Naquela Manhã de Outono

7 Afetivamente apaixonante


Notas iniciais
Fica comigo pra sempre... Pra sempre Ass. Desconhecido.

— Vem artes visuais, vem artes visuais. – Beijei a folha e a coloquei no correio da melhor faculdade de Cordóba. – Será que eu posso ser chamada?

— Falando sozinha? – Adam sorriu.

— Adam... – Olhei para o outro lado, envergonhada. – Não estava falando sozinha, estava apenas... Na verdade isso não é da sua conta.

— Tudo bem. – Riu.

— Adam! – Gritou Fiona e o abraçou por trás, o deixando envergonhado e ruborizado nas bochechas.

Sorri sem graça.

— Oi Fiona... – Disse.

— Oi Kendra. – Respondeu ágil. – Adam, vamos lá em casa, minha mãe precisa de você pra arrumar a pia, já aproveita e almoça com a gente. – Sorriu, agora o abraçando no braço. Ele hesitou. – Vamos Adam, vem comigo. – Insistiu.

— Kendra você... – Introduziu ele, mas logo o cortei.

— Claro que não. – Forcei um sorriso. – Pode ir.

— Vem, Adam, vem. – Puxou Fiona.

— Eu então... Já vou indo, Tchau. – Ele sorriu.

— Tchau... – Disse olhando para eles indo embora, que quase esqueci. Eu precisava comprar grampos de folhas.

Suspirei e segui caminho. Será que a lojinha do Seu Moura ainda existe? E se ele... Não, Kendra! Pare de pensar bobagens.

Olhei o letreiro que dizia Artigos & Utensílios. Bom, deve servir. Entrei, observando as pequenas estátuas que estavam à mostra.

— Sim, isso mesmo. – Ouvi Seu Judas dizer e logo o procurei, com os olhos, pela loja. – Então ele queria me vender uma Polaroid dizendo que era algo novo. – Riu. – Onde já se viu?

— Seu Judas? – Interrompi.

— Querida. – Ele sorriu e me abraçou. – Aqui Fiorenzo, essa é a...

— Kendra... – Disse o dono da loja.

Arregalei os olhos e introduzi:
— O Senhor é...

— Isso mesmo. – Sorriu. – Fiorenzo Morellos Moura, ou pra você, Seu Mora, pequena Kendra.

****

— Vamos, Adam. – Insistiu Dona Adelaide. – Só mais um pedacinho de bolo. – Sorriu.

— Me desculpa. Eu não aguento mais. – Respondi, quase rindo. Fiona estava em pé, atrás de mim com as mãos em meus ombros.

— Mãe! Para de querer engordar o Adam. Ele não quer mais comer. — Fiona se abaixou e antes que percebesse, ela me deu um beijo na bochecha. – Adam, vamos pra sacada?

****

— Sim. Sim. A melhor cidade de todas. – Sorri, sentada no banco de frente para o balcão.

— Seu Moura, estas são as ultimas. – Disse alguém por trás das caixas empilhadas. – Senhor precisa de mais alguma coisa...? – Deixou as caixas no chão e logo vi quem era. Mas parece que ele também me reconheceu.

— Apenas isso, Jeff. – Respondeu Seu Moura. – A propósito, já conheceu a Kendra? Ela é a nova-antiga moradora da cidade.

— Oi. – Disse Jeff, quase sério.

— Oi. – Respondi, tão animada quanto ele.

— Judas, eu precisava de uma mão de obra sua, tenho um problema aqui neste aparelho. – Apontou. – Venha cá ver. – Disse Seu Moura entrando no estoque, logo seguido por Seu Judas.

Jeff continuou me olhando, e eu para ele.

— Kendra, eu... – O interrempi, me levantando da cadeira e pegando a sacola do balcão.

— Já vou. – Segui pra saída, mas sua mão me segurou no pulso.

— Espera, é que... Me comportei mal naquela noite. Queria me desculpar. – Prosseguiu.

— E já se desculpou. – Puxei o braço. – Licença.

— Espera, Kendra... – Me agarrou agilmente pela cintura, e puxou me deixando cara a cara com ele. Assustada, o olhava com os olhos quase arregalados – Eu não quis te amedrontar ou ter agido daquela maneira. Eu só... Eu fui impulsivo. Me desculpa. – Disse suavemente, me olhando nos olhos. Me deu um leve beijo na bochecha. – Como pedido de desculpas.

