Nascente
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Estávamos terminando o jantar de Caled, o líder daquele lugar cheio de imortais.
Parecia uma espécie de vila — só que mais pequena — no meio do nada. Era incrível ali. Havia uma praça com um chafariz, onde algumas pessoas estavam e Nate comprimentava todos, sabendo quem era quem. A arquitetura não era moderna, mas era bem próxima da época de quando Nathan era humano. As mulheres se vestiam com aqueles vestidos cheios de camadas, volumosos e com babados, fiquei curiosa em como ficaria em um daqueles. Os homens eram muito elegantes, com um sorriso gentil no rosto. O perfil de Nathan e Winter combinavam ali. Me senti praticamente nua com aquela minissaia que Nathan me fez vestir.
Kathy contornou a mesa e se sentou no colo de Nathan. Ela parecia não conseguir não ficar muito tempo longe dele. Ela era mesmo linda. Aparentava ter uns três ou quatros anos, loura cheias de cachos e olhos num azul tão profundo. Parecia um anjo. Fiquei constrangida por sentir ciúme de Kathy, porque eu pensava que ela era uma mulher e não uma criança.
- Senhorita Cheneesy, parece estar cansada. Se quizer se retirar para seu quarto... — Caled parecia ter quarenta anos, mas seu olhar era sábio e experiente.
- Eu vou querer sim — aceitei.
- Eu vou também, aproveito e levo Kathy — Nathan se levantou, levando Kathy no colo e puxando minha mão.
- Boa noite, senhor — me despedi e Caled acenou com a cabeça.
Foi um jantar estranho. Só Nathan preenchia o silêncio depois que Winter foi embora. Nathan falava em novos imortais e em como as coisas estavam sendo difíceis de serem mantidas. Caled me olhava sempre quando Nathan dizia algo sobre vampiros que minha mãe trabalhava. Não era um olhar acusador, mas de pena, como Winter me olhou quando soube quem eu era.
Assim que subimos as escadas haviam dois corredores com o formato de U.
- Importa-se se levarmos Kathy primeiro? — Nathan perguntou.
- Não, sem problema.
Entramos no corredor da direita e na segunda porta.
Sabe o quarto que toda menina já quis ter? Kathy tinha. O quarto dela era cheio de bonecas de porcelana em cima de estantes, onde também estavam coleções de livros sobre contos de fadas. Até eu queria dormir ali.
Nathan levou Kathy levou até outra porta, um banheiro.
- Escove os dentes e coloque seu pijama. Está na hora de dormir — ele foi até a cama e arrumou os travesseiros.
- Tão partenal... — comentei.
Ele riu.
- Pois é. Alguns sentimentos sempre resurgem depois de um longo tempo — murmurou.
- Como é? — ele estava me dizendo que já foi pai?
- Eu... — Nathan começou a dizer, mas Kathy saiu do banheiro vestida com uma camisola tão meiga.
Nathan a colocou na cama e a cobriu com o edredom, beijou a testa dela e se afastou. Kathy disse alguma coisa baixo demais e não pude escutar de onde estava.
- Eu vou estar aqui quando acordar, não vou embora. Não agora — ele pareceu não querer a alimentar a esperança dela. Kathy queria que ele ficasse com ela. — Eu amo você. Boa noite, Katherine — ela se encolheu e Nate respirou fundo. Apagou as luzes deixando só o abajour aceso.
Esperei até estarmos dentro do nosso quarto.
- Você já foi pai? — parei em frente dele, que estava sentado na ponta da cama.
- Sim.
- E por que não me contou, Nathan? — arfei.
Ele me encarou. Aqueles olhos nebulosos, negros, fazendo contraste com a sua pele clara.
- Porque ela morreu. Minha filha está morta. Eu não queria sentir a dor que me toma toda vez que penso nisso. E ainda mais, eu disse para você que já tive outras mulheres. Não passou pela sua cabeça que encontrei uma mulher que seria minha? Que eu queria que ela tivesse meu sobrenome? Cheneesy, eu nasci à dois séculos, muita coisa aconteceu.
Fiquei calada. Ok, ele teve uma grande, enorme perda, mas isso não justifica do por quê ele não ter me contado.
- Fui casado com a mãe dela, estávamos apaixonados — ele sorriu, triste. — Um ano depois minha filha nasceu. Eu não podia imaginar que alguém tão pequeno pudesse me fazer amá-la tanto.
Ele olhou para o chão e não continuou.
- Kathy é sua filha? — estava curiosa.
Ele bufou.
- Kathy é linda demais para ser minha filha.
Sentei ao lado dele. Nathan cuidava da Kathy como se fosse sua filha, era óbvio que era nela que eu ia pensar. Talvez ele sentisse falta de sua filha verdadeira e acabou acolhendo Kathy. A não ser que...
- Kathy é imortal?
Ele me olhou de olhos esbugalhados.
- Não, — falou devagar como se eu tivesse problema — tá doida mulher?
Semicerrei os olhos.
- Cheneesy, eu encontrei Kathy. Os pais dela morreram e agora ela só tem a Caled, eu e... bem, — ele me puxou para seus braços e mudou de assunto — vamos nos divertir.
- Quero saber das coisas, Nathan. Quero saber sobre você — passei o indicador em sua bochecha esquerda.
- Tudo o que você quiser. Mas agora...
Sorri torto. Nathan me jogou na cama cobrindo seus lábios nos meus. E tudo aconteceu tão rápido a partir daí. Por quê as coisas boas duram pouco? Depois de horas de prazer, caímos cansados na cama.
Quando acordei Nathan já estava acordado, conversando no celular.
- Está tudo bem agora? — pausa longa. Ele estava de costas para mim e de qualquer maneira podia me ver — E quanto a Hugo e a Natasha? — mais uma pausa — A casa, os ataques — ele bateu o pé no chão. — Pelo menos isso. Obrigado Ruth, mesmo — ele riu baixo e então desligou. Nathan deixou a cabeça cair nas mãos. Preocupação gritava sua postura.
Eu ouvia barulho lá de fora, várias vozes. Como se estivéssemos na estação do trem e não no quarto.
- Nathan — chamei.
Ele se virou e sorriu para mim, um sorriso triste talvez. Ao invés de me puxar para seu peito como sempre fazia, ele descançou o rosto na curvatura do meu pescoço.
- Estou com medo, pela primeira vez em anos. Medo por você.
- Mas o... — comecei a perguntar.
- Precisamos conversar. Está na hora de você saber algumas coisas — me interrompeu numa voz fria, que me fez tremer.
Eu temia sobre o que ele iria me dizer.
Notas finais
Besos
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