Naruto - Aonde o meu coração está!
16 Capítulo 16
– Olha! O que houve com vocês? Parecem ter tido trabalho... – Comenta Yoku, debochando e levemente surpresa.
No dia seguinte ao ataque dos rebeldes aos Genins na Vila da Areia, e da captura de Shinko, os rebeldes tinham acabado de chegar na Vila da Grama. Eles foram de encontro ao líder a aos outros rebeldes no castelo, com Shinko ainda inconsciente. Ao chegarem no castelo, os rebeldes foram recebidos com algumas piadas de seus companheiros.
– Se já estão sujos e cansados desse jeito por lutarem apenas com crianças...imagina se lutarem contra Jounins? – Comenta Taidana, rindo.
– Calem a boca! Os pirralhos só tiveram sorte algumas vezes! – Retruca Yokubo, sentando no chão. – Me deem um tempo, beleza!? Corremos até aqui sem parar!
– Alguns daqueles pirralhos tinha habilidade, mas nós acabamos com eles. – Conclui Goman, também se sentando no chão.
No mesmo instante, Senbo, o líder, apareceu diante de seus subordinados. Um grande sorriso se formou em seu rosto após ver o corpo de Shinko, inconsciente, no braço de Ikari.
– Não importa os efeitos colaterais, vocês conseguiram pegar o garoto! – Diz Senbo, se aproximando de Ikari. – Solte ele, Ikari.
Na mesma hora, Ikari soltou o corpo de Shinko no chão. Senbo se agachou e se aproximou do garoto, ele começou a tocar seu corpo e viu que ele não acordava de jeito nenhum, ele estava bem ferido.
– HÁ HÁ HÁ HÁ! Que maravilha! Parece que você não pegou leve, Ikari, ou melhor, Heishi! – Diz Senbo, rindo e se levantando para ficar de cara com Heishi. – Como foi a sensação de espancar seu irmãozinho querido, hein!?
Heishi não dizia nada, seu rosto permanecia sério e seus olhos continuavam vazio, como se ele fosse apenas uma casca vazia e sem alma. Então, Senbo notou que estava escorrendo sangue dos dois olhos de Heishi, era como se ele, ou a alma dele, estivesse chorando.
– Ora, mil perdões! Esqueci que você não pode me responder! Você é só uma máquina de lutar agora, você não consegue sentir mais nada! – Dizendo isso, Senbo deu um grande soco no rosto de Heishi que apenas foi empurrado para trás, mas não fez nada. – Bem, agora que temos o garoto, podemos colocar em ação o plano. Mas antes de tudo: Kufuku! Traga aquela forasteira aqui, e faça com que ela cure o menino! Precisamos que ele fique em boa condição física.
– Pode deixar, meu líder! – Diz Kufuku, indo para o andar inferior do castelo.
– Quero que vocês se preparem! Assim que o menino for curado, nós vamos todos partir para o Templo da Grama! Não temos mais tempo a perder! – Ordena Senbo.
– Poxa! Mas acabamos de chegar! Por que temos que ir tão rápido mesmo? – Reclama Yokubo, inconformado.
– Você é tão burro quanto os animais que se transforma... – Comenta Taidana, irritado. – Para liberar o poder do pirralho, o Ikari, quer dizer, o Heishi tem que desfazer os selos que ele colocou no irmão. Isso leva um tempo, por isso temos que ir logo!
– E antes que você ouse perguntar: não podemos fazer aqui, pois acabaríamos destruindo boa parte da Vila, se não ela inteira, e mataríamos todos os cidadãos. – Diz Yoku, penteando seu cabelo.
– Já entendemos isso, mas o Templo da Grama não está com os monges lá ainda? Vamos fazer o que com eles? – Pergunta Goman, se levantando e se espreguiçando.
– Não faça perguntas das quais já sabe a resposta: vamos mata-los é claro. – Responde Senbo, calmamente. – Heishi, você fica de fora da matança, vai precisar de todo seu chakara para desfazer os selos de Shinko.
Na mesma hora, na Vila da Areia, todos os cinco Genins estavam no hospital da Vila, todos já tinham sido tratados, mas Naruto ainda estava inconsciente. Assim que os outros acordaram, Sakura, tristemente, explicou o que houve com Shinko no final da batalha, e contou até sobre o Heishi. Eles ficaram afetados depois de ouvirem as palavras de Sakura, principalmente Sasuke e Gaara, que pareciam estar furiosos. Passado algum tempo depois dos ninjas acordarem, Kakashi, Asuma e Gai chegaram ao hospital da Areia também. Eles ficaram confusos e nervosos em ver todos de cama, Sakura, então, explicou tudo para eles também, que ficaram, assim como os jovens, afetados com as informações. Após os Jounins conversarem com os superiores da Vila da Areia, eles cederam aos ninjas da Folha um transporte, para voltarem depressa para o País do Fogo. Não era algo muito veloz, mas reduziria bastante o tempo de viagem, e pouparia os feridos, principalmente por Naruto ainda estar inconsciente.
