Nascida nas Sombras
14 Capítulo 13
Notas iniciais
CAPÍTULO 13 — UM NOME PARA ENCABEÇAR UMA LISTA.
–Você realmente, realmente se sente melhor para sair da ala médica? – Anna perguntou pela milésima vez, sem estar muito convencida. Ela, com toda a boa vontade que tinha, estava acompanhando Florence até seu quarto.
–Eu realmente, realmente me sinto, obrigada pela ajuda.
Florence andava mancando e ainda sentia dores na costa, mas fora isso se sentia muito bem. Ela, não queria admitir, mas estava satisfeita pela parceria com Alexander Woodley, porque não sabia ao certo o que fazer para provar que seu pai não era culpado sozinha. E talvez essa investigação junto com o Woodley, ela conseguisse algo. Pois uma coisa sabia, se aquele Filho da Noite que se passava por ela, matava as pessoas que Florence discutia e depois escrevia seu nome acompanhando um aviso de que ela será a volta de alguma coisa, certamente fazia referência a seu pai, ao que ‘’ele fez’’.
–Senhorita Willis, espero que esteja se sentindo melhor – Minerva falou, espantando garotas. Não era o que ela disse que as assustou, mas como disse. Sem falar que apareceu do nada na frente das duas.
–Estou bem, diretora.
–Ótimo, tenho uma coisa para falar com você.
–Achei que já tivesse respondido todas as perguntas do assassinato ontem.
–E respondeu, não é esse o assunto.
–Então qual é?
–É sobre sua colega de quarto.
–Aconteceu alguma coisa com Amélia?
–O que aconteceu foi que ela se recusa a dormir mais uma noite com você, se quer.
–Mas o quê?
–Ela está completamente firme quanto sua decisão de mudar de quarto e não sou o tipo que acata isso com facilidade. Mas...
–Mas?
–As medidas são outras, os tempos não são os mesmos. A situação que ela espoe é verdadeira. Eu preciso levar em consideração isso.
–E o que pretende fazer comigo, diretora? Me colar para dormir em uma despensa?
–Oh, não. Se ela pede transferência, ela deve resolver o problema. E de fato, resolveu.
–Posso saber como?
–Ela pediu para trocar de quarto com a senhorita Anna Jones.
–Comigo? – Anna, que parecia ter se camuflado perante a uma conversa que não entendia, se assustou com a menção de seu nome.
–Sim, ela disse que são amigas, vocês duas, e que não seria problema.
Anna olhou para Florence e então depois abriu um sorriso de orelha a orelha.
–Não é problema algum, tipo nenhum mesmo diretora, nenhunziho. – Anna já saltitava para algum lugar – Preciso arrumar minhas coisas, ai meu Deus, que maravilha!
–Ai nossa – Florence tocou sua cabeça – Eu já prevejo noites sem dormir e muito sono.
–Quanto a isso, me mantenha informada, qualquer coisa eu poderei resolver. Anna Jones não é fácil, mas eu ainda sou Minerva Woodley.
–Claro que é – Florence sorriu de forma forçada, apenas por educação – Claro que é.
[...]
–Você nem sabe – Anna se jogou na cama que antes era de Amélia – Uma novidade.
–Se eu disser que não quero saber, você vai me contar, não vai? – Florence resmungou com o edredom cobrindo seu rosto, deitada na sua cama e com vontade de dormir por um bom tempo.
–Mas é claro.
–Então conta de uma vez.
–Gisele Smith saiu da escola.
–Gisele Smith?
–A irmã da garota que morreu; a morena que jogou uma pedra no seu rosto.
–Anna, ela não me jogou uma pedra no rosto.
–Tanto faz, ela saiu.
–A família deve estar abalada, eles perderam Deborah.
–Pelo que eu ouvi, Gisele saiu porque a mãe dela mandou.
–Hm? – Florence já tinha perdido o interesse naquilo.
–Isso mesmo, eu fiquei tipo ‘’O quê, senhor?’’, porque, cá entre nós, a mãe dela é um sonsa, mosca morta, não manda nem no que vai vestir.
–Hm, hm.
–Ela disse que fez isso, porque todo mundo que se mete com Florence Willis acaba morrendo e a Gisele jogou uma pedra em você!
