Naruto: O Caminho do Coração espadachim
32 Capítulo 31– A Expansão do Compartilhamento Selvagem
Capítulo 31– A Expansão do Compartilhamento Selvagem
No campo de treinamento do clã Inuzuka, os sons de passos velozes, metal cortando o ar e rajadas de vento ecoavam entre as árvores. Ryoma e Tsumi, em sua forma humanóide, se enfrentavam com espadas em mãos. Ambos se moviam tão rápido que criavam miragens, distorcendo a visão de quem os observasse. As lâminas se cruzavam num ritmo feroz, refletindo o entrosamento de anos entre o shinobi e sua companheira.
Tsumi girou no ar e desceu com a espada mirando o ombro de Ryoma, que aparou o golpe com precisão e contra-atacou com um corte lateral. O impacto entre as espadas reverberou pelo campo. Após mais alguns instantes intensos, os dois cessaram o treinamento.
Ryoma se virou, franzindo o cenho. Sentia uma presença impaciente nas redondezas.
A poucos metros dali, Kiba se aproximava ofegante, segurando Akamaru no colo. Já fazia cinco minutos que ele estava ali, ansioso, esperando o momento certo de interromper.
— Por que tanta pressa, Kiba? — perguntou Ryoma, com um leve sorriso, limpando o suor da testa.
— Tio, eu atualizei o jutsu Compartilhamento Selvagem! — anunciou Kiba, com os olhos brilhando de empolgação.
Ryoma arqueou a sobrancelha, um tanto cético. Mesmo reconhecendo o talento do sobrinho em relação à técnica, achava difícil acreditar que Kiba tivesse conseguido melhorar algo que ele próprio levou uma década para desenvolver. Mas Ryoma se lembrou: os gênios não podem ser compreendidos pelo senso comum — e, nesse jutsu, Kiba já havia provado ser um gênio monstruoso.
— Como você melhorou ele? — perguntou Ryoma, cruzando os braços.
— Vou te mostrar! Akamaru, vai!
Akamaru saltou do colo de Kiba e assumiu sua forma humanóide, idêntica ao dono. Sem hesitar, avançou contra Ryoma com um ataque frontal. Ryoma apenas desviava, observando com atenção. Pouco depois, Kiba se juntou à luta, tentando pressionar o tio.
Ryoma, inicialmente apenas se esquivando, começou a se frustrar.
— Isso não tem nada de novo… — murmurou.
Num movimento rápido, Ryoma aplicou um golpe direto em Kiba, arremessando-o para trás. Akamaru também foi derrubado logo em seguida. Ryoma então correu em direção ao cão para finalizar, mas, no instante em que ia desferir um soco, Akamaru desapareceu — e reapareceu ao lado de Kiba, como se tivesse se teletransportado.
Ryoma recuou imediatamente, surpreso. Não havia sido apenas velocidade... foi um salto espacial.
— Tio! Por que você atacou a gente? Eu só queria te mostrar a atualização do Compartilhamento Selvagem: Nível 1!
— O que exatamente você melhorou? — perguntou Ryoma, já impaciente.
Kiba o olhou com uma expressão inocente.
— Ué… é algo óbvio , tio. Achei que você me atacou por inveja de eu ser um super gênio!
Ryoma bufou.
— Fala logo, mula!
— Eu usei o jutsu sem fazer selos de mão. Ativei só com o pensamento!
Ryoma arregalou os olhos. E, sem piedade, encheu o sobrinho de cascudos.
— Como eu ia saber, sua anta?! Achei que você já tivesse ativado o jutsu antes de entrar no campo!
— E aquele lance do Akamaru sumir e aparecer do meu lado? — questionou Ryoma, se aproximando de novo.
— Ah! Aquilo? É que quando eu vi que um monstro como você ia acertar o Akamaru, eu pensei: “preciso salvar ele”. E aí lembrei do Naruto, antes de viajar com o Jiraiya, quando ele adorava ficar invocando os sapos fedidos. Daí eu só... invoquei o Akamaru pra perto de mim. Simples!
Ryoma parou. Um pensamento rápido e claro surgiu em sua mente:
A sorte favorece os tolos.
Sem querer, o Kiba tinha transformado o jutsu em uma poderosa técnica de fuga e suporte. Ele havia criado uma carta valiosa.
Outro cascudo. Agora por inveja genuína.
— Aiii! Tio! Você é muito violento! — reclamou Kiba, massageando a cabeça.
Ryoma respirou fundo e então assumiu uma expressão mais séria.
— Kiba, você realmente entendeu a importância desse teletransporte? Talvez ele não ajude diretamente na ofensiva, mas é uma carta de sobrevivência. Presta atenção:
— Exemplo um: se você ou Akamaru estiverem em perigo e não tiverem como desviar, quem estiver prestes a ser atingido pode se teleportar para o lado do outro.
— Exemplo dois: se vocês enfrentarem alguém invencível, um pode ficar lutando e o outro fugir. Quando estiverem a uma distância segura, podem trocar quem está na luta com um simples pensamento.
— Exemplo três: se estiverem contra alguém muito mais forte, cada um corre para um lado. O inimigo só pode perseguir um. Quando ele alcançar o que perseguiu… puf!, teletransporte.
