Me olhei no espelho e suspirei profundamente. O vestido branco que havia escolhido para mim era simplesmente deslumbrante. O tecido era leve, como se estivesse feito das nuvens mais suaves, e caía em ondas perfeitas até o chão. Ao longo do busto e da cintura, bordados intrincados de lobos emergiam, simbolizando a força e a lealdade de Quilay. Cada lobo era feito com uma precisão impressionante, talhado com fios prateados que brilhavam suavemente sob a luz. A tiara que repousava sobre minha cabeça também refletia o tema: pequenos lobos esculpidos em pedras preciosas adornavam a coroa, seus olhos feitos de safiras brilhantes que pareciam me encarar com determinação e coragem.

— Você está perfeita — Esme disse, o orgulho estampado em seu rosto enquanto me observava.

Antes que eu pudesse responder, Sarah, que havia chegado a Hummam no dia anterior, entrou na sala. Seus olhos se iluminaram ao me ver.

— Você está linda, Renesmee — ela disse, sua voz cheia de doçura. — Uma perfeita rainha de Quilay.

— Obrigada, mamãe, Obrigada, Sarah — sussurrei, sentindo meu coração martelar no peito. Eu as chamei de mãe, talvez porque naquele momento de incertezas e nervosismo, eu precisasse do conforto que isso trazia. Estava nervosa, sentindo que meu coração ia explodir a qualquer momento.

Foi quando ouvi uma batida na porta. Esme se adiantou e abriu, revelando um dos guardas do castelo.

— O Rei as aguarda — anunciou o guarda, com uma leve reverência.

Senti o nervosismo aumentar, minhas mãos tremendo incontrolavelmente. Sarah, percebendo meu estado, segurou minhas mãos entre as suas, seu toque cálido tentando me acalmar.

— Não precisa se sentir assim, minha criança — disse ela, sua voz suave e tranquilizadora. — Tudo ficará bem.

Assenti, tentando acreditar em suas palavras. Sarah me deu um último olhar de encorajamento antes de sair do quarto, deixando-me a sós com Esme. Ela segurou minha mão, tentando me transmitir confiança.

— É normal noivas se sentirem nervosas — disse Esme com um sorriso compreensivo.

— Eu sei... só preciso de mais alguns minutos — respondi, minha voz falhando levemente.

— Claro, querida. Tome o tempo que precisar — Esme concordou, soltando minha mão e me observando com paciência.

Respirei fundo algumas vezes, tentando acalmar os pensamentos que corriam desenfreados em minha mente. Quando finalmente me senti pronta, saí do quarto de mãos dadas com Esme, sua presença ao meu lado uma âncora na tempestade que se agitava dentro de mim.

Conforme caminhávamos pelos longos corredores, meu coração acelerava ainda mais. A cada passo, a ideia de fugir me parecia mais atraente, mas sabia que não poderia voltar atrás. Minha decisão já estava tomada. Eu havia escolhido este caminho e agora precisava percorrê-lo até o fim.

Quando nos aproximamos da sala do trono, parei ao lado de Esme, minhas pernas quase cedendo debaixo de mim. Sentia que estava prestes a desmaiar, mas me forcei a manter a compostura. Não podia fraquejar agora.

As portas da sala do trono se abriram com um ranger suave, revelando o grande salão decorado para a cerimônia. De mãos dadas com Esme, caminhei em direção ao meu futuro.

Depois que meu pai, o Rei, entregou minha mão a Jacob, nós caminhamos juntos até o salão real. Minha mão estava firme na dele, e apesar do nervosismo que ainda persistia, a presença dele ao meu lado me dava uma estranha sensação de segurança. A festa já havia começado, e o salão estava decorado com as cores de Quilay, misturadas ao brilho dourado dos candelabros que iluminavam cada canto do lugar. Nos sentamos ao lado do rei Carlisle, e um fluxo constante de convidados se aproximava para nos reverenciar, entregar presentes e nos desejar votos de felicidade.