–Ai meu Deus, Anna, meu Deus! – Florence reclamou com irritação.
–Eu sei, tive a mesma reação, chocante – por sua vez, Anna não entendeu – Bem, agora vou tomar banho para ir a aula, podemos continuar nossas fofocas mais tarde, temos a nooooite toda.
Assim que Anna fechou a porta, Florence quis chorar. Ela disse a noite toda? Oh sim, disse. O sono seria perdido, sem dúvida.
Florence então resolveu que deveria dormir um pouco, enquanto Anna estava ocupada. Mas seu plano foi frustrado quando alguém bateu na porta.
–Eu posso não abrir, ah, eu posso – ela sussurrou para si mesma.
Mais uma batida.
–Droga – e então levantou. Claro, antes xingando todos os descendentes da pessoa que estava impedindo seu sono.
Ela abriu a porta, pronta para reclamar.
–Nossa, você está horrível – Alexander comentou, do outro lado, com os cabelos pingando e relaxado.
–Ah, é você – suspirou.
–Sim, sim, esconda a animação um pouco, que eu tenho que ser rápido. Alguém está ai com você?
Florence olhou para o banheiro e Anna cantava alguma coisa estanha que tinha a ver com vestidos e New York dentro do banheiro, ocupada demais consigo mesma.
–Anna está no banho e não cala a boca, pode falar – disse.
–Quero que me encontre na biblioteca depois da aula.
–Nossa aula já é tarde e você ainda me pede isso?
–Garota, o meu acordo com você não foi para andarmos pela escola observando, foi para investigarmos.
–Mas como vamos descobrir alguma coisa sobre o assassino na biblioteca?
–Pense, o que tem na biblioteca?
–Livros?
–Que tipos de livros?
–Dá pra falar logo, Alexandre?
–Me chama de Alex, já disse – ele passou a mão pelo cabelo, irritado – Na biblioteca, tem uns livros com os nomes de alunos desde a fundação da escola, podemos formar nossa lista de suspeitos assim.
–Tem que ser hoje?
–Não, eu vim aqui agora, me arriscando, para avisar que é semana que vem.
–Tudo bem, tudo bem, entendi. Depois da aula.
–Espere um pouco, espere as pessoas dormirem. Depois da aula é só modo de dizer.
–Sei – e bateu a porta na cara dele, satisfeita por dizer a última palavra.
[...]
Florence suspirou.
–O que vamos aprender agora? – uma mulher loira e alta, com roupas tão apertadas quanto possível, falava em frente a um pequeno grupo de alunos. Seu nome era Amanda Williams. Mas Florence quase não prestou atenção em sua apresentação. Infelizmente Anna não tinha outra aula junto com ela e quem ocupava o seu lugar era Alexander, juntamente com a supervisora Mayre – Bem, entendemos muito bem que saber lutar é essencial, considerando o que somos. Só que, precisamos entender também que um Filho da Noite esperto e corajoso, não é o que se joga em uma batalha que sabe que vai perder, mas sim que dá um passo para trás para poder sobreviver. Se você fica vivo, tem chance de ganhar outras batalhas. Se morre, bem, você apenas vai morrer.
–Está dizendo que temos que correr quando tu ficar difícil? – uma garota perguntou, quase perplexa. Florence não entendia o porquê disso, já que era exatamente o que fazia.
–Estou dizendo que a vida vale mais que uma batalha perdida. Qual o problema de se salvar invés da sua ‘’honra’’? – a professora disse – Entre aspas, não é? Porque ninguém aqui vai perder sua honra, por ser inteligente.
–Então, qual será nossa aula? – a mesma garota voltou a perguntar.
–Nossa aula é exatamente sobre isso. – quando ela percebeu que ninguém entendeu absolutamente nada, prosseguiu –Bem, que tal uma corrida?
–A noite? – Florence não perguntou alto, mas todos os olhares se voltaram para ela. Até mesmo a professora ficou nervosa.
–Bem – começou – você não pode se esquecer de que a noite é nossa Força.
–Mas a Noite vai nos proteger do frio e tam...
–Continue, professora, por favor – Alexander interrompeu impaciente.
