Naruto - A Aposta
2 Capítulo 2 - Avisos e Ameaças
Notas iniciais
Depois de as aulas acabarem, era já um hábito que aquele grupo ficasse na sala e os lugares onde ficavam também já estavam “marcados”.
No entanto, naquele dia em especial, Naruto não estava com eles, atrás de Gaara que, apesar de ninguém perceber a não ser os seus irmãos, estava chateado.
A razão era a aposta.
- Ele foi mesmo com a Hinata para a biblioteca? – perguntou Lee sentado ao lado de Gaara.
- Foi o que me disse. – respondeu Gaara monotonamente – Não acho que estivesse a mentir.
Kiba também estava um pouco perturbado com aquilo tudo mas continuava a repetir para si mesmo que ia ser melhor assim.
No canto da sala, Shikamaru prestava atenção a cada palavra, enquanto acabava rapidamente os trabalhos daquele dia.
- Não vais fazer nada? – perguntou Choji, em pé, ao lado da mesa de Shikamaru – Ouviste o que eles tencionam fazer, não ouviste?
- Não vejo por que razão, tenho que fazer alguma coisa. – referiu Shikamaru espantando Choji – Não creio que o Naruto goste de perder e, se ele ganhar, o ódio da Hinata vai ser o suficiente para o castigar.
- E o Neji? – lembrou Chouji.
- Sim, o Neji também vai fazer um bom trabalho a castiga-lo. Caso ele perca ou ganhe – completou Shikamaru – Não te preocupes, Choji. Vai correr tudo bem. – devagar, ele fechou o caderno e levantou-se – Já acabei. Vamos para casa?
Chouji encolheu os ombros e seguiu Shikamaru. Quase ia esbarrando com ele quando Shikamaru parou subitamente. – O que é que se passa!? – perguntou, chateado mas calou-se imediatamente quando a viu.
A escola secundária de Konoha tinha uma política restrita que dividia cada ano em duas turmas. A turma das raparigas e a turma dos rapazes, sendo poucas as vezes em que as duas se misturavam.
No entanto, mesmo sem a ter visto muitas vezes, Choji conhecia Sakura. Não por bons motivos.
Ela “comandava” a turma das raparigas e nenhum rapaz se atrevia a meter-se no caminho dela. Aí estava a razão para Shikamaru ter parado subitamente.
Ela também era a namorada de uma semana de Sasuke o que ainda a tornava mais assustadora…já que nenhuma rapariga antes tinha durado tanto tempo.
- Bom dia, Sakura. – disse Shikamaru descontraidamente – Posso ajudar-te?
- Ah, vim falar com o Sasuke. – informou ela de uma maneira estranhamente simpática – Podias chamá-lo por mim?
- Eu ia mesmo agora a sair. – Shikamaru afastou-se do caminho dela – Mas está à vontade para entrar.
- Oh, obrigada. – agradeceu Sakura com um sorriso demasiado grande na cara – Faz uma boa viagem até casa e dá cumprimentos meus aos teus pais. Tu também, Choji.
Aquilo soava mais a uma ordem do que a um pedido, para Choji mas ele continuou a seguir Shikamaru e despediu-se com um sorriso, tal como ela.
Depois ela entrou e, com as mãos nas ancas, olhou para Sasuke.
Quando os restantes rapazes pararam de falar, Sasuke olhou para a porta e viu a razão do silêncio. Será que se tinha esquecido de algum tipo de aniversário?
Com um sorriso encantador, levantou-se e preparou-se para pedir desculpa a qualquer que fosse o problema.
- Sakura, o que é que estás aqui a fazer? – perguntou Sasuke carinhosamente. Um lado dele que só mostrava a Sakura – Combinamos alguma coisa?
- Ouvi falar numa aposta. – disse ela indo direta ao assunto – Que envolve o Naruto a Hinata. E também ouvi que foste tu que sugeriste a brincadeira. Vim aqui para saber se é verdade.
- Bem, isso…
- Sasuke! – gritou Sakura sem lhe dar tempo para responder – A Hinata é uma das minhas únicas amigas! Não vou deixar que a magoes!
- Não sou eu que a vou magoar. – murmurou Sasuke porque tinha medo que ela ouvisse.
- O que é que disseste? – perguntou Sakura ameaçadoramente. Depois passou pelo lado de Sausuke e dirigiu-se a Gaara. Este nem sequer olhou para o lado ou piscou os olhos quando ela deu um murro na mesa dele – Mestre Gaara, sabe-me dizer o que se passa aqui?
- Não tenho nada a dizer. – disse Gaara, simplesmente – Devias perguntar ao teu namorado ou ao Naruto. Foi ele que aceitou a aposta.
