Nascente

3 Capítulo 3


Notas iniciais
Mais um bônus para vocês.

- O que tem de errado em ser uma Cheneesy? — perguntei.

O garoto se virou lentamente para me encarar. Ele tinha uma expressão séria e os olhos nebulosos. Senti um arrepio na minha espinha.

- Então não sabe? -a voz estava grave.- Não sabe a história da sua família materna?

Levantei as sombrancelhas deixando um claro "Se eu soubesse não perguntava" na minha expressão.

Ele conteu o sorriso, não entendia onde estava a graça. O sinal soou mais uma vez.

- Vá para a aula Cheneesy — ele mandou. Ele parecia dizer "vá encher outro".

Bufei.

- Até parece que vou fazer o que você manda.

Ele sorriu e a névoa do seu olhar quase foi embora.

- Essa rebeldia só pode ser de família — ele balançou a cabeça para os lados. — Cheneesy, Cheneesy está no meio de um tiroteio e nem sabe — os olhos dele endureceram.

Como ele sabia tanto da minha família? E como assim tiroteio? Droga, por quê as coisas são tão difíceis de entender?

- Vai ficar sendo enigmático ou vai me explicar essa coisa toda? — eu estava sendo grossa, mas era para esconder o pânico que começa a crescer dentro de mim.

- Vá para a aula — ele repetiu, mas dessa vez um pouco mais gentil,- conto tudo para você depois. — Ele abriu um sorriso sinistro e me olhou de baixo para cima.- Estou vendo que vai me dar muito trabalho.

Ele acariciou do alto da minha cabeça até o meu queixo. Dei um passo para trás e corri para a próxima aula.

O professor baixinho careca me olhou de cara feia. Ignorei sua expressão e entreguei o papel para ele assinar.

- Me desculpe pelo atraso. Eu me perdi — menti.

O rosto dele suavisou num sorriso de compreensão.

- Eu entendo, senhorita. Agora por favor,sente-se.

Fiz o que pediu. A turma olhava para mim. Me sentei ao lado de uma garota de uma beleza comum. Ela sorriu para mim.

- Oi, sou Kate — ela se apresentou.

Eu não estava com humor muito bom, mas tentei ser legal com ela.

- Lucy — sorri.

- Muito bem classe abra o livro na página 30, leiam as intruções sobre ligações químicas — professor avisou e se sentou em sua mesa.

Kate pegou o livro e colocou entre nossas carteiras e li junto com ela. Não consegui me concentrar me consentrar muito, por causa da conversa que tive com o garoto dos olhos nebulosos. Estava intrigada por ele saber mais da minha família que eu. Não gostava do jeito que me olhava ou do jeito que falava comigo. Tudo parecia sarcástico.

Um garoto se virou para falar com Kate. Ela abriu um sorriso sedutor.

- Vai ir na festa do Anthony amanhã? — ele passou a mão nos cabelos, nervoso.

- Claro, que vou! Thony me convidou pessoalmente — Kate provocou,- não vou decepcioná-lo. E não vou perder uma festa, não é mesmo, Dan?

Ele a olhou com um sorriso forçado. Estava com ciúmes. Dan gostava de Kate e estava claro. Kate sabia disso. Ele desviou o olhar para mim.

- A galera vai ir no galpão hoje, por quê não vem? — Dan perguntou com um sorriso bonito. Ele tentava fazer ciúme em Kate, mas ela percebeu, então não ligou.

- Eu vou — respondi. Estava feliz por estar interagindo com o pessoal.

- Vou pedir para alguém passar na sua casa, para te buscar — explicou.

Balancei a cabeça, entendendo.

Dan apertou a mão de Kate e ela deu um selinho inesperado em Dan. Ele se surpreendeu abrindo um sorriso de orelha-a-orelha. Kate o olhou com intensidade.

Sacudi a cabeça. Kate era maluca.

O resto do dia passei a conversar com Kate entre o intervalo entre as aulas e no intervalo. Ela conhecia muita gente na escola e me apresentava para as pessoas que falavam com ela. Na saída vi Dan a puxando para trás da escola. Ia rolar pegação.

Desativei o alarme do carro e um dos cinco garotos que estavam envolta olhou para mim.

- Esse carro é seu? — ele era bonito. Cabelos negros num topete charmoso, olhos cinzas e pele clara.

- Não. É do meu pai — respondi meia abobalhada.

- Você é a Lucy Cheneesy? — ele olhava para os meus olhos e não para o meu corpo, como os outros garotos que Kate me apresentou. Como ele sabia quem eu era?

- Sou... — cara, ele era lindo. Muito. Senti uma vontade enorme de tocar seu rosto.

- Sou Anthony, — seu sorriso se alargou — vou fazer uma festa amanhã e você está convidada — ele tocou meu braço.- Você vai não é?

Baixei a cabeça e sorri. Meu rosto corou. Sei que ele olhava para meu corpo agora. Ele era um adolescente e não ia me deixar enganar. Anthony podia ter intenções não muito boas comigo.

- Vamos logo Cheneesy!! — o garoto dos olhos nebulosos gritou dentro do meu carro no banco do carona. Além de ser folgado, estragou minha conversa com Anthony.

- É amiga do Nathan? — Anthony perguntou meio curioso.

- Esse é o nome dele então — murmurei.

Nathan buzinou. Que garoto irritante. Suspirei.

- Tchau, Anthony — dei as costas para ele abrindo a porta do carro.

- Não esqueceu de nada não? — ele perguntou e eu me virei confusa. Ele apontou para a bochecha querendo um beijo meu. Fiquei na ponta do pé e finalmente encostei meus lábios na bochecha macia e quente dele.

- Vamos logo, Cheneesy. — Nathan me puxou pela cintura e me jogou dentro do carro — Chega de melação e vamos embora.

Com toda a certeza, Nathan é o garoto mais folgado que já conheci na vida.

Notas finais
Agora só domingo ou sábado da semana que vem, gente.
Comentem e me digam se estão gostando.
Beijos