–Tudo bem — aquilo que ela lançou para Florence foi um olhar de desculpas? O quê? Ela era a professora! – Acho que vocês conhecem um famoso jogo mundano que consiste em pegar o outro.
–Eu gosto de pegar o outro – algumas risadinhas maliciosas soaram.
–Por favor, quietos! – a professora mandou- Posso continuar? Excelente. Bem, eu vou escolher uma pessoa e então essa pessoa terá que correr atrás do resto da sala. Quem ela tocar, fará a mesma coisa. É um jogo simples. E para um primeiro dia de aula é ótimo. Eu vou ensinar vocês a terem um condicionamento físico bom e a correrem para salvar suas vidas. Quem quer começar?
–Eu posso começar – Mayre levantou a mão imediatamente.
–Okay, senhorita Lys, então, vamos nessa!
Alguns alunos se espalharam pela propriedade em frente a escola, claramente animados. Florence, com raiva e sono, andou batendo o pé para a extremidade mais afastada de todo mundo. Que aula sem noção! Se Vivian estivesse ali, elas iriam rir juntas dos babacas que estão empolgados com aquilo!
Florence levantou a cabeça.
Vivian não estava ao seu lado, porque não merecia estar. Aquela, com quem Florence partilhava segredos e noites em claro, não era a Vivian verdadeira. Então, subitamente, Florence se sentiu triste. Parecia tudo muito pesado para uma garota como ela aguentar, parecia pesado demais.
Mayre deu um grito quando quase escorregou em uma parte cheia de limo. E isso fez com que Florence se espertasse. Bem, aquilo era um jogo, certo? E por que não jogar?
Com determinação, correu do seu canto e foi para o oposto ao que Mayre Lys ia. Florence pensou que tremeria de frio, mas a verdade é que seu corpo estava pegando fogo. Era como se ele estivesse esperando por isso. Cada vez que corria, mesmo que por poucos metros, ela sentia uma vitalidade tão grande que se pegou sorrindo enquanto fazia o exercício. Mas estava ficando tedioso. Mayre não ia na direção dela, quer dizer, Mayre quase não ia na direção de ninguém; ela parecia querer sempre ir atrás de Alexander. Florence não sabia como os alunos não pareciam notar, porque estava evidente. Mayre corria atrás de um aluna, mas dois segundos depois estava atrás de Alexander. Então Mayre corria atrás de mais alguém, logo depois Alexander novamente. Ora, por favor, se ela gostava tanto assim dele, que tal separar as coisas?
Mas então, Mayre conseguiu ser mais rápida e alcançou sua presa. Agora era a vez de Alexander comandar.
Todos correram, porque, pelos cochichos que Florence ouviu, ele era muito rápido. Essas fofoquinhas logo foram confirmadas quando, em menos de um minuto, ele conseguiu tocar em um garoto com cabelos cacheados. Então tudo recomeçou.
Mas o tédio também voltou.
Porque todo mundo parecia disposto a não chegar perto de Florence. Eles preferiam pegar qualquer pessoas, até a mais afastada, menos ela. Chegava a ser ridículo!
Para testar se o que estava pensando era verdade, ela resolveu ficar na frente de uma garota que corria para pegar sua amiga. E, por incrível que pareça, a menina desviou dela! Desviou! Como se ela fosse um nada, como se ela nem estivesse ali. Talvez tivesse chegado a hora de pedir para a professora desistir.
Abaixou a cabeça, frustrada, e se virou em direção a senhora Williams.
–Espero que saiba correr bem, Florence Willis! – Alexander gritou, fazendo a garota virar em sua direção – Porque agora você é minha vítima e eu vou atrás de você.
Florence só foi perceber que ele não estava brincando, quando Alexander começou a correr em sua direção. Ela fitou a professora, desesperada, esperando por respostas, mas ela só conseguiu um ‘’Corra, por que está parada?’’. E então correu.
Correu o mais rápido que conseguiu e tentou chegar o mais distante possível de Alexander, mas toda vez que olhava para trás, ele parecia cada vez mais e mais perto.
–Ai, meu Deus! – ela gritou por cima dos ombros – Você simplesmente não pode me esquecer? Vá atrás de outra pessoa!
