Nation: A garota da capa vermelha
27 Renesmee- Duelo
Depois de dar minha decisão ao rei Jacob, decidi que ficaria em Quilay. Ele demonstrou satisfação ao receber a notícia, mas desde o café da manhã, ele não me procurou mais. Essa ausência me deixava frustrada de uma maneira que eu não conseguia entender completamente.
Na manhã seguinte, acordei com um bip seguido de uma voz eletrônica, feminina e educada:
" Bom dia, Alteza. Me chamo Wikka, sou sua assistente pessoal e irei lhe mostrar suas tarefas diárias. Podemos iniciar?"
Bocejei, ainda me sentindo exausta. Olhei para o bracelete que Jacob havia me dado no dia em que decidi ficar. Um dos botões piscava infinitamente até que eu o apertasse.
— O que eu devo fazer? — perguntei à assistente virtual, um pouco irritada.
"As tarefas da princesa são: treinamento com sua guardiã, almoço com a rainha e leitura das lendas quileutes no final do dia " — respondeu Wikka com precisão.
Suspirei, fazendo uma expressão de desgosto. Não estava no humor para seguir uma agenda, e me joguei de volta na cama, tentando ignorar a voz da assistente. Mas Wikka insistiu até que eu finalmente me levantasse.
Uma hora depois, eu estava pronta. Vestia um uniforme de batalha real, mas leve, na cor vermelha. O tecido era confortável, mas resistente, com detalhes bordados em ouro. A saia era curta, sobreposta por uma calça justa, permitindo movimentos ágeis, e a blusa tinha um corte elegante, com mangas longas que se ajustavam ao corpo. O uniforme era completado por um par de botas que chegavam até o joelho, proporcionando estabilidade e proteção. Meus cabelos estavam presos em uma grande trança, adornada com uma tiara que tinha lobos talhados como flores, um toque sutil, mas forte.
Saí de casa, e assim que pisei no campo, avistei a figura imponente de Claire Alteara, a guardiã que Jacob havia designado para mim. Ela era linda e muito alta, apenas um pouco mais baixa que Jacob. Eu me sentia minúscula perto dela, quase insignificante diante da sua presença.
— Bom dia, Alteza! — cumprimentou Claire animada, seus olhos brilhando. — Hoje, teremos um treinamento com armas.
Assenti, tentando esconder meu nervosismo. Seguimos para o campo de treinamento real, um lugar que Jacob havia descrito para mim, mas que era ainda mais impressionante ao vivo. O espaço era vasto, com diversas áreas para diferentes tipos de treino, cercado por árvores altas que ofereciam sombra e privacidade. O chão era coberto por uma mistura de terra batida e pedras, e havia várias armas dispostas em suportes ao redor do campo.
Ao entrar na sala de treinamento, vi duas jovens à nossa espera. Claire sorriu ao apresentá-las:
— A de cabelos escuros e mais alta é Sofie Ulley, filha mais velha de Leah e Sam. E essa aqui — disse, colocando uma mão carinhosa no ombro da outra garota, que tinha cabelos curtos e era um pouco mais baixa — é Clara Alteara, minha filha.
As meninas me cumprimentaram de forma animada e carinhosa, com sorrisos sinceros que me fizeram sentir um pouco mais à vontade. Respondi com um sorriso tímido, tentando esconder a sensação de inadequação que sempre parecia me acompanhar.
— As outras guerreiras já estão em um nível muito avançado — explicou Claire. — Por isso, pedi a ajuda das meninas. Elas sabem o quanto é importante ser paciente e ensinar bem.
Antes que pudéssemos começar, um dos soldados se aproximou de Claire e sussurrou algo em seu ouvido. Claire franziu o cenho levemente e então se virou para nós.
— Preciso resolver algo na sala de arcos. Meninas, sejam gentis com a princesa. Eu volto em breve.
Com isso, ela se afastou, deixando-me sozinha com Sofie e Clara. Senti uma leve tensão, mas as meninas continuavam a me olhar com gentileza, como se quisessem realmente me ajudar. Respirei fundo, tentando me acalmar. Estava na hora de mostrar que eu podia, sim, fazer parte daquele mundo, mesmo que uma parte de mim ainda estivesse dividida entre o dever e o coração.
Sofie pegou uma das espadas e a entregou para mim, um sorriso maroto no rosto.
— Estou feliz em saber que meu tio Jay finalmente se casará. É um prazer conhecer a futura rainha — disse ela com um brilho divertido nos olhos.
Peguei a espada, sentindo seu peso confortável em minhas mãos. Sorri de volta, embora minhas palavras saíssem com um pouco de hesitação.
— Não estou noiva do rei.
Clara, que estava ao lado de Sofie, inclinou a cabeça, me olhando com curiosidade.
— Você não quer se casar?
Eu hesitei novamente, tentando encontrar as palavras certas.
— Bem… eu ainda não conheço Jacob tão bem assim.
Sofie riu e balançou a cabeça como se tivesse ouvido algo engraçado.
— Ele é o máximo, você vai ver.
