Notas iniciais
Gente, se vocês quiserem mandar um comentário para a história, tudo bem, eu não mordo e até respondo :)

CAPÍTULO 3 — ESCOLA CINZENTA: PARTE 1

Florence acordou com a luz incomodando seus olhos.

Ela se sentou quase que imediatamente na cama e observou o lugar a sua volta. Havia apenas um armário no lugar, juntamente com uma janela meio quebrada. Era escuro e parecia úmido demais. Aquele não era seu quarto.

Revirou suas lembranças por apenas alguns segundos e achou sua resposta.

Depois de sair de sua tão esperada festa de aniversário, Florence havia sido levada pelo homem de preto – Liam – até aquele lugar, onde ele murmurou um ‘’É melhor não chamarmos atenção’’

Atenção? De quem? O que ela estava fazendo ali?

A mãe ligou para ela também, na outra noite, dizendo que iria visita-la antes de Florence partir.

Partir? Partir para onde?

A menina ainda estava completamente indignada por ter sido levada de sua festa, iria se recusar a ir em qualquer outro lugar que a mãe pedisse ou mandasse. Ah, eles deveriam estar falando da escola com nome esquisito.

Escola Preta, oh não, Escola Horrenda, talvez, mas era Escola Cinzenta mesmo.

Por que toda aquela confusão para ir a uma escola?

Talvez a mãe acreditasse que ela se negaria a sair da Saint Lewis, escola que dividia com Vivian e Peter, mas ela não iria, não depois de ver sua melhor amiga junto com seu namorado. Ex.

Os pensamentos de Florence foram interrompidos bruscamente, pela firme batida em sua porta.

–Senhorita Wills, sua mãe acabou de chegar. Por favor, desça imediatamente – a voz abafada de Liam falou, do outro lado da porta – Acho que terá algumas respostas.

Florence deu um pulo da cama e foi se arrumar.

[...]

Cada degrau que descia era uma tortura.

O nervosismo aumentava e o seu coração mudava o ritmo mais uma vez. Mas quando enfim chegou ao último degrau e olhou nos olhos de sua mãe, ela esqueceu de tudo que a deixava temerosa. Correu para os braços de Leila e se perguntou como poderia fazê-la mudar de ideia. Seja qual fosse a ideia da mãe.

–Mamãe, o que está acontecendo? – Florence perguntou, ainda abraçada a mãe, tentando não se atrapalhar com os fios vermelhos do cabelo de sua mãe. Florence gostava daqueles fios. Sua mãe sempre dizia que ela era muito parecida com o pai, mas uma coisa ela e a mãe compartilhavam. E isso era o cabelo ruivo.

–Querida, querida, querida – a mãe murmurou – Isso iria acontecer mais cedo ou mais tarde.

Florence se soltou da mãe.

Leila estava com um vestidinho vermelho muito simples e bonito em seu corpo, mas mantinha um olhar cansado.

–O que iria acontecer? – Florence falou, com os olhos cerrados.

–Liam, poderia nos dar licença? – a mãe perguntou para o homem ao lado de Florence, mas ele não fez nenhuma menção em sair.

–Sabe que não posso – ele apenas disse.

A mãe suspirou e a garota a olhou com expectativa.

–Querida, nosso mundo é mais amplo do que você imagina – Leila começou a dizer, enquanto puxava Florence para se sentar em um pequeno e velho sofá verde, ao lado. As duas se encararam como se procurassem respostas no olhar uma da outra, para perguntas diferentes.

–Como assim? Ele é grande, é verdade, mas por que eu tive que sair da minha festa?

–Você, naquele exato momento, fez 16 anos.

–Sim, eu fiz.

–Não, querida, você nasceu ás 23:34 e foi nesse momento que Liam foi busca-la.

–Me buscar? Por quê?

–Florence, eu nasci em uma casa boa e acolhedora, onde, desde pequena, eu aprendi que não era como as outras garotas da minha escola na cidade grande. Eu também tenho a Marca – ela levantou um pouco a camisa e mostrou uma manchinha perto do umbigo. Florence não conseguiu formular uma frase, ela nunca tinha visto a Marca na mãe – Só que isso não é o final da história. Essa Marca significa que você é diferente.

–Filhos do Preto, não é?

–Filhos da Noite – a mãe corrigiu.

–O que são? Uma gangue?

–Nós somos seres poderosos, que tem como força a noite.

–Mamãe, você parece uma louca falando assim. Me desculpe, mas o que esta acontecendo? Eu não estou entendo.

–Todos os Filhos da Noite vão para a Escola Cinzenta e foi lá que eu conheci seu pai. Ele também era um Filho da Noite.

–Eu ainda não entendi muito bem. O que são mesmo os Filhos da Noite?

