidade que era esperada para a ocasião. O teto alto estava decorado com tecidos brancos e dourados, formando suaves cortinas que caíam graciosamente até quase tocar o chão de mármore. Lustres enormes, cravejados de cristais, lançavam uma luz cálida e dourada, iluminando o salão com um brilho que fazia tudo parecer ainda mais esplendoroso. Mesas de madeira escura estavam dispostas ao redor do salão, cobertas com toalhas brancas bordadas em ouro. Arranjos de flores exóticas em tons de vermelho e laranja enfeitavam as mesas, enquanto castiçais de prata polida seguravam velas altas que seriam acesas no grande momento. Havia um ar de realeza e opulência em cada canto, e por um instante, fiquei admirando o trabalho impecável dos decoradores.

Enquanto meus olhos percorriam o salão, senti uma lágrima solitária rolar pelo meu rosto. Eu amava Hummam, o lugar onde nasci, cresci e vivi os momentos mais importantes da minha vida. Mesmo com todas as obrigações e pressões, era aqui que eu me sentia em casa. Deixar tudo isso para trás, mesmo em nome de um casamento tão importante, era doloroso.

A voz grave e familiar do Rei Carlisle me tirou dos pensamentos.

— Minha querida filha — ele disse, orgulhoso, estendendo as mãos em minha direção.

Eu sorri, colocando minhas mãos sobre as dele. Sabia que toda aquela felicidade que ele demonstrava não era pela minha própria felicidade, mas sim pela vantagem que Jacob havia, sem dúvida, oferecido a Hummam.

— Meu Rei — respondi, reverenciando-o, como sempre fiz.

Carlisle assentiu com satisfação.

— Tudo foi perfeito. O rei de Quilay realmente a deseja ao seu lado. Ele aceitou as condições impostas sem sequer reclamar.

Havia um tom de orgulho em sua voz que me fazia querer acreditar que ele estava, de alguma forma, feliz por mim. Mas sabia que a política era o que movia essas decisões.

— Meu marido é realmente generoso — murmurei, tentando esconder qualquer traço de ironia.

Carlisle se aproximou mais, colocando uma mão firme em meu ombro.

— Desejo deixar as desavenças de lado, Renesmee. Você sempre será minha menininha — ele disse, antes de me puxar para um abraço.

Retribuí, sentindo o calor de suas palavras, mas também a frieza das decisões que ele havia tomado. Aquele era o meu pai, e embora ele sempre colocasse o reino antes de tudo, parte de mim desejava que, por uma vez, ele pudesse ver as coisas de maneira diferente.

— Eu preciso ir ver Jacob — disse suavemente, afastando-me dele.

Carlisle assentiu, com um sorriso que parecia mais um gesto de aprovação do que de afeto.

— Vá. E seja feliz, minha filha.

Nos despedimos com uma leve inclinação de cabeça, e eu suspirei profundamente ao sair do salão, dirigindo-me ao jardim. O ar fresco da noite começava a preencher os corredores, e meus sapatos faziam um leve eco contra o chão de mármore enquanto eu caminhava. Esperava que Emmett conseguisse fazer o que eu havia pedido. Bella precisava estar aqui, e eu precisava vê-la antes de falar com o rei.

A incerteza pesava sobre meus ombros, mas tentei manter a calma. Talvez eu fizesse uma revelação a Jacob e meu futuro estava mais incerto do que nunca.