Naruto: O Caminho do Coração espadachim
9 Capítulo 9 — O Caçador de Corações
Capítulo 9 — O Caçador de Corações
Dois dias antes da final do Exame Chūnin – Gabinete do Hokage
Sarutobi Hiruzen estava sério, os olhos fixos nos papéis à sua frente.
— Ryoma, preciso de você para uma missão de alta prioridade fora da vila.
— Uma missão? Agora? — Ryoma franziu a testa. — Orochimaru apareceu. O Exame Chūnin está comprometido.
Hiruzen assentiu, mas seu tom não vacilou.
— Justamente por isso. Essa missão não pode ser atribuída a qualquer um. Há uma escolta crítica a ser feita até o templo do Senhor Feudal do País do Fogo. Informação sigilosa precisa chegar com vida. A confiança e a discrição são mais importantes do que o número de guardas.
Ryoma ponderou por um instante. Não gostava da ideia de sair da vila nesse momento, mas se o Hokage dizia que era vital...
— Entendido, Hokage-sama.
Região Remota – Na Volta para Konoha
A noite estava fria e silenciosa, quebrada apenas pelo som leve das pegadas de Ryoma e Tsumi.
— Tudo tranquilo demais — murmurou Ryoma.
A missão havia sido completada. O pergaminho entregue, os contatos confirmados. Tudo tinha saído perfeitamente... e era isso que o incomodava.
— Tsumi — ele murmurou —, sente alguma coisa?
O cão, em forma humanoide, rosnou baixo, orelhas se movendo.
— Tem alguém... muito perto.
Um som seco cortou o ar.
— Você tem uma bela recompensa pela cabeça. Quase igual à daquele tal de Kakashi.
Ryoma girou sobre os calcanhares, sacando a espada em um único movimento.
— ...Quem é você?
Dois vultos saltaram das árvores. Um deles, alto, pele escura, olhos frios. Fios negros se arrastavam de seu corpo como cobras vivas.
— Eu? — disse o homem. — Apenas um colecionador... de corações.
Atrás dele, os corações ambulantes surgiram, emitindo pulsos de chakra maligno. Ryoma recuou meio passo, avaliando a ameaça.
— Nunca ouvi falar de você.
O homem sorriu com escárnio.
— Isso é um bom sinal. Os que me conhecem, geralmente já estão mortos.
A Luta – Ryoma & Tsumi vs o Caçador de Corações
Ryoma e Tsumi entraram em posição. A Sombra Verdadeira, o estilo de esgrima que desenvolveram juntos, começou a se manifestar. Não era um jutsu. Era pura técnica. Pura velocidade.
Saltavam entre pontos do campo de batalha com tanta rapidez que deixavam rastros visuais para trás — miragens causadas pelo deslocamento brutal de seus corpos. Uma sombra anterior parecia ainda presente enquanto a verdadeira posição já havia mudado.
Tsumi cortava em linha reta, desaparecendo no ar e ressurgindo dois metros à frente. Ryoma o acompanhava, atacando pelo flanco esquerdo. As espadas gêmeas dançavam em sincronia.
O inimigo desviava com movimentos experientes. Fios negros saíam de seu corpo em estalos, defendendo, prendendo, tentando antecipar o ritmo.
Clang!
Ryoma girou baixo, tentando cortar o joelho do oponente. A lâmina atingiu o alvo — mas travou como se cortasse pedra.
— Interessante... — murmurou o homem, como se estivesse testando a força de um oponente raro.
Dois corações ambulantes lançaram jutsus em sequência. Raios. Vento. Fogo. Três elementos convergindo para o centro da floresta.
Tsumi girou no ar, desviando com os pêlos, bloqueando com a lâmina. Ryoma rebateu um raio com o dorso da espada e saltou para o alto, reaparecendo ao lado de Tsumi em meio ao ar em chamas.
