Nanny
1 Capítulo Único- Nanny
Notas iniciais
Ser filha de dois agentes da S.H.I.E.L.D. não era a coisa mais fácil do mundo, e Izabella Morse Hunter sabia disso. Depois da décima vez que implorava à sua mãe — mais conhecida como Bobbi, Mockingbird — para deixá-la ir à festa de aniversário da sua melhor amiga e a mulher negar o pedido, ela saiu correndo para o quarto.
Izzy não conseguia entender porque seus pais não a deixavam ir a uma festa. Ou a uma noite de pijama com suas amigas. Ela não era uma criança mais, ela tinha quase 15 anos! Chateada, começou a rodar seus bastões no quarto, tentando não quebrá-los com a raiva que sentia, já que Fitz prometera que aquele par seria o último, se ela continuasse os quebrando em descontroles emocionais.
— Não fique assim, little bird. — Hunter encostou-se no batente da porta, observando a filha. — Sua mãe só quer que você fique segura.
— Mas papai, eu sei me cuidar. — ela resmungou.
Realmente, Izzy sabia se cuidar. Aprendeu a lutar com a mãe e a Cavalaria quando tinha apenas cinco anos. Habilidades de arqueira com o "tio Clint" aos oito — para ódio de Hunter, por ter o ex-marido da mulher dando lições para a própria filha. Para se vingar, Lance ensinou a menina a arrombar todo tipo de fechadura e cofres, a desgosto de Bobbi, que sempre achava as gavetas da casa abertas e suas maquiagens espalhadas.
— Espere um pouco, Izzy. Bobbi precisa ter certeza que você será responsável e não ocorrerá nenhum problema, tipo um super vilão aparecendo entre um monte de adolescentes para reclamar de uma unha quebrada. — a menina riu, e Hunter se sentiu vitorioso. — Prepare-se, porque Fitz e Simmons chegarão mais tarde.
— Com a Peggy? -Izzy perguntou, já empolgada com a visita.
— Ah, com certeza. Não acredito que a Caval... May ficará de babá.
E alguns minutos após Hunter abandonar o quarto da filha — que dedicou toda sua atenção a uma série qualquer na TV — Fitz e Simmons estacionaram na frente da casa. Peggy desceu do carro assim que o pai abriu a porta e a livrou da cadeirinha, tentou equilibrar-se pela entrada, ainda ensaiando os poucos passos. Bobbi a pegou assim que chegou na porta.
— Olha quem está enorme. — A loira apavorou-se com o tamanho da menina. -Parece que foi semana passada que eu fiz o parto no meio de uma missão. -
Jemma, que se aproximava, girou os olhos.
— Você sempre se lembra disso! — as duas se cumprimentaram.
— Talvez seja a melhor coisa que eu fiz na vida. — Bobbi começou a fazer caretas e a bebê sorriu.
— Jemma, sem enrolação. — Fitz se aproximou, indicando para todos entrarem. Bobbi sentiu o clima tenso. — Temos ordens. Do Fury.
Izzy saiu do quarto correndo, abraçando os visitantes e pegando a bebê no colo.
— O que está acontecendo, Fitz? — Hunter perguntou, se sentando na mesinha de centro, em frente ao sofá onde os cientistas estavam.
— Fury pediu que Coulson mandassem dois cientistas e dois especialistas para Bucharest. Parece que Radcliffe teve mais uma ideia que não saiu bem. — Todos lembravam da confusão da AIDA, e sabiam o quão errado os experimentos do cientista podiam dar.
— E quando partimos? — Bobbi já se levantava em direção ao quarto.
— Preciso arrumar uma babá para a Peggy. — a cientista parecia histérica. Não era a primeira vez que deixava a criança sozinha, mas era a primeira vez que a deixaria com alguém estranho. — Daisy e Coulson estão do outro lado do mundo seguindo o rastro do Robbie. May e Mack estão na Academia.
— Eu posso ficar com a Peggy! — Izzy exclamou do outro lado da sala, onde brincava com a menina no chão. Todos olharam para ela que ruborizou até os primeiros frios loiros. — Nós nos damos bem, e eu sei trocar fraudas e dar a mamadeira.
— Por mim tudo bem. — Jemma disse, sorrindo para a "sobrinha".
Bobbi olhou sério para a garota. Não achava muito responsável deixar uma criança cuidando de outra.
— Olha, Jem... Eu não ach.... — ela começou a contrariar.
— Mãe, por favor??? — Izzy dava pequenos pulinhos a sua frente, com a neném no colo, o que fazia ela gargalhar. — Eu prometo que eu vou ser responsável. E quando vocês voltarem, talvez você possa repensar sobre a festa da Esther... – ela disse. Mockingbird ponderou por alguns segundos.
— Tudo bem. — Izabella comemorou. — Vamos estar sem comunicações, e devemos voltar antes que anoiteça. Qualquer problema ligue para May.
— A cavalaria? Não, obrigada! — a menina se encolheu ao olhar duro da mãe. — Okay, May, discagem rápida, número 1.
Os agentes em pouco tempo estavam prontos, com seus uniformes correspondentes e todo armamento disponível da casa. Jemma entregou a bolsa para a adolescente com tudo que seria necessário para as próximas horas, enquanto Fitz montava o cercadinho. Despediram-se das meninas e dirigiram rapidamente para o aeroporto onde estava o Zephyr One.
— Então, agora somos só nós duas. — a neném olhou com curiosidade a mais velha. Izzy pegou Peggy e a colocou no cercadinho, junto com seu brinquedo favorito, um polvo vermelho de pelúcia. — Seus pais realmente são estranhos...
