Natasha - Minha História
13 Capítulo 11
Notas iniciais
Ele teve um sonho ruim e acordou assustado. No sonho Tasha estava indo embora. Ela sumia dos seus braços e nada do que ele fazia a impedia de ir. Não adiantou gritar seu nome, ela se desintegrou na sua frente se transformando em nada mais que fumaça.
Ele se assentou na cama assustado e olhou para o lado. Lá estava ela e não iria a lugar nenhum. A morena dormia serenamente. Ele pensou em quantas vezes esteve para perdê-la. Quantas vezes ela pareceu escapar de suas mãos. Talvez por sua própria culpa, por não saber como pedir que ela ficasse. Por não saber como expressar o que sentia. Por não ter dito que a amava desde o início. Por ter escolhido outra pessoa e não ela.
Mas por mais que se afastassem eles sempre voltavam de alguma forma. O destino os trazia para perto. Até chegar um momento em que não conseguissem mais ficar afastados.
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A volta ao trabalho não foi nada fácil para a equipe. Estava tudo diferente. Patterson não conseguia trabalhar com Stuart, técnico que assumiu o laboratório na sua ausência. E parece que nem todos estavam preparados para receber ordens de Reade, que se mosrava autoritário e difícil de lidar.
Ambos saíram para uma missão e estavam todos muito nervosos, pois nada estava saindo como planejado. Durante a missão eles presenciaram a explosão de um satélite em um campo próximo ao local onde se encontravam. Eles pegaram todas as informações possíveis no local e voltaram para o SIOC onde souberam que a Coreia do Norte estava prestes a disparar mísseis nucleares contra os EUA.
Não foi fácil encontrar os mercenários que estavam passando informações para a Coreia do Norte. Com algumas conexões com a CIA e também pessoas com quem a Jane trabalhara foi possível localizar o local onde os mísseis estavam armazenados.
Durante o dia de trabalho Tasha ficou sozinha com Patterson no laboratório.
— Patterson! – A morena chamou a atenção da amiga. – Só eu que notei, ou você também acha que tem algo estranho com o diretor-assistente Reade? – Durante todo o dia Tasha vinha estranhando o comportamento do amigo.
— Como assim? – A loira perguntou.
— Ele não disse uma palavra que não fosse dando ordem hoje. – Tasha explicou.
— Dê um desconto a ele. – A loira disse após refletir por um momento. – Quando criei meu aplicativo Wizardville eu contatei alguns amigos para trabalhar comigo. E dar ordens a eles o tempo todo não era nada fácil, nem divertido.
— Não quero que seja divertido. Quero apenas que seja normal. – A verdade é que Tasha não esperava que tudo tivesse tão diferente.
— Talvez precisemos achar nosso novo normal.
— Vamos tentar conseguir. – Tasha disse com pouco ânimo.
Reade estava em sua sala finalizando os relatórios da úlima missão quando a diretora Hirst foi até lá.
— Assistente Reade, o que está acontecendo? – A mulher o questionou.
— Nada do que fiz hoje funcionou. – Ele explicou desanimado.
— Quer minha opinião? – A mulher perguntou tentando encontrar uma maneira de ajudá-lo.
— Claro.
— Sua equipe voltou, e você está tentando compensar. Assumindo muitas tarefas, duvidando de si mesmo, e quase sendo morto. – Ela explicou.
— Por favor, vá direto ao ponto.
— Seja o líder que eu conheço. Sua equipe é a melhor das melhores. Foi por isso que montamos essa força tarefa, não foi? Incentive-os, confie neles e eles vão trazer resultados. – Hirst terminou de falar e o deixou sozinho na sala.
Ela tinha razão. Reade precisava tomar as rédeas da situação. E não seria dando ordens ou discutindo por qualquer coisa que conseguiriam trabalhar em sintonia. A verdade é que ver seus amigos todos juntos de novo o fazia perder um pouco do controle que ele havia adquirido durante o tempo em que estava nesse cargo.
E no meio de tudo isso tinha Tasha. A presença dela estava lá, mais forte que nunca. Ele se sentira surpreso ao vê-la. Ela estava diferente, mais bonita, mais arrumada, seus cabelos tinham novo corte e novo tom. Mas ainda era a mesma de sempre.
Tasha sempre fora sua melhor amiga e de repente foi embora e eles não se falaram mais. E as circunstâncias em que ela deixou o FBI não foram muito boas, pois Reade nem ao menos se despediu. Ele tinha que confessar que sentira saudades, mas sempre fora um fraco em tomar decisões, então não teve coragem de ligar, nem pra saber se ela estava bem, se gostava do novo emprego, se conhecera pessoas novas, se estava com alguém. Ele sabia que havia falhado com sua melhor amiga.
Às vezes ele pensava nela, em tudo que houve entre eles. Parecia fazer muito mais tempo do que realmente fazia, mas ele ainda se lembrava com detalhes daquela noite, do cheiro dela, do gosto do beijo, da maneira intensa como se entregou a ele. Talvez eles devessem ter conversado sobre aquela noite, mas ele estava tão bagunçado e já havia a arrastado para toda sua bagunça que preferiu deixar que ela pensasse que foi apenas uma noite em que os dois estavam carentes e não pensaram direito no que estavam fazendo. E a maneira como ela foi embora no outro dia deixara claro que pra ela também não passou de uma noite.
Reade voltou para junto da equipe e começou a dividir as tarefas com mais cuidado, se certificando de como eles estava recebendo as ordens.