Gaara e Temari decidiram e conseguiram convencer, tanto Kakashi, quanto seus superiores, de acompanharem seus companheiros da Folha, usando a desculpa que agora era um assunto do País do Vento também. Kankuro não pôde ir, pois, além de estar bem mais ferido, ele havia perdido seu meio de lutar, que era sua marionete, mas desejou sorte para seus irmãos e esperava que Shinko fosse resgatado logo. No meio da viagem, Naruto acordou e, como o esperado, deu o maior trabalho para os outros. Ele queria, de todo o jeito, ir atrás de Shinko, e estava furioso por não ter conseguido salva-lo na hora, só mesmo com a areia de Gaara é que Naruto conseguiu ficar quieto até o fim da viagem. Após um dia de viagem, de volta a Vila da Folha, Sakura queria que todos fossem ao hospital primeiro, mas Naruto e os outros queriam ir até a Hokage logo. No portão da Vila estava Shizune, ela disse-lhes que Tsunade estava esperando eles, e que havia chamado os Times 10, 8 e Tenten e Neji para a sala dela também. Ao entrarem na sala, todos estavam lá, de pé, em frente a Tsunade, então, Naruto se atirou em cima da mesa da Hokage e começou a gritar:
– PORQUE VOCÊ FEZ A GENTE VIR ATÉ AQUI!? TEMOS QUE IR ATRÁS DO SHINKO!
Na mesma hora, Tsunade deu um peteleco na testa de Naruto, jogando o ninja contra a parede da sala.
– JÁ CHEGA! SE ACALMA! – Grita Tsunade irritada. – Escutem o que vou falar! Todos vocês!
Todos ficaram sérios e nervosos para ouvir o que Tsunade tinha a dizer, Naruto se levantou com dificuldade e ficou entre Sasuke e Sakura, e decidiu ouvir tudo com atenção.
– Bem...chamei todos vocês até aqui, pois todos vocês têm alguma relação com Shinko, então, eu presumo que todos já saibam sobre a situação dele e da Vila da Grama. – Começa Tsunade, se sentando na cadeira e respirando fundo.
Todos os ninjas presentes assentiram positivamente com suas cabeças, então Tsunade decidiu continuar.
– Então eu vou contar o que descobri, ouçam com atenção: o clã do Shinko, o clã Horuda, era um dos clãs mais poderosos da Grama, era dele que eram os líderes da Vila. Aquele clã possuía membros com uma certa Kekkei Genkai, digo isso pois nem todos nasciam com esse poder, e a pessoa que nascesse com essa herança, deveria se tornar o líder da Vila. – Explica Tsunade, séria. – Nem o pai e nem o irmão mais velho de Shinko nasceram com esse poder, apenas o menino o herdou.
– Espera aí, como pode ser uma Kekkei Genkai se apenas alguns membros do clã a herdam? – Pergunta Shikamaru, curioso.
– Segundo os registros, é porque o clã Horuda nasceu de uma miscigenação entre clãs diferentes. Não achei o nome do outro clã, mas ele não possuía uma Kekkei Genkai, então, com a junção deles, alguns membros podiam nascer, ou não, com a Kekkei Genkai. – Explica Tsunade. – Pode-se até dizer que é questão de sorte, ou azar no caso do Shinko....
– “Azar”? – Repete Sakura, confusa.
– Shinko nasceu com a Kekkei Genkai, mas ele nasceu com esse poder muito mais forte do que nos outros. Tão forte, que, quando ele era pequeno, tiveram que selar seu poder, para sua própria segurança...e de sua Vila também. – Continua Tsunade. – Desde então, ele tem ficado trancado no castelo do clã Horuda, até o ataque dos rebeldes pelo menos.
Essa informação chocou todos os jovens ninjas, e até os Jounins ali presentes, menos Naruto, que só abaixou a cabeça e serrou os punhos. Isso intrigou Tsunade.
– Naruto...você já sabia disso? – Pergunta Tsunade.
– O Shinko me contou faz um tempo...ele disse que era seu segredo. – Diz Naruto, nervoso. – Droga! Porque aqueles desgraçados estão atrás dele!? Que porcaria de poder é esse, afinal!?
– É isso que vou dizer agora: a Kekkei Genkai dos Horuda, o poder de Shinko, é uma técnica de acumulo de chakara. É um poder que não deixa o chakara do usuário acabar, podendo lutar por tempo indeterminado e, se muito bem treinado, ele pode até passar chakara para os outros. – Explica Tsunade. – Quanto maior o chakara da pessoa, mas forte serão seus golpes e mais tempo ele ficara sem ter seu chakara esgotado.
