Notas iniciais
Olá pessoal! Muito obrigado desde já por todos que lerem! Não atualizei esses dias por alguns problemas, mas agora está aí!! Muito obrigado mesmo!! ♥

Akemi percebia que seus netos estavam tão fascinados com a historieta que não conseguiam dormir. Eles não haviam saído para lugar nenhum; por insistência dos netos, ela passara o dia inteiro descrevendo tudo, com as devidas pausas das refeições. Sequer atendeu o telefone, que tocara umas 3 ou 4 vezes ao longo da tarde. As crianças não descansariam enquanto não soubessem como tudo terminaria. E agora, quase meia noite, eles não davam nenhum sinal de sono, e insistiam novamente:

— Queremos que a senhora nos conte a história a noite inteira, vovó! Dizia Mizuki, muito mais animado do que costumava ser.

Inoue também estava disposta.

— Eu não sei se a mãe de vocês gostaria disso, — dizia a velhinha, coçando a cabeça e, por consequência, emaranhando um pouco seus ralos cabelos brancos – mas o que eu posso fazer? Se eu não finalizar essa história durante essa madrugada, vocês irão ficar acordados de qualquer jeito. Bem, vamos lá. Contarei até que algum de vocês sinta sono.

Pobre vovó! Mal sabia que as crianças, atônitas, fariam de tudo, menos sentir sono.

Akemi pegou novamente sua chávena de chá e deu uma golada, longa como a madrugada que teria de enfrentar. Com essa idade eu deveria estar descansando na cama, ela pensava. Mas, para fazer as vontades dos netos, uma madrugada apenas não lhe causaria qualquer malefício. Ela se engasgou, pigarreou, e apagou as luzes do quarto, para que a vista não ficasse cansada. Soltou um leve suspiro e abriu pela metade o basculante que ficava na parede do lado esquerdo do quarto, e, se sentando pesadamente na cadeira, retomou, arfando, a narrativa.

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Hinata permanecia no grande quarto em que Naruto a deixou, deitada sobre a cama, frustrada, olhando para o teto branco e se perguntando onde estaria seu Deus na hora que em que ela mais precisava. Tentou de fugir de várias formas, mas a porta do quarto estava trancada por fora, além de ser muito grande, grossa e pesada, o que impedia que sua força fosse capaz de derrubá-la. As janelas eram como as do calabouço, porém bem maiores, com molduras elegantes e barras de aço impedindo sua fuga. Delas, dava para perceber que a noite já caia alta lá fora, e o sussurrar suave das folhas emitia uma música desordenada, mas aconchegante.

Ela já não entendia o propósito de estar presa neste castelo. Naruto não parecia desejar machucá-la; aliás, o medo que carregava dele diminuiu muito após ter ouvido sua história. Na verdade, ela se sentia comovida pela vida dele, apesar de que ainda era difícil digerir o fato de que ele era um vampiro. De qualquer forma, ela desejava sair daquele lugar; apesar de Naruto a estar tratando bem e ter jurado não lhe fazer mal algum, ela não conseguia confiar em suas palavras, sentia que a qualquer momento ele poderia fazer o que bem entendesse com ela. Talvez a obrigaria a ser sua serva, como foi o caso do homem assustador que a colocou no calabouço. Muitas possibilidades passavam pela cabeça da jovem noviça, mas uma coisa era certa, precisava ir embora. Jamais havia provado tanto pavor em sua vida; perto dos últimos acontecimentos, o chicote da madre já não lhe era mais tão assustador.

Hinata ouviu o barulho de passos e de chaves balançando; se levantou da cama em um pulo e ficou de pé, aguardando a porta ser aberta.

— Vim avisar-te que teu jantar logo estará servido. — Disse Naruto com um leve sorriso, e olhando de maneira distraída para os cantos.

— Meu jantar?

— Sim. Há anos que não sirvo nada a ninguém. Gostaria de acompanhá-la, mas digamos que temos gostos completamente diferentes.

— Se-Senhor Naruto, eu…

— Apenas Naruto.

— Naruto… — Ele assentiu, emitindo um leve som. — Eu gostaria de vos agradecer a hospedagem, mas peço que, por favor, deixe-me ir.

Ele suspirou.

— Deixá-la ir? — Perguntou mais para si mesmo, enquanto caminhava aos redores do quarto em passos curtos e silenciosos. — O que há lá fora de tão empolgante para que queiras voltar tão desesperadamente? — Voltou a olhá-la.

