Nation: A garota da capa vermelha

19 Renesmee- A filha do Príncipe


Ignorando a ordem de Edward, saí do meu quarto, determinada a encontrar respostas. Caminhei pelos corredores do castelo, tentando silenciar a tempestade dentro de mim. Quando me aproximei do quarto de Edward, as vozes lá dentro se elevaram. Me encostei à porta, tentando respirar em silêncio, mas meu coração estava disparado, cada batida uma denúncia de minha presença.

— Eu sempre disse a você, Edward, que a presença dessa mulher traria problemas. – Irina falava com um desprezo que me fez tremer. – Não entendo por que seu pai fez tanta questão de manter a neta bastarda nesse castelo.

Neta bastarda? Quem era essa neta? Meu pai tinha outra filha? A confusão tomou conta de mim, mas então Edward interveio.

— Cale-se, Irina. – Ele soava exasperado. – Bella, você é responsável por Renesmee. Como pôde deixá-la sair do castelo sem nossa permissão? Não sei o que fazer agora.

— Conte ao Carlisle – sugeriu Irina com frieza.

Mas então Bella, que sempre foi tão calma e serena, o enfrentou.

— Você será capaz de entregar nossa filha ao rei? – A indignação em sua voz era clara.

Aquelas palavras me atingiram como um golpe. Meu corpo congelou, o chão parecia se abrir sob meus pés. **"Nossa filha"**... Eu sou filha deles? Como isso poderia ser verdade? Com passos trêmulos, empurrei a porta, incapaz de suportar a dúvida por mais um segundo.

Meu coração martelava no peito, cada batida parecia ecoar pelas paredes do castelo. As palavras que ouvi se repetiam em minha mente como um tambor incessante. Como isso era possível? Como eu poderia ser filha de Edward e Bella? Tudo parecia uma farsa, uma mentira cruel que me engoliu sem piedade..

Edward e Bella me olharam, seus rostos refletindo choque e culpa.

—O que você ouviu? Perguntou Edward.

— Eu sou filha de vocês? Perguntei com a voz trêmula.

— Renesmee... – Edward começou, sua voz tensa. – Você não ouviu tudo...

— Eu sei o que ouvi...

— Eu posso explicar – Bella deu um passo à frente, sua voz suave, mas carregada de dor.

Mas foi Irina, com sua frieza costumeira, quem colocou um fim àquela farsa.

— Digam logo a verdade a ela. Sim, Renesmee, Edward e Bella são seus pais biológicos.

Tudo ao meu redor começou a girar. A verdade, tão inesperada e brutal, me sufocava. Não pude suportar por mais tempo. Com as lágrimas escorrendo pelo meu rosto, saí correndo, deixando-os para trás, a voz de Edward ecoou pelo corredor antes de sua mão segurar meu braço com firmeza.

— Me deixe explicar.

— Eu não quero ouvir. – Falei sendo vencida pelas lágrimas.

— Por favor Nessie...

Bela se aproximou e estendeu a mão para mim, Bela sempre fora minha melhor amiga e confidente mas agora eu não sabia mas quem ela era. Minha mão tremia quando eu segurei a mão de Bela e ela carinhosamente me puxou até o meu quarto.

Caminhamos em silêncio até o quarto. O corredor parecia mais longo do que de costume, e o peso da verdade recém-revelada fazia cada passo soar como um eco profundo no meu coração. Bella estava ao meu lado, seus olhos refletindo a mesma tristeza que eu sentia, mas ela não disse uma palavra. Eu também não consegui dizer nada; minha mente estava um turbilhão de perguntas, de incertezas. Quando entramos no quarto, Edward fechou a porta atrás de si, isolando-nos do mundo exterior. Ele me olhou com uma expressão que eu não conseguia decifrar.

Cruzei os braços, tentando me proteger, e só então percebi por que sempre fui comparada a ele, por que as pessoas diziam que eu tinha os olhos de Edward. Era porque ele era meu pai de verdade.

— Eu conheci Bella quando era um caçador – Edward começou, a voz grave e cheia de arrependimento.

Olhei para ele, chocada, como se ele tivesse acabado de me revelar outro segredo terrível.

— Você... foi um caçador? – perguntei, incapaz de esconder a surpresa.

Edward assentiu, seus olhos fixos nos meus.

— Os problemas que você pensa que começaram agora já existem há anos. Humanos que nasceram de maneira natural, sem os métodos de controle do reino, estão superpovoando Humman. Isso sempre foi uma ameaça para o regime.

Minha mente estava girando. Era como se cada coisa que eu soubesse sobre minha vida estivesse sendo despedaçada diante de mim.

