Naruto - O Caminho Do Salvador!
4 Capítulo 4
3: O desabrochar de uma flor de cerejeira.
Os brilhantes raios solares, as fracas porém animadoras ventanias e o parque lotado de crianças brincando felizes; tudo isto caracterizava milimétrica e detalhadamente aquela manhã na Vila da Folha. O Sol lutava incessantemente com as nuvens para conseguir melhor espaço para brilhar. Uma luta em que, pelo visto, era favorito.
O gargalhar das crianças entrava em perfeita harmonia com as canções assoviadas pelos sabiás. A ventania pouco à pouco perdia seu vigor, claro que não durariam muito em um dia como aqueles. Uma certa menininha de lisos e curtos cabelos cor de rosa — expressando nervosismo em sua face alva jovial — rumava o parque. Usava um longo vestido rosado que combinava perfeitamente com os seus cabelos, calçava sapatilhas de cor esbranquiçada e uma prendedora de cabelos de cor azul bebê.
Decidira antecipadamente que hoje seria o dia que juntaria-se às outras crianças de sua idade para brincar. Hoje seria o dia em que conseguiria mais amigos. Não que não estivesse satisfeita apenas com Naruto e Sasuke, claro que não. Eles eram grandes amigos, ensinaram-lhe muitas coisas durante todos esses meses de amizade e a protegeram daqueles que a faziam de chacota, espantando-os sempre que essas crianças indesejáveis chegavam perto dela. Porém, já passara da hora de perder a timidez. Já passara da hora de desabrochar.
Sakura pelo menos hoje teria de se virar sozinha. Ambos, Naruto e Sasuke estavam fora da vila, saíram juntos de Kushina e Minato, para visitar a Vila-amiga da Vila da Folha, a Vila do Redemoinho, onde Naruto tinha parentes. Claro que recebera o convite para ir também, porém, seus pais não lhe deram permissão para ir, alegando que só a permitiriam sair das fronteiras do País do Fogo, após Sakura se formar na academia.
Parou frente aos breves degraus que barreiravam o parquinho. Suspirou pesadamente, analisando sorridente todo aquele quarteirão. Arqueou as sobrancelhas, estava impressionada com o quão diferente as crianças que brincavam ali agora eram das que caçoavam dela. Sentiu-se confiante para prosseguir e juntar-se a eles. Subiu com cuidado os degraus, já que também era conhecida por ser bastante desastrada. Não podia pagar mico ali e acabar de uma vez por todas com suas chances de fazer novos amigos, afinal, quem é que gosta de andar com uma menina que vive pagando micos?
Com estreitos porém apressados passos pensou em ir até a primeira menina que havia visto. Lembrou-se de tê-la visto ontem mesmo na academia, em sua classe. Se recorda-se bem, a loirinha chama-se Ino Yamanaka. Tinha lisos e curtos cabelos louros, pele tão clara quanto a sua e orbes tão azuis quanto o dia naquela manhã, fazendo-a lembrar-se de Naruto.
A loira parecia bem popular, estava cercada de meninas de sua idade, assim como Sasuke. Parou logo atrás de Ino. Perguntava-se mentalmente se devia ou não puxar assunto. Estava nervosa. As maçãs de seu rosto coraram, sim, era inevitável que isto viesse a acontecer. O 'alvo' de Sakura brincava distraidamente, nem sequer notara a presença da rosada ali.
— Oi... — Começou.
Sua voz suara baixa, remansada e inaudível demais para chamar a atenção de alguém. Deduziu que teria que falar mais alto se quisesse chamar a atenção de alguém ali.
— Oi... — Tentou novamente.
Finalmente obtivera sucesso. Virando-se para trás a loira finalmente a notou, recepcionando-a com um radiante sorriso.
— Oi ! — Cumprimentou-a. — Você é Sakura, não é?
Assentiu timidamente. Ino levantou-se, pondo-se de pé, frente a Sakura. Estendeu a mão para a rosada.
— Me chamo Ino Yamanaka. Esses são Chouji, Shikamaru e Kiba. — Disse, apontando para seus outros colegas.
Abriu um tímido sorriso no rosto, que corou rapidamente, assim que viu que todos eles a olhavam. Um dos meninos, aquele que Ino a apresentara como Kiba, levantou-se e ficou frente a ela, fazendo-a corar ainda mais intensamente. O pequeno deu palmadas na parte traseira de sua calça, provavelmente livrando-a dos grãos de areia que colaram em sua roupa, já que, estava sentado ali.
A olhava fixamente, deixando-a ainda mais nervosa. A Yamanaka demonstrava certa irritação observando aquilo.
— Ei o que deu nela? Ela não fala? — Perguntou, curioso.
— Como você é idiota! Não vê que ela só está tímida? E você ficar olhando pra ela só está piorando isso, pára com isso! — Berrou. — Não liga pra ele, vêm.
A loirinha era bem explosiva, sua personalidade lembrou-a a de Naruto. A conhecera a pouco mas já conseguiu captar um pouco de sua personalidade. Educada quando está calma mas explode fácil e rapidamente.
A loira a puxou pelo pulso, exatamente como Naruto e Sasuke faziam. A levou para conhecer várias outras meninas de sua idade, conversaram sobre várias coisas. Mas, todas elas tinham um assunto em comum. O moreno de poucas palavras, expressão facial séria e dono de um par de ônix que davam a ele um tom de mistério: Sasuke Uchiha.
Nenhuma delas demonstrou saber que Sakura era amiga de Sasuke. A rosada preferiu manter isto em segredo por um tempo, sabia que se revelasse a alguma delas, elas ficariam o tempo todo perguntando coisas sobre ele.
A única que não falava nada, era Sakura. Demorou um tempo para acostumar-se com Naruto e Sasuke, sabia que demoraria para se acostumar com Ino.
