Nascente

9 Capítulo 9


Notas iniciais
Demorou, mas chegou!

Agarrei a gola da blusa de Nathan tentando conter meu tremor. Era óbvio que não via aquela mulher como minha mãe, mas ela me dava medo. Só de olha-lá. Meu namorado me apertou mais forte e foi aí que percebi que estava tremendo. Um nó intenso na minha garganta, me fazendo querer chorar.

- Olhe para ela, — disse debochada — está com medinho de mim — riu baixo.

Fechei os olhos, respirando o cheiro de Nathan. Ali, só ali, percebi o quanto Nathan era importante para mim. Esteve comigo a vida inteira (mesmo que eu não soubesse disso), está ao meu lado me protegendo. Não queria largá-lo nunca mais. Nunca mais.

Me senti mais segura e tive coragem em abrir os olhos e encarar a mulher. Minha mãe era feliz e boa. Nunca iria machucar ninguém. A raiva me tomou conta de mim quando vi a extenção da ferida no pescoço de Nathan.

- O que foi, bebezinha da mamãe? — disse com fingimento meloso na voz — Quer um abraço?

Agarrei mais forte Nathan, deixando claro que não ia sair dali.

- Ela gosta do namoradinho. — gargalhou — Nathan querido, você não foi o primeiro nem será o último. Ninguém segura essa...

- Cala a boca — murmurou Nathan.

A mulher — eu não conseguia chamá-la de outro jeito — parou de andar para os lados e nos fitou.

- Como é? — disse indginada.

- CALA A PORCARIA DA SUA BOCA SCARLET — gritei, ficando de pé frente a frente com ela.

Ela se afastou um pouco e colocou a mão no peito, como se tivesse ofendida.

- Cadê a sua educação garota? Seu pai não está fazendo isso direito — sorriu, esticando os lábios com batom vermelho.

- Não abra a sua boca suja para falar de mim — eu era um pouco idiota. Gritar uma vampira desse jeito era muita idiotice, mas minha rebeldia de enfrentar minha mãe desse jeito era maior que eu.

- Respeito, garota. Fui eu que te dei a vida — falou devagar, me avisando do perigo.

Eu simplismente ignorei o tom que disse.

- Você não é minha mãe — fui puxada para trás, quando Scarlet levantou a mão para me bater.

Ela baixou a cabeça escondendo sua expressão e saiu da cozinha em silêncio. Nathan me puxou num abraço apertado e eu chorei. Chorei até soluçar. Não via minha mãe desde que morreu e a encontro desse jeito. Mesmo que eu não adimitisse isso direito, Scarlet era minha mãe. Era. O pior que tudo é que eu a via como minha mãe, mesmo com a aparência mudada e vampira... mesmo matando pessoas. Eu a amava.

- Você é doida de enfrentar uma vampira daquele jeito? — Nathan falou ainda me abraçando — Não faça mais isso...

Funguei e puxei o seu rosto para dar um selinho. Ele era tão protetor em relaçãoa mim. Eu gostava disso nele. Deslizei a mão por seu pescoço e sem querer esbarrei na ferida que Scarlet fez.

- Me desculpe! — meu namorado fez uma careta de dor, mas não abriu a boca para reclamar. — Desculpa, desculpa!

Ele segurou os meus braços e sorriu, com um olhar "Tudo bem". Suspirei. Eu gostava de Nathan, gostava muito. Quando me tocava, quando conversava e quando ria comigo. Era perfeito para mim. Já ia ficando na ponta do pé para beijá-lo senti uma presença atrás de mim.

Olhei para trás e vi uma mulher com a aparência de 20 anos, loura, branca e muito igual à Nathan. Ela era...? Não, ele teria me contado. Não teria?

- Ruth é minha irmã. Gêmea — Nathan bufou para Ruth e olhou para mim.

Desviei o olhar para a gêmea de meu namorado e o queimei com o olhar. Por quê era tão difícil para as pessoas contarem as coisas para mim?

- Por quê não me contou?

Depois de uma conversa de uma hora entendi a razão de Nathan não me contar. Era um tipo de costume dos imortais não falarem da família, já que estão mortos. Ruth me emprestou um casaco que cobria a mancha de sangue em meu ombro. Apesar de muito silenciosa, era observadora. Ela se tornou imortal um ano depois de Nathan e Caled — o líder dos imortais que protegem as Cheneesy — , a encontrou e trouxe para junto do irmão. Ruth era gentil e graciosa, além de ser muito bonita.

- Cheny, nem vou pensar o que você andou fazendo na casa do seu namorado. Ainda mais chegando com roupa diferente — Natasha disse assim que coloquei o pé na sala.

Não havia sinal do meu pai no local.

- Estava chorando? — como essa garota repara em tudo, só podia trabalhar no CIS — O que aconteceu?

Me joguei ao lado dela no sofá e encostei a cabeça em seu ombro.

- Nada. Só algumas coisas fora do lugar. O que era que ficar no caixão, era para continuar lá. — confessei.

- Você não está falando nada com nada, sua anormal — passou o braço em volta do meu ombro e me deu um breve abraço.

Como as pessoas eram melosas comigo. Nem tinha reparado isso.

- Onde está meu pai? — mudei de assunto.

