Nation: A garota da capa vermelha
21 Renesmee- Emboscada
Uma semana se passou, tudo parecia calmo por fora, mas por dentro eu estava em constante turbulência. A mágoa por Edward se acovardar diante do rei ainda doía. Eu sabia que ele me amava, mas não o suficiente para lutar por mim e por Bella. Ele escolheu o caminho mais fácil, se submetendo ao controle de Carlisle. Como eu poderia respeitá-lo como meu pai verdadeiro se ele não teve a coragem de nos proteger?
As noites eram longas e solitárias, mesmo com Bella ao meu lado. Eu sabia que Carlisle cumpriu sua palavra e permitiu que Bella ficasse, mas o perigo ainda rondava. Irina nunca aceitou a presença de Bella e de mim no castelo. Ela sabia a verdade, e o ódio que ela sentia por nós era palpável. Todas as tentativas dela de dar um herdeiro a Edward falharam, e agora, a simples visão de mim, a filha que Edward nunca deveria ter tido, era um lembrete constante de sua própria infertilidade.
Eu sabia que no dia em que Edward se tornasse rei, Irina não hesitaria em agir contra Bella. Ela já havia mostrado que era capaz de qualquer coisa para proteger o que ela acreditava ser seu. E isso me aterrorizava.
Na noite do grande roubo, saí furtivamente do castelo. O grupo se reuniu em um ponto escondido na floresta, perto da estrada por onde o carregamento de Itryo passaria ao amanhecer. O rei de Quilay havia feito uma visita a Carlisle, e agora sabíamos que o carregamento estava a caminho.
— Todos estão cientes dos riscos? — Emmett perguntou, sua voz grave. — Se a guarda Quileute nos pegar, estamos todos perdidos.
— E Seth? — Mike perguntou, olhando ao redor.
— Ele não participará — Emmett respondeu com firmeza. — Seria arriscado demais para ele.
— E essa guarda... eles não viram lobisomens? — Jessica perguntou, tentando disfarçar o medo em sua voz.
Todos riram, mas eu sabia que o medo era real.
— Pelo que Seth me disse, apenas os guerreiros lendários se transformam — expliquei. — Ou seja, os da guarda do rei.
— Mesmo assim, são enormes e mais fortes que nós — Mike argumentou, a hesitação em sua voz clara. — Talvez devêssemos reconsiderar.
— Está com medo, Mike? — provoquei, tentando aliviar a tensão. Todos riram novamente, mas sabíamos que a preocupação dele não era infundada.
Emmett olhou para cada um de nós, seus olhos brilhando com a excitação e a determinação que sempre o caracterizaram.
— Preparem-se — disse ele, sua voz firme. — Esse será o roubo de nossas vidas.
Enquanto todos se preparavam, eu não conseguia afastar o pensamento de Bella e do que Irina poderia fazer. Precisávamos ser rápidos, precisávamos ser eficientes. Minha mãe dependia disso, e eu faria de tudo para garantir sua segurança. Mesmo que isso significasse arriscar tudo.
Enquanto Emmett e eu retornávamos ao castelo, caminhando lado a lado pelas sombras tranquilas da noite, senti o peso das horas que virão. O silêncio entre nós era confortável, mas eu sabia que ele estava me observando, esperando o momento certo para falar.
— E aí, como você está se sentindo sobre tudo isso? — Emmett perguntou, quebrando o silêncio, mas com a voz suave, sem pressão.
Suspirei, tentando encontrar as palavras certas. — Ainda estou tentando processar tudo, sabe? É muita coisa para entender de uma vez. — Eu não conseguia esconder a confusão que ainda fervilhava em minha mente.
Ele sorriu para mim, aquele sorriso fácil que sempre me fazia sentir que tudo ficaria bem. — Você sempre será minha irmãzinha, não importa o que aconteça.
Soltei uma risada leve, agradecida por sua presença reconfortante. — Isso seria estranho. Imagina eu te chamando de tio Emmett?
Ele riu junto comigo, mas logo depois parou e me encarou com seriedade. — Se você fosse minha filha, Ness, eu jamais abriria mão de você. Porque você é a garota mais incrível que eu conheço.
Senti uma onda de emoção me dominar e o abracei com força. — Eu te amo, Emmett.
— Eu também te amo, Nessie — ele respondeu, apertando-me contra ele com um carinho genuíno.
