Natasha - Minha História
15 Capítulo 13
Notas iniciais
— Amor! Pensei em um lugar para irmos! – Tasha falou enquanto preparava o café da manhã.
— É? Eu também pensei em várias possibilidades.
— Brasil!
— Ah! Sério? – Ele respondeu sorrindo. – Já falamos em ir pra lá algumas vezes, mas sempre adiamos. – Acho que seria bom.
— Eu pensei em uma ilha chamada Fernando de Noronha. – A morena se sentou ao lado dele e pegou o celular para mostrar algumas fotos. – É paradisíaco. Tem alguns passeios perfeitos, e algumas pousadas rústicas maravilhosas.
— Já estou empolgado. Vamos nos organizar então.
— Vou te enviar as pesquisas que eu fiz.
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No dia seguinte pela manhã Tasha esperou Reade em sua sala. Ela precisava conversar com ele. Afinal, eles sempre conversaram sobre tudo e ela não entendia o porquê de agora ele querer esconder algo de sua melhor amiga. Está certo que eles ficaram um ano afastados e antes dela partir para a CIA a amizade deles já não era mais a mesma. Mas apesar disso Tasha ainda considerava que poderia confiar nele.
A morena ainda não conseguia entender o motivo de Reade ter entrado em seu carro com o inspetor West, mas ela sabia que precisava descobrir.
— Parece que alguém precisa de minha ajuda com Wizadville. – Reade disse ao entrar em sua sala e encontrar Tasha jogando o aplicativo que Patterson lançara enquanto o esperava. – Deixe-me adivinhar, chegou ao Fosso Elfin e não sabe como levantar a ponte elevadiça.
— Sou a dona da ponte. – Ela respondeu triunfante.
— Me desculpa! – Ele falou na defensiva. – O que está acontecendo? – O rapaz perguntou se sentando em sua cadeira.
— Esperava que você me dissesse. – Ela disse em tom calmo tirando os olhos do celular. – O que você estava fazendo com Jonathan West?
— O quê?
— Mandei uma mensagem e você disse que ia pra casa, mas estava com aquele idiota do Departamento de Estado, no dia que ele perdeu nosso criminoso.
— Está me vigiando? – Falou ele na defensiva.
— Só o vi entrando no seu carro. – Ela explicou. – Olha, sei que deve ter uma boa razão...
— Não preciso de razão. – Reade disse chateado. – Sou diretor-assistente deste escritório. O que pode ter de estranho nisso?
— Eu não quis irritar você... – Tasha tentou argumentar.
— Ei. Quero mostrar uma coisa para vocês. – Patterson disse abrindo a porta e os interrompendo.
— Podemos ao menos... – Ela tentou continuar.
— Não. – Reade respondeu categoricamente se levantando e saindo da sala.
Toda a equipe se reuniu no laboratório e Patterson começou as explicações sobre o caso que estavam trabalhando.
Tasha percebeu que Reade a estava tratando com frieza e indiferença. Em certo ponto ela não tirava a razão dele, pois por mais que ela achasse que estava certa, ainda assim estava se intrometendo na vida dele.
Durante o dia de trabalho, o diretor assistente não permitiu que Tasha fosse à campo com Jane e Weller e, ao invés disse lhe deu serviço burocrático para resolver a deixando presa no SIOC.
As atitudes dele ao longo do dia a fizeram aumentar a desconfiança de que havia algo de errado. Tasha decidiu fazer o mesmo com ele, manter distância a fazendo se aproximar ainda mais de Patterson a quem contou suas suspeitas.
Reade percebeu que a Diretora Hirst estava de olho nele. Ela sabia até mesmo sobre sua discussão com Zapata.
— Soube que você e Zapata discutiram esta manhã. – A diretora o abordou quando o encontrou em sua sala.
— Este lugar é pior que colégio. – Reade confidencia.
— O que está acontecendo? – Ela quis saber se mostrando solícita em apoiá-lo.
— Ela me viu com West e quis saber o que eu estava fazendo com ele. – Ele explicou. – É uma intrometida, então...
— É uma intrometida. – Hirst completou. – Acha que pode confiar nela?
— É claro. – O rapaz afirmou. – Mas não importa. Eu não disse por que me encontrei com West.
— Deixaria assim, se fosse você. – O aconselhou.
— Não se preocupe com Tasha. Ela é uma amiga. – Isso Reade podia afirmar com certeza, pois sabia bem tudo o que os dois já haviam passado juntos.
— Eu também sou. Só não quero ver você sofrer.
Reade não sabia bem como reagir àquela conversa. Hirst poderia ser sua chefe ou qualquer outra coisa, mas ele não sabia se a consideraria sua amiga.