— Isso tem infinitas aplicações em missão, Kiba.
Kiba assentiu, mais sério agora.
— E qual é a distância máxima para o jutsu funcionar só com o pensamento?
— Cem metros, tio. Na sua versão, era cinquenta. Eu dobrei. Mas ainda quero melhorar mais.
Ryoma o encarou surpreso.
— Como?
— O caminho que você criou tem um limite claro: entre a pessoa e o animal. Eu acho que dá pra ir além. Estou testando um jeito de usar os sentidos — como o olfato e a percepção de presença — para manter a ligação em distâncias maiores.
Ryoma coçou a nuca, pensativo.
— Sua ideia está embolada, mas… pode dar certo.
A partir daquele dia, Ryoma e Kiba passaram a treinar juntos diariamente, desenvolvendo a nova versão do Compartilhamento Selvagem – Nível 1. Mesmo quando Kiba se ausentava em missão com seu time, Ryoma continuava testando sozinho ao lado de Tsumi.
Foram dias de suor e noites com Yugao. Treinamento, progresso, silêncio… e amor.
Após um mês e quinze dias, os resultados foram surpreendentes:
Kiba e Akamaru conseguiram manter o Compartilhamento Selvagem ativo a 1 quilômetro de distância entre si.
Ryoma e Tsumi alcançaram a impressionante marca de 12 quilômetros de raio.
Todo o esforço havia valido a pena. Ryoma agora possuía uma carta de segurança real — uma técnica de suporte e evasão que podia fazer a diferença entre a vida e a morte em campo.
O céu de Konoha é tingido por tons dourados e alaranjados. Ryoma caminha ao lado de Yugao pelas trilhas silenciosas da vila. O vento suave carrega o cheiro da terra e das folhas secas. Quando passa perto de um campo de treinamento isolado, Ryoma diminui o passo.
Ryoma (parando):
— Espera... ali.
Debaixo de uma árvore solitária, Rock Lee está sentado. As roupas estão rasgadas, o corpo suado, e o olhar vazio, perdido no chão.
Yugao:
— Ele parece exausto…
Ryoma:
— Não é cansaço do corpo. É da alma.
Me dá um minuto.
Ryoma se afasta e vai até Lee. O jovem nem ergue o rosto quando percebe sua presença. Do outro lado, escondidos entre galhos, Neji e Tenten observam. Haviam vindo procurar o companheiro de time e, ao verem Ryoma, pararam em silêncio.
Ryoma (parando ao lado de Lee):
— Dói, não é?
Rock Lee (ainda cabisbaixo):
— …Ryoma-san?
Ryoma:
— Dói treinar até o corpo gritar… e mesmo assim sentir que talvez nunca vá alcançar os outros.
Dói lutar com tudo que você tem… e mesmo assim não ter certeza de que vai conseguir.
Eu sei.
Lee respira fundo, os olhos marejando.
Lee:
— Eu… eu só queria ser um ninja forte.
Mas eu não tenho talento. Não tenho ninjutsu. Não tenho nada além de esforço.
E às vezes… parece que isso não basta.
Ryoma se agacha devagar e olha para o céu. A luz da tarde pinta seu rosto com sombras suaves.
Ryoma:
— Já ouviu falar da semente no inverno?
Lee (confuso):
— Não...
Ryoma (com calma, voz firme como um poema vivido):
— A semente é enterrada no fim do outono.
Ela está sob a terra fria, escura. Não há sol. Não há calor.
Ela não vê nada, não sente nada.
E o pior: ela não sabe se vai conseguir.
Ela não sabe se a primavera virá.
Mas mesmo assim… ela insiste.
Mesmo sem garantias, ela cresce em silêncio.
Porque dentro dela… existe algo mais forte que a dúvida:
um impulso de vida.
Lee levanta o rosto, tocado. Aquelas palavras o atravessam como uma lâmina suave e quente.
Ryoma:
— A primavera não vem porque a semente acreditou.
A primavera vem porque ela resistiu.
E quando o tempo certo chega, o mundo descobre o que foi cultivado na escuridão.
Lee fecha os olhos, os punhos cerrados com força.
Ryoma:
— Continue, Lee.
Mesmo sem saber se vai dar certo.
Continue… porque parar agora seria negar quem você é.
Silêncio. Apenas o vento entre as folhas. Então, Lee se levanta com os olhos cheios d’água.
Lee:
— Obrigado, Ryoma-san.
Eu… eu sou a semente.
Ryoma (sorri de leve):
— E um dia… você será a árvore mais forte deste bosque.
Ryoma se despede com um aceno firme e volta para Yugao. Escondidos, Neji e Tenten permanecem parados, tocados profundamente.
Tenten (sussurrando):
— Isso... foi lindo.
Neji (olhar distante):
— Palavras não mudam o destino. Mas às vezes... acendem uma chama que muda tudo.
Eles se aproximam de Lee, agora mais erguido, mais leve. O céu atrás dele parece mais claro. A primavera, invisível aos olhos, já havia começado dentro dele.
Alguns dias depois, Ryoma recebeu um novo relatório.
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