- Segundo o bilhete que estava grudado na geladeira, no restaurante. Ele está trabalhando de dia também.

- Sério? Caramba, vou chamar Nathan — decidi.

Natasha quase cupiu em mim quando bufou.

- O quê? — perguntei sem entender da sua repentina raiva.

- Você só pensa nele? E eu? Vim morar aqui por sua causa, pois não queria te ver sem alguém. Não vou ficar aqui para sempre, sabe disso. Não vai querer aproveitar o tempo que tem comigo?

Ela estava certa. Mas eu queria Nathan. Mas eu acabei de sair da casa dele...

- Vamos aproveitar então.

- Ainda bem que me escolheu, porque senão eu ia... — resmungou baixo e não pude ouvir o resto.

- Você ia fazer o quê, Natasha Tarracha? — ri do seu antigo apelido. Quando estávamos na primeira série, os meninos a chamavam assim.

Natasha acertou a almofada em meu rosto. Sua cara era a mais engraçada que eu já vi. Peguei outra almofada e a guerra começou. Nossas gargalhadas ecoavam a casa, os protestos de dor dava para ouvir na rua inteira. Eu era a mais escandalosa. Tasha me jogou no chão e colocou o travesseiro em minha boca.

- Deixa de ser escandalosa, barriga de minhoca — ela me disse, mas suas mãos pararam de apertar a almofada contra meu rosto.

- Do quê me chamou? — perguntei a encarando com os olhos semi-cerrados.

Ela estava morta. Usou meu apelido que eu mais odiava.

- Ô Lucy, foi sem querer — sorriu amarelo.

- Você vai ver o que vai ser sem querer — me levantei e Tasha saiu correndo pela casa.

Agora ela gritava. Ela sempre ficava ao alcance de uma palma de mim, não conseguia alcançá-la.

- Hey Lucy, minhoca tem um gosto bom? Aposto que viciou no sabor — a idiota ainda me provocava. Eu iria arrancar aquele cabelo vermelho rubi da cabeça dela.

Após de rodar a casa por uns dez minutos acabamos nos jogando nas cadeiras da cozinha comendo sorvete. As provocações pararam e agora a conversa voltou a ficar tranquila.

- Sabe a Kelly? — Tasha perguntou.

Bufei. Kelly era a garota que roubou meu namorado antes do baile de primavera.

- O que tem a oxigenada?

Natasha enxeu a colher de sorvete de creme, só para me deixar mais curiosa.

- Ela se apaixonou por um cara e quando ele conseguiu o que queria, ele largou ela — lambeu a colher.

Arqueei as sombrancelhas. Era óbvio que mais dia menos dia isso iria acontecer com ela. Era bem feito. Mas senti pena por Kelly, a dor de um coração quebrado era o que eu não desejaria para ninguém.

- Que pena — murmurei.

Quando pote estava quase no fim, Natasha voltou a falar.

- Cheny, você e Nathan já fizeram sexo? — baixou a cabeça tímida, com as bochechas coradas.

- Não fizemos nada — eu disse toda desconfiada.

A boca dela se abriu, surpresa.

- Por que não? — jogou as colheres com o pote na pia e saiu andando para a escada.

Eu a segui.

- Porque você me atrapalhou, lembra? — a frustração era evidente em minha voz.

Natasha parou no em frente ao banheiro e se virou para me olhar. Ela estava muito estranha... o que tinha naquele sorvete?

- Gosta do Nathan? — sussurrou. Seus olhos castanhos claros não largavam os meus. Acho que bati na cabeça dela com muita força.

- É claro que eu gosto dele. Demais até.

Tasha me fitou por mais um momento e sorriu.

- Só estava preocupada com você, nada de mais. Não queria que tudo acabasse como aconteceu no seu último relacionamento — entrou na banheiro e já foi se despindo.

Virei as costas para ela. Ás vezes Natasha era uma sem vergonha e tanto.

- Já faz um tempo que cheguei... dava tempo para vocês fazerem — vapor saía do box do chuveiro.

- É, mas nunca estamos sozinhos — expliquei. — Aqui em casa tem você e meu pai e na casa de Nathan tem a irmã dele.

- Uma irmã? — o rosto da Tasha apareceu numa abertura do box surpresa com a novidade. — Que estranho — fez uma careta e se enfiou debaixo do chuveiro outra vez. — Eu entendo você. Sabe, vocês podiam fazer uma viagem juntos. Seu pai não iria criar problemas.

Passar um tempo com Nathan a sós era o que eu precisava. Conhecê-lo melhor, saber dos seu sentimentos sobre mim... Iria ser bom.

Corri atrás do meu celular e ao encontrá-lo disquei o número de meu namorado.

- Namorada! O que se passa? — a sua voz rouca fez arrepiar os pelos dos meu braços.

- Nathan, o que acha de passar um final de samana viajando comigo? — diz que aceita, diz que aceita, diz que aceita.

Ele riu.

- Cheneesy, vai ser o final de semana perfeito.

Notas finais
Ola, muchachos!
Gostaram do capítulo? Espero que sim...
Ansiosos para o próximo?
Será que Nathan e Cheny vão viajar? Será que algo de ruim irá acontecer?
Só esperar para o próximo cap.
Bjos e até mais