A Sombra Verdadeira se intensificava — saltos sucessivos, cortes em arco, impulsos com os calcanhares. A floresta se tornava um campo de guerra veloz. As miragens se multiplicavam. Não ilusões, mas o eco real de uma velocidade que os olhos mal podiam captar.
Ryoma subitamente girou no alto e lançou o Último Corte Flexe com força total. Sua espada brilhou como um raio antes de rasgar o peito do homem.
BOOM!
Um coração explodiu.
— Um... de cinco. — disse o homem, calmo. — Você é bom. Mas não é o suficiente.
Fios se multiplicaram. Vinham de todos os lados. Como serpentes famintas. Ryoma tentou esquivar, mas foi atingido no tronco. Voou contra uma árvore. O estalo do impacto ecoou.
Sangue. Dor. Respiração ofegante.
Tsumi rugiu e avançou, mas seu corpo já estava no limite.
— Sua espada é afiada... — disse o homem, com os corações se reagrupando — mas não o bastante para me matar.
A ofensiva seguinte foi brutal. Vendavais, chamas, relâmpagos. Os corações atacavam em conjunto, como soldados treinados.
Ryoma foi atingido. Caiu.
Lembranças – A Outra Vida
O mundo escureceu. Mas não terminou.
Um dojo antigo. Cheiro de madeira velha, incenso e chuva distante.
Lá estava ele. Ryoma — mais velho, barba rala, músculos cansados. Movimentos lentos, porém perfeitos. Treinava com um bastão de madeira. Em silêncio.
No canto, sentado sobre um tatame simples, um velho monge o observava. Olhar calmo. Rosto enrugado, mas firme como rocha.
— Você poderia deixar o passado e o futuro... e apenas viver o presente? — perguntou o monge.
Ryoma parou. Respirou.
— Ainda não consigo, sensei.
O monge sorriu.
— Seu bisavô me dizia que o verdadeiro poder da espada está em nunca precisar sacá-la. Você entendeu isso?
Ryoma balançou a cabeça.
— Eu busco isso... mas ainda quero vencer. Ainda quero ser o melhor.
— Quando sua espada deixar de ser uma arma... e se tornar parte da sua alma, você entenderá.
Aquele velho não lutava. Não usava jutsus.
Mas Ryoma sabia. Aquela presença era mais afiada que qualquer lâmina.
Por anos, ele praticou a visualização da espada interior — não uma arma, mas um reflexo. Um símbolo.
Décadas depois... ela se tornara real.
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Despertar – Retorno à Luta
No escuro da dor, Ryoma viu.
A espada.
Não a de aço. A verdadeira.
Feita de crença, de dor, de disciplina.
Ele se ergueu.
Seu corpo estava em frangalhos.
Mas seus golpes agora cortavam como se o ar mesmo fosse cúmplice.
A Sombra Verdadeira pulsava com violência. Tsumi se levantou ao seu lado, dentes cerrados, olhos fiéis.
Kakuzu — pois agora o nome do homem fazia sentido — recuou pela primeira vez.
Ryoma não gritava. Não rugia.
A espada falava por ele.
Corte. Desvio. Avanço. Pressão.
Kakuzu recuou dois passos.
As máscaras começaram a se reagrupar, preparando outro ataque.
Mas então...
Uma delas emitiu um som agudo.
Alerta.
— Hmpf... — Kakuzu cerrou os dentes. — Outra interferência?
Ele olhou para Ryoma.
— Dessa vez você teve sorte. Guarde sua cabeça. Ainda é minha.
Em um piscar, ele desapareceu nas sombras da floresta.
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Após o Combate
De joelhos, Ryoma socou o chão.
— Segunda vez que sobrevivo por sorte...
Ele ficou ali por longos segundos, ouvindo o som da própria respiração, sentindo o sangue escorrer entre os dedos.
Mas sua mente já voltava à vila.
Yugao.
Kiba.
Konoha.
Ele não lutava mais por glória. Nem por vingança.
Lutava por eles.
Ele se levantou.
E partiu para casa.
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