Sakura ainda ficou mais irritada com a resposta calma de Gaara mas decidiu não pressionar mais quando viu Kankuro a dar um passo em frente. Temari também não era uma inimiga que quisesse fazer.
- Muito bem! – exclamou Sakura afastando-se – Se nenhum de vocês fala, onde está o Naruto!?
- Ele já foi para casa. – mentiu Kiba, deixando os outros de boca aberta – Vais ter que esperar para amanhã para falar com ele.
- Bem, se é assim…
- Sakura. – começou Sasuke, agarrando-a pelo braço – Porque é que não aproveitamos que vieste até aqui e vamos dar uma volta pela cidade?
- Hmm…sim…mas…
- Vamos. – pressionou Sasuke guiando-a para fora – Eu compro-te uma coisa que queiras.
Depois de estarem sozinhos, outra vez, Lee olhou para Kiba. – Porque é que disseste aquilo? Não concordamos ajudar o Naruto a ganhar a aposta.
- Só estou a tentar ajudar um pouco. – disse Kiba sem querer dar mais explicações – Em todo o caso, não é como se tivesse prejudicado ninguém. Aposto que a Sakura vai estar muito feliz quando chegar a casa. Afinal, não é fácil ter um encontro com o Sasuke.
- E a Hinata também deve estar contente. – referiu Gaara, levantando-se. Ao ver a cara ligeiramente irritada de Kiba, soltou um pequeno suspiro e fechou os olhos – Kankuro, vai buscar a Temari. Vamos para casa.
- Queres que prepare as tuas coisas para amanhã quando chegarmos a casa? – perguntou Kankuro pondo-se ao lado de Gaara.
- Refiro-me a Suna, irmão. – corrigiu Gaara espantando Kankuro e os restantes presentes – Preciso de ir até lá tratar de uns papéis pessoalmente e distribuir funções e esta parece ser a melhor altura. – disse ele pondo a mochila às costas – Tu devias ficar aqui e a Temari também, pensando melhor.
- Mas, não posso deixá-lo… — ao ver o olhar de Gaara, Kankuro interrompeu-se – Como queiras.
Eram raras as vezes em que Gaara se chateava verdadeiramente mas, quando isso acontecia, não era aconselhável irritá-lo ou contradizê-lo.
- Parto imediatamente. – disse Gaara começando a andar – Se alguma coisa relevante acontecer, contacta-me imediatamente, percebeste?
- Sim. – respondeu Kankuro, seguindo-o, enquanto ele saía da sala.
- Fica de olho na “aposta” e informa-me dos avanços e resultados. – acrescentou Gaara quando os outros já não conseguiam ouvi-lo – Se algo mais séria acontecer, intervém, combinado?
- Farei isso. – concordou Kankuro e parou de segui-lo quando Gaara saiu da escola e entrou no carro preto que já estava à espera dele.
Ia ser uma semana complicada, pensou ele, suspirando.
…
Naruto também suspirou.
Estava atualmente na biblioteca, com Hinata. Depois de as aulas acabarem não havia muita gente lá. Era por isso que ela tinha escolhido aquela hora.
Ele olhava para ela, enquanto ela lhe mostrava exercícios do livro que ele lhe pedira para explicar…demasiado rápida para ele perceber alguma coisa. Mesmo assim, sorriu e anuiu com a cabeça quando ela parou e olhou para ele, perguntando-lhe se ele estava a perceber.
Seria a turma das raparigas mais avança do que a turma dos rapazes?
Não parecia humanamente possível explicar um exercício daqueles tão facilmente.
- Queres tentar tu, agora? – perguntou Hinata, despertando Naruto.
De repente, como se tivesse-se esquecido do propósito daquela semana, Naruto começou a “jogar”.
- Eh!? – disse ele, espantando Hinata – Eu não percebi nada.
- Nada? – perguntou Hinata um pouco deludida consigo própria.
- As tuas explicações são demasiado complicadas. – protestou ele vendo as lágrimas a inundarem os olhos dela. Sentiu um aperto no peito e desejou que aquela semana passasse rapidamente – Talvez fosse melhor arranjar outra tutora. Uma mais atraente, também.
- Talvez fosse melhor. – concordou Hinata.
Naruto não estava à espera daquilo. Ela tinha concordado tão facilmente…não devia haver ali algum tipo de ressentimento?