–Mas eu quero ir atrás de você! – ele gritou de volta.
Florence olhou mais uma vez para trás e percebeu que ele iria pegá-la em poucos segundos. Quando tentou correr mais rápido, foi exatamente isso que aconteceu. Alexander segurou em sua cintura e ela se desesperou um pouco; tentou se livrar da mão dele, mas tudo o que conseguiu foi fazer os dois caírem no chão.
Ele aprendeu contra o gramado bem aparado da Escola Cinzenta.
–Você é tão devagar, acho que cheguei a dormi em uma parte da nossa corrida – ele disse, sorrindo.
–Cala a boca, você simplesmente se aproveitou por eu não ter me alongado.
–Mas eu também não me alonguei!
Com um corpo desses quem precisa de alongamentos? Ai, Deus, o que ela estava pensando?
–Não importa – disse, com vergonha dos seus pensamentos – Você é bem maior que eu, isso deve ajudar na corrida.
–Sua derrota foi apenas merecida.
–Merecida?
–Você fechou a porta na minha cara, garota, isso não se faz.
–Você estava me deixando com sono.
–E agora, eu duvido que você fique com sono, porque está com você – ele empurrou o braço dela e correu de volta para perto dos outros alunos.
–Vamos ver com quem vai ficar, cara.
Ela correu atrás das pessoas mais lentas que conseguiu perceber, enquanto Mayre Lys se controlava para não empurra-la no chão, como Alexander tinha acabado de fazer. Só que de um jeito diferente.
[...]
–Minha aula foi sobre as primeiras famílias dos Filhos da Noite – Anna comentou, depois que as duas já estavam prontas para dormir – Mas não acabamos de ver todas.
–Parece que foi realmente legal – Florence mentiu.
–E foi mesmo – Anna nem percebeu – Mas e como foi a sua?
–Foi boa.
–Mas o que você teve?
–Corrida.
–Corrida?
–Um corria atrás do outro.
–Ah, sim – ela balançou a cabeça – Eu já ouvi falar dessa aula. É meio complicada, porque os alunos não a levam a sério. Todos acham que serão imbatíveis, então para que correr? De uma coisa eu sei, vou prestar muita atenção nessa aula.
–Bem, eu concordo. Não somos imbatíveis, embora pareçamos. Só somos adolescentes. Podemos atravessar a rua e acabarmos morrendo atropelados.
–Na verdade, nós somos Filhos da Noite acima de tudo. E dificilmente um atropelamento nós mata, só se for um super carro que está com uma super velocidade, mas acho que até isso torna difícil nossa morte. Mas eu entendi seu pensamento.
–Que bom, assim me poupa o tempo de desenhar – Florence sorriu, quando Anna jogou um travesseiro nela.
–Eu não sou lerda, se é isso que quer dizer! – ela exclamou.
–Eu não quis dizer nada – Florence levantou as mãos em sinal de rendição.
–Tudo bem, sobre o que podemos falar agora que...
–Anna, eu sei que nós duas no mesmo quarto é realmente muito legal, mas estou com sono e cansada. Correr nunca é fácil para mim. Por favor, podemos fazer a festa das meninas depois?
Anna a avaliou por um momento, como que para testá-la.
–Tudo bem, tudo bem – suspirou depois – Fazemos nossa super festa outro dia. Mas vai ser logo.
–Vai ser logo. – Florence concordou – Então boa noite.
–Boa noite para você também.
Anna desligou a única luz do quarto e então elas ficaram em um completo escuro. Florence fechou os olhos, rezando para não acabar dormindo sem querer e deixar Alexander furioso. Esperou, esperou e esperou, até finalmente ter certeza que sua amiga dormia tranquilamente.
Colocou um casaco grande e velho por cima de seu pijama de cereja e correu para o andar de baixo, tentando fazer o mínimo possível de barulho.
Desceu as escadas como quem tem medo de quebra-las sobre o peso de seus pés e correu nos corredores como quem tem medo de não achar uma saída. E, por fim, chegou a biblioteca, o lugar que tinha se escondido dias antes.
Quando finalmente entrou no lugar, tudo parecia quieto demais, silencioso demais, como se nem mesmo uma mosca tivesse passando por ali.
