Natasha - Minha História
6 Capítulo 4 - Parte II
Notas iniciais
No dia seguinte os dois deram um jeito de ir até a cena do crime e Tasha conseguiu retirar a fita do videocassete, porém não deu tempo de colocar de volta no lugar. Quando Edgar soube eles estavam no apartamento dele e tiveram uma briga feia.
— Você devia ter posto a fita no armário. – Ele dizia enfurecido.
— Eu sei. A fita estava presa. Foi sorte conseguir tirá-la de lá.
— E se descobrirem que falta uma? E se descobrirem que é a minha? – Ele estava nervoso e gritava. – O que deu em você?
— O que deu em mim? – A latina falou com calma. – Graças a mim você não é o principal suspeito. Estou tentando te ajudar.
Reade fica em silêncio e percebe como está sendo idiota. Natasha estava fazendo de tudo para livrá-lo de uma acusação pela morte do treinador e ele estava se mostrando um mal agradecido.
— Me desculpe. – Ele disse se sentando no sofá.
— Temos algo mais com que nos preocupar? – A morena perguntou.
— Um segurança particular me viu na frente da casa de Jones ontem.
— Mas você se identificou?
— Eu estava no meu carro.
— Eu cuido disso.
A latina ia saindo quando o amigo a chamou. – Zapata. Obrigado.
Natasha saiu do apartamento dele e foi até a agência de seguranças do bairro onde chantageou um dos seguranças dizendo que o cara que ele viu no carro é um agente secreto FBI e que se ele levasse isso a conhecimento das autoridades iria expor sua identidade arruinando um caso que estão trabalhando há bastante tempo. O rapaz se negou a ajudá-la, mas a latina disse que sabia quem era sua namorada e que seu visto de turista havia expirado há algum tempo e a garota estava no país de forma ilegal. O rapaz cedeu e rasgou a folha com a placa do carro anotada.
Natasha sabia o que estava fazendo. Poderia estar colocando em risco sua carreira, mas era a liberdade de seu melhor amigo e além de tudo era o homem que ela amava. Ela não poderia deixá-lo pagar pela morte de um cara nojento como o treinador Jones, mesmo que ele fosse culpado.
— Como foi com o segurança? – Reade perguntou assim que ela voltou ao apartamento dele.
— Não será problema. – A latina respondeu. – Mas não posso dizer o mesmo sobre a autópsia de Jones. – Ela continuou. – A causa da morte foi asfixia. Ele morreu engasgado com o próprio sangue. O que você está escondendo de mim?
Natasha jogou sobre a mesa de centro uma pasta com as informações da autópsia.
— Não quero ficar... – Reade começou mas foi interrompido pela morena.
— Se sua cronologia fosse verdadeira e se estivesse no porão, ouvisse um barulho e subisse imediatamente, Jones ainda estaria vivo, sufocando. – Ela estava muito alterada, pois queria explicações. – Quer mudar a história?
— Eu contei a verdade. – O rapaz disse.
— Quanto tempo ficou naquela casa? – Agora ela gritava.
— Fui eu! – Reade também gritou. – Eu o matei! É isso que quer que eu diga? Não fui eu e não pedi para encobrir nada, se acha que o matei, chame a polícia. Chame agora!
Eles sabiam que não daria para continuar essa conversa de forma civilizada, pois já havia saído do controle há muito tempo. Natasha foi embora o deixando lá com seus próprios pensamentos.
No dia seguinte Natasha recebe outra ligação de Josh no meio do expediente.
— Conseguimos a arma do crime. – O policial dizia do outro lado da linha. – Alguns tiras acharam uma faca em uma valeta perto da casa de Jones.
Tasha só conseguia pensar na faca que faltava na cozinha de Reade.
— Que tipo de faca?
— Não sei, acabou de chegar. – Josh respondeu. – O assassino deve ter jogado no esgoto ao sair.
— Está ligada a algum suspeito?
— Acho que Yamada está vendo isso agora. – Yamada era outro policial do distrito.
A última informação deixou a latina ainda mais preocupada, pois Yamada estava nesse momento com a promotora que cuidava das acusações contra Jones e com Reade na sala de reuniões. Ela só conseguia perceber que Reade estava cada vez mais em apuros.
O prédio do FBI estava sendo invadido por um assassino chama Akkadian que estava os chantageando para entregar um homem perigoso que estava no prédio. Os agentes precisaram se separar dentro do prédio para localizar o homem.
Reade e Natasha foram juntos e a latina contou a ele que a faca fora encontrada e o rapaz lhe contou que a promotora queria que ele apontasse em uma lista de nomes retirados das fitas que foram encontradas na casa quem poderia ser o assassino.
— Eu vou cuidar da faca. – A latina dizia. – Vai para o laboratório hoje e não será a primeira prova a sumir.
— Isso é loucura. Não preciso que cuide da faca. – Ele falava enquanto avançavam pelos corredores do prédio. – Porque não fui eu que matei.
Os dois foram chamados por Patterson nos comunicadores e direcionados ao quinto andar que é onde suspeitavam da presença de Akkadian.
— Temos que cuidar daquela faca, Reade. – Tasha disse quando chegaram ao quinto andar. – Se eles não suspeitavam de você agora suspeitam depois que você explodiu com eles na sala.
— Ele que suspeite. Eu não me importo mais.
— Eu me importo porque agora também estou envolvida.
— Não temos que fazer nada! – Reade estava alterado. – Eu que estava no acampamento, eu que perdi tempo, eu que estava lá naquela noite. Quando você entrou nessa? Ninguém pediu que cometesse um crime, você resolveu sozinha! Você não aposta mais, mas segue viciada em risco.
Isso machucou Natasha de uma forma que ela recuou. Reade não tinha o direito de usar seu passado para comparar com uma situação totalmente diferente que acontecia nesse momento.