Ela ficou em volta do cercadinho durante algum tempo, mas a menor rapidamente perdeu o interesse, se entretendo com os próprios brinquedos. Mais fácil do que ela acreditou, pensou consigo mesma. Buscou seu computador no quarto para voltar a ver sua série, enquanto respondia a mensagem de Esther:
"Tudo certo, acho que dessa vez eu conseguirei a autorização."
Enquanto isso, Melinda observava todos os passos da equipe na base. Bobbi acabava de manobrar o jatinho e todos haviam descido na pista de pouso, porém ela permaneceu a bordo:
— May, eu preciso que você ative as câmeras na minha casa e fique de olho na Izzy. — ela falou séria para a tela que projetava a chinesa.
— Agente Morse, eu não tenho tempo para ficar de bab...
— Preciso que você a observe. Izzy está cuidando de Peggy, e ela é apenas uma garota de 14 anos... Não sei se ela vai dar conta, e nos vamos estar incomunicáveis de qualquer forma.
— Tudo bem. — assim que a convenceu, Bobbi passou todos os códigos. — Tenho acesso. Peggy está no cercadinho e Izzy do lado, usando o computador.
— Espero que ela não esteja usando os ensinamentos que Daisy lhe deu depois da última visita. — Bobbi rolou os olhos lembrando em como a filha havia invadido o sistema da SHIELD e postado fotos do diretor usando um tutu. Desligou o contato com a agente e seguiu seus companheiros de equipe.
*****
Izabella tentava acalmar Peggy, que chorava no cercadinho.
— Hey, neném. – ela a pegou no colo. — Você quer o que? — o bebê continuou resmungando. — Quer brincar?
Izzy levou a criança para dentro do seu quarto, tentando encontrar algo que a distraísse, Peggy tombou para os bastões, que estavam sobre a mesa.
— Você quer um dos brinquedos do papai? — a garota pegou os bastões, tendo certeza que estavam desligados antes de dá-los para o bebê. Ela gargalhou, aproveitando o novo brinquedo.
Izzy voltou para a sala se deparando com uma figura estranha.
— Muito bom te encontrar novamente, Mockingbird ... — o homem alto que estava de costas, se virou, e estava usando uma máscara.
— Ossos Cruzados? — Izzy desceu a menina do colo, colocando-a atrás de si e buscando seus bastões.
— Quero saber como você ainda está tão nova mesmo depois de todos esses anos. — o vilão se aproximou, e ela começou a recuar de volta ao corredor puxando a bebê pela mão.
— Meu nome é Izabella. — ela disse firme, abrindo a primeira porta e prendendo a criança lá. — Mockingbird é minha mãe.
— Tal mãe, tal filha. — ele avançou tentando acertar a menina com um soco no rosto. Ela desviou e acertou o peito dele com os bastões. Ele se enfureceu, e os dois começaram a duelar, com alguns socos e chutes. A armadura fazia os golpes de Izzy terem menos impacto que ela desejava, e isso a deixava exausta e frustrada.
Em um golpe traiçoeiro, Ossos Cruzados conseguiu prender a garota no chão.
— Então a vingança vai ser melhor. A filha guerreira e o bebê vão causar verdadeiro sofrimento na passarinho. — ele sorriu, dando um soco final no estômago de Izzy.
Assim, ele cometeu seu erro. Ele se virou para a porta onde Peggy estava, acreditando que tinha acabado com a garota. Mas Izzy reuniu as últimas forças e pressionou os bastões na fresta da armadura, aplicando a maior potência eletrica do bastão. O homem caiu no chão ao mesmo tempo em que a porta era arrombada e May entrava, junto com alguns agentes da SHIELD.
— O que aconteceu aqui? — May exclamou ao encontrar a cena. Izzy a ignorou por alguns segundos para abrir a porta e pegar Peggy que chorava no banheiro.
— Ossos Cruzados queria algo com a minha mãe, eu derrubei ele. — ela limpou um pouco de sangue que escorria do nariz e colocou Peggy no cercadinho.
— Eu vi. Vocês já estavam lutando quando percebi, porque estava coordenando a missão do Coulson. — a mulher não acreditava na sua falta de atenção. — Por que você não me ligou?
— Ele nunca deixou que eu chegasse perto do telefone. — Izzy andou alguns passos além do sofá e mostrou o celular.
Os agentes que acompanhavam Melinda carregaram Ossos Cruzados para fora, e a chinesa preparou os curativos da menina.
— Vocês duas vão para a base comigo. Não quero mais nenhum super vilão atrás de vocês.
**********
Depois de algumas horas, os pais das garotas chegaram. Izzy estava empoleirada no sofá da sala de reunião e Melinda alimentava Peggy na cozinha. Ela passou todos os fatos ocorridos durante a tarde e Jemma segurou sua filha, ciente de todo perigo que correra.
Bobbi e Hunter seguiram para a sala de reuniões. A loira tinha uma expressão séria no rosto.
— Não brigue com ela. — Hunter pediu. Bobbi apenas o olhou e abriu a porta.
— Mamãe, não foi minha culpa... Eu estava voltando com a Peggy e... — Bobbi cortou a filha com um abraço forte.
— Tudo bem Izzy, você foi uma heroína. — A mãe falou, feliz por ela estar bem. Hunter se juntou ao abraço. Depois de alguns minutos, eles se separam. — E você pode ir para a festa da Esther, tenho certeza que se aparecer qualquer vilão quem terá problemas será ele.
A menina deu um gritinho e saiu pulando pela base, dando a notícia a todo mundo que encontrava que finalmente iria para sua primeira festa.
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