Nas Areias de Shurima

4 Capítulo 4: A maldição da pirâmide


Confortados tanto pela charrete quanto pela fogueira, Twisted Fate e Miss Fortune encontravam-se agora ao pé da pirâmide. A primeira garrafa de vinho já fora consumida na primeira parada, mas uma segunda foi consumida durante o recomeço do trajeto até o pé da pirâmide. Miss Fortune cochilava no banco, sua cabeça caída sobre o ombro do companheiro de missão, que tentava desvencilhar-se de seu papel de encosto.

-Que foi...? – perguntou ela, quando ele deixou a charrete e dirigiu-se à fogueira.

-A charrete é pequena, não podemos dividi-la. Durma nela que eu me esquento no meu fogo. – disse o rapaz, com um sorriso. – Durma bem, pois finalmente alcançamos a pirâmide.

-Obrigada, Twisted... – murmurou ela, e dormiu.

Na manhã seguinte, Twisted e Miss Fortune começaram a explorar a pirâmide. Primeiramente, deram uma volta ao redor dela, que não era muito grande, tendo apenas seis metros de altura.

-Eu acho muito pequena pra ser considerada casa de uma múmia. – comentou a mulher.

-Mas é uma múmia pequena. – acrescentou o rapaz.

Próximos de completar a volta, eles encontraram uma abertura na pirâmide. Ambos trocaram olhares ao mesmo tempo contentes e apreensivos. Ele já colocava o pé dentro da abertura quando foi puxado pela mulher.

-Cuidado! Não sabe que pirâmides têm armadilhas? – repreendeu-o Miss Fortune.

Ele então recuou um pouco, apanhou uma carta e atirou-a para o interior da pirâmide. Qualquer armadilha acionada por movimento, com certeza se revelaria ali. Como nada aconteceu, ele entrou confiante.

-Isso foi bastante inteligente. – murmurou a mulher, seguindo-o para dentro da pirâmide.

Logo na entrada, havia uma tocha, a qual foi acesa com uma carta mágica de Twisted Fate.

-Se há uma tocha por aqui, quer dizer que este lugar não passa tão despercebido assim. – comentou ele. – Alguém passeia por aqui.

Os dois seguiram até o centro da pirâmide, que não era tão distante da entrada. Entretanto, ao chegar lá, eles se depararam com dois caminhos. Nova troca de olhares em meio ao silêncio dominante do lugar.

-Não vamos nos separar. Todo mundo sabe que esse é o primeiro passo pra uma morte certa. – disse ela, parecendo ler a mente do companheiro.

-Tá legal. – ele apanhou duas cartas e atirou-as através dos dois caminhos.

Com um baque, pegando os dois de susto, uma grade fechou-se na entrada de uma delas.

-O caminho da esquerda nunca é confiável. – comentou o rapaz, e eles seguiram pelo caminho da direita, o qual não pareceu revelar nenhuma armadilha. Ao avançarem mais, eles toparam com uma espécie de rampa, que os levaria a um andar superior. Após a rampa, era possível notar que havia uma parede e o caminho novamente dividir-se-ia em dois. Foi quando, ao pé da rampa, um vulto atravessou estes caminhos.

-Ai que susto! – exclamou Miss Fortune, num sussurro. Apanhando o braço do rapaz com bastante força.

Subindo pela rampa, era quase certo de que o caminho para o qual o vulto avançara seria aquele sem armadilhas; mas Twisted Fate tinha várias cartas, e novamente atirou uma em cada direção. Para seu receio, nada foi revelado.

-Vamos pelo da direita. – disse ele.

O da direita era justamente o caminho pelo qual o vulto seguira, e por onde Twisted Fate e Miss Fortune avançavam agora.

Poucos metros de cautelosa caminhada os levaram ao encontro de uma pequena câmara. Dentro dela havia uma quantidade enorme de ouro e joias brilhantes. Os olhos dos dois errantes brilharam à luz da tocha.

-Isso é muito mais ouro do que poderíamos contar! – exclamou o rapaz.

-Não vamos nos precipitar. – comentou a dama, puxando o homem que já estava pronto para adentrar a câmara desconhecida. Contudo, ela apontava para o chão, no local exato onde o pé de Twisted Fate se preparava para pisar. Havia uma armadilha de urso, daquelas que prendem a pata.

-A riqueza também pode ser a maior fraqueza do ser humano. – comentou ela.

Os dois esquivaram-se da armadilha, com os olhos atentos ao chão e à câmara como um todo. Assim que alcançaram o centro da câmara, puderam notar um sarcófago aberto.

-E não é que esse tal de Amumu existe mesmo?! – surpreendeu-se Twisted Fate.

Neste momento, algo movimentou-se às costas dos dois, que deram a meia-volta rapidamente. Assim que o fizeram, houve outro movimento às suas costas. Ao invés de ambos darem meia-volta, apenas um deles deu, e numa posição onde suas costas se encostavam uma a outra, eles puderam ter uma visão completa da câmara. Foi quando puderam ver algo se escondendo atrás de uma pilha de pedras de ouro e diamantes. A pilha não era muito grande, revelando o cocuruto do que quer que se encontrasse ali.

Juntos, os errantes deram um passo de cada vez em direção á pilha, atentos à tudo. Quando estavam finalmente em posição de descobrir quem estava ali, um pêndulo caiu atravessando a sala. Poucos segundos antes dele, Twisted Fate se jogou por cima de Miss Fortune, e o pêndulo passou a centímetros dele.

-Uau, obrigada. – disse a dama. A resposta foi apenas um sorriso. Um belo sorriso, aliás.

Quando o pêndulo cessou o movimento, a figura atrás da pilha de ouro já havia desaparecido.