— Você não se importa comigo, usa a minha vida para apostar.
— Tudo bem. – A tristeza e a decepção podia ser vista em seus olhos. – Estou fora!
— Zapata! – Reade se arrependeu no momento em que acabou de falar tudo, mas a latina não o ouvia mais e saiu em direção à pista.
Em meio à confusão o Akkadian os encontrou e derrubou Reade o deixando desacordado. O bandido levou Tasha com ele e a usou como escudo.
Quando Reade foi encontrado pelos outros agentes estava desesperado pelo que poderia acontecer com sua parceira.
Eles estavam juntos quando ouviram a voz da agente pelos comunicadores.
— Para os agentes que protegem Rich Dotcom. Estou na sala do Administrador C-Um. O Akkadian injetou uma neurotoxina que me matará lentamente... Ele vai deixar três frascos. Um é o antídoto, os outros me matarão na hora. Deixem Rich sozinho e ele dirá qual usar.
Reade implorava a Weller que deixassem Akkadian levar Rich, pois a vida de Zapata valia muito mais que a dele, mas ambos foram convencidos que o bandido não entregaria a agente de bandeja caso cooperassem com ele.
Eles armaram uma forma de pegar o Akkadian burlando a câmera da sala para enganar Akkadian.
Reade encontrou Tasha que mal respirava. A latina tinha seu corpo jogado sobre uma cadeira e não se movia. Os frascos que o bandido se referia estavam em uma mesa no canto da sala. O rapaz a segurou em seus braços desesperado.
— Zapata! Fique comigo! – Ele pedia em voz alta.
Enquanto isso Akkadian foi capturado e morto e não tiveram a chance de descobrir qual era o antídoto. Reade e outra agente que estava com ele percebeu que Tasha fazia sinais em código morse com os dedos na tentativa de indicar qual era o frasco com o antídoto. Ao perceberem aplicaram rapidamente na morena que aos poucos voltou ao normal. Reade se sentiu aliviado, pois depois da briga que tiveram ele se sentia culpado pelo que acontecera a ela e de forma alguma poderia perdê-la.
— Não devia estar na enfermaria? – Reade perguntou assim que a viu no vestiário se arrumando para ir embora.
— Diga ao médico que me liberou. – A garota respondeu indiferente.
Os dois se olharam e era visível tristeza e arrependimento em ambos pelo que aconteceu mais cedo.
— Achei que afastá-la fosse a maneira de fazê-la recuar. – Reade disse arrependido. – Foi um erro.
— Eu não dei ouvidos a você sobre o que queria fazer. Me desculpe.
— Deve me prometer que não vai pegar a faca. – Reade pediu. – Eu suporto o que pode acontecer comigo, mas não suportaria se algo acontecesse a você.
— Eu prometo.
Mas não foi isso que Natasha fez. A latina foi até a polícia e conseguiu retirar a faca, mas qual não foi sua surpresa ao descobrir que a faca era a mesma que vira Freddy recolhendo junto com seus objetos no dia que o colocou pra fora da casa de Reade. Agora estava com uma evidência que levava ao assassino real e não via forma de desfazer isso.
Outra discussão aconteceu quando Reade soube que ela pegara a faca. Natasha queria encontrar uma forma de devolver a prova, mas Reade não concordava em incriminar Freddy.
— Jogue a faca fora! – Reade pediu enquanto conversavam sobre um caso na sala de conferências.
— Eu não posso. Um antigo colega me viu na delegacia. – Tasha explicou. – A qualquer momento o laboratório vai ver que a faca sumiu. Quando isso acontecer estarei perdida.
— Devia ter pensado antes de roubá-la.
— Eu pensei. Acha que não pensei que poderia ser presa? – A garota tinha os olhos vermelhos e encarou Reade. – Você é meu melhor amigo. Foi um risco que eu assumi para salvá-lo. Mas não serei presa para salvar Freddy e é o que vai acontecer se eu não devolver a faca.
— Você não entende. Fiz o Freddy testemunhar. Eu o meti nessa de novo. Se eu não tivesse feito, talvez nada tivesse acontecido. – Tasha entendia Reade. Ele se culpava pela morte de Jones mesmo não sendo ele quem o matara.
Natasha sabia que devia devolver a faca. Junto com Reade encontrou uma maneira de devolverem a prova de uma forma que ninguém percebesse.
À noite estavam todos no apartamento de Weller comemorando um caso quando Tasha chegou com a notícia de que conseguira devolver a faca.
— Você está bem? – Reade perguntou ao encontrá-la.
— Só quero que isso termine.
Reade a puxou para um abraço como forma de agradecimento.
— Obrigado! – O rapaz disse com sinceridade.
— Pelo que? – A latina ironizou.
— Achou que eu fosse culpado e ficou do meu lado. – Ele explicou.
— Você faria o mesmo por mim.
— Eu não sei... – Ele brincou e levou um soco da amiga.
Naquela noite enquanto bebiam e comemoravam Tasha não deixava de olhar Reade que também foi surpreendido por ela lhe olhando. Ela não conseguia precisar a grandeza do que tinham, mas era algo intenso demais. Ultrapassava as barreiras da amizade com certeza, mas a morena não sabia se algum dia passaria disso, não que ela não desejasse, porque a cada dia que passava ela sabia que precisava mais dele e não suportaria perdê-lo ainda mais por algo do qual não tinha culpa.
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Hoje repassando esses acontecimentos ela sabia o que fortalecia um relacionamento, não era só o sentimento de ambos, mas as dores percorridas ao longo do caminho. Foi isso o que ela e Reade tiveram naquela época, um relacionamento tecido em meio ao caos, em meio às dores. E tudo o que fizeram um pelo outro os tornava mais fortes.
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