Naruto: O Caminho do Coração espadachim

10 Capítulo 10 — Cinzas de Konoha




🩸 Capítulo 10 — Cinzas de Konoha


Local: Portões de Konoha – fim da tarde.

Ryoma atravessou os portões de Konoha com passos firmes. O corpo exalava cansaço — a luta contra Kakuzu deixara músculos doloridos, cortes encobertos e a respiração mais pesada que o normal. Mas ao entrar na vila, esperava encontrar o som cotidiano — vozes, passos, crianças correndo.

O silêncio o surpreendeu primeiro.

Depois, veio o cheiro: fumaça, sangue seco, chakra queimado.

Tsumi parou ao lado dele, o corpo tenso. Farejava o ar com o focinho baixo, em alerta.

Ryoma franziu o cenho.

Avançou mais alguns metros e então viu.

A rua estava coberta de poeira e entulho. Telhados caídos. Muros destruídos. Marcas de explosão. Árvores partidas ao meio. E rostos — rostos feridos, exaustos, tentando reconstruir o que restava.

Havia crianças em abrigos improvisados. Jōnins com bandagens nos braços. ANBUs patrulhando os telhados com pressa e olhos alertas.


“O que diabos aconteceu aqui?”


Ryoma parou no centro da rua, olhando em volta. A expressão era séria, mas os olhos estavam atentos, vasculhando cada detalhe. A vila havia sido atacada. Mas por quem?orochimaru?

Um ANBU surgiu de um telhado e desceu à frente dele. A máscara estava trincada no canto. O uniforme, sujo de cinzas e chakra.

— O Terceiro Hokage morreu. — disse, direto.

Ryoma o encarou, sem mudar a postura.

— Gekkō Hayate também. Foi enterrado há dois dias. — completou, antes de desaparecer.

Ryoma ergueu os olhos. O céu seguia cinzento.


“Uma vila ferida. Um rival que não voltou. Um velho conhecido que virou memória.”


“Nada disso muda o que preciso fazer.”


Não havia sentido no lamento ou raiva.

Só constatação.

Era preciso continuar andando.


🏠 Cena: O Lamento de Yugao


Local: Casa de Ryoma – fim do dia.

A casa estava escura quando ele chegou.

Tsumi ficou na varanda, sentado como uma sentinela. Ryoma entrou sem fazer barulho. O interior estava limpo, intacto. Mas o ar era denso — como se a dor pairasse no ambiente como fumaça invisível.

Ele caminhou até o quarto. A porta estava entreaberta.

Yugao estava ajoelhada diante de um pequeno altar de incenso. Ainda usava parte do uniforme ANBU, mas a máscara estava jogada no chão. O cabelo preso às pressas. Os olhos vermelhos. A respiração descompassada.

Ela não o notou de imediato. Mas quando o chakra dele a alcançou, virou-se devagar.

E quando o viu — quando viu Ryoma vivo, inteiro, de pé — ela cedeu.

Sem gritar. Sem quebrar nada.

Apenas se deixou cair para a frente, como se segurasse aquilo por tempo demais.

Ryoma se abaixou, sentando-se ao lado dela. Puxou-a com um braço firme. Ela tremia. O rosto encostado no peito dele.

— Ele sempre foi como um irmão pra mim… o Hayate — sussurrou. — Tão teimoso… tão idiota às vezes… mas nunca hesitava. Nunca. E eu… não consegui fazer nada.

Ele não respondeu.

Apenas ficou ali. Presente.

Porque promessas não trariam ninguém de volta.


🧠 Cena Interna: Decisão


Yugao adormeceu em seus braços. O corpo dela estava exausto — não só de dor, mas de esforço mental, de controle, de luto engolido.

Ryoma deitou-a no futon com cuidado. Ajustou o manto ANBU caído sobre os ombros dela e ficou observando o rosto por alguns segundos. A tensão ainda estava ali, mesmo no sono.

Caminhou até a janela e abriu a folha de madeira. O ar da noite entrou, carregado de cinzas. A vila estava mergulhada em silêncio.


“ Busco força para evitar sofrimento dos meus .”


“Busco força para não depender de ninguém. Para decidir com minhas mãos quem vive... e quem cai.”


“Se alguém tocar minha família, meus amigos ou o povo da aldeia... eu corto.”


“Não importa se é um inimigo, um traidor ou um Hokage.”




Seus dedos tocaram o cabo da Kiba no Tsume. O couro cheirava à matilha.

A lâmina, ao sangue.


🌘 Cena Final: O Treinamento Nunca Para


Tsumi estava sentado à porta, como se já soubesse o que viria.

Ryoma cruzou a varanda em silêncio, prendendo a espada à cintura. O olhar dele não era de dor. Nem de luto.

Era de foco.

O tipo de foco que nascia no campo de batalha e crescia entre escombros.

Ele olhou para o céu escurecendo.

A fumaça ainda subia de algumas partes da vila.

— Vamos. — disse.

Tsumi levantou-se sem ruído.

Ambos partiram rumo ao campo de treinamento.

Porque naquele mundo,

ou você se torna mais forte, ou se torna pó.

E Ryoma nunca foi feito para desaparecer.




Notas finais
Sai todas as quartas e sextas