Jacob segurou minha mão e, com uma ternura inesperada, a levou aos lábios, depositando um beijo suave. Senti minhas bochechas queimarem, e um sorriso tímido se formou em meu rosto. Ele sempre conseguia me deixar corada, mas naquele momento, com todos os olhos sobre nós, parecia ainda mais intenso.

— Bella — sussurrei com um sorriso largo, quando avistei uma mulher trajando um lindo vestido azul se aproximar do trono. O vestido, longo e de um azul profundo, era adornado com pequenos detalhes prateados que cintilavam à luz do salão, dando-lhe um ar quase etéreo. O corpete ajustado acentuava a figura elegante, enquanto a saia se abria em suaves camadas, movendo-se graciosamente a cada passo que ela dava.

Jacob, ao meu lado, sorriu e disse com um brilho no olhar:

— Espero que goste do meu presente de casamento.

Olhei para ele surpresa, sem acreditar no que ele havia feito. Ele havia convencido Bella a vir ao casamento. Quando virei para Carlisle, vi a surpresa e, em seguida, a indignação estampadas em seu rosto. Antes que ele pudesse falar, Jacob interveio com uma calma admirável.

— Espero que a presença da babá de minha esposa não seja uma ofensa, Majestade. Renesmee tem muito carinho por ela, e por isso a convidei.

Carlisle ficou pensativo por um momento, mas então, forçando um sorriso, disse:

— Não há problema algum.

Olhei para Jacob, e ele assentiu levemente, como se me encorajasse a fazer o que quisesse. Levantei-me, meus passos me levando até Bella, que me esperava com um sorriso maternal. Segurei sua mão, sentindo o calor familiar e confortante.

— Você está linda — disse Bella, sua voz suave e cheia de orgulho.

— Você também está linda — respondi, e quando olhei para o lado, vi Edward me observando, seus olhos fixos em mim como se estivesse hipnotizado. Já Irina, por outro lado, não fazia questão de disfarçar seu descontentamento.

De repente, senti Jacob se aproximar. Ele se levantou e, com um gesto elegante, me estendeu a mão.

— Me concederia esta dança?

Bella olhou para mim e disse, com um sorriso nos lábios:

— Vai lá, meu amor.

Segurei a mão de Jacob, e juntos caminhamos até o centro do salão, onde todos nos observavam com expectativa. A música começou a tocar, uma melodia suave e envolvente que preencheu o ambiente. A mão de Jacob pousou em minha cintura, e senti um arrepio percorrer meu corpo. Coloquei minha mão em seu ombro, enquanto ele segurava minha outra mão com firmeza e gentileza.

Começamos a dançar, uma valsa elegante e ritmada. Nossos passos eram precisos, sincronizados como se fôssemos feitos para isso. A cada giro, o salão ao nosso redor parecia desaparecer, e por um breve momento, éramos apenas nós dois. Jacob me guiava com uma segurança inabalável, e eu me deixava levar, sentindo a suavidade dos movimentos e o calor que emanava de seu corpo.

O salão se transformou em um cenário de sonho, onde a música, o brilho das luzes e a presença de Jacob me faziam esquecer tudo o que me preocupava. Quando nossos olhares se encontraram, percebi algo novo em seus olhos, algo que me fez acreditar que, apesar de tudo, talvez eu estivesse exatamente onde deveria estar.

E enquanto girávamos no salão, com todos os olhares voltados para nós, uma única certeza se instalou em meu coração: a partir daquele momento, eu não era mais a princesa de Hummam; eu era a Rainha de Quilay, e Jacob era o meu rei.

....

Fora do castelo dourado figuras desconhecidas conversavam com um tom de preocupação.

— Hummam não pode se unir a Quilay ou nossos planos estarão arruinados.

— O que faremos agora?

— Eu quero a princesa, ela será nossa garantia para conquistarmos Hummam e tirar todo Itryo que existir em Quilay.