— Tasha! Recebi um alerta de que alguém entrou em nosso servidor para acessar os dados do telefone de Stuart. – Patterson e Tasha estavam tentando conseguir recuperar alguma informação que levasse ao assassino do técnico de laboratório, mas já haviam percebido que era um beco sem saída.
— Quem foi? – Tasha perguntou aflita.
— Reade.
— Não pode ser. Não faz nenhum sentido. – Tasha sentiu seu coração se apertar. – Esse teste pode ser falho. Ele é o chefe do escritório, tem todo direito de analisar provas. – A morena sabia que não queria admitir que Reade era um traidor.
— Ele também tem todo direito de destruir as provas. – Patterson interveio. — Olha, ele nem abriu os arquivos. Só entrou e apagou os últimos cinquenta arquivos. – A loira explicou.
— Qual é? Reade não seria burro o bastante para...
— Ele está cobrindo seus rastros. – Patterson concluiu.
— Tem que haver uma explicação. – Tasha continuava se negando a aceitar. – Reade é da família.
— Borden também era. – Patterson disse rapidamente.
Tasha voltou para seu posto de trabalho preocupada e viu Reade se aproximar.
— Sobre esta manhã... – Ele se sentou na mesa ao lado dela com um copo de café na mão. – Sei que estava preocupada comigo e eu agradeço. Mas tem que confiar em mim também.
— Eu confio. – Tasha disse com os olhos cheios de água. Ela se sentia triste por desconfiar dele.
— Bom, acho que fiz por merecer. – Reade estava muito perto e a fitava no fundo dos olhos. – E se eu não consigo lidar com algo eu vou te falar. – Ele colocou a mão sobre a dela por cima da mesa, o que a fez estremecer.
— Ok. – A morena sentia que poderia chorar a qualquer momento, mas não queria fazer isso na frente de Edgar.
Reade se levantou e saiu a deixando ainda mais pensativa e preocupada. Ela sentia sua mão queimar depois que ele a soltou.
A morena continuou trabalhando no caso quando recebeu uma ligação de Patterson.
— Ei! Ouça, não é o Reade! – A loira disse apavorada quando Tasha foi até ela no laboratório.
— Como você sabe? – A morena não sabia se sentia aliviada ou ainda mais preocupada.
— Você sabe que Reade joga Wizardville? – Com a confirmação da morena ela continuou. – Bem, o programa tem uma ‘porta dos fundos’. Não é nada demais, mas antes de me julgar, deve saber que não tinha como programá-lo sem poder espiar os usuários. – A loira falou na defensiva. – Ou não era bem isso que eu queria dizer. Eu quero dizer que eu nunca tinha usado esse recurso antes. Mas agora parecia uma emergência, então...
— Patterson, eu não ligo! O que você encontrou? – Ela disse aflita.
— Certo. O suposto login de Reade ocorreu em um terminal de computadores dentro do FBI, mas ele não estava aqui. Estava em um café no centro.
— Outra pessoa usou o login dele. – Tasha disse se lembrando do momento em que ele se sentou ao lado dela na estação de trabalho com um copo de café na mão.
— Querem culpá-lo! – Patterson foi categórica.
Elas foram interrompidas com uma ligação de Weller e Tasha ficou ainda mais preocupada com o amigo, por saber que alguém estava tentando prejudicá-lo.
Mais tarde, no mesmo dia, elas descobriram que fora Hirst quem usara o login de Reade e estava tentando culpá-lo pela morte de Stuart.
— Como foi que você descobriu isso?
— Eu usei um software biométrico e chequei todos os computadores. – Tasha ficou abismada com a grandiosidade do trabalho que Patterson acabara de realizar.
— O que esse programa mostra?
— Ele desenha o modo como cada pessoa usa um computador, como uma assinatura digital. Com isso eu descobri que foi a Hirst. Ela entrou e apagou todas as provas dos nossos servidores. Se ela fosse inocente não faria uma coisa dessas.
— Se ela achou que estava apagando os dados do telefone de Stuart, com certeza tem algo a esconder. – Tasha concluiu.
— Acha que ela matou Stuart?
— Ou ela está acobertando quem matou.
— Que parte de ‘precisam confiar em mim’ vocês não entenderam? – Reade estava horrorizado quando as duas foram conversar com ele para explicar o que haviam encontrado.
— Olha, nós sentimos muito. – Tasha interveio.
— Mas não está feliz de termos descoberto a Hirst? – Patterson perguntou.
— Você está brincando?
— Reade, qual é? Ela usou o seu login. – Tasha estava incrédula.
— Supostamente! – Reade afirmou.
— Não! Foi ela. – Patterson explicou. Meu software biométrico...
— É o que? Infalível como você? Quer uma estrela dourada por plantar prova falsa em um servidor e espionar outros agentes? Não é assim que trabalhamos no FBI.