Antes que eu pudesse responder, Clara perguntou:
— Como é Hummam?
Pensei por um momento, tentando resumir a sensação de estar em minha terra natal.
— É diferente de Quilay.
Sofie e Clara riram juntas, como se eu tivesse dito algo óbvio.
— Claro que é diferente! — disse Sofie, ainda rindo. — Meu pai disse que é um caos.
Senti meu rosto esquentar de leve, um pouco constrangida pelo comentário. Percebendo minha reação, Sofie rapidamente se retratou.
— Desculpa, não quis ofender.
— Tudo bem — murmurei, forçando um sorriso. — Vamos começar o treino?
Clara olhou para a porta, um pouco tensa, o que chamou minha atenção. Segui seu olhar e vi uma mulher desconhecida entrando na sala. Havia algo na sua postura que me fez ficar em alerta. Clara imediatamente se colocou na minha frente, como se quisesse me proteger.
— Tia Bree, minha mãe vai ficar furiosa se te ver aqui.
A mulher, Bree, deu de ombros com um sorriso desdenhoso.
— Não tenho medo de Claire. Só queria conhecer a futura rainha.
Sofie se adiantou, cruzando os braços.
— Você deveria ter medo do meu tio, Bree.
Eu olhei para a mulher com firmeza e me apresentei, tentando manter a calma.
— Como pode ver, já está me conhecendo.
Bree pegou uma das espadas dispostas na sala e a balançou levemente, como se testasse seu peso.
— A futura rainha sabe usar uma espada?
Segurei minha espada com mais firmeza, mantendo o olhar fixo no dela.
— Sim, inclusive posso enfiá-la em um dos seus buracos se você quiser.
Sofie soltou uma gargalhada, claramente se divertindo com a tensão no ar. Mas Clara parecia menos à vontade.
— Vou chamar minha mãe — disse Clara, saindo rapidamente da sala.
Antes que eu pudesse me preparar, Bree avançou sobre mim, dando um golpe rápido com a espada. Reagi instintivamente, levantando minha própria espada para bloquear o ataque. O som do metal chocando ecoou pela sala, e por um breve momento, nossos olhares se cruzaram, o desafio evidente em seus olhos.
Eu me mantive firme, sem recuar. A tensão entre nós crescia a cada segundo, mas eu sabia que não podia me deixar intimidar. Se havia algo que eu aprendera, era que precisava mostrar força, especialmente em um lugar onde todos pareciam esperar que eu falhasse.
O combate entre Bree e eu continuava intenso. Apesar de sua força e tamanho imponentes, eu não estava disposta a recuar. Cada golpe que ela desferia exigia o máximo de mim para bloquear e contra-atacar, e eu sentia que estava exausta, mas não disposta a perder. A luta parecia interminável, com Bree usando toda a sua força contra mim.
Enquanto eu tentava me manter firme, Sofie interveio, sua voz carregada de preocupação.
— Bree, pare! Você vai machucar a princesa!
No entanto, Bree parecia determinada a me derrotar. Eu estava prestes a desabar de tanto me defender quando, finalmente, caí no chão. Antes que Bree pudesse dar um novo golpe, Jacob entrou na sala com uma velocidade impressionante, posicionando-se entre mim e a guerreira, espada em punho
— Bree, retire-se e aguarde-me na sala do trono — ordenou Jacob, sua voz firme e autoritária.
Bree lançou um olhar desafiador para mim antes de se afastar e sair da sala. Jacob se virou para mim, sua expressão misturava preocupação e uma leve irritação.
— Você está bem? — perguntou ele.
Eu, ainda irritada e frustrada, respondi com um tom seco.
— Sim, não precisava intervir.
Claire, que havia retornado, se aproximou e se posicionou ao meu lado.
— Eu cuidarei dela — disse Claire, com um tom firme mas gentil.
Jacob assentiu, aparentemente satisfeito com a resposta de Claire, e saiu da sala. Senti um suspiro de frustração escapar dos meus lábios. A frustração não era apenas pela derrota, mas pela sensação de ter sido protegida quando eu queria mostrar que podia lidar com a situação sozinha.
Claire olhou para mim, preocupada.
— Você está bem?
— Sim — respondi, tentando esconder a frustração em minha voz.
Sofie, ainda visivelmente impressionada, comentou:
— Você foi incrível. Conseguiu segurar os golpes de Bree muito bem.
Claire olhou para mim com uma expressão de aprovação.
— Você não é tão frágil quanto parece. Vamos encerrar o treinamento por hoje. Melhor você se higienizar e ir ao seu compromisso com a rainha.
Assenti, levantando-me com dificuldade. A dor nas minhas pernas e braços era evidente, mas eu sabia que precisava seguir em frente. Agradeci a Claire e me despedi das meninas antes de sair da sala e me dirigir de volta à casa real.
Enquanto caminhava, pensei em tudo que havia acontecido, desde o treinamento até o embate com Bree. Sentia uma mistura de raiva, frustração e uma pontada de insegurança. Mesmo assim, eu estava determinada a enfrentar o que quer que viesse a seguir e fazer o melhor que pudesse.
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