Narcolepsia
1 A Mosca na Sopa
Notas iniciais
[Deve ser segunda-feira. O Berno parece impaciente tiquetaqueando a caneta na mesa durante a aula de história. Ninguém liga pra guerra fria ou pra... Nunca prestei atenção na aula de história.]
O sinal tocou agitando toda a escola para a hora da saída, Berno esperou por seu amigo na frente da escola com um cigarro ainda não usado entre os dedos.
— Está ansioso com alguma coisa? — pergunto.
— Briguei com meus pais ontem, trouxe isqueiro?
[O Berno não tem pais, mas tem duas criaturas abomináveis que dizem ter dado a luz a ele e a mais quatro filhos. Não é novidade, eles brigam sempre por qualquer motivo, é a cópia da cópia da cópia.
Acendi seu cigarro esperando qualquer explicação após a tragada, nunca se sabe quando a tinta pode falhar e sair uma cópia diferente.]
— Reclamaram que cheguei muito tarde ontem e me deram um horário pra chegar.
[E a explicação veio.]
— Que horas tem de ir?
— Dezoito e trinta.
— Que horas são?
— Dezoito e doze.
— Saímos oito minutos mais cedo mesmo?
— Parece que sim, vamos?
Os dois foram andando para uma pracinha pouco iluminada ali por perto depois de uma avenida, ainda no caminho Berno recebeu um abraço discreto enquanto caminhavam, desgrudando-se jeitosamente para não chamar a atenção.
— Aqui não, ainda tem gente da escola por perto.
— Desculpa Berno, estava com saudade.
— Eu também — disse com um leve sorrisinho sem tirar os olhos do caminho.
— Te amo.
[Passam vários carros, muitos são brancos. Há uma plantação de algo que parece a coroa do abacaxi em tamanho gigante que tapa a visão deles enquanto sentamos num montinho de terra por trás. Sim, estamos na pracinha. Já está escuro e podemos fazer o que gostamos de fazer aqui.]
— Anda logo — apressou Berno enquanto abria o zíper da calça e punha o todo poderoso para fora. — Temos pouco tempo.
[Acho um pênis uma coisa engraçada e excitante, mas nunca entendi o motivo. É o formato? O cheiro? Sinceramente fede a suór de virilha. Mas só de ver, algo instintivo em mim age e reage, e a vontade que me vem e de colocar aquilo em tudo quanto é buraco no meu corpo.
Puxei toda a pele do magnífico para baixo e suguei, com a lingua grudada e escorregando pelo freio do pênis, toda a glande com o maior cuidado e tesão que pude. A cara de excitação do Berno também era a melhor.]
— Com quem você aprendeu a chupar assim...? — questionou colocando instintivamente as mãos sobre minha cabeça e ajudando a fazer os movimentos de vai e vem. — Carro.
[Apenas por precaução, quem é chupado fica de olho no caso de algum carro ou pessoa se aproximar, não que vejam os dois ali se chupando escondidos atrás da moita, mas é desconfortável e ao mesmo tempo dá aquela sensação de adrenalina, talvez um truque de encenação pra dar uma realidade na coisa. Sempre quis transar no meio da rua.]
— Tá me traindo? — indagou Berno.
— Não, por que?
— Você anda chupando cada vez melhor. Quem você anda chupando?
— Só você, eu juro! — riu. — Não to te traindo.
— Sei...
— Bate uma punhetinha aí, precisamos terminar isso rápido, certo?
Berno pôs a mão por dentro da cueca do seu amigo — agora descoberto namorado — pela abertura da calça, sem ser a do zíper, e apertou o home run do amiguinho enquanto manejava o próprio quando tinha o topo da glande sendo lambido e chupado rapidamente.
— Você demora demais.
— Não me sinto muito à vontade aqui.
Impulsivamente, Berno foi beijado, quando seus olhos se fecharam e entregou-se completamente ao momento. Se passasse alguém ou um carro, só iriam parar depois que ejaculasse.
[Quando os gemidos passaram de "hm" pra "hmmmmmmm", voltei a chupar a flauta doce do amiguinho. Um gemido com tantos M's só pode significar uma coisa.]
— Vou gozar...!
[Primeiro veio um quentinho de sabor suavemente salgado na minha boca, assim que engoli ficou um pouco ácido na garganta e me veio uma ânsia de vômito. É estranhamente bom engolir sêmem.]
— Berno, eu consegui engolir, tudinho.
— Que fofinho — disse com um sorrisinho, guardando a caneta tinteiro de volta na cueca e tirando a mão de dentro da minha. — Agora vamos, vou te deixar no ponto do ônibus e vou pra minha casa.
[Eu quero água.]
No ponto de ônibus, nenhum vinha nem de longe.
— Que horas são?
— São dezoito e vinte e dois.
— A gente caminhou até aqui e eu te chupei em apenas dez minutos? — questionei puxando o celular do bolso dele à força e olhando as horas. — Dezoito e trinta e dois!
— Eu queria ir depois que seu ônibus chegasse, desculpa.
— Vai logo, eu vou ficar bem, prometo — disse beijando-o e abraçando-o moderadamente rápido. — Eu te amo.
— Também te amo... Desculpa, vou indo.
— Te vejo amanhã, Berninho.
[Nunca vou esquecer de hoje: o sabor do mel do seu ferrão, o jeito doido que ele atravessou a rua com carros passando sem nem olhar para os lados, a piscadinha de olho que me deu quando chegou do outro lado da rua com um sinal que militares fazem com a mão na testa e então correndo rapidamente para casa. Foi então que, por trás do ponto de ônibus do outro lado da avenida, surge um braço apontando em sua direção. Por baixo pude ver quatro pés, logo são duas pessoas. Depois de aparentemente discutirem um pouco, saem os pais do Berno que haviam nos seguido sem que notássemos.]
— Meu deus...
[Fiquei com o c* na mão, coração batia mais que a bola batia no gol da Alemanha na copa do Brasil durante a semifinal. Corri em disparada atrás do Berno para avisar o que ia acontecer se ele voltasse para casa...]
Correu 537 KM, cruzou toda a avenida e passou por um viaduto, gritou por ajuda para um rapaz que passava de bicicleta, foi ignorado por parecer um doido. Os pais do Berno estavam de carro e foram ainda mais rápidos, era um celta branco.
[... Mas foi tarde demais. Irônicamente o carro era branco e o céu, com muitas nuvens, acabou ficando também. Deitei no chão recuperando o ar, o melhor que poderia ser feito agora seria voltar pra casa e perguntar se estava tudo bem.]
[E esperar que estivesse tudo bem.]
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