— Reade... Isso é mais importante. – Tasha falou.
— Hirst tem cuidado de mim e me ajudado desde que eu estava em Quantico. Eu confio nela. Mais do que posso dizer sobre vocês agora. Percebem que é exatamente o que querem. Querem que briguemos, que fiquemos em guerra. – Reade falou em um tom de voz mais baixo que no início.
— Tá bom. Poderia ao menos considerar...
— Uma prova real, Patterson? Com certeza. Desde que haja alguma. Agora retirem-se.
— Eles são muito próximos. Ele não quer enxergar. – Tasha falou para Patterson depois que deixaram a sala de Reade.
Novamente Tasha sentiu as lágrimas lhe chegarem aos olhos. Ela não queria perder Reade, mas sabia que isso estava acontecendo. A morena sabia que precisava tentar contornar a situação.
Após ir embora pra casa naquele dia ela ponderou sobre o que devia fazer e resolver mandar uma mensagem.
“Reade, gostaria de pedir desculpas...”
Ela esperou um pouco. Ele visualizou a mensagem, mas não respondeu. Tasha pensou que estava tudo perdido mesmo.
A morena já havia se deitado quando ouviu seu celular tocar.
— Alô! – Ela falou em um impulso.
— Tasha... sou eu.— Era Reade.
— Ah, oi. – Ela se assentou na cama aflita.
— Olha, sobre hoje...
— Tudo bem. Me desculpa, tá? – Ela pediu sinceramente. – Prometo que não vou ficar me intrometendo na sua vida...
— Não. Eu que devo te pedir desculpas pela maneira como falei com você.— Ele falou e soltou um suspiro longo. — Eu sei que você se preocupa comigo... até demais.— Ele completou.
Tasha sentiu um gelo no peito. Por um momento pensou que havia sido pega. Pensou que Reade desconfiara dos seus sentimentos por ele devido à maneira como ela estava agindo.
— Eu... é. Estou passando da conta. Vou tentar parar com isso... – Falou após um momento de silêncio.
— Não, não!— Reade falou um pouco mais alto. – Não faça isso. Eu preciso de você... Apesar de achar que você passa da conta às vezes.
— Tudo bem. – Ela riu de uma maneira suave se sentindo mais relaxada.
— Amanhã conversamos, tá bom?
Eles se despediram e Tasha imaginou como seria se estivesse com ele essa noite. Ela sabia que Megan estava viajando e ele estava sozinho. Pensou em várias possibilidades e ponderou se deveria contar pra ele tudo o que estava sentindo. Na verdade, tudo o que sempre sentiu. Ela não pode deixar de se lembrar da noite que passaram juntos há cerca de dois anos atrás. Tasha fechou os olhos e pensou na forma como Reade a tomou em seus braços e fez amor com ela. Ela achava que poderiam passar séculos que ela nunca esqueceria aquela sensação.
A morena chegou a pegar o telefone novamente, colocou o dedo sobre o contato dele, mas não conseguiu completar a ligação.
Reade estava deitado em sua cama pensando na ligação que acabara de fazer. Tasha. Ele precisava admitir que ela mexia com ele. Desde que a morena voltara sua cabeça estava a mil, ele não conseguia pensar direito e sabia que seu relacionamento com Meg estava sendo empurrado.
Ele não conseguia se sentir com Meg como se sentia no início do relacionamento dos dois. Sua namorada estava viajando há dois dias e ele não sentia saudades dela. Pelo contrário, ele ansiava para chegar ao trabalho todos os dias e ver Tasha, falar com ela, ouvir sua risada. A amiga estava mais linda. Seu corte de cabelo estava diferente, suas roupas mais chiques, sua postura havia mudado. Ele percebia que até o brilho no olhar dela estava mais intenso.
Ele sentiu raiva dela por o estar espionando, mas se arrependeu da maneira como a tratou. Ele não queria afastá-la novamente. Queria, sim trazê-la para mais perto. Abraçá-la, tomar os lábios delas nos seus. Fazer amor. Ai Deus! O que ele estava pensando? Precisava afastar esses pensamentos.
Esta noite seria longa. Resolveu se levantar e trabalhar um pouco para mudar o foco de sua mente.
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— Tasha. Acho que essa pousada aqui parece ser a que traz melhor custo benefício. – Reade disse naquela noite quando se deitou na cama ao lado da esposa que lia um livro.
— Qual? – Ela perguntou olhando para o que ele mostrava no celular. – Ah sim! Eu vi essa. É linda.
— Então está decidido! – Ele falou alegre. – Agora vem cá.
Ele a puxou pra ele colocando um beijo suave em seus lábios doces. Seus corpos responderam instantaneamente ao contato. Era incrível como quanto mais o tempo passava o amor e o desejo que tinham um pelo outro não parecia se abalar.
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