— O convento e a minha família devem estar preocupados comigo!

— Estão preocupados com você, ou com o que você representa? – Sua voz emanava um sarcasmo venenoso.

— Eu não estou te compreendendo.

— Claro que não estás. Este é o rumo para onde o mundo está encaminhando hoje em dia. Cheio de interesses, mentiras e maldades. Mas você, sendo uma jovem manipulável, não é capaz de ver isso. – O tom sarcástico de Naruto tornou-se sério e sensivelmente arrogante.

— Como ousa? Mal me conheces! Tens uma imagem completamente equivocada de mim! — Se irritou.

— Pelo contrário, Hinata. Eu a conheço muito bem para saber que és filha do líder da família Hyuuga, e que vocês têm como tradição criar e educar suas filhas no convento e casá-las, depois, entre os homens do mesmo sangue.

— Isso não significa que me conheces, apenas sabes sobre as tradições da minha família, assim como muitos nestas regiões. Eu tenho o direito de escolher se casarei ou não.

— Esse conhecimento dá sentido a tudo. Tua família não está preocupada contigo. Em verdade, só se preocupam com um futuro ganancioso, com a dignidade e a posição que terão de manter enquanto nobres. A sua escolha não passa de um joguete para um nepotismo bem armado, e que já acontece a gerações. Achas mesmo que tua palavra tem algum poder?

Hinata o olhou com espanto e raiva. De fato, sua família zelava muito pelas ordens, posições e tradições que todos deveriam seguir, e isso não era segredo e nem motivo de alarme. Os Hyuuga eram conhecidos pela honra que carregavam no brasão. Era de sabedoria pública a questão de serem fechados no que concerne o matrimônio; a uma mulher Hyuuga, só era permitido o casamento com um homem de fora do clã se ele dispusesse de um dote satisfatório, ou se pertencesse a uma outra oligarquia influente. De qualquer maneira, para Hinata, nada disso era incômodo. Aceitar o fato de que era uma peça importante num jogo de interesses era uma hipótese descartável.

— Isso não descarta o amor que eles têm por mim.

— Amor? Semelhante ao que possui no convento com suas “irmãs”?

— Não ouse falar mal das servas de Deus. — Aumentou o tom de voz.

— Oh! Com toda certeza, a atual Madre deve estar desesperada a tua procura. Não por ter qualquer tipo carinho por você, mas sim por que teu sumiço deverá causar muitos problemas a ela, se já não os causou. Eu li nos jornais que tua família doou boa parte de suas terras para construção daquele templo. Atitude louvável. Mas os Hyuugas não gostariam nem um pouco de receber a notícia de que ela “perdeu” justamente você. Sem falar no escândalo que isso tudo causaria politicamente, ela certamente seria expulsa do cargo que exerce.

Hinata o olhava perplexa. Eram muitas informações para processar, e não podia negar que de certa forma tudo isso fazia sentido; ela jamais havia pensado por esse lado.

— Como sabes sobre tudo isso?

— Eu vivi tempo o suficiente para saber como o mundo funciona.

— De qualquer forma, eu preciso voltar.

— Voltar para quê? – Ele insistia, um pouco mais atordoado. Para um mundo de falsas aparências?

— Eu tenho obrigações a cumprir! Minha família e o convento contam comigo.

— Sua família... seu convento... — Caminhou em direção a ela. — Você é do tipo que deseja agradar a todos, não é Hinata? — Ela não respondeu, apenas o fitava. – Admiro sua inocência. Mas já pensou em agradar a si mesma? Tomar tuas decisões a partir do que lhe vem à cabeça?

— Eu… eu...

— Você é feliz? – Interrompeu-a, aguardando uma resposta. Hinata chegou a abrir a boca para falar, mas engoliu as palavras a seco. — Que coincidência, eu também não. — Sorriu e caminhou até a saída. — Você não encontrará mais nenhuma porta trancada neste castelo, e mais nenhuma objeção da minha parte. Você não é mais uma prisioneira, e sim uma convidada; se quiserdes, podes sair à hora em que lhe for mais conveniente. Entretanto, se escolher ficar, prometo que te protegerei de toda maldade deste mundo. Se escolher ir, espero que tua madre não a castigue a ponto de deixar mais cicatrizes, tão profundas quanto as que tens pelo corpo. — Hinata corou. — Faça uma boa escolha.

— Espere. — Ele a olhou novamente. — Por que me queres por perto?