— Todos os satélites voltaram e o antimíssil está novamente online. – Patterson disse assim que todos voltaram ao laboratório.
— A Coreia do Norte recuou os mísseis. – Hirst completou. – Não vão reconhecer o ataque. Bom trabalho a todos. Salvaram muitas vidas hoje.
— Sim, também quero agradecer a todos. – Reade falou grato.
— Não precisa nos agradecer. – Jane completou.
— Preciso sim. Este trabalho é muito difícil e está apenas começando. Se os próximos passos forem como hoje, vamos ter algumas surpresas. Teremos que ajustar algumas coisas. Vamos demorar a nos acostumarmos aos nossos novos papéis. Mas somos uma ótima equipe.
— Vamos brindar a isso. – Tasha propôs.
— Nada disso. – Reade interveio. – Não teremos mais bebidas no laboratório. É uma nova regra, mas fora isso, pouca coisa mudou por aqui. – Ele explicou.
No final daquele dia, todos sentiam que precisavam se esforçar para recuperar seus antigos amigos. Não seria uma tarefa fácil encontrar esse novo normal, mas com um esforço conjunto daria certo.
Reade estava em casa e havia terminado de tomar banho e se vestir quando ouviu a campainha tocar.
— Oi! – Ele cumprimentou uma Tasha sorridente que o esperava em sua porta.
A morena estava na frente dele carregando uma caixinha de sua cerveja preferida. Afinal ela sabia o que ele gostava. Certas coisas não mudavam.
— Oi. – A morena falou. – Estou procurando meu melhor amigo. Você o viu?
— Acho que se mudou para Langley, mas pode deixar a cerveja aqui. – Ele brinca com ela enquanto pega a caixinha de cerveja. – Desculpe por hoje. Eu fui um idiota. Prometo que vou melhorar. Ainda estou me acostumando a ter vocês de volta. – Ele se desculpou.
— Eu também. Vou me esforçar para respeitar sua autoridade, embora tecnicamente Keaton seja meu chefe de verdade.
— Você trabalha na CIA agora? – Ele brincou. – Engraçado, você nunca me falou sobre isso.
— Amor, se for o entregador, dê uma boa gorjeta por ter saído da área de entrega. – Uma voz feminina falou vinda do interior da casa.
— Você está em um encontro? – Tasha perguntou tentando parecer natural, mas ela sentiu que chegara em um momento totalmente errado.
— Não exatamente... – Reade começou a explicar.
— Oi. – Uma morena, provavelmente indiana, disse apontando de dentro do apartamento.
— Esta é Zapata, do trabalho. – Reade apresentou a amiga a ela.
— Tasha, esta é minha namorada Megan. – Reade apresentou a mulher à amiga. — Nós Íamos nos sentar e jantar no nosso apartamento. – Ele fez questão de enfatizar o ‘nosso’ para que Tasha soubesse com quem estava lidando.
Reade e Megan estavam namorando há um tempo. Pouco depois que Tasha fora embora ele a conheceu e e ela estava fazendo muito bem a ele, o que parecia mútuo.
— Quer se juntar a nós? – Megan ofereceu. – O restaurante é ótimo e sempre pedimos comida demais. – Ela era muito simpática.
— Não, é muito gentil, mas... – Tasha não queria ficar. Fora pega de surpresa. Se soubesse que Reade estava com alguém ela jamais teria ido até lá.
— Sério, Tasha, já era pra termos recebido você aqui há séculos. – Meg explicou. – Eu não conheço nenhum dos colegas de trabalho do Ed.
— Não, você e Ed marcaram algo... – Reade estranhou a forma como Tasha disse ‘Ed’. Ela nunca o chamara assim, provavelmente só estava imitando Meg.
— Não, Meg. – Reade tenta dissuadir a ideia da namorada. – Nós marcamos algo outro dia.
— Amor, ela já está aqui. – Megan parecia irredutível. Ela trouxe bebida. Ela vai ficar. – A mulher completou. – Tasha, você vai ficar.
— Certo. Eu vou ficar. – O que Tasha queria era sumir dali. Ela sabia que estava no lugar errado e na hora errada. E não queria jamais ser um incômodo para Reade e sua namorada.
— Ela vai ficar. – Reade não tem argumentos e abre espaço para que Tasha entre.
Talvez Reade devesse ter contando antes para Tasha que ele estava com Meg. Mas ele nem teve oportunidade. De jeito nenhum fora sua intenção colocar as duas naquela situação. Ele sabia que a amiga não estava confortável, Reade a conhecia bem. Ele queria conversar com ela, se desculpar, mas não sabia nem mesmo como fazer isso.
O jantar foi tranquilo. Meg era uma ótima pessoa e fez de tudo para deixar Tasha confortável. Depois que a amiga foi embora Megan não comentou muito, apenas disse que ela parecia ser uma ótima pessoa. Reade por outro lado estava confuso.
Ele pensava que estava muito bem com Meg, mas a presença de Tasha agora estava em todo lugar. No trabalho, hoje no seu apartamento. E algo que ele jamais diria, também esteve essa noite em seus sonhos. Ela estava lá com aquele sorriso aberto e os olhos brilhantes olhando pra ele, e de repente ele via Megan também sorrindo ao lado de Tasha.
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Após vagar pela casa vazia e silenciosa ele voltou para a cama. Fazia tantos anos que tudo aconteceu, mas ele conseguia ver claramente e entender o porquê daquilo tudo. Se aninhou ao lado de sua amada a puxando para ele e colocando um beijo doce em seus cabelos e logo adormeceu.
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