Todos ali ficaram espantados, nenhum deles podia acreditar nisso. Naruto pareceu não ter entendido completamente, Kakashi, vendo isso, decidiu resumir para seu aluno.
– Resumindo: O Shinko é uma fonte ilimitada de chakara e poder. – Diz Kakashi, olhando para Naruto, que finalmente entendeu.
– Não é à toa que ele é tão forte... – Comenta Sasuke, olhando para baixo.
– Tá, mas e daí!? O que eles pretendem com isso!? – Diz Naruto, nervoso.
– Você não entende!? Com isso eles podem acabar com qualquer um! – Explica Ino, nervosa.
– Eu li em uns arquivos...que isso só aconteceu uma vez no passado. A pessoa com o poder do Shinko conseguiu derrotar vários ninjas poderosos de outras Vilas, foi graças a essa pessoa que a Vila da Grama não caiu durante a última Guerra Ninja. – Conta Tsunade. – Segundo os arquivos, o poder dessa pessoa lhe subiu à cabeça e, depois da guerra, ele quase destruiu toda a Vila da Grama, foi um desastre, muitos morreram nisso. Precisou de muitos ninjas de lá para controlarem...digo, matarem essa pessoa.
– Deve ser por isso que a Vila o temia então... – Conclui Neji.
– Que idiotas! O Shinko jamais faria isso! – Implica Naruto, irritado.
– Ele talvez não, mas os rebeldes sim. Agora tenho uma ideia do que eles querem. – Começa Kakashi, pensativo. – Eles querem usar o poder do Shinko para destruir tanto a Vila da Folha, como a Areia...talvez até outras! E assim assumirem a Vila da Grama e fazerem dela a mais poderosa.
– Mas o Shinko não cooperaria com isso! – Diz Chouji.
– Não de boa vontade, com certeza. – Diz Shikamaru, pensativo.
– Eles vão fazer o mesmo que fizeram com o Heshi! Ele parecia estar sendo controlado...como se fosse um boneco, talvez queiram controlar o Shinko também! – Conclui Sakura, preocupada.
– É possível, mas só podem fazer isso depois de liberar os selos. – Diz Tsunade.
– Pera aí, “os selos”? Foram mais de um!? O Shinko disse que o Heishi fez o selamento... – Diz Naruto, confuso.
– Então faz sentido eles terem mantido o Heishi vivo. Afinal, apenas a pessoa que selou pode desfazer o selo, na maioria dos casos. – Diz Kakashi.
– Então, segundo o registro, foram feitos quatro selos poderosos. Eles demoram para serem desfeitos, leva quatro dias nesse caso. Já perdemos dois dias e meio. – Conclui Tsunade. – Precisamos agir, e logo! Quantos são os inimigos, Kakashi?
– São sete rebeldes, senhora. Eles dominaram completamente a Vila da Grama, são muito poderosos, não devem ser subestimados. – Responde Kakashi.
– Beleza! Vamos salvar o Shinko logo então! – Diz Naruto, decidido.
– Vocês não! Assim que o Kakashi se recuperar eu mandarei uma equipe de Jounins da Folha e vou contatar a Areia para ajudar. Eu chamei vocês aqui, e disse isso tudo, para deixar claro que nenhum de vocês vai! Eu ainda vou cuidar de vocês três sobre a fuga passada! – Diz Tsunade, olhando furiosa para o Time 7. – Vou aumentar a segurança, e vou avisar a Areia que vocês, Gaara e Temari, vão partir. Se ousarem me desobedecer, eu juro que revogo o direito de vocês serem ninja!
Naruto, e mais alguns amigos tentaram convencer Tsunade do contrário, mas foi em vão. Todos os amigos foram dispensados da sala, e todos estavam inconformados e irritados enquanto andavam pela Vila. Em certo momento, Sasuke soltou um grande suspiro e fez um comentário.
– E então, idiota? Vai fazer o que?
– Há! PRO INFERNO O QUE A VOVÓ FALOU! SE LIGA! – Grita Naruto, irritado, mas corajoso. – EU VOU SALVAR O SHINKO E O HEISHI DE QUALQUER JEITO!
Todos ao lado de Naruto abriram um sorriso, e então Shikamaru começou a falar.
– Tudo bem, vai ser um saco mas vou pensar em alguma coisa. Me deem uma hora, todos que toparem ajudar, já sabendo das consequências, vão para a casa do Naruto depois de uma hora. Entenderam? – Diz Shikamaru, coçando a cabeça.
Todos se entreolharam e, sérios, falaram juntos:
– CERTO!
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