— Por causa da pureza em teus olhos. — Ela ficou sem reação. — Tua comida esfriará. Desça quando estiveres pronta, e pense com cuidado.

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— Vamos, saia daí! Enfrente-nos! Já sabemos que é o culpado!

Sasuke, com seus passos pesados, saiu de trás do tronco de uma árvore, andando lentamente, com meio sorriso no rosto.

— Não esperava que vocês, gatunos bastardos, viessem tão perto daqui. Ao menos terei o resto do dia livre.

— O único gatuno aqui é você! O que acha que pode fazer?

— Ele vai nos segurar! – Dizia o outro homem, fazendo zombarias e gestos com o braço que faltava em Sasuke.

Sakura percebeu que aquele homem os olhava com um instinto assassino inevitável. Ela temeu por sua vida e recuou alguns passos, mas pensou que era impossível um só homem, ainda mais desprovido de um braço, vencer uma luta contra dois brutamontes armados com espadas. Não queria presenciar uma morte inevitável, mas também não podia dar ordens. A irmã Hinata estava definitivamente no castelo; se não estivesse, porque haveria, então, tanta hostilidade?

Sasuke olhou para o chão, onde, com o pé, separou uma pedra de seixo de outra. Deslizou a sola da outra bota no chão, e numa fração de milésimos, aparecia em frente a um dos dois encarregados, cravando-lhe o punhal de prata no lado esquerdo do pescoço, e dando-lhe um chute poderoso no meio do abdome, que o atirou para longe e o fez chocar-se com uma árvore. Sasuke virou o rosto lentamente para o outro jagunço.

Este sacou a espada e partiu para cima. No momento do golpe, o vampiro segurou o fio da lâmina com as próprias mãos, e a entortou. O capanga ficou estupefato ao ver tamanha força, e, largando a espada, resolveu enfrenta-lo com os próprios punhos. Infeliz decisão! Sasuke podia muito mais que ele. Ao tentar soca-lo, teve o punho detido e foi lançado ao chão com tamanha violência, que deu para escutar nitidamente o estralo da quebra dos ossos que ligavam sua mão ao antebraço. Sasuke pisou em seu pescoço, e envergando um pouco a coluna, disse, devolvendo a zombaria:

— Derrotados por alguém visivelmente mais fraco, não é mesmo? O lugar de vocês, escórias, é no chão, ou abaixo dele. Vocês servirão bem a milorde. Ele adora o sangue daqueles que possuem o costume de subestimar quem não se conhece.

E virando o pé, Sasuke quebrou o pescoço do homem, que soltou um leve gemido antes de falecer.

Sakura estava paralisada. O que havia acontecido ali? Ela mal havia piscado os olhos, e os dois encarregados estavam no chão, mortos. Quem era aquele homem? E o que aconteceria com ela? Sua primeira reação foi tentar fugir, mas suas pernas não obedeciam aos seus comandos; tremiam tanto que, por momentos, tornaram-se dormentes. Sasuke virou-se e a observou.

— Se quisesse fugir, já o teria feito — Disse ele.

Ela tentou articular alguma palavra, algum fonema, mas tudo o que conseguiu foi um gemido agudo, não muito alto. Como um vulto, Sasuke já estava em sua retaguarda, e a segurando com força descomunal, mordeu-a no pescoço. Absorveu o máximo de sangue que pôde. Observou que a garota já estava desmaiada e fria, e a largou inerte no chão. Pegou os corpos dos capangas e os levou para o castelo, deixando-a lá mesmo. Talvez os coiotes fizessem melhor uso de alguém tão desinteressante.

Mas nenhum animal chegou perto. Horas depois, o gélido corpo de Sakura começou a ter pequenos espasmos, que gradualmente foram aumentando. O cadáver se contorcia no chão, de um lado para outro, quase como se estivesse sendo chacoalhado ou possuído por algum youkai* maligno. Fortes tremedeiras continuaram o processo, e ela abriu os olhos; sua retina estava inchada e avermelhada, como se estivesse inflamada; e rodopiante, como se ela estivesse passando por algum delírio dionisíaco e esquizofrênico. Ficou assim por aproximadamente dois quartos de hora, até que, finalmente, o estado de semiconsciência passou. Tentando se levantar com o apoio das duas mãos, a jovem noviça sentia fortes dores e uma dificuldade intensa de manter a respiração. Seus pulmões e outros órgãos pareciam cerrados, nulos. Sua transformação havia apenas começado.

Continua...

Notas finais
Youkai: demônio