Naruto: O Caminho do Coração espadachim
1 Capítulo 1 Sementes e Lâminas
Notas iniciais
Capítulo 1 – Sementes e Lâminas
A luz da manhã filtrava-se por entre as copas da floresta de Konoha, desenhando sombras e brilhos sobre o musgo denso e os galhos secos do chão. O vento soprava suave, carregando o aroma da terra úmida, folhas recém-cortadas… e o som metálico do aço cortando o ar.
Ryoma Inuzuka movia-se com a precisão feroz de uma fera contida, como se a própria floresta conspirasse com cada golpe seu. Sua katana riscava o ar em linhas quase invisíveis, rápidas demais para olhos comuns. Ao seu lado, Tsumi, o cão ninja, acompanhava seus movimentos com a fidelidade de uma sombra viva.
— Corte mais limpo, Tsumi — murmurou Ryoma, voz firme e baixa. — Precisão sempre vence força.
Tsumi rosnou de leve, em concordância. Ele entendia. Sempre entendeu. Ryoma treinava como se estivesse em guerra todos os dias — porque, no fundo, nunca deixara o campo de batalha. Desde o nascimento, desde a infância, desde outro mundo.
Seu corpo estava coberto por pequenas cicatrizes, e o suor escorria pela testa. Mas seus olhos — olhos de caçador — continuavam atentos, selvagens, calculando cada ângulo, cada oscilação de luz.
Então, o som mudou.
Passos. Três pares descoordenados e um passo seguro.
Ryoma parou. O mundo silenciou por um momento.
Entre as árvores surgiram Kakashi Hatake e seu time recém-formado: Naruto Uzumaki, Sasuke Uchiha e Sakura Haruno. Os três jovens interromperam a marcha ao verem a figura alta e de postura imponente em meio à clareira.
— Ei! — gritou Naruto, como sempre sem filtro — Quem é o cara esquisito com o cachorro esquisito?!
Ryoma não respondeu. Nem se virou. Ele apenas manteve a katana baixa, mas firme. Seus instintos diziam mais do que seus olhos: eram novos, crus. Mas cheios de potencial.
Sasuke franziu o cenho. Seu olhar gelado percorreu Ryoma de cima a baixo, tentando entender que tipo de shinobi era aquele. Sakura, por outro lado, prendeu a respiração — havia algo em Ryoma que não era fácil de descrever. Um magnetismo silencioso, bruto e refinado ao mesmo tempo.
— Quem... é ele? — sussurrou ela, sem perceber que dissera em voz alta.
Kakashi se aproximou com as mãos nos bolsos e a postura relaxada.
— Ryoma Inuzuka. Jōnin. Velho amigo. Evitem provocá-lo.
— "Velho amigo"? — murmurou Sasuke, mais para si.
— Um dos poucos que luta de verdade — completou Kakashi.
Kakashi observava em silêncio. “Os movimentos dele… rápidos e cirúrgicos como sempre. Não — talvez até mais precisos que da última vez. Ryoma continua evoluindo, mesmo quando o mundo não está olhando.”
Ryoma se virou lentamente, os olhos encontrando os de Kakashi. Havia respeito ali, mas também uma distância de visões.
— São seus alunos?
— Reunidos há uma semana. Primeira formação oficial.
— Posso testá-los.
— Motivo?
Ryoma respirou fundo.
— Curiosidade.
Kakashi hesitou, mas deu de ombros.
— Não os machuque demais.
Um leve sorriso surgiu nos lábios de Ryoma. Mas era frio. Não de maldade, mas de clareza. Ele sabia o valor de um golpe bem dado.
Sem mais palavras, ele avançou.
O movimento foi quase invisível. Naruto mal teve tempo de gritar antes de sentir um impacto na nuca — não um corte, mas a bainha da espada acertando com precisão. Caiu de cara no chão, confuso e murmurando algo sobre "não ter visto nada".
“O quê?! Eu nem vi ele se mexer! Que tipo de treino esse cara faz?!” — pensou Naruto, zonzo.
Sakura deu um passo atrás, em posição defensiva. Ela sabia que Ryoma estava se contendo, mas o corpo tremia mesmo assim. Antes que pudesse se mover, Tsumi apareceu ao seu lado como um raio, rosnando firme. Em um piscar de olhos, a lâmina de Ryoma estava em seu pescoço.
A sensação foi como se o tempo parasse.
“Meu corpo… travou. Eu sabia que ele não ia me ferir, mas mesmo assim… Não consegui reagir.” — pensou Sakura, engolindo em seco.
Ryoma a encarou por um segundo, depois recuou com um giro leve da espada. Sem cortes. Sem arrogância. Apenas um aviso.
Sasuke foi o último.
Ele estudava os padrões de Ryoma, tentando identificar falhas. Esperava jutsus, ou talvez algum truque com o cão. Mas o que encontrou… foi confusão.
“Não são clones. Não é genjutsu. Então como…? Como ele faz isso só com o corpo?!” — se perguntava, tenso.
Ryoma começou a se mover — e então, havia vários Ryomas ao mesmo tempo — três à esquerda, dois à direita, um vindo por cima.
Não clones. Não ilusões. Cada imagem se movia com uma leve variação de ângulo, como se todos fossem reais. Sasuke tentou usar seu instinto, mas cada tentativa de defesa era antecipada.
Era a Sombra Verdadeira.
Um estilo que não dependia de chakra ou truques visuais. Era pura biomecânica levada ao extremo: microacelerações, variações mínimas de trajetória, cortes reais que pareciam vir de todas as direções ao mesmo tempo. Ryoma parecia estar em todos os lugares e lugar nenhum.
Sasuke atacou — um chute, um golpe de mão — mas seu punho cruzou apenas o ar. Um segundo depois, Ryoma deslizou atrás dele e o desarmou com um único golpe na base do pulso. A kunai de Sasuke caiu, e ele foi ao chão.
Ele perdeu sem entender como.
Ryoma permaneceu em pé, como se nada tivesse acontecido. Tsumi voltou a seu lado com naturalidade. O treino tinha acabado.
Os três genins estavam ofegantes. Humilhados. Mas vivos.
Ryoma deu um passo para trás, analisando-os como quem observa brotos após a chuva.
— São sementes — disse, com voz firme. — Algumas podem florescer… se forem regadas com esforço, e não com orgulho.
Silêncio.
Sakura ainda sentia o toque do aço no pescoço. Naruto se levantava resmungando. Sasuke, ainda ajoelhado, mantinha os olhos em Ryoma — mas agora não havia só raiva ali. Havia respeito. Medo, talvez. E a certeza de que ainda havia muito que ele não sabia.
Ryoma virou-se, pronto para partir.
Kakashi: — Ainda não tem paciência com os prodígios, hein...?
Ryoma: — Não é impaciência. É que eu conheço o peso de cada degrau… porque precisei subir todos.
E então desapareceu entre as árvores, o som de seus passos engolido pela floresta.
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