Ficaram horas e horas brincando com bonecas, nos balanços, no escorregador e na areia. A hora de ir almoçar logo chegara. Os pais de Sakura e Ino chamaram-nas para ir em casa. Marcaram de se encontrar no mesmo lugar, novamente, para continuarem brincando.
Após o término do almoço, Sakura finalmente retornou ao local marcado. Vasculhava todo aquele perímetro com as esmeraldas, a procura de Ino. A loira chegou logo atrás dela dando em Sakura um breve susto, Ino gargalhava freneticamente. Pôs as mãos nos ombros de Sakura, guiando-a.
— Vem, eu quero que veja uma coisa. — Disse animadamente, enquanto corria.
Sakura sorriu e correu, seguindo-a. Pararam de correr assim que chegaram aos bancos da praça. Frente a eles havia um buraco enorme. Ino a mandou sentar-se, dizendo que algo legal iria acontecer.
De forma inesperada, uma quantidade impressionante de borboletas rosas, douradas e violetas voaram. Toda aquela quantidade de borboleta embelezara o lugar. Um sorriso animado formou-se no rosto de Sakura.
Era lindo demais. Logo, toda aquela quantidade de borboletas dispersou, espalhando-se por todo o parque.
— É lindo, não é? — Perguntou.
Sakura assentiu. Ino olhou-a com desdém. Em seguida revirou os olhos, aproximou-se da amiga e parou frente a ela.
— Não precisa ficar tão tímida. Anda, se solte! — Dizia, sacudindo-a. — Me diga o seu nome.
— S-Sakura... — Disse, com voz baixa e tímida.
— Não ouvi.
— Sakura. — Sua voz soou mais firme.
Mas não fora o suficiente para a Yamanaka, que a fez repetir aquilo inúmeras vezes, até que falasse alto o bastante. Continuava a fazê-la repetir.
Só parou depois de ouvi-la em alto e bom som. Sorriu. Agora sim está bom.
— Viu só? Não doeu falar mais alto, ou doeu?
— Não. — Respondeu firmemente, com um sorriso no rosto.
— Quero ver você falar como falou comigo, agora, amanhã. Vou te ajudar a acabar com essa timidez. Toma isso, é um presente. Isso vai simbolizar o compromisso eterno que acabamos de fazer, quando terminarmos, você nunca mais vai ficar vermelha ou com vergonha, quando for falar com alguém.
Cedeu à Sakura uma fita de coloração tão vermelha quanto o sangue. Retirou a prendedora que estava na parte lateral dos cabelos de Sakura e amarrou a fita avermelhada na pequena. Um pequeno coraçãozinho estava no topo de sua cabeça.
Ino sorriu alegremente para ela. Sakura retribuiu o sorriso.
— Ficou linda! — Disse-lhe.
— Obrigada. — Agradeceu.
— Não tem de quê. Anda, vamos, quero te apresentar à minha mãe!
O tempo se passou, e durante o tempo que passaram juntas, Ino lhe apresentou a várias outras meninas e meninos. Levou-a a sua casa, contou a ela segredos e demonstrou estar mesmo disposta a ajudá-la a socializar melhor com as outras crianças de sua idade. Sakura contou a ela que era amiga de Naruto e Sasuke, o que deu liberdade a Ino para revelar a ela um segredo.
Descobrira que Ino era apaixonada por Sasuke. Como o esperado, Ino passou o tempo todo perguntando coisas sobre ele, à Sakura. Perguntou do que ele gostava, do que eles brincavam, se ele falava sobre ela, o que ele fazia.
O objetivo de Ino, que era o de torná-la menos tímida, foi concluído com êxito. De uma flor fechada e acanhada para o mundo exterior, Sakura desabrochou, tornando-se uma verdadeira flor de cerejeira.
Ino não só passou a andar com Sakura, como também com Naruto e Sasuke. A loira só vivia querendo ficar perto do moreno, que quase sempre ficava a fugir dela e desprezá-la. Sempre que podia, Ino pedia à Sakura dicas sobre como falar com o moreno, só que, nem ela sabia como. Ela conversava normalmente com ele, tão bem quanto conversava com Naruto e Ino, só não sabia como fazia aquilo.
O motivo talvez seja o de eles se conheceram há tanto tempo, que acostumou-se com a personalidade de Sasuke e o conheceu melhor. Mas decifrá-lo por completo, a ponto de dizer a Ino tudo o que entendera sobre ele, não, não tinha como fazer isso.
Sasuke nunca se importou com a presença de Sakura. Importava-se, às vezes, com a presença de Ino, isto porque na maioria das vezes que estava com ele, comportava-se como uma fã-girl fútil e estúpida.
Tudo o que sabiam era que o moreno não gostava de gente barulhenta. Ele andava com Naruto, mas não gostava de gente barulhenta. Ino não podia se controlar quando estava perto dele. Sentia-se enérgica quando estava com ele.
Os quatro, estavam agora, com seus 8 anos. Conforme o tempo passava, Naruto amadureceu e adquiriu um pouco da personalidade de Minato, Sasuke tornou-se ainda mais fechado, Sakura tornou-se tão confiante quanto Ino e Ino continua na mesma. Só falava em Sasuke.
Sasuke isso, Sasuke aquilo. Ouvir tanto sua amiga falar dele, fez Sakura tornar-se confusa quanto a seus sentimentos sobre Naruto e Sasuke. O que sentia por Sasuke não era normal. Disso tinha certeza. Porém, o que sentia por Naruto, também não era normal. Gostava dos dois, afinal?
Resolveu não contar a ninguém, queria esperar suas ideias ficarem mais claras para poder revelar isto a Ino, por exemplo. Os dois não podiam nem desconfiar sobre isto.
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