Naruto: O Caminho do Coração espadachim
14 Capítulo 14- Você Ainda Empunharia a Kunai
Capítulo 14- Você Ainda Empunharia a Kunai?
O campo de treinamento estava silencioso. O som das folhas ao vento era o único ruído. Ryoma observava Sasuke e Sakura com os braços cruzados. Tsumi, deitado à sombra, bocejava preguiçosamente. A ausência de Kakashi era um buraco invisível no grupo.
— Enquanto o Hatake não acorda... eu serei responsável pelo time 7 — disse Ryoma, direto, mas sem dureza.
Sasuke piscou. Um brilho nos olhos — desafio e curiosidade misturados.
Três figuras surgiram entre as árvores. Ninjas de aparência experiente, uniformes discretos de chunin. Pararam diante dos dois genins.
— Estão prontos? — perguntou o mais alto, Shidou, com um sorriso leve.
— Prontos pra quê? — Sakura franziu a testa.
— Treinamento de combate. Um de cada vez. Vocês contra a gente — explicou Shidou.
Ryoma balançou a cabeça, mas não impediu.
— Meu jeito de ensinar é outro... Vai lá, Sasuke.
Ele olhou para um dos ninjas.
— Renji. Pega leve.
— Claro — disse Renji, sorrindo — como um irmão mais velho.
Sasuke avançou rápido. Precisão. Confiança. Mas Renji era veterano. Seus passos eram simples, suas esquivas limpas. Leu os movimentos de Sasuke com facilidade. Não venceu com força. Venceu com tempo e leitura.
O Uchiha caiu de costas, ofegante, mordendo a frustração.
— É sua vez, Sakura — disse Ryoma.
Ela hesitou. O oponente era Kaede — olhos frios, voz suave.
— Me mostre o que tem.
A luta terminou antes de começar. Sakura tentou manter a base, mas foi desarmada em dois passos. Kaede não zombou. Apenas respeitou o nível da garota.
Sakura ficou em pé, parada. Os olhos não mostravam raiva, mas algo mais perigoso: silêncio.
Ryoma caminhou até eles.
— Esses três me devem um favor. Vão treinar com vocês pelos próximos três dias.
Pausa.
— Daqui a cinco dias, partimos em missão rank B.
— Missão B?! — Sakura recuou — Mas o time tá incompleto! E a gente ainda é só genin!
— Você não vai nos treinar? — Sasuke apertou os punhos.
Ryoma respondeu sem raiva, mas com firmeza:
— O importante não é o número de jutsus. É usar o que já tem, na hora certa, da forma certa.
Olhou para os dois, sério:
— Eu vou observar. E a cada erro, vou mostrar onde vocês falham. Não sou babá. Sou espadachim. E minha espada não perdoa o desperdício de potencial.
Os três chunin trocaram olhares discretos. Mesmo sem ensinar diretamente, Ryoma deixava marcas profundas.
—
Horas depois, o campo estava vazio. Restavam marcas no chão — arranhões, pegadas, folhas partidas. Ryoma e Tsumi cruzavam uma rua tranquila. O fim de tarde dourava os telhados de Konoha.
No alto de um prédio administrativo, uma silhueta solitária. Sakura. Sentada, calada, os ombros caídos. Os olhos fixos no horizonte, mas não viam nada.
Ryoma suspirou.
— Ser babá é cansativo…
Subiu os degraus devagar. O vento soprava suave. Não disse nada ao chegar — apenas ficou ao lado dela, observando a mesma paisagem vazia.
— Parece que você carrega o peso do mundo — comentou, sem crítica.
— Só... pensando — disse ela. — A vila mudou rápido demais.
— O mundo ninja sempre muda rápido. Mas é nesses momentos que as perguntas certas precisam ser feitas.
Silêncio.
— Me diga, Sakura... Por que você quer ser uma ninja?
Ela demorou. Olhou para as mãos.
— Eu... queria proteger os outros. Estar ao lado do Sasuke... do Naruto. Não queria ser deixada pra trás.
Ryoma assentiu levemente.
— Isso explica o começo. Mas não diz por que continua.
Ela respirou mais fundo. Os dedos apertaram a barra da roupa.
— Porque... mesmo sendo fraca, eu ainda quero encontrar alguma coisa que seja só minha. Um motivo que seja meu.
Ryoma sorriu, de canto.
— Então procure. Mas lembre-se... enquanto seu motivo for alcançar os outros, você sempre vai se sentir atrás.
Pausa.
— Um ninja de verdade não luta pra ser aceito. Luta porque aceitou a si mesmo.
— Você sempre soube disso?
Ele olhou o horizonte. O sol afundava em silêncio.
— Não. Levei uma vida inteira pra descobrir.
Começou a se afastar.
— Pergunte-se, Sakura...
Parou no topo da escada. Sem olhar para trás.
— Se não houvesse mais Sasuke. Nem Naruto. Nem Konoha...
Ele olhou o céu uma última vez.
— Você ainda empunharia uma kunai?
Desceu.
Sakura ficou ali. As palavras não eram só pergunta. Eram espelho. O vento soprou mais forte. Mas ela não se encolheu. Ficou firme, encarando o vazio como quem começava, pela primeira vez, a olhar para dentro.
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