–Não somos humanos, Florence – a mãe falou mais firme – Não somos frágeis, não somos vulneráveis, não somos como as outras pessoas. Podemos levantar um carro, se tivermos a Força da Noite.

–Isso é impossível.

–Não, meu amor – a mãe disse – Você viu o que Liam fez com aquela recepcionista. Ele usou o Poder da Mente com ela. Nada é impossível.

A mãe tinha razão. Alguma coisa em Florence ainda duvida, mas alguma coisa também concordava. Ela sentia um poder maior dentro de si mesma, desde seu aniversário, mas se negava a acreditar nisso, ao mesmo tempo.

–Mas mãe, eu sou só uma garota normal, com problemas normais e coisas normais para fazer.

–Florence a Marca prova que não é. Todos os Filhos da Noite a tem. Seu pai tinha, eu tenho...

–E Paul?

–Também – ela respondeu.

Florence não soube explicar de onde teria vindo tanta revolta, mas ela sentia aquele sentimento pulsar em seu corpo como se estivesse misturado com o seu sangue, de uma hora para outra. Se ela era verdade mesmo aquilo que eles falavam, por que contaram para ela tão tarde?

–E você está me contanto isso agora por dever? – ela perguntou a mãe, claramente raivosa.

–O quê? – a mãe piscou rápido algumas vez, surpresa pela resposta da filha – Não! Eu vim aqui porque achei que deveria saber, amor.

–Não vem com essa, mamãe. Você teve a vida inteira para me contar e escolheu me deixar ignorante quanto a minha própria vida. O que tem nessa Escola Cinzenta, afinal? Vamos, me diga.

–Ela vai ensinar á você tudo o que precisa – a mãe respondeu – Ela vai ensinar você a se defender do mundo. A ser uma Filha da Noite poderosa.

–Então, que seja – ela deu de ombros – Eu vou para qualquer lugar, contanto que eu tenha que passar um tempo longe de casa.

–Florence...

–Você mentiu, mamãe, você sempre esteve mentindo para mim. Sobre a Marca, sobre o papai, sobre mim. Depois que eu vi Vivian com Peter, você e Paul passaram a ser as pessoas que eu mais confiava na minha vida. Mas assim como meus ex-amigos, vocês acabaram com a confiança que eu tinha.

–Eu amo você, querida – a mãe disse. Florence se virou e fitou Liam, que parecia imóvel e sem expressão alguma. A mãe apelaria para o amor, como sempre fizera, mas a garota não iria cair dessa vez.

–Liam – Florence disse ao homem – Quando podemos ir?

–Bem – ele respondeu de imediato – Sua mãe trouxe suas malas, eu arrumei as coisas por aqui e você me parece pronta – ele olhou para a menina vestida com as roupas que ele havia comprado para ela. Afinal, ninguém chegaria a Escola com as roupas que Florence estava na outra noite – Podemos ir quando quiser.

–Ótimo, vamos agora – Florence levantou do sofá e se colocou de pé, ao lado do homem.

–Florence, espere – a mãe veio em sua direção – Eu quero falar com você sobre mais uma coisa.

–Não, mãe, eu já ouvi demais – ela interrompeu.

–É sobre seu pai.

–Não quero ouvir sobre ele, eu nunca o conheci ou vou conhecer mesmo – ela controlou o impulso de falar o contrário – Tenho que ir.

Liam segurou uma mala sua, que estava ao lado do sofá e a levou para fora daquela pequena casinha. Mãe e filha o seguiram.

Ele abriu o porta-malas, colocou a bagagem ali e foi para o carro. Florence, receosa e arrependida, fez o mesmo.

‘’Ah, vamos lá, Florence’’ ela pensou ‘’Sua vida está uma droga, você precisa de umas pequenas férias. Sua mãe deve estar exagerando quanto os Filhos da Noite, mas você precisa de um tempo para você. Mantenha-se firme, garota. Vá para o carro’’

Mas a mãe a segurou, antes que ela entrasse no veículo.

–Vou ir visita-la nos dias que serão permitidos a visita dos pais. Paul também irá – ela disse – E não se esqueça, Florence. Não importa o que as outras pessoas falarem, seu pai foi um grande homem. Apenas tenha isso em mente. Ele honrou os Filhos da Noite até o último segundo de vida e ele sempre honraria. Não importa o que as pessoas dizem sobre ele, importa o que sente. Ele te amou e sempre irá te amar.

–Eu entendi – Florence murmurou, confusa pelas palavras da mãe, e seguiu para o carro.

Quando a porta do veículo foi finalmente fechada e ele começou a andar, Florence quis chorar.

A imagem da machinha do que deveria ser sua mãe, á distância, ficou em sua cabeça a viagem inteira.

Notas finais
E ai?