Nation: A garota da capa vermelha
23 Renesmee- Queda de braços
Eu me senti sufocada pela atmosfera luxuosa do quarto. Tudo ali gritava riqueza, poder, controle. Caminhei de um lado para o outro, tentando ignorar o tumulto em minha mente. Não era justo, pensei. Minha vida já havia sido virada de cabeça para baixo nas últimas semanas com a descoberta sobre minha verdadeira origem. Agora, tudo estava ainda mais confuso e fora do meu controle. Eu não podia permitir que as coisas continuassem assim, mas o Rei também não parecia disposto a ceder. Não havia saída fácil.
De repente, o som familiar da voz eletrônica ecoou novamente pelo quarto.
— Autorização reconhecida, porta destravada.
Eu me preparei para confrontar Jacob novamente, determinada a não me deixar intimidar, mas, para minha surpresa, quem entrou no quarto não foi o Rei. Era Seth, o Príncipe de Quilay, meu amigo de longa data. A tensão em meu corpo diminuiu ligeiramente ao vê-lo, mas a preocupação rapidamente substituiu o alívio.
— Seth! — chamei, quase correndo em sua direção. — Você precisa me tirar daqui, por favor!
Seth me olhou com tristeza, seu rosto refletindo a batalha interna que estava enfrentando.
— Nessie, você sabe que eu não posso passar por cima das ordens do meu irmão — respondeu, a voz suave, mas carregada de pesar.
— Mas eu não posso ficar aqui! — insisti, a urgência em minha voz evidente. — Todos devem estar preocupados comigo, e Bella... Bella está desprotegida. Eu preciso voltar, Seth. Não posso ficar presa aqui.
Ele suspirou, desviando o olhar, como se não suportasse ver a angústia em meus olhos.
— Nessie, ninguém sai de Quilay uma vez que entra — explicou, hesitando antes de continuar. — Eu conversei com meu irmão, tentei convencê-lo, mas... o imprinting o deixou irredutível.
Aquelas palavras me atingiram como um golpe no estômago. Era real, então. O que eu temia havia acontecido. Eu engoli em seco, tentando manter a compostura.
— Então realmente isso aconteceu — murmurei, mais para mim mesma do que para Seth.
— Você... sentiu também? — ele perguntou, a voz cheia de preocupação.
— Sim, mas isso não dá a ele o direito de me fazer prisioneira — respondi, tentando não deixar minha frustração transparecer demais.
Seth parecia ainda mais desconfortável, a culpa nítida em seus olhos.
— Eu... eu gostaria de poder ajudar mais, Nessie, mas... — ele hesitou, a confissão saindo com dificuldade. — Meu irmão descobriu que eu sou um caçador, e agora estou em uma situação difícil. Não posso simplesmente desobedecer suas ordens.
Aquilo era um golpe duro. Eu sabia que Seth estava em uma posição complicada, mas parte de mim queria gritar, exigir que ele fizesse algo, qualquer coisa para me tirar dali.
— Seth, por favor, só... só fale com Emmett. Veja se Bella está bem, pelo menos isso — pedi, desesperada para ter algum controle, alguma informação.
Ele assentiu, embora parecesse ainda mais abatido.
— Vou ver o que posso fazer, Nessie — prometeu, antes de sair do quarto, me deixando sozinha novamente.
Suspirei profundamente, a exaustão emocional começando a me dominar. Sentei na cama, a cabeça entre as mãos, sentindo o desespero se infiltrar em cada fibra do meu ser. Estava presa em Quilay, e pela primeira vez na vida, não sabia como sair dessa situação.
Eu havia decidido que não comeria nada do que eles me oferecessem. Se Jacob Black achava que me dobraria pela fome, estava muito enganado. Meu estômago roncava, mas eu ignorei, focada em manter minha determinação. Estava sentada na beira da cama, observando o prato intacto sobre a mesa quando a porta se abriu novamente.
Uma jovem entrou, sua presença iluminando o quarto. Ela era incrivelmente linda, com longos cabelos negros que desciam em ondas suaves até a cintura, olhos penetrantes cor de âmbar que brilhavam com uma combinação de doçura e firmeza, e pele bronzeada que reluzia à luz suave que invadia o quarto. Usava um vestido medieval, ajustado ao corpo de maneira elegante, com mangas longas e justas que se alargavam nos pulsos, caindo como cascatas ao redor de suas mãos. O vestido era de um azul profundo, bordado com detalhes em prata que cintilavam a cada movimento. Havia uma tiara delicada em sua cabeça, feita de prata com pequenas pedras azuis que refletiam a luz, dando-lhe um ar de realeza que combinava com sua postura altiva.
Ela sorriu gentilmente ao me ver e olhou para o prato de comida ainda intocado.
— Olá — disse ela, sua voz tão suave quanto seu sorriso. — Sou Leah Uley, a princesa de Quilay.