-Droga! – exclamou o rapaz. – Essa múmia deve ser bastante brincalhona!

-Apareça Amumu! – pediu Miss Fortune, em claro e bom som. – Temos um comunicado para você!

Não houve resposta, e eles resolveram vasculhar a câmara. Levaram apenas poucos minutos, e não descobriram mais nada além de algumas poucas armadilhas.

Após esquivar o pé de uma corda que acionaria uma armadilha, finalmente uma estranha figura revelou-se de trás do sarcófago.

-Vocês esquivaram-se de todas as armadilhas! Parecem ser bons jogadores de esconde-esconde. – murmurou uma pequena múmia que tinha voz de criança.

-Quem é você? – perguntou Twisted Fate, surpreso. Miss Fortune agarrava-se ao braço do rapaz como se sua vida dependesse daquilo.

-Acho que vocês vieram para me procurar. – murmurou a múmia, com um bico de choro. – As pessoas que vêm me procurar não me acham, elas parecem ser derrotadas pelas armadilhas, como se não quisessem mesmo me ver.

-Calma! – pediu Miss Fortune, observando a cara de choro que a pequena múmia já começava a fazer. – Sei que elas queriam te ver, mas às vezes elas não eram capazes de passar por essas armadilhas.

-Mas vocês passaram. Vocês devem ter muita força de vontade em me encontrar.

-Bem, isso não é mentira. – comentou Twisted.

A múmia abriu um largo sorriso.

-Não é?! – repetiu ele.

-Não! Nós realmente temos muita vontade em encontrar você. Seu irmão nos enviou aqui.

-Mas eu... Sou apenas uma múmia solitária. Não gosto deste tipo de brincadeira. – ele fazia uma cara que mesclava tristeza e raiva.

-Você não é irmão do Imperador Azir? – continou Twisted.

Aquele nome pareceu causar um impacto grande na pequena múmia.

-Você é o Amumu, não é?!

O tempo todo Miss Fortune mantinha-se me silêncio, atrás do companheiro de missão. A figura da múmia cor de líquen não lhe agradava.

-Amumu? Não, meu nome não é esse.

-Então criaram este nome para você?

A cara da múmia se fechava numa expressão de raiva.

-Eu não sou a porcaria do Amumu! Se vocês estão à procura dele, vieram ao lugar errado!

A voz da múmia parecia engrossar-se e ela parecia dobrar de tamanho a cada palavra, até alcançar o tamanho de dois metros e meio, preenchendo a câmara.

-Eu devia ter sabido! – a estranha múmia agora assustava não só Miss Fortune, mas também Twisted Fate. – Ninguém chega até aqui à procura do pobre Amumio!

Sua voz fazia a pirâmide tremer. E ele desferiu um golpe de braço ao encontro dos dois estranhos. Mais uma vez, Twisted Fate salvou Miss Fortune, que já sacava suas pistolas. O rapaz atirou uma carta em chamas ao pé da múmia, que não pareceu sentir nada.

-Acho que nossos ataques não serão de muita utilidade. – observou ele.

Miss Fortune atirou contra a múmia gigante, que não sentiu nada novamente, e agora desferia mais um golpe contra os dois.

-Vamos ter de fugir, ele não vai passar pelos corredores com este tamanho.

-Bem observado Twisted. Mas a saída está atrás dele.

-Droga, o que podemos fazer agora? – murmurou o rapaz.

-Acho que vamos ter de botar essa pirâmide para baixo.

Os errantes trocaram olhares e pareceram traçar um plano entre si.

-Vamos tentar acionar as armadilhas que não nos causam dano direto. De repente alguma corda que faça alguma parte do teto desabar. – observou Twisted.

Ele esquivou-se de mais um golpe da múmia, e puxou uma cordinha. Por fração de segundos seu rosto não foi queimado por uma pequena explosão.

-Já sei! – exclamou Miss Fortune. – Twisted, atire um de suas cartas mágicas em direção ao sarcófago aberto!

O homem o fez, utilizando uma carta em chamas. Para sua surpresa, a múmia sentiu o dano.

-Ótimo! O sarcófago será nosso alvo!

Com uma sequência de tiros da mulher e uma rajada de cartas do homem, a múmia foi obrigada a se direcionar ao sarcófago para protegê-lo. Contudo, ao fazer isso, o plano de Miss Fortune foi um sucesso, pois a saída foi liberada.

-Vamos! – gritou ela.

Os dois correram o máximo que podiam para sair da pirâmide. Amumio começava a ativar todas as suas armadilhas, e a pirâmide começava a desabar.

Em poucos segundos, Miss Fortune e Twisted Fate, conseguiram escapar da pirâmide com vida. Assim que chegaram à charrete, a antiga construção desabou.

-Foi por pouco! – exclamou a mulher, ofegante.

Frustrados, os dois decidiram que seria bobagem continuar a cruzar o deserto. Eles podiam fugir com a charrete, em cujo interior encontrava-se um baú cheio de joias.

-Acho que você tem razão. – comentou Twisted Fate, à ideia da mulher.

Mas no momento em que os dois subiam na charrete para ir embora, uma múmia apareceu. Não era Amumio, mas sim uma múmia bem parecida com ele.

-Vocês me salvaram! – disse a múmia. – Eu não tenho amigos, mas acho que vocês são meus amigos!

Twisted Fate e Miss Fortune trocaram olhares surpresos.

-Me chamam de Amumu, mas acho que este não é meu nome... Venham brincar comigo!

Um pouco incrédulos a respeito da repentina aparição da múmia, os dois errantes sorriram um para o outro. E então, o homem dirigiu-se a Amumu:

-Sim meu amigo, nós queremos brincar com você!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.