Fiquei com medo de dizer algo que o irrita-se e o fizesse me machucar.

— Tudo bem, eu te desculpo. Pode... Me soltar? – Disse quase me arrependendo do pedido.

— Claro. – Sorriu e me soltou. – Você tá indo pra onde?

— Lanchonete.

— Eu te levo.

— Eu vou sozinha. – Disse ainda temendo ele.

Comi desconfortável olhando para ele, que desviava o olhar.

— Você quer mais batata? – Perguntou.

— Não...

— Sabe, não quero que você possa pense que sou o monstro que aparentei. – Me olhou nos olhos.

— Já penso.

— Kendra. – Ele me tocou na mão. – Eu gosto mesmo de você. – Puxei a mão.

— Você não me conhece.

— Mas eu quero. – Insistiu em segurar minha mão.

— Já acabei por aqui. – Puxei a mão de novo e levantei. Tonta. Bambeei.

— Kendra! – Levantou rápido para me ajudar.

— Sai, sai. – O empurrei devagar, sem força. – Eu... – Minha perna fraquejou, mas logo Jeff me segurou, assustado. – Estou bem, estou bem. – Insisti em dizer.

— Não prefere ir para o posto? É aqui do la...

— Me leva pra casa, por favor. – Interrompi.

— Tá bom. – Disse ele, me sentando na cadeira. – Um minutinho, não se mexe.

E em pouquíssimos minutos estávamos próximos de casa. Esse é o ponto positivo de motos. Eu o abraçava apertado. Não sei do que tinha mais pavor, de cair da moto, ou dele. Talvez no momento eu tivesse esquecido esse meu segundo medo.

— Chegamos. – Disse ele. – Você mora sozinha?

— Moro. – Respondi, descendo da moto e tirando o capacete.

— Tem certeza que fica melhor sozinha?

— Tenho. Obrigada, Jeff. – Entreguei o capacete, que ele colocou no braço. Abri a porta. – Tchau.

— Tchau, Kendra.

Sorri e fechei a porta, já procurando meu telefone na cozinha.

****

Encostado na parede, Fiona se aproximou de mim.

— Ei não precisa ficar tão longe. – Comentou, e veio a minha frente. – Tarde fria essa não é? – Sorriu.

— Sim, sim. – Respondi, pouco tímido.

Fiona então passou os braços por cima dos meus ombros, me abraçando e olhando nos olhos. Sorri e a abracei pela cintura.

— Agora está melhor. – Ainda sorrindo. Ela ficou na ponta dos pés e aproximou os lábios aos meus... Foi quando meu telefone tocou, e o ignorando, Fiona persistiu a vir me beijar. A abracei mais apertado e pude sentir o vibrar do meu celular, que parecia a cada segundo mais irritante. Virei o rosto e a soltei.

— Com licença. – Disse me afastando dela e atendi o telefone. – Mãe?

****

Ouvi o bater na porta. E com dificuldade segui até ela, e a abri forçando um sorriso.

— Bria... Adam?

— Mas o que aconteceu contigo? – Questionou, preocupado. – Sua pele está pálida.

— Entra. – Sorri fraco e o guiei para dentro com as mãos. Assim que ele entrou, fechei a porta. – Você pode, por favor, pegar aquele... – Apontei o remédio em cima do armário. Adam o pegou e me deu. Tomei o comprido com meio copo de água.

— Vem cá, Kendra. – Adam me segurou gentilmente. – Você precisa descansar. – Me guiou até o quarto, e me deitou na cama. Deitou ao lado e erguendo minha cabeça sutilmente a colocou sobre o seu peito. – Você só precisa descansar. Vai melhorar. – Sorriu.

Notas finais
Oi, queridos. Gostaria de dizer que revisei todos os capítulos anteriores e os atualizei, não houve muitas mudanças significativas, mas se quiserem >< Deem uma olhada. Muito obrigada s2 E me desculpa pela grande quantidade de palavras, me empolguei >3< Mas não quero encurtar. Muito possivelmente vou querer fazer isso no futuro, então kkk
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.