— Como eu nasci, então? – minha voz saiu mais fraca do que eu pretendia.

Bella deu um passo à frente, sua mão repousando sobre o ventre, e eu entendi o que ela queria dizer antes mesmo que as palavras saíssem de sua boca. Meus olhos se arregalaram, a compreensão me atingindo como um golpe.

— Eu fazia parte da resistência – Bella começou, sua voz trêmula, mas firme. – Nós nascemos de forma natural, sem laqueaduras. Eu e Edward nos apaixonamos... e então eu engravidei.

Edward olhou para mim, seus olhos carregados de culpa.

— Na época, eu estava noivo de Irina. Era um acordo importante para o rei, uma aliança que garantiria o apoio do líder do Sul, o pai de Irina. Sem esse apoio, enfrentar os rebeldes seria impossível. Quando Bella engravidou, eu entrei em desespero. Temei pela vida da criança... e pela vida da mulher que eu amava.

Bella continuou, seus olhos fixos nos meus.

— Edward procurou ajuda de sua mãe, Esme, mas ela ficou com medo e contou ao Rei. Quando ele soube, ficou furioso. O reino não poderia saber da existência de uma criança nascida assim, não sem causar um escândalo que colocaria em risco o controle sobre o povo. Mas Esme encontrou uma solução...

Edward se aproximou de mim, sua expressão era de dor e arrependimento.

— O rei me deu uma escolha. Eu poderia me casar com Irina, manter a aliança com o Sul, e em troca, a criança – você – ficaria no castelo. Você seria criada como uma princesa, mas o rei e a rainha a assumiriam como filha deles. O rei aceitou, apesar de tudo, porque sabia que você era sua neta legítima.

Fiquei em silêncio, as lágrimas rolando pelo meu rosto. As palavras deles ecoavam na minha mente, cada uma mais dolorosa que a anterior. Minha vida inteira, tudo o que eu acreditava ser verdade, era uma mentira. Eu estava sufocada com a realidade que me era revelada.

Eu queria dizer algo, qualquer coisa, mas as palavras não vinham. Eu, que sempre enfrentei perigos como caçadora, agora me sentia pequena, impotente diante dessa verdade brutal. Olhei para eles, sem saber se deveria odiá-los por terem escondido isso de mim, ou se deveria tentar entender os motivos que os levaram a fazer isso. No fim, eu só conseguia chorar.

—Quando voce nasceu, eu não conseguiu abrir mão de você.– Disse Bella–

Eu inplorei a Edward que me deixasse ficar, prometi que jamais revelaria a verdade. Esme, movida pela compaixão de ser mãe, conseguiu convencer o rei a permitir isso. Então, eu fiquei cuidado de você, te amando mesmo sob o disfarce de uma babá.

As lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto, e eu não fiz esforço algum para contê-las. Olhei ao redor do meu quarto, tentando encontrar algum conforto nas coisas familiares, mas tudo parecia diferente agora. Bella, a mulher que sempre esteve ao meu lado, que cuidou de mim como uma babá dedicada... ela era minha mãe. E Edward, meu irmão que sempre achei distante, era meu pai.

Bella e Edward saíram do quarto em silêncio, deixando-me sozinha com meus pensamentos. Sentei-me na cama, sentindo o peso das revelações ainda me esmagando. Minha vida inteira tinha sido uma mentira, uma história fabricada para esconder uma verdade que eu nunca poderia imaginar.

Deitei-me na cama, abraçando o travesseiro, e deixei as lágrimas fluírem livremente.

Irina, que sempre me causava algum desconforto, sabia de tudo. Sabia, e isso a fez me desprezar ainda mais. Mas, mesmo com seu rancor, nunca se atreveu a desobedecer uma ordem do rei.

Eu não sabia como me sentir. Traída? Com certeza. Mas também havia um profundo senso de perda. A vida que eu conhecia, a vida que achava que era minha, foi arrancada de mim de uma só vez. O que eu era agora? Apenas uma mentira? Uma peça num jogo político entre meu o rei, e meu pai?

Enterrei meu rosto no travesseiro, sentindo as lágrimas molharem o tecido. Não havia como fugir dessa dor, dessa sensação esmagadora de que tudo estava errado. Eu precisava ficar sozinha, precisava desse momento para chorar, para deixar que essa nova realidade se acomodasse em minha mente, por mais dolorosa que fosse.

Mesmo assim, o alívio não veio. A tristeza continuava ali, agarrada ao meu coração, tornando difícil respirar, difícil pensar. Eu não era mais a mesma Renesmee, e talvez nunca mais seria. Nada seria igual, e o peso dessa mudança era quase insuportável.