- Se não estou a ajudar é inútil continuar a desperdiçar o tempo em que podias estar a estudar para os exames. – reforçou Hinata sem conseguir olhar diretamente para Naruto. Se o fizesse, receava que as lágrimas começassem a escorrer pelo rosto – Talvez a Sakura te possa ajudar. Ou o Shikamaru, se lhe pedires. Talvez te possa ajudar a encontrar outro tutor. Talvez até possa ser um professor. Ou o Neji onii-san. Ele é bom a esta matéria.
O Neji!? pensou ele, assustado com a possibilidade.
- Se…se, talvez…pudesses mudar a maneira como explicas… — começou Naruto a tentar escapar às possíveis aulas com o assustador primo dela – Se fizesses isso…talvez eu percebesse melhor.
- Tens a certeza? – perguntou ela, meia envergonhada, agora – Mas isso ia demorar algum tempo.
- Oh, não faz mal. – disse Naruto. Logo que não fosse o “Neji onii-san” era perfeitamente aceitável para ele – Porque é que não acabamos por hoje? Amanhã tentamos, outra vez.
- Hm. – concordou ela, decidia – Vou fazer o meu melhor!
E, surpreendentemente, mesmo que ela estivesse contente e a sorrir, o peito dele continuava apertado.
…
Naruto saiu da biblioteca com as mãos atrás da cabeça, deixando Hinata para trás.
O primeiro dia da aposta tinha terminado e não tinha feito progresso nenhuns. Tinha-a magoado quando dissera que ela era uma má tutora mas depois tinha concertado tudo, por isso, aquilo não contava.
Tinha-a deixado sozinha na biblioteca, com a desculpa que era demasiado chato estar à espera que ela terminasse de procurar os livros que queria requisitar.
Era uma boa ofensa; qualquer rapariga ficaria chateada com isso, mas ela tinha apenas sorrido e dito “Boa viajem até casa.” Talvez dissesse que era demasiado aborrecido acompanhá-la até casa, da próxima vez.
Ou talvez não, pensou ao ver Neji com as sobrancelhas franzidas e os braços cruzados a impedir o caminho.
- Hei, Neji! – cumprimentou Naruto, alegremente. Ele nem se mexeu – O que é que estás aqui a fazer?
- Vim buscar a Hinata-sama. – respondeu Neji com uma voz ameaçadora – Pergunto-me porque é que estás sempre aqui, quando o faço.
- Coincidência? – tentou Naruto, a medo – Só estava a estudar na biblioteca.
Se Neji ouvisse alguma coisa sobra a aposta, com certeza que ele ia parar ao hospital, não sem a companhia de Sasuke.
- Anda por aí um rumor. – comentou Neji fazendo Naruto estremecer – Que a Hinata-sama está-te a dar explicações. É verdade?
Naruto quase suspirou de alívio mas decidiu que era melhor não o fazer.
- É verdade. – confirmou Naruto com um grande sorriso na cara – Ela não te contou?
- Estás a acusar a Hinata-sama de não me ter contado? – perguntou Neji, estreitando os olhos.
- O quê!? – perguntou Naruto, confuso com o súbito ataque de fúria de Neji – Não!
- Porque a Hinata-sama não tem a obrigação de me contar. – continuou Neji dando um passo à frente – TU é que tinhas a obrigação de me contar.
- Eu? – Naruto pensou em recuar de volta para a biblioteca quando Neji deu outro passo em frente. Mas assim ia parecer um cobarde, por isso ficou no mesmo sítio.
Mesmo quando Neji se aproximou e ficou suficientemente perto para o atacar sem ter que se mexer nem mais um centímetro.
- Se te atreves a…
- Neji oni-san! – exclamou Hinata interrompendo a ameaça de Neji – O que é que estás aqui a fazer? Eu disse que ia para casa sozinha, hoje.
- O seu pai estava preocupado. – respondeu Neji pondo um sorriso brilhante na cara – Ele pediu-me para a vir buscar, Hinata-sama.
- Não tinhas que fazer isso. – disse Hinata amuando ligeiramente.
- Devíamos ir o mais rápido possível. – propôs Neji – Não quer que o seu pai se preocupe demais, pois não?
Ela expirou com força e continuou amuada, mas juntou-se a Neji, sorrindo ao passar por Naruto. – Até amanhã, Naruto-kun.
- Até amanhã. – hesitou ele ao ver o olhar mortífero que Neji lhe estava a dirigir, enquanto dirigia Hinata para a saída.
Ainda o ouviu dizer algo do tipo “Hinata-sama, não devia preocupar-se com ele. Certamente há mais pessoas que o poderiam ajudar mais eficazmente” mas decidiu ignorá-lo.
Quando voltou à sala, os outros rapazes já tinham ido embora.
E ele perguntou-se porque é que estava a levar avante aquela estúpida aposta.
Notas finais
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