Nation: A garota da capa vermelha
25 Renesmee- O grande lobo
Na manhã seguinte, senti uma determinação renovada. Retornei à floresta, observando com cuidado o vasto ambiente ao meu redor, tentando encontrar alguma forma de me localizar. Saltei sobre uma das árvores mais altas, buscando uma perspectiva melhor, mas ao ver a imensidão daquele lugar, percebi que não fazia ideia de para onde ir. Suspirei, sentindo a frustração crescer em meu peito. Aquele lugar, embora fascinante, também era um labirinto inescapável.
Continuei caminhando sem rumo, admirando a beleza que me cercava. As árvores gigantescas e cobertas de musgo cintilante, as flores luminosas que lançavam um brilho suave ao meu redor, e as criaturas mágicas que espreitavam entre as sombras. Era uma visão de tirar o fôlego, mas ao mesmo tempo, fazia-me sentir pequena e perdida.
Após horas de caminhada, encontrei uma árvore que reconheci—seus frutos eram os mesmos que eu havia comido no castelo. Meu estômago roncou de fome, e finalmente cedi, sentando-me abaixo da árvore e comendo os frutos suculentos. Enquanto o sol se punha, a frustração tomou conta de mim novamente. Havia passado o dia inteiro tentando encontrar uma saída, mas parecia que cada passo me levava de volta ao mesmo lugar.
Retornei à Casa Real com passos pesados, sentindo o peso da derrota. Quando entrei, deparei-me com uma cena que fez meu coração disparar—Jacob estava conversando com uma mulher que eu não conhecia. Ela era elegante, com uma postura confiante, e o som de suas risadas me atingiu como um golpe. Meu coração começou a bater mais rápido, e todas aquelas sensações desconhecidas que tanto me assustavam voltaram com força total, deixando-me apavorada.
Antes que pudesse entender o que estava acontecendo, virei-me e corri para o meu quarto, sem olhar para trás. Meu coração estava a mil, e eu não conseguia entender como era possível sentir algo assim por um homem que eu mal conhecia. Era irracional, mas ao mesmo tempo, impossível de ignorar. Fechei a porta do quarto, tentando acalmar meu coração descontrolado, mas as perguntas continuavam a me atormentar.
No dia seguinte, saí cedo mais uma vez, decidida a tentar uma nova estratégia. Dessa vez, meu objetivo era seguir pelas montanhas. Se conseguisse cortar a floresta até o pôr do sol, durante a noite, de cima das montanhas, talvez pudesse ver onde estava e, com sorte, avistar Hummam. Ao menos, era o que eu acreditava.
Caminhei o dia inteiro, sentindo o sol se pôr lentamente enquanto as estrelas começavam a surgir no céu. A floresta estava calma, quase silenciosa, exceto pelo som suave das folhas sendo sopradas pelo vento. Foi quando vi um ponto de luz ao longe. Um sorriso se formou em meus lábios, acreditando que poderia ser uma estrada ou algum sinal de civilização.
Corri na direção da luz, mas logo fui alertada pelo som repentino de animais gritando e correndo em minha direção. Meu coração disparou, e o pânico tomou conta de mim quando uma cortina de fumaça espessa cobriu meus olhos.
— Fogo! — Gritei, sentindo o desespero crescer em meu peito. Sem pensar duas vezes, virei-me e corri na direção oposta às chamas, meu único pensamento sendo escapar daquela armadilha infernal antes que fosse tarde demais.
Corri o mais rápido que podia, mas o fogo parecia estar em toda parte, cercando-me por todos os lados. A fumaça densa fazia a floresta parecer um labirinto escuro e sufocante, e comecei a me sentir encurralada, sem saber para onde ir. Cada passo que dava parecia me aproximar mais das chamas, e a cada respiração, o ar se tornava mais difícil de puxar para dentro dos meus pulmões. O desespero começou a me dominar, e eu sabia que precisava encontrar uma saída rapidamente.
Foi então que, em meio à escuridão e ao fogo, uma figura enorme surgiu diante de mim. Meus olhos se arregalaram e meu corpo paralisou de medo ao ver o grande lobo. Ele era imenso, com um pelo espesso e escuro, seus olhos brilhando com uma intensidade que me fez prender a respiração. Por um instante, não consegui me mover, mas quando nossos olhares se encontraram, algo dentro de mim reconheceu aquele olhar.
— Jacob... é você? — Sussurrei, quase sem acreditar no que via.
O lobo grunhiu suavemente em resposta e baixou as patas dianteiras, oferecendo-me suas costas. Sem hesitar, subi, agarrando-me aos seus pelos grossos, sentindo o calor de seu corpo. Assim que me acomodei, o lobo disparou pela floresta, atravessando a fumaça e as chamas com uma agilidade impressionante. Era como se ele soubesse exatamente para onde ir, guiando-nos para fora daquele inferno.