— A menos que você tenha vindo aqui para me libertar, pode se retirar — respondi, o tom de minha voz refletindo a irritação que sentia por estar naquela situação.
Leah riu baixinho, um som leve e sem qualquer malícia.
— Pelo visto, o que a princesa tem de beleza tem em teimosia — comentou, seus olhos brilhando com um toque de diversão. — Mas você precisa se alimentar, Renesmee. Ficar sem comer não vai convencer o Rei a libertá-la.
— Estou sem fome — menti, cruzando os braços e desviando o olhar.
Leah suspirou, dando alguns passos na minha direção, mas mantendo uma distância respeitosa.
— Meu irmão é difícil de se dobrar, isso é verdade. Mas desejo-lhe boa sorte em sua tentativa — disse ela, com um sorriso enigmático antes de sair do quarto.
Assim que a porta se fechou, suspirei, sentindo um misto de frustração e determinação crescendo dentro de mim. Não seria fácil lidar com aquele reino, e muito menos com o Rei. Mas eu não estava disposta a ceder tão facilmente.
— Vamos ver quem é mais difícil — murmurei para mim mesma, levantando-me da cama. Eu não tinha planos de me submeter às vontades de Jacob Black, e se ele pensava que me manteria ali contra a minha vontade, estava prestes a descobrir que Renesmee Cullen não era alguém que se deixava dominar facilmente.
Minha determinação em não me alimentar permanecia firme, mesmo enquanto meu corpo começava a dar sinais de fraqueza. A fome roía minhas entranhas, mas eu me recusava a ceder. Eu estava olhando pela janela, tentando ignorar o vazio em meu estômago, quando ouvi o som característico da mensagem eletrônica indicando que alguém estava prestes a entrar no quarto.
Olhei na direção da porta e, para minha surpresa, vi uma mulher entrar. Ela tinha uma presença marcante, irradiando uma autoridade tranquila que enchia o ambiente. Nunca a havia visto antes, mas não precisava de apresentações para saber que estava diante de alguém importante.
— Sou Sarah Black — ela disse com um sorriso gentil. Mesmo sem que ela precisasse dizer mais nada, compreendi que estava na presença da Rainha de Quilay. Eu me reverenciei instintivamente, respeitosa.
Sarah se aproximou com uma delicadeza inesperada, quase maternal. — Minha criança, eu compreendo o que você está sentindo — sua voz era suave, mas carregava uma preocupação genuína. — Estou preocupada com você.
Engoli em seco, tentando manter minha postura firme. — Eu preciso ir para casa — respondi, minha voz revelando uma ponta de desespero. — Há alguém que precisa da minha proteção.
— Se realmente deseja isso, não será fazendo greve de fome que conseguirá — ela disse, seus olhos fixos nos meus, como se pudesse ver além das minhas defesas. — Você tem um grande poder sobre o rei em suas mãos, mas enquanto se recusar a aceitá-lo, não sairá de Quilay.
Suas palavras me deixaram confusa. Antes que eu pudesse responder, ela se aproximou ainda mais, tocando meu queixo com uma gentileza surpreendente. — Você é a princesa mais linda que já conheci — ela disse, com um sorriso reconfortante. — E sei que terá a sabedoria necessária para tomar a decisão certa.
Ela se afastou lentamente, deixando o quarto sem dizer mais nada. Fiquei ali, parada, suas palavras ecoando na minha mente. O que ela quis dizer com "grande poder"? E como isso poderia me ajudar a sair de Quilay? Minhas convicções começaram a vacilar, e pela primeira vez, me senti realmente perdida.
Nos três dias seguintes, continuei firme na minha decisão de não me alimentar. Nem mesmo Seth conseguiu me convencer a ceder.
— Princesa! — ouvi a voz de Jacob ao entrar no quarto, a preocupação evidente em seu tom. — Você precisa se alimentar.
— Eu não vou comer até que me deixe ir para casa! — respondi, mantendo meu olhar firme.
Jacob me encarou por um momento antes de dizer:
— Quer ir para casa? Está certo!
Minha esperança se acendeu, e um sorriso começou a se formar em meus lábios.
— Está dizendo que vai me libertar? Vou para Humman?
— Você está livre a partir de agora — ele afirmou, com uma expressão que parecia quase... desafiadora. — Mas se quer voltar para casa, terá que fazer isso sozinha. Vou torcer para que consiga.
Ele desativou os dispositivos de segurança do quarto e saiu, me deixando sozinha com meus pensamentos. Claro que eu tentaria fugir. Mas algo na maneira como ele falou me deixou inquieta. Ele estava certo de que eu jamais conseguiria escapar.
Se eu desejava voltar para casa, precisaria ser mais esperta. Compreendi que lidar com Jacob Black seria uma verdadeira queda de braços. Mas eu não tinha intenção de perder.
Fale com o autor