Nos separamos ao chegar ao castelo, sabendo que precisávamos manter as aparências. Entraríamos como se nada tivesse acontecido, como se não estivéssemos envolvidos em uma das maiores conspirações contra o rei. Assim que cruzamos as portas, cada um seguiu seu caminho. O peso de tudo o que estava para acontecer começava a se intensificar.
Quando entrei no meu quarto, Bella estava lá, como sempre, me esperando. O alívio que senti ao vê-la foi misturado com a preocupação que se refletia em seus olhos.
— Você sabe que nunca vou ficar tranquila com essas suas saídas noturnas, Renesmee — disse ela, sua voz cheia de preocupação.
Suspirei e me aproximei dela. — Amanhã é o grande dia, mãe. Vai dar tudo certo. — Tentei tranquilizá-la, mas a ansiedade em seus olhos não diminuiu.
— Estou com um mal pressentimento sobre isso — ela admitiu, o tom de sua voz me dizendo que esse sentimento era mais do que apenas nervosismo.
Eu me afastei dela por um momento e me dirigi a um grande baú que estava no canto do quarto. Abri-o e peguei uma capa com capuz vermelho, a mesma que sempre usei em missões arriscadas. Coloquei-a sobre meus ombros, ajustando o capuz.
— Não precisa se preocupar, Bella. Eu vou ficar bem. Tudo vai dar certo — disse com convicção, tentando aliviar o fardo que via nos olhos dela.
Bella me observou, ainda preocupada, mas com um pequeno sorriso nos lábios. Ela sabia que, uma vez que eu colocava essa capa, estava decidida a seguir em frente. Ela se aproximou de mim e segurou meu rosto em suas mãos, como se quisesse memorizar cada detalhe.
— Eu te amo, minha Renesmee. Prometa que vai voltar para mim — disse, a emoção brilhando em seus olhos.
— Eu prometo, Bella — respondi, segurando sua mão e sentindo a força daquele momento entre nós.
Por mais que tentasse tranquilizá-la, algo em mim também sabia que essa missão não seria como as outras. Mas eu tinha que acreditar que, no final, tudo ficaria bem. Para Bella. Para mim. Para todos nós.
A manhã estava ensolarada, mas a atmosfera estava carregada de tensão. Eu estava agachada sobre a montanha que rodeava a floresta de Hummam, os raios de sol brilhando intensamente enquanto o vento forte carregava o assovio de Emmett até mim. Era o sinal que o carregamento estava a caminho.
Enquanto observava, Mike e os outros corriam entre as árvores, suas capas negras se movendo com a velocidade. O caminhão com Itryo parou repentinamente, e então ouvi gritos de Mike e Tyler, que recuaram. A sensação de que algo estava errado me envolveu, e eu rapidamente busquei uma melhor visualização do que estava acontecendo. Meus olhos se arregalaram ao avistar o exército de Quilay; não eram simples soldados.
Peguei meu arco e uma flecha, preparando-me para dar cobertura, mas estava distante demais para acertar. Com pressa, corri pela montanha, meus pés se movendo com agilidade sobre os galhos das árvores. Finalmente, consegui uma visão clara. Emmett estava em um confronto direto com um dos guerreiros, e meu coração disparou ao perceber que não era um simples guerreiro; era o Rei.
O Rei de Quilay estava vestido com uma armadura imponente. Sua armadura era uma peça elaborada, feita de placas de metal escuro que refletiam a luz do sol com um brilho sombrio. O capuz de pelagem de lobo cobria sua cabeça, e a capa vermelha que caía de seus ombros era bordada com símbolos antigos, denotando sua posição real. Cada movimento dele era preciso e calculado, revelando não apenas a força, mas a habilidade que o tornava temido.
Meu coração acelerou ainda mais quando vi Emmett, vencido pelo Rei. Eu estava a uma distância que parecia segura, mas ao tentar soltar a flecha, uma frustração intensa me atingiu. O Rei capturou a flecha com uma mão, desviando-a com uma facilidade aterrorizante antes que ela pudesse acertá-lo.
O restante do grupo aproveitou o momento para dar apoio a Emmett, mas eu sabia que precisava fazer mais. Corri pela montanha, saltando de galho em galho, meus pés rápidos e precisos. No entanto, quando alcancei um novo galho, a árvore balançou violentamente, e meu equilíbrio foi comprometido. Sentindo a queda iminente, tentei me estabilizar, mas foi inútil.
Eu caí no chão com um impacto doloroso, o corpo ainda se ajustando à realidade do confronto. Diante de mim, estava o Rei de Quilay, sua presença ameaçadora se destacando entre as sombras e a luz do dia.
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