Enquanto corríamos, a realidade das lendas Quileute se desenrolava diante de meus olhos. As histórias sobre homens que se transformavam em lobos gigantes não eram apenas mitos. Elas eram reais, e Jacob era a prova viva disso. Meu coração, que antes estava cheio de medo e incerteza, começou a se acalmar enquanto o lobo corria comigo em suas costas, protegendo-me das chamas que ameaçavam me consumir.
Finalmente, o lobo saiu da floresta em segurança, diminuindo o ritmo dos passos à medida que nos afastávamos das chamas. Um suspiro de alívio escapou dos meus lábios, mas algo estava errado. Assim que desci de suas costas, o lobo cambaleou, e meu coração parou por um momento quando o vi desmoronar no chão, metros à frente.
— Jacob! — Gritou uma voz feminina, e ao olhar para trás, vi a princesa Leah correndo em nossa direção.
— O rei está ferido! — Um dos guardas gritou, correndo até o lobo caído.
Fiquei paralisada, incapaz de esboçar qualquer reação. O que acabara de acontecer parecia um pesadelo do qual eu não conseguia acordar. Jacob, aquele que acabara de me salvar, estava caído e ferido por minha causa. O peso da culpa começou a se instalar em meu peito, mas tudo o que consegui fazer foi ficar ali, imóvel, observando enquanto o mundo ao meu redor desmoronava.
Eu estava sentada na beirada da cama, completamente perdida em meus próprios pensamentos e medos. A imagem de Jacob caído no chão, ferido por minha causa, não saía da minha mente. O silêncio do quarto só fazia com que a culpa pesasse ainda mais sobre mim. Ele havia se ferido para me salvar, e agora eu estava aqui, impotente, sem saber se ele ficaria bem. Quando o levaram de volta à casa real, Leah não me permitiu acompanhá-lo, e isso me fez sentir ainda mais inútil. As lágrimas rolavam livremente pelo meu rosto, sem que eu tivesse forças para contê-las.
Foi então que a porta do quarto se abriu, e eu levantei o olhar, na esperança de alguma notícia. Seth entrou, e minha ansiedade só aumentou. Levantei-me rapidamente, parando diante dele, com o coração batendo acelerado.
— Como ele está, Seth? — Minha voz saiu trêmula, carregada de preocupação.
— Jacob está na sala de recuperação — respondeu Seth, com uma calma que eu não conseguia sentir. — Os médicos estão cuidando dele.
— Eu preciso vê-lo — insisti, com a urgência crescente em minha voz. — Por favor, me leva até ele.
Seth suspirou, parecendo entender o meu desespero, mas ainda assim manteve o tom sereno.
— Renesmee, eu sei que você está preocupada, mas precisa se acalmar. Jacob é forte, ele vai ficar bem. — Ele tentou me confortar, mas as palavras soavam distantes. — Você também inalou muita fumaça, Leah disse que precisa descansar.
— Eu não quero dormir, Seth! — Exclamei, a frustração tomando conta de mim. — Eu só quero ver Jacob.
Seth olhou para mim com um misto de compreensão e exaustão, mas havia algo em seus olhos que me fez parar por um momento.
— Pela manhã, você poderá vê-lo — disse ele dando-nos tímido sorriso em um gesto tranquilizador— Mas agora, precisa se cuidar também. Tenho uma notícia que pode te ajudar a se acalmar.
Meu coração deu um salto. — Que notícia?
Seth sorriu levemente, como se estivesse guardando uma pequena esperança para mim. — Sua babá, Isabella, foi tirada do castelo por Emmett. Ela está em um lugar seguro.
Minha respiração ficou presa na garganta por um momento, e então, para minha surpresa, um sorriso tímido surgiu em meus lábios em meio às lágrimas. Saber que Isabella estava segura trazia um pouco de paz em meio ao caos que se instalara no meu coração. Por um instante, as coisas pareceram menos sombrias, mesmo que o medo por Jacob ainda estivesse lá, constante.
— Obrigada, Seth — murmurei, tentando controlar as emoções que se misturavam dentro de mim.
— Vai ficar tudo bem, Renesmee. — Ele falou caminhando lentamente ate a porta o meu quarto — Descanse um pouco. Amanhã será um novo dia.
Assenti lentamente, tentando acreditar em suas palavras. Seth saiu do quarto, fechando a porta atrás de si, e eu me deitei na cama, ainda sentindo o peso de tudo o que havia acontecido. Mas ao menos, naquela noite, eu podia encontrar algum consolo na notícia de que Isabella estava segura. E com isso, deixei que o cansaço finalmente me dominasse, esperando que a manhã trouxesse boas notícias sobre Jacob.
Fale com o autor