Notas iniciais
Meu malvado Edward...

—Sabemos onde fica este lugar? -Edward perguntou ao jovem sentado á sua frente.

—Não,senhor.Ninguém diz,embora eu tenha certeza de que tanto o governo como o embaixador conhecem a localização.

—Temos que agir rápido. A sorte não vai nos favorecer duas vezes. Se Jasper deu a oportunidade,por que não aproveitar? E não precisamos derramar uma única gota de sangue. Jasper vai cair vítima do próprio heroísmo e o povo tamashek saberá quem é ele.

—O que pretende fazer,senhor? -perguntou o rapaz cheio de curiosidade.

—O que qualquer cidadão decente faria em meu lugar: vou aos jornais dar a notícia de que cinco ingleses,entre eles,duas crianças,foram raptados por guerrilheiros nômades após o ataque a um acampamento de turistas. Quero ver como o governo vai reagir.

—Mas isso não prejudicará o povo?

—Isso,meu jovem,obrigará o governo deste país,tão zeloso com os turistas,a tomar providências.Então,saberemos onde ele se esconde. A partir daí,meus préstimos serão aceitos com prazer e eu poderei varrer aquele mestiço do mundo de uma vez por todas!

O olhar do homem era assustador e o jovem a sua frente recorreu por instinto.

—Continuo não entendendo...Uma guerra entre os tuaregues só vai colocar a opinião pública contra vocês!

Exato! E a culpa será de quem? De meus homens que libertaram os reféns ou de Jasper,que os raptou?

—Tem certeza de que esse é o melhor caminho? Muitas pessoas vão morrer....

Edward Baccari riu. Estrangeiros! Não entendiam nada da bravura do povo do deserto. E era com essa gente que Jasper queria se aliar!

—A morte faz parte da vida. A morte honrosa é o caminho do guerreiro. -respondeu.

O rapaz ouviu em silêncio.

—Você tem nos ajudado muito,meu caro,e ainda poderá ajudar mais. Espero que a recompensa esteja a altura do favor prestado -disse o homem,entregando ao rapaz um envelope cheio de dinheiro.

—Obrigado,senhor.

—Bem,não quero que se atrase. Vá em paz-despediu-se,preparando-se para dar prosseguimento ao seu plano. Se fosse bem sucedido,como ele tinha certeza de que seria,Jasper cairia em desgraça e nada no mundo poderia salvá-lo. E a queda de Jasper traria a relíquia de seu povo direto para suas mãos. O que poderia ser mais perfeito do que isso?

O rapaz saiu da sala e,por um instante,teve a impressão de ver uma sombra movendo-se atrás da porta. Pensou em voltar e falar com Edward,mais desistiu. Eram todos tuaregues. Eles que se entendessem.

Edward Baccari recostou-se a cadeira,mal acreditando na própria sorte. Aquilo era um sinal dos Céus de que ele estava certo. De que ele era o líder e não o mestiço que traía as mais altas tradições do seu povo. Mas nem tudo estava resolvido. Ainda restavam os diamantes. Com eles,Jasper poderia dividir a opinião das pessoas que acreditavam nas bobagens de segredos e profecias.

E tinha a cega também. Sulpícia! A mulher era mais velha que o próprio tempo e parecia desafiá-lo continuando viva,quando já deveria ter morrido há séculos! Sulpícia tinha força,mas não resistiria a um golpe de espada. E ainda havia a questão das flechas...Quem terá incendiado o acampamento e por quê?

"Cada coisa a seu tempo",ele pensou e pegou o telefone para tramar a derrota do inimigo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.