–AI, aquele idiota vai me deixar plantada aqui – ela xingou, alto o bastante.
–Que tal da próxima vez olhar bem para os lados, antes de sair xingando? – Alexander estava sentado em frente a uma mesa, repleta de livros, escondido atrás de uma pilastra.
–Ai – Florence colocou uma mãe no peito – Você quase me matou.
–Que azar o meu então – ele resmungou, sem tirar os olhos do livro que estava em mãos.
–O que está fazendo?
–O mesmo que você fará em segundos – ele respondeu – Pegue uma cadeira e um livro e então procure a lista de alunos de 1990.
–Por que essa lista? Desse ano, quero dizer.
–Foi o turma mais famosa de toda a criação dessa escola. Dizem que eram os mais rápidos, os mais fortes e os mais inteligentes. E meu pai e seu pai estavam nessa lista.
–Tudo bem, então.
Florence não chegou a procurar nem dez minutos, quando Alexander conseguiu o que queria. Ele arredou a cadeira para mais perto dela e mostrou a foto dos alunos.
–Essa é a lista – ele mostrou – Aqui são informados muitas coisas sobre cada aluno. Desde o ano que nasceu até os poderes e habilidades que tinham.
–Nós podemos mexer nisso?
–Nós não poderíamos nem estar aqui a essa hora.
–O que exatamente estamos procurando nessa lista?
–Exatamente, eu não sei, achei que viria alguma ideia na minha cabeça, mas nada.
–Bem, podemos começar procurando...
–Ei, calma ai – ele cerrou os olhos em direção ao livro.
–O quê?
–Eu achei uns documentos aqui que falam sobre as coisas mais graves que cada aluno fez durante a estadia na escola. Tipo a Mônica Diniz, seja lá quem for, que pichou a porta da direção no primeiro ano e ganhou suspensão.
–Bem, é realmente caso de suspensão, se for...
–Oh não, não – Alexander exclamou, terminando de ler o que havia começado.
–O que foi?
–Aqui relata uma briga muito séria entre meu pai e Ronald Jones. Foi no segundo ano dos dois. E ninguém comentou o motivo. Depois disso – Alexander virou algumas páginas, mostrando outras fotos para Florence – Meu pai e seu pai, que eram amigos, se afastaram. E seu pai se aproximou de Ronald. Está vendo? Aqui está seu pai! – ele apontou para as fotos de um garoto com cabelos negros e olhos verdes.
–Esse é meu pai? – Florence o encarou, quase emocionada. A única vez que viu o rosto do seu pai na vida, foi quando a mãe lhe mostrou uma pequena foto dele com o rosto quase que borrado. Ela quase arrancou o livro da mão do garota ao seu lado e rasgou aquela página.
–Sim, era ele – Alexander não percebeu isso e continuou seu discurso – Bem, ao que tudo indica ele e Ronald viraram amigos. Todas as fotos eles estão juntos e em fotos mais casuais, estão sempre rindo de alguma coisa.
–Está bem, mas o que tem?
–Bem, aqui diz que eles fundaram juntos uma Irmandade chamada ‘’Os Merecedores’’.
–Você poderia me dizer onde quer chegar?
–Acontece que essa Irmandade gerou o grupo que seu pai liderou anos depois contra os Filhos da Noite.
–Mas isso...
–E diz mais uma coisa. Preparada? – Florence fez que sim com a cabeça e Alexander começou a ler – ‘’Ronald Jones, aluno notável, com poderes muito almejados e raros, motivo de orgulho. Suas habilidades variam de velocidade, força, inteligência e vão até mesmo a mutação. Sua capacidade de tocar em algo que pertence a outra pessoas e se transformar na mesma é motivo de espanto de tão absurdamente perfeito que é’’
–Então ele é um suspeito! Não sei, na verdade talvez ele ou talvez a família dele. Estou certa?
–Sim, mas...
–Tudo bem, quem é da família dele?
–Você não notou o sobrenome?
–Na verdade, não, o que há com ele?
–Ronald Jones é o pai de Anna Jones – Alexander disse – Anna é automaticamente uma forte suspeita agora.
Florence manteve as sobrancelhas juntas e a confusão invadiu sua cabeça.
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